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Resumos/Literaturas de Língua Portuguesa/Romantismo e busca de nacionalização da literatura brasileira
Resumos · Literaturas de Língua PortuguesaPT · Secundário

Romantismo e busca de nacionalização da literatura brasileira

Depois da independência política de 1822, o Brasil quis dar-se também uma literatura própria: o Romantismo é esse projeto deliberado de nacionalização, que faz da natureza tropical e do índio o mito de fundação, atravessa as três gerações da poesia e ergue, com José de Alencar, o romance de fundação. O percurso fecha-se com Machado de Assis, que em 1873 recusa o localismo pitoresco e propõe « um certo sentimento íntimo » como critério de brasilidade. Literaturas de Língua Portuguesa é disciplina anual de opção do 12.º ano, avaliada exclusivamente por avaliação interna: não tem Exame Final Nacional.

4 secções·~26 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0222 / 12
Perfil de exame
Situar o Romantismo brasileiro no projeto político-cultural de nacionalização da literaturaDistinguir e caracterizar as três gerações da poesia romântica brasileiraAnalisar o romance de fundação de José de Alencar nos seus três ciclosInterpretar criticamente a passagem do Romantismo ao Realismo com Machado de Assis, num percurso avaliado apenas por avaliação interna — a disciplina não tem Exame Final Nacional
Operadores:situacaracterizaanalisainterpretarelacionacomparacomentajustifica

nível básico

Reconhecer o projeto de nacionalização, as três gerações românticas e as obras maiores de Gonçalves Dias, Castro Alves e José de Alencar.

nível avançado

Analisar criticamente o indianismo como mito de fundação e discutir a tese do « instinto de nacionalidade » de Machado de Assis.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Romantismo e busca de nacionalização da literatura brasileira
    • 01Independência e projeto de uma literatura nacional (1822–1836)○
    • 02A poesia romântica: as três gerações◐
    • 03José de Alencar e o romance de fundação◐
    • 04Do Romantismo ao Realismo: Machado de Assis e o « instinto de nacionalidade »●
§ 01

Independência e projeto de uma literatura nacional (1822–1836)#

●○○BaseLPAE-literatura-de-lingua-portuguesa-12-brasil-romantismo

Pontos-chave

A independência do Brasil foi proclamada a 7 de setembro de 1822, mas a independência literária não se seguiu automaticamente à independência política. O novo Império herdara três séculos de vida colonial: as formas, os modelos e o próprio gosto continuavam a vir de Lisboa e de Paris, e os autores nascidos no Brasil não tinham ainda uma tradição própria a que referir-se. A geração romântica assume então uma tarefa simultaneamente estética e política: dar ao Brasil, pela palavra, a fisionomia que 1822 lhe dera pelo direito (ver Fig. 1).

Da Independência à Academia: o arco do século XIX brasileiro

Da Independência à Academia: o arco do século XIX brasileiroLinha do tempo de 1820 a 1905, 1822: Independência do Brasil, 1836: «Suspiros Poéticos», 1846: «Primeiros Cantos», 1857: «O Guarani», 1868: «O Navio Negreiro», 1873: «Instinto de Nacionalidade», 1881: «Brás Cubas», 1897: Academia de Letras, 1836–1881: Romantismo brasileiro18201905anoRomantismobrasileiro1822Independência doBrasil1836«SuspirosPoéticos»1846«PrimeirosCantos»1857«O Guarani»1868«O NavioNegreiro»1873«Instinto deNacionalidade»1881«Brás Cubas»1897Academia deLetras
Fig. 1Fig. 1 — O arco do século XIX brasileiro, da independência política (1822) à fundação da Academia Brasileira de Letras (1897); a barra assinala a datação habitual do Romantismo, e 1836 é o ano dos «Suspiros Poéticos e Saudades» e da revista «Niterói».
O gesto inaugural é habitualmente datado de 1836, e não de 1822. Nesse ano, Domingos José Gonçalves de Magalhães publica «Suspiros Poéticos e Saudades», impresso em Paris, e lança a revista «Niterói», cuja divisa condensa o programa inteiro: « tudo pelo Brasil e para o Brasil ». Na mesma revista assina um ensaio sobre a história da literatura do Brasil, habitualmente considerado o primeiro esboço de uma história literária nacional — atribuição corrente na crítica, não um facto fechado. Repare-se no paradoxo fundador: a literatura nacional brasileira nasce impressa na Europa e escrita segundo modelos europeus.
O programa assenta em três pilares. O primeiro é a natureza: a paisagem tropical — a palmeira, a mata, o rio, o sabiá — deixa de ser cenário para se tornar marca identitária. O segundo é o índio, elevado a antepassado mítico e a herói fundador; já o indianismo árcade do século XVIII lhe dera um lugar de herói épico (revisão), mas a novidade romântica está no caráter programático da operação. O terceiro é a língua: um português que incorpore o léxico de origem indígena, os brasileirismos e a sintaxe do uso local, questão que José de Alencar levará às últimas consequências. A estes junta-se, já na terceira geração, um quarto motivo de sinal muito diferente — a denúncia da escravatura, que faz da literatura um instrumento de intervenção cívica.
O modelo vem da Europa e é adaptado com deliberação: dele o Brasil recebe o culto da natureza, o gosto pelo primitivo — o « bom selvagem » de raiz rousseauniana, o indianismo de Chateaubriand —, o subjetivismo byroniano e a poesia social de Victor Hugo. O que muda é a função: onde o romântico europeu procurava na Idade Média o passado fundador da nação, o brasileiro não dispunha de Idade Média nenhuma e pôs no lugar do cavaleiro o índio, no lugar da floresta europeia a mata tropical (ver Fig. 2). Nasce daqui uma fragilidade decisiva: se ser brasileiro é falar de índios e de palmeiras, a brasilidade reduz-se a um inventário de temas — e é contra essa redução que Machado de Assis se levantará em 1873.

