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Resumos/Psicologia B/Perspetivas do desenvolvimento humano
Resumos · Psicologia BPT · Secundário

Perspetivas do desenvolvimento humano

Estuda como o ser humano se desenvolve ao longo da vida, distinguindo maturação e aprendizagem e as visões por estádios. Percorre o desenvolvimento cognitivo (Piaget e Vygotsky), o psicossocial (Erikson) e o moral (Kohlberg, com a crítica de Gilligan), articulando fatores biológicos, psicológicos e sociais. Matéria de avaliação interna — Psicologia B não tem Exame Final Nacional.

4 secções·~14 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·151515 / 16
Perfil de exame
Caracterizar o desenvolvimento humano e os seus fatoresComparar Piaget e Vygotsky no desenvolvimento cognitivoDescrever os estádios de Erikson e de Kohlberg
Operadores:explicadistinguecomparadescreverelaciona

nível básico

Compreender o desenvolvimento por estádios e conhecer as teorias de Piaget, Erikson e Kohlberg.

nível avançado

Comparar Piaget e Vygotsky e analisar criticamente os modelos de estádios do desenvolvimento.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Perspetivas do desenvolvimento humano
    • 01O desenvolvimento humano: conceitos○
    • 02Desenvolvimento cognitivo: Piaget e Vygotsky◐
    • 03Desenvolvimento psicossocial: Erikson◐
    • 04Desenvolvimento moral: Kohlberg e Gilligan●
§ 01

O desenvolvimento humano: conceitos#

●○○BaseLPAE-psicologia-b-desenvolvimento

Pontos-chave

O desenvolvimento é o conjunto de mudanças que ocorrem no ser humano ao longo da vida, do nascimento à morte, nos domínios físico, cognitivo, emocional e social. A Psicologia do desenvolvimento estuda estas mudanças, procurando compreender o que muda, quando e porquê. Uma ideia importante, hoje consensual, é que o desenvolvimento se estende por toda a vida (perspetiva do ciclo de vida): não termina na adolescência nem na entrada na idade adulta — também o adulto e o idoso continuam a desenvolver-se, ganhando e perdendo, em interação com os seus contextos.
Duas noções ajudam a compreender a origem das mudanças, distinguidas na Fig. 1. A maturação é o desdobramento de mudanças programadas biologicamente, com um calendário relativamente universal (o bebé senta-se, gatinha e anda numa sequência semelhante em todas as culturas). A aprendizagem é a mudança devida à experiência. Ambas atuam sempre em conjunto: a maturação abre «janelas» de prontidão, e a aprendizagem preenche-as; muitas competências só surgem quando a maturação o permite E a experiência a estimula. Distinguir os dois conceitos é essencial, mas nunca os separar totalmente.

Maturação e aprendizagem

Maturação × aprendizagemTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Aspeto · Maturação · Aprendizagem; Origem da mudança · Programa biológico · Experiência; Calendário · Relativamente universal · Variável, depende do meio; Exemplo · Aprender a andar (sentar, gatinhar, andar) · Aprender a ler, a tocar um instrumentoASPETOMATURAÇÃOAPRENDIZAGEMORIGEM DA MUDANÇAPrograma biológicoExperiênciaCALENDÁRIORelativamente universalVariável, depende do meioEXEMPLOAprender a andar (sentar,gatinhar, andar)Aprender a ler, a tocar uminstrumento
Fig. 1Fig. 1 — Duas fontes de mudança que atuam sempre em conjunto no desenvolvimento.
As teorias do desenvolvimento dividem-se ainda quanto a ser ele contínuo ou por estádios. As teorias contínuas veem o desenvolvimento como uma mudança gradual e quantitativa, sem saltos. As teorias de estádios (como as de Piaget, Erikson e Kohlberg, estudadas a seguir) veem-no como uma sucessão de fases qualitativamente diferentes, cada uma com a sua organização própria, por que todos passam numa ordem fixa, embora a idades variáveis. Os estádios são um instrumento útil para organizar o conhecimento, desde que não se tomem como rígidos nem idênticos para todos.
Por fim, atravessa o tema o debate entre natureza e cultura, já discutido: o desenvolvimento resulta da interação entre a herança biológica e a experiência, e não de um dos fatores isolado. Verá-se que as teorias diferem no peso que dão a cada lado — Piaget realça a construção pela ação da própria criança, Vygotsky o papel do social e da cultura — mas nenhuma nega a interação. Guardar estes conceitos-quadro (ciclo de vida, maturação e aprendizagem, contínuo e estádios, natureza e cultura) ajuda a situar e comparar as teorias que se seguem.
Exemplo resolvido

Prontidão maturacional e experiência

Tentar ensinar um bebé de três meses a andar não resulta, mas por volta de um ano a criança aprende depressa com apoio. Explica com maturação e aprendizagem.

