- Avaliação interna — sem Exame Final Nacional
- Literaturas de Língua Portuguesa não tem Exame Final Nacional nem prova de ingresso do IAVE. A lista das disciplinas com Exame Final Nacional do Ensino Secundário inclui Literatura Portuguesa (código 734) — uma disciplina DIFERENTE, bienal, do 10.º e 11.º anos, dedicada à história da literatura portuguesa. Literaturas de Língua Portuguesa é uma disciplina anual de opção do 12.º ano, avaliada exclusivamente por avaliação interna, contínua e formativa, segundo os critérios definidos por cada escola a partir das Aprendizagens Essenciais e do Perfil dos Alunos. Por isso, cada secção deste dossiê traz um « Foco de avaliação » — aquilo que as avaliações internas genuinamente valorizam (a leitura analítica do texto, o comentário fundamentado, a comparação entre tradições literárias) — e nunca um exame que não existe. Não se apresenta neste dossiê qualquer código de prova, cotação ou estatística de exame.
- Documento em vigor e organização por domínios
- O documento curricular em vigor são as Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (DGE, agosto de 2018), ao abrigo do Decreto-Lei n.º 55/2018. O antigo Programa de Literaturas de Língua Portuguesa (homologado em 2002), de onde vem a organização tradicional dos módulos que este dossiê segue, foi revogado enquanto programa pelo Despacho n.º 6605-A/2021 — pelo que a referência normativa é sempre a das AE. As AE organizam a disciplina em três domínios: LEITURA LITERÁRIA (leitura crítica e autónoma, interpretação do sentido global e da intencionalidade comunicativa com base em inferências, reconhecimento da organização interna e externa do texto, de temas, ideias principais e pontos de vista, compreensão dos recursos expressivos na construção do sentido, contextualização de obras de vários géneros e modos literários atendendo aos diversos paradigmas nacionais); ESCRITA (relacionar textos literários com outros e com outras manifestações estéticas, cumprir as fases de pesquisa, planificação, redação, revisão e publicação, escrever comentários literários e textos expositivos e argumentativos); e ORALIDADE (refletir sobre a língua portuguesa na sua diversidade, produzir textos orais em situações formais, debater de forma sustentada pontos de vista suscitados pela leitura, usar a metalinguagem adequada).
- A exigência nuclear das AE — obras de, pelo menos, cinco países de língua portuguesa
- A aprendizagem essencial estruturante da disciplina é « conhecer as características de obras literárias de, pelo menos, cinco países de língua portuguesa », de entre sete, cada um com os seus eixos temáticos próprios: Angola (as periferias urbanas, suas metamorfoses e lições de resistência; os mundos da literatura de transmissão oral; os rituais de vida, amor e morte e a sua dimensão exemplar); Brasil (os retratos da infância; os heróis sertanejos itinerantes e complexos; os microcosmos regionais); Cabo Verde (as histórias de meninos nas ilhas; o preço da insularidade e a emigração; a realidade urbana e as marcas do desenvolvimento); Guiné-Bissau (as narrativas de transmissão oral; literatura e outras artes como modalidades de preservação das memórias coletivas); Moçambique (os olhares dos escritores sobre o Índico; literatura e recuperação da História); São Tomé e Príncipe (autores impulsionadores da ideia de África como exemplo para o Mundo; os fenómenos culturais e literários associados ao teatro coletivo e de rua); e Timor-Leste (literatura e fundação da nação independente; matrizes da oralidade, nas suas dimensões exemplares e morigeradoras). Fecha o elenco a atitude a desenvolver: « valorizar a diversidade cultural, de vivências e de mundivisões presentes nos textos ».
- O que a avaliação interna valoriza — e o rigor factual deste dossiê
- As avaliações internas desta disciplina apoiam-se sobretudo no comentário literário escrito, na análise e interpretação de textos, no ensaio expositivo-argumentativo sobre temas estudados, na apresentação oral e no debate, e no trabalho de projeto (com pesquisa, tomada de notas e sistematização de diferenças e semelhanças entre culturas). Valorizam a leitura próxima do texto — a capacidade de fundamentar uma leitura em elementos textuais concretos — e a comparação intercultural feita com conhecimento de causa. Consequentemente, todo o material de treino deste dossiê são exercícios resolvidos passo a passo e propostas de prática honestamente apresentadas como tal. Cada autor, obra, revista, geração, movimento e data aqui citados são reais e verificados; onde uma atribuição é discutida entre críticos, isso é dito. Não se inventam obras, prémios, citações nem datas.