A transposição do modelo romântico europeu

Romantismo europeuRomantismo brasileiropassado fundadora Idade Médiapassado fundadoro mundo anterior a 1500o heróio cavaleiroo heróio índioo cenárioo castelo e a florestao cenárioa aldeia e a matamesma estrutura mítica, matéria americana
Fig. 2Fig. 2 — A transposição do modelo: faltando ao Brasil uma Idade Média, o índio ocupa o lugar do cavaleiro no mito de fundação.
Exemplo resolvido

Distinguir a independência política da independência literária

Um manual afirma que « a literatura brasileira tornou-se independente em 1822 ». Comenta a afirmação, corrigindo-a e justificando a data que a crítica prefere.

  1. 01Isolar o que a data designa

    A 7 de setembro de 1822 proclama-se a independência política: nasce um Estado, não uma literatura.

  2. 02Observar o que não mudou

    Depois de 1822, as formas e os critérios de gosto continuaram a ser europeus; não havia ainda uma tradição a que os autores brasileiros pudessem referir-se como sua.

  3. 03Identificar o verdadeiro marco

    Só em 1836, com «Suspiros Poéticos e Saudades» e a revista «Niterói», surge um programa explícito — « tudo pelo Brasil e para o Brasil ».

  4. 04Formular a distinção

    A independência literária não é um acontecimento, mas um projeto: exige matéria própria, língua própria e público próprio.

Resultado: A afirmação é imprecisa: 1822 é a data da independência política. A independência literária data-se habitualmente de 1836, ano de «Suspiros Poéticos e Saudades» e da revista «Niterói», cuja divisa enuncia pela primeira vez o programa de nacionalização — que não é um acontecimento, mas um projeto de longa duração.

Schritt-für-Schritt Erklärung4 Schritte
  1. 1

    A 7 de setembro de 1822 o Brasil torna-se independente de Portugal. Politicamente é um país novo; literariamente, continua a escrever segundo os modelos de Lisboa e de Paris.

  2. 2

    O gesto inaugural data-se habitualmente de 1836: Gonçalves de Magalhães publica «Suspiros Poéticos e Saudades», impresso em Paris, e lança a revista «Niterói», cuja divisa diz tudo — « tudo pelo Brasil e para o Brasil ».

  3. 3

    O programa assenta em três pilares: a natureza tropical como marca identitária, o índio como antepassado mítico e a língua como questão nacional. Onde o europeu tinha a Idade Média e o cavaleiro, o Brasil põe o mundo indígena e o guerreiro.

  4. 4

    Guarda a data e guarda o paradoxo: a literatura nacional brasileira começa impressa em Paris e com formas europeias. É desse paradoxo que nascerá, em 1873, a crítica de Machado de Assis.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar, num texto expositivo fundamentado, por que razão a independência política de 1822 não trouxe consigo uma literatura independente.
  • Situar com rigor 1836, «Suspiros Poéticos e Saudades», a revista «Niterói» e a sua divisa: a contextualização histórico-literária é exigência da leitura literária.
  • Reconhecer os três pilares do projeto — natureza, índio, língua — num texto do período, justificando com marcas textuais concretas.

Erros frequentes

  • Confundir a independência política (1822) com a independência literária, habitualmente datada de 1836.
  • Situar no Brasil a publicação de «Suspiros Poéticos e Saudades»: a obra saiu impressa em Paris — o pormenor faz parte do paradoxo fundador.
  • Tomar o indianismo por etnografia: o índio literário do período é uma construção ideológica destinada a fundar a nação, não um retrato dos povos indígenas.