  1. 01Papel da maturação

    Andar exige maturação do sistema nervoso e muscular; aos três meses o corpo ainda não está pronto.

  2. 02Papel da aprendizagem

    Por volta de um ano, a prontidão maturacional está criada, e a prática e o apoio (experiência) permitem aprender a andar.

  3. 03Combinar

    A maturação abre a «janela» de prontidão; a aprendizagem preenche-a — nenhuma sozinha explica o resultado.

Resultado: Andar depende da maturação (a prontidão biológica) e da aprendizagem (a prática com apoio). Antes da prontidão, o treino é ineficaz; depois, a experiência concretiza a competência. Maturação e aprendizagem interagem — não se opõem.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o desenvolvimento ao longo do ciclo de vida e distinguir maturação de aprendizagem.
  • Distinguir teorias contínuas de teorias de estádios.

Erros frequentes

  • Separar totalmente maturação e aprendizagem, quando atuam sempre em interação.
  • Tomar os estádios como rígidos e a idades fixas iguais para todos (a ordem é fixa; as idades variam).

Revisão ativa

Distingue maturação de aprendizagem com um exemplo de cada e mostra como se combinam no desenvolvimento da fala.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Nós e os Outros) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Desenvolvimento cognitivo: Piaget e Vygotsky#

●●○PadrãoLPAE-psicologia-b-desenvolvimento

Pontos-chave

Jean Piaget propôs a mais influente teoria do desenvolvimento cognitivo. Para ele, a criança é um «pequeno cientista» que constrói ativamente o conhecimento ao agir sobre o mundo — daí chamar-se construtivista. O desenvolvimento faz-se por assimilação (integrar o novo nos esquemas mentais existentes) e acomodação (modificar os esquemas para se ajustarem ao novo), buscando o equilíbrio. Piaget descreveu quatro estádios universais e de ordem fixa, representados na Fig. 2, cada um com uma forma qualitativamente distinta de pensar.

Os estádios de Piaget

Estádios de PiagetLinha do tempo de 0 a 16, 0: Sensório-motor (0-2), 2: Pré-operatório (2-7), 7: Operatório concreto (7-11), 11: Operatório formal (11+)0Idade (anos)0Sensório-motor(0-2)2Pré−operatório(2-7)7Operatórioconcreto (7-11)11Operatórioformal (11+)
Fig. 2Fig. 2 — Os quatro estádios do desenvolvimento cognitivo segundo Piaget.
Os estádios de Piaget são: o sensório-motor (0-2 anos), em que a criança conhece pela ação e pelos sentidos e adquire a permanência do objeto (saber que as coisas continuam a existir quando saem da vista); o pré-operatório (2-7), marcado pelo pensamento simbólico e pela linguagem, mas também pelo egocentrismo (dificuldade em tomar a perspetiva do outro) e pela ausência de conservação; o operatório concreto (7-11), em que surgem as operações lógicas aplicadas ao concreto (conservação, classificação, reversibilidade); e o operatório formal (a partir dos 11-12), em que se torna possível o pensamento abstrato e hipotético-dedutivo — raciocinar sobre o possível, não só sobre o real.
Lev Vygotsky ofereceu uma perspetiva complementar, e por vezes crítica, sublinhando o papel do social e da cultura no desenvolvimento cognitivo. Para Vygotsky, o pensamento desenvolve-se de fora para dentro: primeiro na interação com os outros, depois interiorizado — e a linguagem é o grande instrumento dessa passagem. Introduziu a zona de desenvolvimento proximal (ZDP): a distância entre o que a criança consegue fazer sozinha e o que consegue fazer com a ajuda de alguém mais competente. É nessa zona que a aprendizagem «puxa» o desenvolvimento, com o apoio (o «andaime») de adultos ou pares.
A Fig. 3 compara as duas teorias. Ambas são construtivistas e rejeitam a criança passiva, mas diferem no acento: Piaget realça a construção individual pela ação e a maturação que abre cada estádio; Vygotsky realça a construção social, a mediação da cultura e da linguagem e o papel da aprendizagem guiada. Não são incompatíveis: hoje integram-se, reconhecendo que a criança constrói o conhecimento agindo sobre o mundo E na interação com os outros. As duas têm grande impacto na educação — Piaget valorizando a aprendizagem ativa e adequada ao estádio, Vygotsky o apoio na ZDP e a aprendizagem cooperativa.

