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Resumos/Psicologia B/A Psicologia como ciência e a especificidade do ser humano
Resumos · Psicologia BPT · Secundário

A Psicologia como ciência e a especificidade do ser humano

Trata, transversalmente, o estatuto científico da Psicologia: o seu objeto e a passagem do senso comum à ciência, as grandes correntes que a constituíram, os métodos de investigação (com a distinção decisiva entre correlação e causa) e a especificidade do ser humano sintetizada no modelo biopsicossocial, que fecha a disciplina. Matéria de avaliação interna — Psicologia B não tem Exame Final Nacional.

4 secções·~14 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·161616 / 16
Perfil de exame
Justificar a Psicologia como ciência e distinguir as suas correntesDistinguir os métodos de investigação e reconhecer que correlação não é causaIntegrar as dimensões biológica, psicológica e social do ser humano
Operadores:justificadistingueexplicarelacionaintegra

nível básico

Compreender por que a Psicologia é uma ciência, conhecer as suas correntes e métodos e o modelo biopsicossocial.

nível avançado

Distinguir rigorosamente os métodos (correlação vs causa) e fundamentar a especificidade humana e a integração biopsicossocial.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A Psicologia como ciência e a especificidade do ser humano
    • 01A Psicologia como ciência○
    • 02As grandes correntes da Psicologia◐
    • 03Os métodos de investigação◐
    • 04A especificidade humana e o modelo biopsicossocial●
§ 01

A Psicologia como ciência#

●○○BaseLPAE-psicologia-b-ciencia

Pontos-chave

A Psicologia é a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais. Dizer que é uma ciência significa que estuda o seu objeto de forma sistemática, com métodos rigorosos, procurando descrever, explicar, prever e, quando é o caso, intervir — e submetendo as suas afirmações à prova dos factos. Distingue-se, por isso, do senso comum e da «psicologia popular»: onde o senso comum se contenta com impressões, provérbios e certezas não testadas (por vezes contraditórias entre si), a Psicologia científica exige evidência, controlo e possibilidade de correção.
A passagem do senso comum à ciência foi um processo histórico. Durante séculos, as questões sobre a alma e a mente pertenceram à filosofia. A Psicologia constituiu-se como ciência autónoma quando adotou métodos empíricos: o marco simbólico é a fundação, por Wilhelm Wundt, do primeiro laboratório de psicologia experimental, em Leipzig, em 1879 — data convencionada como o «nascimento» da Psicologia científica. A partir daí, a mente e o comportamento passaram a ser estudados com observação e experimentação, e não apenas por reflexão especulativa. A Fig. 1 situa este e outros marcos.

Marcos da história da Psicologia

História da PsicologiaLinha do tempo de 1870 a 1970, 1879: Wundt: 1.º laboratório (Leipzig), 1900: Freud: psicanálise, 1912: Gestalt, 1913: Watson: behaviorismo, 1950: Humanismo, 1960: Cognitivismo18701970Ano1879Wundt: 1.ºlaboratório (Le…1900Freud:psicanálise1912Gestalt1913Watson:behaviorismo1950Humanismo1960Cognitivismo
Fig. 1Fig. 1 — Da fundação em 1879 às grandes correntes do século XX.
A Psicologia tem, contudo, uma particularidade que a torna uma ciência singular: o seu objeto — o ser humano — é ao mesmo tempo quem estuda e quem é estudado. Isto levanta desafios próprios: a dificuldade de observar objetivamente o que é subjetivo (pensamentos, emoções), o facto de as pessoas reagirem ao serem estudadas, a variabilidade individual e cultural, e questões éticas exigentes. A Psicologia responde-lhes com métodos cuidados, mas deve reconhecer humildemente estes limites — o que não a torna «menos ciência», apenas uma ciência com um objeto especialmente complexo.
Ser ciência não significa ter uma só teoria nem respostas definitivas. A Psicologia é plural: convivem nela várias correntes e níveis de análise (do neurónio ao social), e o conhecimento vai-se corrigindo com a investigação. Esta pluralidade — que a secção seguinte percorre — não é fraqueza, mas reflexo da complexidade do seu objeto. O que faz da Psicologia uma ciência não é possuir a verdade final, mas o modo como procura o conhecimento: com método, evidência, sentido crítico e abertura à revisão.
Exemplo resolvido

Senso comum contra evidência

O senso comum diz «os opostos atraem-se» e também «cada qual com o seu igual». Mostra por que a Psicologia científica é diferente deste tipo de saber.