Revisão ativa

Num parágrafo de cerca de 150 palavras, explica por que razão a crítica situa em 1836, e não em 1822, o início do Romantismo brasileiro, referindo «Suspiros Poéticos e Saudades», a revista «Niterói» e a sua divisa.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A poesia romântica: as três gerações#

●●○PadrãoLPAE-literatura-de-lingua-portuguesa-12-brasil-romantismo

Pontos-chave

A crítica organiza habitualmente a poesia romântica brasileira em três gerações. Não é uma divisão cronológica rígida — há sobreposições, e Fagundes Varela transita entre elas —, mas um critério temático e tonal muito produtivo: a primeira olha para fora, para a terra e para o índio; a segunda olha para dentro, para o eu e para a morte; a terceira olha para o outro, para o escravizado e para a praça pública. É a mesma escola a percorrer três atitudes do sujeito romântico, e é essa progressão que interessa dominar (ver Fig. 3).

As três gerações da poesia romântica brasileira

As três gerações da poesia romântica brasileiraTabela com 4 colunas e 7 linhas, Dados: Aspeto · 1.ª geração — nacionalista · 2.ª geração — ultrarromântica · 3.ª geração — condoreira; Olhar dominante · Para fora: a terra e o índio · Para dentro: o eu e a morte · Para o outro: o escravizado; Tom · Épico, solene, saudoso · Melancólico, irónico, mórbido · Oratório, indignado, profético; Temas · Natureza, mito de fundação, saudade · Mal do século, tédio, amor ideal, morte · Abolição, liberdade, justiça, amor sensual; Autor maior · Gonçalves Dias (1823–1864) · Álvares de Azevedo (1831–1852) · Castro Alves (1847–1871); Obra-chave · «Primeiros Cantos» (1846) · «Lira dos Vinte Anos» (1853) · «Espumas Flutuantes» (1870); Recursos dominantes · Comparação, enumeração, apóstrofe à pátria · Antítese, gradação, exclamação, ironia · Hipérbole, anáfora, apóstrofe, antítese; Modelo europeu · Chateaubriand, o bom selvagem · Byron, Musset · Victor Hugo, célula destacada: Para o outro: o escravizadoASPETO1.ª GERAÇÃO —NACIONALISTA2.ª GERAÇÃO —ULTRARROMÂNTICA3.ª GERAÇÃO —CONDOREIRAOLHAR DOMINANTEPara fora: a terra e o índioPara dentro: o eu e a mortePara o outro: o escravizadoTOMÉpico, solene, saudosoMelancólico, irónico,mórbidoOratório, indignado,proféticoTEMASNatureza, mito de fundação,saudadeMal do século, tédio, amorideal, morteAbolição, liberdade,justiça, amor sensualAUTOR MAIORGonçalves Dias (1823–1864)Álvares de Azevedo(1831–1852)Castro Alves (1847–1871)OBRA-CHAVE«Primeiros Cantos» (1846)«Lira dos Vinte Anos» (1853)«Espumas Flutuantes» (1870)RECURSOSDOMINANTESComparação, enumeração,apóstrofe à pátriaAntítese, gradação,exclamação, ironiaHipérbole, anáfora,apóstrofe, antíteseMODELO EUROPEUChateaubriand, o bomselvagemByron, MussetVictor HugoO mesmo Romantismo em três atitudes: a terra, o eu, o outro.
Fig. 3Fig. 3 — As três gerações da poesia romântica brasileira.
A primeira geração, nacionalista e indianista, tem em Gonçalves Dias (1823–1864) a sua voz maior. A «Canção do Exílio», escrita em Coimbra em 1843 e publicada em «Primeiros Cantos» (1846), é o poema fundador do sentimento nacional brasileiro: em redondilha maior e com epígrafe tomada a Goethe, opõe o aqui do exílio europeu ao lá da pátria distante — « Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá » —, e a saudade converte-se em argumento identitário. O indianismo do autor culmina em «I-Juca-Pirama», dos «Últimos Cantos» (1851), cujo título tupi designa o guerreiro que há de ser morto e é digno de o ser: aprisionado pelos Timbiras, um guerreiro tupi chora ao pedir que o libertem para cuidar do pai cego, é desprezado como indigno e acaba por combater para provar o seu valor. A variação métrica e o conflito entre dever filial e honra guerreira dão ao índio a estatura moral do herói épico clássico — projeto que «Os Timbiras» (1857), epopeia inacabada, quis levar mais longe.
A segunda geração, ultrarromântica e byroniana, vira as costas ao programa nacional e mergulha no eu. É a geração do « mal do século »: o tédio, a obsessão da morte, o amor idealizado e por isso inatingível, a fuga no sonho e na noite. Álvares de Azevedo (1831–1852), morto aos vinte anos, é a sua figura emblemática: a «Lira dos Vinte Anos», póstuma (1853), organiza-se em partes de tom deliberadamente contrastante, passando do amor ideal e pudico à ironia sarcástica e ao macabro; em prosa, «Noite na Taverna» leva o gosto do horror até ao conto fantástico. Casimiro de Abreu dá à mesma geração um tom mais suave: em «As Primaveras» (1859), a saudade da infância — «Meus oito anos» é o poema emblemático — substitui o desespero pelo enternecimento.
A terceira geração, dita condoreira — do condor, a ave que voa alto sobre os Andes, imagem da liberdade —, forma-se sob o signo de Victor Hugo e devolve a poesia à praça pública. Castro Alves (1847–1871) é o poeta dos escravos: em «O Navio Negreiro», escrito em 1868 e recolhido postumamente em «Os Escravos» (1883), o olhar desce do alto-mar luminoso ao porão do navio e converte a descrição num libelo abolicionista. «Espumas Flutuantes» (1870), o único livro de poesia que publicou em vida, mostra o outro Castro Alves, o da poesia amorosa e sensual. Aqui o sujeito da nação já não é o índio mítico, mas o africano escravizado do presente: a literatura torna-se instrumento de intervenção cívica (ver Fig. 4).