Piaget e Vygotsky

Piaget × VygotskyTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Piaget · Vygotsky; Motor do desenvolvimento · Ação da criança sobre o mundo · Interação social e cultura; Relação com a linguagem · A linguagem segue o pensamento · A linguagem estrutura o pensamento; Direção · De dentro para fora (construção individual) · De fora para dentro (interiorização); Implicação educativa · Aprendizagem ativa, adequada ao estádio · Apoio na ZDP, aprendizagem guiadaASPETOPIAGETVYGOTSKYMOTOR DODESENVOLVIMENTOAção da criança sobre omundoInteração social e culturaRELAÇÃO COM ALINGUAGEMA linguagem segue opensamentoA linguagem estrutura opensamentoDIREÇÃODe dentro para fora(construção individual)De fora para dentro(interiorização)IMPLICAÇÃOEDUCATIVAAprendizagem ativa, adequadaao estádioApoio na ZDP, aprendizagemguiada
Fig. 3Fig. 3 — Duas perspetivas construtivistas do desenvolvimento cognitivo.
Exemplo resolvido

Conservação e estádio

Deita-se o mesmo sumo de um copo largo para um copo alto e estreito. Uma criança de 4 anos diz que «agora há mais sumo»; uma de 8 diz que «é a mesma quantidade». Explica com os estádios de Piaget.

  1. 01A criança de 4 anos

    Está no estádio pré-operatório: falta-lhe a conservação e centra-se numa dimensão (a altura), concluindo que há «mais».

  2. 02A criança de 8 anos

    Está no estádio operatório concreto: domina a conservação e a reversibilidade, sabendo que a quantidade não mudou.

  3. 03Interpretar

    A diferença não é de «inteligência», mas de estádio cognitivo — de forma qualitativamente distinta de pensar.

Resultado: A criança pré-operatória (4 anos) ainda não tem a noção de conservação e julga pela aparência (a altura); a operatória concreta (8 anos) já a domina. O exemplo ilustra a mudança qualitativa entre estádios de Piaget.

Foco no Exame Nacional

  • Descrever os quatro estádios de Piaget e os conceitos de assimilação/acomodação.
  • Explicar a zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky e comparar as duas teorias.

Erros frequentes

  • Trocar a ordem ou as características dos estádios de Piaget (p. ex. atribuir a conservação ao pré-operatório).
  • Confundir as ênfases: Piaget realça a construção individual; Vygotsky o papel do social e da linguagem.

Revisão ativa

Explica a zona de desenvolvimento proximal com um exemplo escolar e mostra como orienta o apoio do professor.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Nós e os Outros) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Desenvolvimento psicossocial: Erikson#

●●○PadrãoLPAE-psicologia-b-desenvolvimento

Pontos-chave

Erik Erikson propôs uma teoria do desenvolvimento psicossocial que abrange toda a vida, do nascimento à velhice — o que a distingue de teorias centradas só na infância. Para Erikson, o desenvolvimento faz-se por oito estádios, cada um definido por uma crise ou tensão psicossocial entre dois polos, que resulta do encontro entre as necessidades da pessoa e as exigências da sociedade em cada idade. A Fig. 4 apresenta os oito estádios. Resolver bem cada crise dá origem a uma «força» ou virtude que enriquece a personalidade; resolvê-la mal deixa uma vulnerabilidade.

