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Do desembarque de 1500 à independência de 1822, o Brasil não tem ainda literatura autónoma, mas manifestações literárias em quatro momentos: a literatura de informação dos cronistas quinhentistas, a catequese dos jesuítas, o Barroco de Gregório de Matos e da oratória do Padre António Vieira, e o Arcadismo mineiro, onde desponta a consciência pré-nacional que a Inconfidência de 1789 torna política. Aprende-se aqui a ler estes textos no seu contexto, distinguindo o olhar do colonizador do olhar já nativista. Literaturas de Língua Portuguesa é disciplina anual de opção do 12.º ano, avaliada exclusivamente por avaliação interna: não tem Exame Final Nacional, pelo que cada secção traz um « foco de avaliação ».
4 secções~23 min de leitura4 competênciasNível Base 2 · Padrão 1 · Aprofundamento 1
nível básico
Reconhecer os quatro momentos do período colonial brasileiro e situar cada autor e cada obra no seu momento.
nível avançado
Comentar textos do período com apoio em marcas textuais e comparar Barroco e Arcadismo quanto à visão do mundo, ao estilo e à imagem da terra e do índio.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Os quatro momentos do período colonial brasileiro
Um texto do século XVI, de um funcionário régio, descreve a fertilidade da terra, compara as árvores e as aves às da Europa e conclui que o maior proveito a tirar dela será a conversão dos habitantes. Que tipo de texto é, qual o destinatário e que « olhar » o organiza?
Descreve e inventaria com minúcia, sem intenção estética: a finalidade é informar quem decide. É literatura de informação.
Escreve para a Coroa e, através dela, para o leitor europeu — daí a datação, o endereçamento e o tom de relato de serviço.
A comparação com a Europa é descrição por analogia; o elogio da fertilidade é ufanismo; e apresentar a conversão como o maior proveito faz dos naturais objeto, e não sujeito, do discurso.
Resultado: É literatura de informação, dirigida à Coroa e ao leitor europeu; o olhar que a organiza é o do colonizador — descreve por analogia com a Europa, exalta a terra por interesse (ufanismo) e trata os habitantes como objeto de descrição e de conversão, sem traço de nativismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Comenta um excerto de um cronista quinhentista sobre o Brasil (150 a 200 palavras): identifica o género, o destinatário, duas marcas do olhar do colonizador e um traço de ufanismo, apoiando cada afirmação no texto.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
A dupla função da literatura de catequese
Numa peça representada ao ar livre numa aldeia, diabos com nomes indígenas incitam, em tupi, a costumes que a missão combatia; um santo e um anjo, que falam também português, vencem-nos diante de um público de índios e colonos. Identifica o tipo de texto, o autor a que se associa e a estratégia que o organiza.
Representação na aldeia, personagens alegóricas e desenlace doutrinal: é teatro de catequese, género que se associa ao Padre José de Anchieta (1534–1597).
Diabos, santo e anjo em luta pelas almas são herança do teatro alegórico medieval de vícios e virtudes, à maneira de Gil Vicente.
O tupi serve quem se quer converter e o português os colonos; e os vícios não são genéricos: são os costumes que a missão combatia, vencidos em cena diante de quem os praticava.
Resultado: É um auto de catequese, género associado a Anchieta. A estratégia é dupla: aproveita a alegoria medieval de vícios e virtudes para ensinar doutrina pelo espetáculo e serve-se do plurilinguismo — tupi para os índios, português para os colonos — para falar a cada auditório na sua língua. Nisto se cumprem as duas funções: converter e, ao mesmo tempo, registar e difundir o tupi.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, num parágrafo fundamentado (120 a 150 palavras), em que consiste a « dupla função » da literatura de catequese, com apoio no teatro de Anchieta e na fixação escrita do tupi; termina indicando um limite dessa função cultural.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Cultismo e conceptismo
A arquitetura alegórica do Sermão de Santo António aos Peixes
Um texto encadeia definições e distinções e leva o ouvinte, por etapas, a uma conclusão incómoda; outro acumula metáforas sensoriais, aliterações e sintaxe invertida em torno da beleza que se desfaz. Identifica o estilo dominante em cada um, o género a que pertencem e o que têm em comum.
Definir, distinguir e encadear etapas é jogo de ideias: o efeito está no pensamento. É conceptismo, próprio da oratória sagrada, em que Vieira é o mestre.
Metáfora sensorial, aliteração e hipérbato põem o efeito na palavra e na sonoridade: é cultismo, ou gongorismo, próprio da poesia lírica, veia de Gregório de Matos.
O tema do segundo — a beleza que se desfaz — e o desconforto a que chega o primeiro dizem a mesma tensão barroca entre o efémero e o eterno.
Resultado: O primeiro é conceptista e pertence à oratória sagrada, o género de Vieira; o segundo é cultista (gongórico) e pertence à poesia lírica, veia de Gregório de Matos. Ambos exprimem a mesma visão do mundo barroca — a tensão entre o efémero e o eterno —, num caso pelo jogo de ideias, no outro pelo jogo de palavras.
Erros frequentes
Revisão ativa
Comenta a alegoria do « Sermão de Santo António aos Peixes » (200 a 250 palavras): a situação em que Vieira o pregou, a correspondência entre peixes e homens, a função do louvor que precede a repreensão e o efeito crítico do dispositivo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Barroco e Arcadismo
Os três olhares sobre o índio
Um poema é assinado por um pastor de nome greco-latino, convida a amada a colher o dia porque a beleza passa e elogia a vida simples do campo contra a cidade; mas o campo que descreve tem serras ásperas e vestígios de mineração. Identifica a escola, as convenções presentes e o que revela o atrito entre a convenção e a paisagem.
Pseudónimo pastoril, elogio da vida simples e clareza de linguagem são marcas do Arcadismo, que a periodização escolar faz começar, no Brasil, em 1768.
O nome de pastor é o fingimento poético; o convite a colher o dia é o « carpe diem »; a preferência pelo campo é o « fugere urbem », associado à « aurea mediocritas ».
O « locus amoenus » pede fonte, sombra e prado; serras ásperas e mineração são a paisagem real de Minas Gerais, não o cenário herdado.
A convenção racha e por essa racha entra o lugar concreto — mas é nativismo incipiente, não nacionalismo: o autor continua a escrever em formas metropolitanas.
Resultado: O poema é árcade: o pseudónimo pastoril (fingimento poético), o « carpe diem » e o « fugere urbem » identificam-no sem dúvida. O atrito entre o « locus amoenus » convencional e a paisagem mineira, áspera e cavada pela mineração, revela que o modelo importado já não serve à terra descrita — nativismo incipiente, atento ao lugar, que não deve confundir-se com um nacionalismo literário ainda inexistente.
Erros frequentes
Revisão ativa
Compara « O Uraguai » e « Caramuru » num texto expositivo-argumentativo (250 a 300 palavras): autor, data, forma métrica, filiação ideológica e imagem do índio; conclui explicando por que razão ambas são consideradas anúncios do indianismo romântico.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literaturas de Língua Portuguesa — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)