Cronologia da poesia romântica brasileira

Cronologia da poesia romântica brasileiraLinha do tempo de 1840 a 1890, 1843: «Canção do Exílio», 1846: «Primeiros Cantos», 1851: «Últimos Cantos», 1853: «Lira dos Vinte Anos», 1857: «Os Timbiras», 1859: «As Primaveras», 1868: «O Navio Negreiro», 1870: «Espumas Flutuantes», 1883: «Os Escravos»18401890ano1843«Canção doExílio»1846«PrimeirosCantos»1851«Últimos Cantos»1853«Lira dos VinteAnos»1857«Os Timbiras»1859«As Primaveras»1868«O NavioNegreiro»1870«EspumasFlutuantes»1883«Os Escravos»
Fig. 4Fig. 4 — Cronologia da poesia romântica brasileira. atenção, 1843 e 1868 são datas de escrita — a «Canção do Exílio» só sai em «Primeiros Cantos» (1846) e «O Navio Negreiro» só é recolhido em «Os Escravos» (1883).
O estilo condoreiro é oratório, feito para ser dito em voz alta, e nele reconhecem-se os recursos que as Aprendizagens Essenciais destacam. A hipérbole amplifica a realidade até à dimensão cósmica, de modo que um crime passa a envolver o mar e o próprio céu; a apóstrofe interpela diretamente Deus, o mar, o navio e o auditório; a anáfora repete o mesmo arranque de verso em cadeia, gerando o ritmo martelado do comício. Juntam-se-lhes a antítese — o mar luminoso contra o porão imundo — e a interrogação retórica, que obriga o leitor a tomar posição. Numa análise, não basta nomear o recurso: é preciso mostrar o que ele faz ao sentido (ver Fig. 3).
Exemplo resolvido

Atribuir um poema à sua geração

Um poema em versos amplos abre com uma apóstrofe ao mar e a Deus, repete o mesmo arranque de verso em estrofes seguidas e opõe a luz do alto-mar à escuridão de um porão cheio de cativos. A que geração pertence? Justifica com marcas textuais e identifica a obra e o autor evocados.

  1. 01Observar o tema

    O porão com cativos e a denúncia da escravatura situam o poema na matéria abolicionista — não no indianismo da primeira geração nem no intimismo da segunda.

  2. 02Observar o tom e a forma

    A apóstrofe ao mar e a Deus, o verso amplo e a repetição anafórica produzem um discurso oratório, feito para ser dito perante um auditório.

  3. 03Observar a função dos recursos

    A antítese entre a luz do mar e a escuridão do porão converte o contraste visual em contraste moral; a hipérbole eleva o caso a crime contra a humanidade inteira.

  4. 04Concluir e nomear

    Este feixe de marcas define o condoreirismo, geração formada sob o signo de Victor Hugo.

Resultado: O poema pertence à terceira geração romântica, a condoreira: o tema abolicionista, a apóstrofe ao mar e a Deus, a anáfora que martela o arranque das estrofes e a antítese entre a luz e o porão são as suas marcas próprias, todas ao serviço de converter a descrição em acusação. O exercício evoca «O Navio Negreiro», de Castro Alves, escrito em 1868 e recolhido postumamente em «Os Escravos» (1883).

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar cada geração a partir de um poema dado, justificando a atribuição com marcas de tema, tom e forma — o exercício-tipo da avaliação interna nesta unidade.
  • Analisar a «Canção do Exílio» como construção de um imaginário nacional, identificando a estrutura comparativa entre o aqui e o lá.
  • Explicar a função dos recursos do condoreirismo — hipérbole, apóstrofe, anáfora, antítese — no discurso abolicionista, e não apenas nomeá-los.