  1. 01Notar a contradição

    Os dois ditados afirmam o contrário um do outro, e ambos parecem «óbvios» — o senso comum acomoda afirmações contraditórias sem as testar.

  2. 02Aplicar o método

    A Psicologia investiga empiricamente a atração e conclui, com dados, que em geral a semelhança aproxima mais do que a diferença.

  3. 03Concluir

    A diferença está no método: a ciência testa as afirmações e escolhe entre elas com evidência, em vez de aceitar provérbios contraditórios.

Resultado: O senso comum admite afirmações opostas sem as verificar; a Psicologia científica testa-as e decide com base em dados (aqui, a semelhança aproxima mais). O que distingue a ciência é o método rigoroso e a submissão à evidência, não a mera «intuição».

Foco no Exame Nacional

  • Justificar a Psicologia como ciência e distingui-la do senso comum.
  • Situar a fundação da Psicologia científica (Wundt, 1879) e reconhecer a especificidade do seu objeto.

Erros frequentes

  • Confundir a Psicologia científica com a «psicologia popular» ou de senso comum.
  • Julgar que ser ciência exige uma teoria única e verdades definitivas, e não um método rigoroso e revisável.

Revisão ativa

Explica, com um exemplo, a diferença entre uma afirmação de senso comum sobre o comportamento e uma afirmação apoiada em investigação psicológica.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

As grandes correntes da Psicologia#

●●○PadrãoLPAE-psicologia-b-ciencia

Pontos-chave

Ao longo da sua história, a Psicologia constituiu-se através de várias correntes ou escolas, cada uma com uma conceção do objeto e do método, resumidas na Fig. 2. Conhecê-las ajuda a compreender por que a Psicologia é plural e como diferentes olhares se completam. As primeiras foram o estruturalismo (Wundt, Titchener), que procurava analisar a estrutura da consciência nos seus elementos, e o funcionalismo (William James), interessado antes nas funções da mente — para que serve a consciência na adaptação.

As grandes correntes da Psicologia

Correntes da PsicologiaTabela com 3 colunas e 7 linhas, Dados: Corrente · Objeto / foco · Autor de referência; Estruturalismo · A estrutura da consciência · Wundt, Titchener; Funcionalismo · As funções da mente (adaptação) · James; Psicanálise · O inconsciente e os conflitos · Freud; Behaviorismo · O comportamento observável · Watson, Skinner; Gestalt · A organização da perceção (totalidades) · Wertheimer; Humanismo · A pessoa, a liberdade, a autorrealização · Rogers, Maslow; Cognitivismo · Os processos mentais (informação) · NeisserCORRENTEOBJETO / FOCOAUTOR DE REFERÊNCIAESTRUTURALISMOA estrutura da consciênciaWundt, TitchenerFUNCIONALISMOAs funções da mente(adaptação)JamesPSICANÁLISEO inconsciente e osconflitosFreudBEHAVIORISMOO comportamento observávelWatson, SkinnerGESTALTA organização da perceção(totalidades)WertheimerHUMANISMOA pessoa, a liberdade, aautorrealizaçãoRogers, MaslowCOGNITIVISMOOs processos mentais(informação)Neisser
Fig. 2Fig. 2 — As principais correntes e o que cada uma privilegia.
No início do século XX surgiram correntes que marcaram profundamente a disciplina. A psicanálise, fundada por Sigmund Freud, chamou a atenção para o inconsciente, os conflitos e as experiências precoces. O behaviorismo (Watson, Skinner) reagiu contra o estudo da «mente» não observável e propôs estudar apenas o comportamento e as suas leis, com rigor experimental — deu-nos o conhecimento do condicionamento. A Gestalt sublinhou que a perceção e a experiência se organizam em totalidades, não em elementos isolados («o todo é diferente da soma das partes»).
A partir de meados do século XX, duas correntes renovaram a Psicologia. O humanismo (Carl Rogers, Abraham Maslow) reagiu tanto ao determinismo behaviorista como ao pessimismo psicanalítico, centrando-se na pessoa como um todo, na liberdade, na experiência subjetiva e na tendência para o crescimento e a autorrealização. O cognitivismo, na chamada «revolução cognitiva», voltou a colocar os processos mentais no centro do estudo científico — perceção, memória, pensamento, linguagem — recorrendo por vezes à analogia com o processamento de informação. Mais recentemente, a neurociência e as abordagens biológicas ligaram estreitamente mente e cérebro.
Estas correntes não devem ser vistas como uma sucessão em que a mais recente «desmente» as anteriores. Cada uma captou aspetos reais e legou contributos duradouros: o behaviorismo, o rigor e o condicionamento; a psicanálise, o inconsciente; a Gestalt, a organização percetiva; o humanismo, a pessoa e o sentido; o cognitivismo, o processamento mental. A Psicologia atual é, em larga medida, integradora e eclética: usa o que cada corrente e cada nível de análise têm de válido para compreender fenómenos complexos. A pluralidade de perspetivas é, mais uma vez, a resposta adequada à complexidade do ser humano.
Exemplo resolvido