Os oito estádios de Erikson

Estádios de EriksonTabela com 3 colunas e 8 linhas, Dados: Crise · Idade aproximada · Força (virtude); Confiança vs desconfiança · 1.º ano · Esperança; Autonomia vs vergonha/dúvida · 2-3 anos · Vontade; Iniciativa vs culpa · 3-6 anos · Propósito; Indústria vs inferioridade · 6-12 anos · Competência; Identidade vs confusão · Adolescência · Fidelidade; Intimidade vs isolamento · Jovem adulto · Amor; Generatividade vs estagnação · Idade adulta · Cuidado; Integridade vs desespero · Velhice · Sabedoria, célula destacada: FidelidadeCRISEIDADE APROXIMADAFORÇA (VIRTUDE)CONFIANÇA VSDESCONFIANÇA1.º anoEsperançaAUTONOMIA VSVERGONHA/DÚVIDA2-3 anosVontadeINICIATIVA VSCULPA3-6 anosPropósitoINDÚSTRIA VSINFERIORIDADE6-12 anosCompetênciaIDENTIDADE VSCONFUSÃOAdolescênciaFidelidadeINTIMIDADE VSISOLAMENTOJovem adultoAmorGENERATIVIDADE VSESTAGNAÇÃOIdade adultaCuidadoINTEGRIDADE VSDESESPEROVelhiceSabedoria
Fig. 4Fig. 4 — As oito crises psicossociais do ciclo de vida (Erikson).
Nos primeiros estádios constrói-se a base da personalidade: confiança vs desconfiança (no primeiro ano, da qualidade dos cuidados nasce a esperança), autonomia vs vergonha e dúvida (por volta dos 2-3 anos, a criança afirma a vontade), iniciativa vs culpa (idade pré-escolar, o propósito) e indústria/mestria vs inferioridade (idade escolar, o sentido de competência). Cada estádio prepara o seguinte: uma boa resolução dá uma base mais sólida para enfrentar a crise posterior.
O estádio da adolescência — identidade vs confusão de papéis — é central e já foi estudado a propósito da identidade: dele deve resultar um sentido claro de quem se é (a virtude da fidelidade). Seguem-se os estádios da idade adulta: intimidade vs isolamento (jovem adulto, capacidade de estabelecer relações profundas — o amor), generatividade vs estagnação (idade adulta, contribuir para as gerações seguintes — o cuidado) e integridade vs desespero (velhice, aceitar a própria vida como tendo tido sentido — a sabedoria). A visão de Erikson valoriza, assim, o desenvolvimento adulto e o sentido ao longo de toda a vida.
A teoria de Erikson deve ser usada com equilíbrio. É valiosa por mostrar o desenvolvimento como um processo que dura a vida inteira, articulando o individual e o social em cada idade, e por dar atenção a crises como a identidade e o sentido na velhice. Mas as idades são indicativas e culturalmente variáveis, e as crises não se «resolvem» de uma vez por todas — podem reabrir-se e reelaborar-se. Tal como os estádios de Piaget, os de Erikson são um mapa útil, desde que não se tomem de forma rígida nem universal.
Exemplo resolvido

Identificar o estádio de Erikson

Um adulto de meia-idade sente necessidade de «deixar algo» às gerações seguintes — orientar jovens, contribuir para a comunidade. Que crise de Erikson está em jogo?

  1. 01Localizar a idade

    Meia-idade corresponde ao estádio da idade adulta na teoria de Erikson.

  2. 02Identificar a tensão

    A necessidade de contribuir para as gerações seguintes é o polo positivo da crise generatividade vs estagnação.

  3. 03Nomear a força

    A boa resolução desta crise dá a virtude do cuidado.

Resultado: Está em jogo a crise generatividade vs estagnação, própria da idade adulta: o desejo de contribuir para as gerações seguintes é a generatividade, cuja virtude é o cuidado. O caso mostra como Erikson pensa o desenvolvimento também na vida adulta.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o desenvolvimento psicossocial de Erikson como sucessão de crises ao longo da vida.
  • Identificar os oito estádios e as suas crises, com destaque para identidade vs confusão.

Erros frequentes

  • Julgar que as crises se resolvem definitivamente e a idades fixas iguais para todos.
  • Reduzir Erikson à infância, esquecendo que a sua teoria abrange a idade adulta e a velhice.

Revisão ativa

Explica a crise «identidade vs confusão de papéis» e por que Erikson a situa na adolescência.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Nós e os Outros) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Desenvolvimento moral: Kohlberg e Gilligan#

●●●AprofundamentoLPAE-psicologia-b-desenvolvimento

Pontos-chave

Como se desenvolve o sentido do bem e do mal? Lawrence Kohlberg, partindo de Piaget, estudou o raciocínio moral apresentando dilemas (como o famoso dilema de Heinz, sobre roubar ou não um medicamento para salvar a mulher) e analisando não a resposta, mas as razões que as pessoas davam. Concluiu que o raciocínio moral se desenvolve por três níveis, cada um com dois estádios, numa ordem fixa, representados na Fig. 5. O que muda com o desenvolvimento é o critério que fundamenta o juízo moral.