Erros frequentes

  • Atribuir «O Navio Negreiro» à primeira geração por ser poesia de intervenção: o indianismo é da primeira, o abolicionismo é da terceira.
  • Datar «O Navio Negreiro» de 1883: foi escrito em 1868 e só postumamente recolhido em «Os Escravos» (1883) — o autor morrera em 1871.
  • Tomar «Lira dos Vinte Anos» por obra publicada em vida: é póstuma (1853), tal como é póstuma a recolha «Os Escravos».
  • Tratar o condoreirismo como escola posterior ao Romantismo: é a sua terceira geração, e não um movimento independente.

Revisão ativa

Constrói um quadro comparativo das três gerações românticas (olhar dominante, tom, temas, autor maior, obra-chave, recursos) e redige depois um parágrafo que explique como cada geração se relaciona — por adesão ou por afastamento — com o projeto de nacionalização.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

José de Alencar e o romance de fundação#

●●○PadrãoLPAE-literatura-de-lingua-portuguesa-12-brasil-romantismo

Pontos-chave

Se a poesia deu ao Brasil os seus símbolos, foi o romance que lhe deu o território. José de Alencar (1829–1877) concebeu a sua obra como um levantamento sistemático do país, no espaço e no tempo, donde a divisão habitual da sua ficção em três ciclos — o indianista, o regionalista e o urbano (ver Fig. 5). O ciclo indianista abre com «O Guarani» (1857), publicado primeiro em folhetim: no Brasil do início do século XVII, o índio Peri consagra-se ao serviço de Ceci, filha do fidalgo português D. Antônio de Mariz, numa devoção absoluta que termina no dilúvio final. O modelo é transparente — a casa fortificada dos Mariz funciona como um castelo, Peri como o cavaleiro fiel, Ceci como a dama —, e é essa transposição que constitui o índio em antepassado nobre de uma nação sem Idade Média. «Ubirajara» (1874) recua ainda mais e situa a ação num mundo indígena anterior à chegada dos portugueses, sem qualquer personagem europeia.

Os três ciclos do romance de José de Alencar

Os três ciclos do romance de José de AlencarDiagrama em árvore, 7 caminhos, Dados: Ciclo indianista → «O Guarani» (1857); Ciclo indianista → «Iracema» (1865); Ciclo indianista → «Ubirajara» (1874); Ciclo regionalista → «O Gaúcho» (1870); Ciclo regionalista → «O Sertanejo» (1875); Ciclo urbano → «Lucíola» (1862); Ciclo urbano → «Senhora» (1875)Ciclo indianistaCiclo regionalistaCiclo urbanoJosé de Alencar (1829–1877)«O Guarani» (1857)«Iracema» (1865)«Ubirajara» (1874)«O Gaúcho» (1870)«O Sertanejo» (1875)«Lucíola» (1862)«Senhora» (1875)
Fig. 5Fig. 5 — Os três ciclos do romance de fundação de José de Alencar.
«Iracema» (1865) é o centro simbólico da operação. A obra, uma lenda do Ceará escrita numa prosa poética de imagens tomadas à natureza e de ritmo que aproxima a frase do verso, narra o encontro entre Martim, o guerreiro português, e Iracema, a virgem tabajara — cujo nome é anagrama de América, o que basta para revelar a intenção alegórica. Do seu amor nasce Moacir, apresentado como « o filho do sofrimento » e primeiro brasileiro: o povo novo é dado como fruto do encontro entre o europeu e o indígena, num mito de origem que idealiza aquilo que a história fez pela conquista e pela escravidão (ver Fig. 6). É esta alegoria, bela e problemática, que a leitura crítica deve saber ao mesmo tempo compreender e interrogar.

A alegoria de fundação de «Iracema»

«Iracema» (1865) — lenda do CearáMartimo guerreiro português+Iracemaa virgem tabajaraIracema = anagrama de AméricaMoacir« o filho do sofrimento »o primeiro brasileiro — o mito de origem
Fig. 6Fig. 6 — A alegoria de fundação de «Iracema» (1865): do encontro entre o europeu e a indígena nasce o povo novo.
O ciclo regionalista leva o mesmo projeto às províncias: «O Gaúcho» (1870) fixa o homem e a paisagem do pampa do extremo sul e «O Sertanejo» (1875) faz o mesmo pelos sertões do Nordeste, com o interesse posto menos na intriga, quase sempre sentimental, do que na construção de tipos humanos regionais e na incorporação de um léxico e de práticas locais. O ciclo urbano retrata a sociedade do Rio de Janeiro: «Lucíola» (1862) conta a história de Lúcia, a cortesã que o amor redime; «Senhora» (1875) põe a nu a lógica económica do casamento, pois Aurélia Camargo, subitamente rica, compra literalmente o marido que outrora a desprezara por ser pobre, numa intriga dividida em quatro partes cujos títulos vêm do vocabulário comercial. Estes romances mostram um Alencar já muito próximo da análise social que o Realismo tornará norma.
Um dos combates mais importantes de Alencar travou-se em torno da língua. Defendeu que o escritor brasileiro tinha o direito, e mesmo o dever, de escrever segundo o uso do seu país: incorporar o léxico de origem indígena, aceitar a colocação pronominal e as construções correntes no Brasil, libertar-se da norma escrita de Portugal. Criticado por puristas de um lado e do outro do Atlântico, respondeu que uma literatura nacional exige uma língua literária nacional, e que a incorreção que lhe apontavam era a marca de uma variedade em formação. É esta reflexão — a língua portuguesa como veículo de expressões artísticas plurais, e não como património de um só país — que faz de Alencar figura central para esta disciplina.
Dois romances do período medem a distância entre o programa e a prática. «Memórias de um Sargento de Milícias», de Manuel Antônio de Almeida, saiu em folhetim entre 1852 e 1853 e ignora quase por completo a idealização romântica: o protagonista move-se por expedientes no Rio popular do tempo do rei e o riso substitui o sublime, razão por que a crítica moderna nele vê uma das raízes literárias do malandro como tipo brasileiro. «A Escrava Isaura» (1875), de Bernardo Guimarães, põe o romance ao serviço da causa abolicionista, mas dá à escravizada traços físicos e culturais europeus para tornar a sua sorte insuportável ao leitor — estratégia reveladora dos limites desse abolicionismo, que comove sem pôr em causa a hierarquia que o sustenta.
Exemplo resolvido

Ler a alegoria de fundação

Um romance de 1865, apresentado como lenda do Ceará, narra em prosa poética o amor entre um guerreiro português e uma jovem indígena, do qual nasce um filho a quem a narrativa chama « o filho do sofrimento ». Identifica a obra e explica por que razão a crítica lê nela um mito de fundação da nacionalidade.

  1. 01Identificar a obra

    A data de 1865, a designação de lenda do Ceará e a prosa poética identificam «Iracema», de José de Alencar.

  2. 02Ler os nomes

    Iracema é anagrama de América: o nome inscreve no próprio texto a intenção alegórica — a jovem indígena figura o continente.

  3. 03Ler a união

    Martim e Iracema representam os dois termos do encontro colonial, e a sua união é apresentada como amor mútuo, não como conquista.

  4. 04Ler o filho

    Moacir, « o filho do sofrimento », é o primeiro nascido desse encontro: o povo brasileiro é dado como fruto de uma origem mestiça, dolorosa e fundadora.

  5. 05Interrogar a alegoria

    A leitura crítica acrescenta que esta genealogia converte em idílio um processo de conquista e de trabalho escravo, e que o desaparecimento de Iracema naturaliza o apagamento do elemento indígena.

Resultado: A obra é «Iracema» (1865), de José de Alencar. Lê-se como mito de fundação porque o anagrama Iracema/América inscreve a alegoria no próprio texto, porque a união de Martim e Iracema figura o encontro entre a Europa e a América, e porque de Moacir, « o filho do sofrimento », nasce simbolicamente o povo brasileiro. A crítica sublinha, contudo, que este idílio de origem apaga a violência efetiva da colonização.

Foco no Exame Nacional

  • Analisar um excerto de «Iracema» identificando as marcas da prosa poética — imagem tomada à natureza, ritmo, comparação — e explicando a sua função alegórica.
  • Comparar dois ciclos de Alencar quanto ao espaço, à época, ao tipo humano e à função que desempenham no projeto de nacionalização.
  • Discutir, em ensaio ou em debate, o mito de fundação de «Iracema» à luz da história efetiva da colonização — a apresentação oral é aqui formato de avaliação privilegiado.
  • Reconhecer num excerto os brasileirismos e a sintaxe do uso brasileiro, relacionando-os com a defesa que Alencar fez de uma língua literária própria.

Erros frequentes

  • Trocar os ciclos: «O Gaúcho» (1870) e «O Sertanejo» (1875) são regionalistas; «Lucíola» (1862) e «Senhora» (1875) são urbanos.
  • Dizer que Iracema é anagrama de América e parar aí: o anagrama só interessa como indício da intenção alegórica do romance de fundação.
  • Atribuir «A Escrava Isaura» a Alencar: é de Bernardo Guimarães (1875); «Memórias de um Sargento de Milícias» é de Manuel Antônio de Almeida (folhetim, 1852–1853).
  • Ler o indianismo de Alencar como denúncia da colonização: o romance de fundação idealiza o encontro — a leitura crítica é nossa, não do texto oitocentista.