Os níveis do desenvolvimento moral de Kohlberg

Níveis de KohlbergDiagrama em árvore, 6 caminhos, Dados: Pré-convencional → 1. Obediência / punição; Pré-convencional → 2. Interesse próprio / troca; Convencional → 3. Aprovação / boas relações; Convencional → 4. Lei e ordem; Pós-convencional → 5. Contrato social / direitos; Pós-convencional → 6. Princípios universaisPré−convencio…ConvencionalPós-convencio…Desenvolvimen…1. Obediência…2. Interesse …3. Aprovação …4. Lei e ordem5. Contrato s…6. Princípios…
Fig. 5Fig. 5 — Do medo do castigo aos princípios universais: os níveis e estádios de Kohlberg.
No nível pré-convencional (típico da infância), a moral é heterónoma e centrada nas consequências para o próprio: no estádio 1, evita-se o que é punido (obediência para não ser castigado); no estádio 2, age-se pelo interesse próprio e pela troca («faço-te um favor se me fizeres outro»). No nível convencional (adolescência e maioria dos adultos), o critério passa a ser as expectativas sociais: no estádio 3, ser «boa pessoa» e merecer aprovação; no estádio 4, cumprir a lei e manter a ordem social. A moral orienta-se aqui pela conformidade às normas e ao grupo.
No nível pós-convencional (que nem todos alcançam), os princípios ultrapassam as leis concretas: no estádio 5, reconhece-se que as leis são contratos sociais que visam o bem comum e podem ser mudados quando injustas (valorizam-se direitos); no estádio 6, o juízo guia-se por princípios éticos universais autoescolhidos (justiça, dignidade), acima de leis particulares. A progressão vai, assim, do medo do castigo aos princípios de justiça — do exterior para o interior, da obediência à autonomia moral.
A teoria de Kohlberg foi muito influente, mas também criticada, o que faz parte da sua análise rigorosa. Carol Gilligan objetou que a escala fora construída sobretudo com base em respostas masculinas e privilegiava uma «ética da justiça» (regras, direitos), subvalorizando uma «ética do cuidado» (responsabilidade, relações, atenção ao concreto), mais presente, argumentou, nas respostas de muitas mulheres — sem ser inferior. Outros notaram que o raciocínio moral nem sempre prediz o comportamento moral e que há variação cultural nos valores. Estas críticas não anulam o valor de Kohlberg, mas mostram que o desenvolvimento moral é plural e que a justiça e o cuidado são dimensões complementares da vida ética.
Exemplo resolvido

Classificar razões morais

Perante «deve devolver-se uma carteira encontrada com dinheiro?», três pessoas respondem que sim: (a) «para não ter problemas com a polícia»; (b) «porque é o que se espera de uma pessoa honesta»; (c) «porque respeitar o que é do outro é um princípio justo». Classifica cada resposta nos níveis de Kohlberg.

  1. 01Resposta (a)

    Motivada por evitar punição: nível pré-convencional.

  2. 02Resposta (b)

    Motivada pela aprovação e pela imagem de «boa pessoa»: nível convencional (estádio 3).

  3. 03Resposta (c)

    Motivada por um princípio de justiça autoescolhido: nível pós-convencional.

Resultado: Embora a decisão seja a mesma (devolver), as razões situam-se em níveis diferentes: evitar o castigo (pré-convencional), corresponder ao que se espera (convencional) e agir por princípio (pós-convencional). Kohlberg classifica pelo critério do juízo, não pela resposta.

Foco no Exame Nacional

  • Descrever os três níveis do desenvolvimento moral de Kohlberg e o seu critério.
  • Explicar a crítica de Gilligan (ética do cuidado) e os limites da teoria.

Erros frequentes

  • Classificar o nível moral pela resposta ao dilema, e não pelas razões que a fundamentam.
  • Apresentar Kohlberg como definitivo, ignorando a crítica de Gilligan e a distinção entre raciocínio e comportamento moral.

Revisão ativa

Perante o dilema de Heinz, dá uma justificação típica do nível pré-convencional e outra do pós-convencional, explicando a diferença de critério.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Nós e os Outros) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O desenvolvimento humano: conceitos○
    • 02Desenvolvimento cognitivo: Piaget e Vygotsky◐
    • 03Desenvolvimento psicossocial: Erikson◐
    • 04Desenvolvimento moral: Kohlberg e Gilligan●

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Dos resumos à prática

Perspetivas do desenvolvimento humano

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Nós e os Outros)

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