Revisão ativa

Elabora um quadro dos três ciclos do romance de Alencar (espaço, época, tipo humano dominante, obras com data) e redige depois um parágrafo de cerca de 180 palavras que explique de que modo cada ciclo serve o projeto de nacionalização.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Do Romantismo ao Realismo: Machado de Assis e o « instinto de nacionalidade »#

●●●AprofundamentoLPAE-literatura-de-lingua-portuguesa-12-brasil-romantismo

Pontos-chave

Machado de Assis (1839–1908) nasceu no Rio de Janeiro, de família modesta, trabalhou na tipografia e como revisor antes de ser escritor e formou-se essencialmente a si próprio; morreu fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras (1897). A sua obra costuma dividir-se em duas fases, com «Memórias Póstumas de Brás Cubas» (1881) por linha divisória: antes, romances ainda de feição romântica; depois, a ficção irónica, analítica e pessimista que fez dele um dos maiores prosadores da língua portuguesa. Compreender esta viragem é compreender o modo como o Romantismo brasileiro chegou ao fim.
Em 1873, no ensaio «Notícia da atual literatura brasileira — Instinto de Nacionalidade», Machado faz o balanço de quase quatro décadas de Romantismo. Reconhece que existe na literatura do país um instinto de nacionalidade — um desejo genuíno de ser brasileira —, mas recusa o critério que essa literatura adotara: a brasilidade não se mede por um inventário de temas locais, nem o indianismo pode valer como prova única de nacionalidade, porque uma literatura assim se condenaria a repetir o mesmo cenário. O que define o escritor brasileiro é, escreve, « um certo sentimento íntimo » que o torna homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço. A tese liberta o escritor da obrigação do pitoresco e, ao mesmo tempo, torna a nacionalidade uma qualidade interior da obra — um modo de ver, muito mais difícil de alcançar do que uma etiqueta temática (ver Fig. 7).

Dois critérios de brasilidade

Dois critérios de brasilidadeDiagrama de Venn com 2 conjuntos, Nacionalismo romântico, Machado: sentimento íntimoNacionalismo românticoMachado: sentimento íntimoÍndio,naturezaIronia,análiseO Brasil
Fig. 7Fig. 7 — Dois critérios de brasilidade: a cor local do Romantismo (índio, natureza) e o ponto de vista de Machado — « um certo sentimento íntimo » —, tendo o Brasil por matéria comum.
«Memórias Póstumas de Brás Cubas» (1881) é a demonstração prática da tese e a rutura efetiva com o Romantismo. O narrador é um « defunto autor » — escreve depois de morto, o que lhe permite dizer tudo sem consequências; a forma é livre e digressiva, feita de capítulos brevíssimos, alguns reduzidos a poucas linhas, com interpelações constantes ao leitor. Desaparecem o herói exemplar, a natureza fundadora e o desenlace consolador: ficam a vaidade, o egoísmo de classe, o acaso e uma ironia que não poupa ninguém, a começar pelo próprio narrador. A matéria é rigorosamente brasileira — a sociedade senhorial e escravocrata do Rio oitocentista —, mas nunca é exibida como programa: está no olhar, exatamente como o ensaio de 1873 exigia.
«Dom Casmurro» (1899) leva o processo ao extremo. Bento Santiago, já velho, escreve para provar que Capitu o traiu — e cabe ao leitor descobrir que a única prova de que dispõe é o discurso de um homem ciumento, incapaz de testemunhar contra si mesmo. Os famosos « olhos de ressaca » de Capitu, a suspeita construída retrospetivamente, a semelhança do filho com o amigo: tudo é apresentado como evidência e tudo é, afinal, interpretação. O romance transfere o julgamento para o leitor, e a ambiguidade — não a resposta — é o seu verdadeiro tema.
A passagem do Romantismo ao Realismo não é, portanto, uma simples substituição de temas. Machado conserva muita matéria romântica — o amor, o ciúme, a memória, o Rio de Janeiro — mas submete-a à ironia e à análise, e desloca o critério de brasilidade do assunto para o ponto de vista (ver Fig. 8). O ciclo aberto em 1836 fecha-se assim em 1881, e a pergunta que Machado formulou — o que faz que uma literatura seja de um país? — atravessará todo o século seguinte, do Modernismo brasileiro às literaturas africanas de língua portuguesa que esta disciplina estuda a seguir, onde a mesma questão se colocará de novo, agora em contexto colonial.

Do Romantismo ao Realismo: o que muda

Do Romantismo ao Realismo: o que mudaTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Aspeto · Romantismo brasileiro · Machado depois de 1881; Critério de brasilidade · O tema local: índio, natureza, sertão · « Um certo sentimento íntimo »; Herói · Idealizado, exemplar, fundador · Ambíguo, interesseiro, autoanalítico; Narrador · Seguro, cúmplice do leitor · Defunto, irónico, pouco fiável; Matéria · A paisagem e o mito de origem · A sociedade do Rio, a classe, o interesse; Forma · Intriga linear, desenlace consolador · Digressão, capítulo brevíssimo, final aberto; Obra de referência · «Iracema» (1865) · «Memórias Póstumas de Brás Cubas» (1881), célula destacada: « Um certo sentimento íntimo »ASPETOROMANTISMO BRASILEIROMACHADO DEPOIS DE 1881CRITÉRIO DEBRASILIDADEO tema local: índio,natureza, sertão« Um certo sentimento íntimo»HERÓIIdealizado, exemplar,fundadorAmbíguo, interesseiro,autoanalíticoNARRADORSeguro, cúmplice do leitorDefunto, irónico, poucofiávelMATÉRIAA paisagem e o mito deorigemA sociedade do Rio, aclasse, o interesseFORMAIntriga linear, desenlaceconsoladorDigressão, capítulobrevíssimo, final abertoOBRA DE REFERÊNCIA«Iracema» (1865)«Memórias Póstumas de BrásCubas» (1881)A brasilidade passa do assunto para o ponto de vista.
Fig. 8Fig. 8 — Do Romantismo ao Realismo: o que muda com Machado de Assis.
Exemplo resolvido

Aplicar o critério de 1873

Dois romances brasileiros do século XIX: o primeiro passa-se na floresta, tem um índio por herói e um vocabulário cheio de nomes de origem tupi; o segundo passa-se num salão do Rio, é narrado por um defunto irónico e não nomeia uma única árvore. Qual dos dois é mais brasileiro segundo o critério de Machado de Assis? Justifica.

  1. 01Recordar o critério recusado

    O primeiro romance corresponde ao critério romântico: a nacionalidade provada pelo tema local — o índio, a floresta, o léxico indígena.

  2. 02Recordar o critério proposto

    No ensaio de 1873, Machado sustenta que a nacionalidade não está no assunto, mas em « um certo sentimento íntimo » que faz do escritor um homem do seu tempo e do seu país.

  3. 03Aplicar ao segundo romance

    O salão do Rio, o narrador irónico e a análise do egoísmo de uma classe senhorial exprimem, sem o declarar, a sociedade brasileira do século XIX.

  4. 04Evitar a resposta simplista

    O critério não exclui o tema local — recusa apenas que ele baste: um romance indianista pode ser brasileiro, mas não o é por ser indianista.

Resultado: Segundo o critério de 1873, o segundo romance é o mais brasileiro: a nacionalidade não se mede pelo cenário nem pelo léxico, mas por « um certo sentimento íntimo » — um modo de ver que faz do autor um homem do seu tempo e do seu país, e que aqui se manifesta na análise irónica de uma sociedade senhorial concreta. O primeiro não fica por isso excluído: o que Machado recusa é que o índio e a floresta bastem como prova de brasilidade.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar por palavras próprias a tese do « instinto de nacionalidade » e aplicá-la a um caso concreto: o ensaio expositivo-argumentativo é o formato que a avaliação interna mais valoriza nesta unidade.
  • Analisar um excerto de «Memórias Póstumas de Brás Cubas» identificando as marcas da rutura — narrador defunto, digressão, capítulo brevíssimo, ironia, interpelação do leitor.
  • Comparar a construção do herói romântico (Peri, Iracema) com a do anti-herói machadiano, num comentário fundamentado em marcas textuais.
  • Discutir em debate a fiabilidade do narrador de «Dom Casmurro»: a apresentação oral é aqui instrumento de avaliação privilegiado.

Erros frequentes

  • Ler o « instinto de nacionalidade » como elogio do Romantismo: Machado reconhece o impulso, mas recusa o critério — o ensaio é uma crítica, não uma adesão.
  • Confundir « um certo sentimento íntimo » com sentimentalismo: trata-se de um modo de ver e de pertencer ao seu tempo, não de emoção literária.
  • Afirmar que Machado abandona os temas brasileiros: o Rio, a escravidão e a sociedade senhorial estão em toda a sua obra — o que muda é que deixam de ser exibidos como prova de nacionalidade.
  • Trocar as datas: 1873 é o ensaio, 1881 são as «Memórias Póstumas de Brás Cubas» e a linha de rutura, 1899 é «Dom Casmurro», 1897 é a fundação da Academia Brasileira de Letras.
  • Sustentar que o narrador de «Dom Casmurro» prova a traição de Capitu: o romance não a prova nem a desmente, e é a indecidibilidade que constitui o seu tema.

Revisão ativa

Redige um ensaio expositivo-argumentativo de cerca de 300 palavras em que expliques a tese do « instinto de nacionalidade » (1873) e mostres, com dois exemplos concretos, de que modo «Memórias Póstumas de Brás Cubas» (1881) a realiza melhor do que o indianismo romântico.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Literaturas de Língua Portuguesa — página curricular da disciplina (12.º ano) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Independência e projeto de uma literatura nacional (1822–1836)○
    • 02A poesia romântica: as três gerações◐
    • 03José de Alencar e o romance de fundação◐
    • 04Do Romantismo ao Realismo: Machado de Assis e o « instinto de nacionalidade »●

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Dos resumos à prática

Romantismo e busca de nacionalização da literatura brasileira

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~26
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4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano
  • Literaturas de Língua Portuguesa — página curricular da disciplina (12.º ano)

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