Uma questão, várias correntes

Para explicar por que uma pessoa tem medo de cães, indica como abordariam a questão o behaviorismo, a psicanálise e o cognitivismo.

  1. 01Behaviorismo

    Procuraria uma aprendizagem: um condicionamento (por exemplo, um cão associado a uma experiência dolorosa) que criou a resposta de medo.

  2. 02Psicanálise

    Procuraria significados inconscientes e experiências precoces que o medo poderia simbolizar ou deslocar.

  3. 03Cognitivismo

    Analisaria as crenças e interpretações da pessoa (por exemplo, «os cães são perigosos») que mantêm e alimentam o medo.

Resultado: Cada corrente ilumina uma faceta: o behaviorismo, a aprendizagem do medo; a psicanálise, os significados inconscientes; o cognitivismo, as interpretações. A Psicologia atual tende a integrar estes contributos, em vez de escolher só um.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir as grandes correntes da Psicologia quanto ao objeto e ao método.
  • Reconhecer o contributo duradouro de cada corrente e o caráter integrador da Psicologia atual.

Erros frequentes

  • Ver as correntes como uma sucessão em que cada uma simplesmente «substitui» e anula a anterior.
  • Confundir os objetos: o behaviorismo estuda o comportamento observável; o cognitivismo, os processos mentais; a psicanálise, o inconsciente.

Revisão ativa

Explica como o behaviorismo e o cognitivismo diferem quanto ao que a Psicologia deve estudar, e o que cada um legou.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os métodos de investigação#

●●○PadrãoLPAE-psicologia-b-ciencia

Pontos-chave

Para estudar o comportamento e a mente com rigor, a Psicologia dispõe de vários métodos, cada um com forças e limites, na Fig. 3. A observação consiste em registar sistematicamente o comportamento, no laboratório ou no contexto natural; descreve bem, mas não estabelece causas. O inquérito (questionário, entrevista) recolhe dados de muitas pessoas sobre atitudes e comportamentos declarados; é eficiente, mas depende da sinceridade e da memória dos inquiridos. O estudo de caso analisa em profundidade um indivíduo ou situação; é rico e gerador de hipóteses, mas de difícil generalização.

Métodos de investigação em Psicologia

Métodos de investigaçãoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Método · O que é · Permite; Observação · Registar o comportamento sistematicamente · Descrever (não estabelece causa); Experimental · Manipular a VI, medir a VD, controlar · Estabelecer relações de causa; Correlacional · Medir a relação entre variáveis sem manipular · Prever, mas NÃO estabelecer causa; Estudo de caso · Analisar em profundidade um caso · Explorar e gerar hipóteses; Inquérito · Recolher dados de muitas pessoas · Descrever tendências e atitudes, célula destacada: Prever, mas NÃO estabelecer causaMÉTODOO QUE ÉPERMITEOBSERVAÇÃORegistar o comportamentosistematicamenteDescrever (não estabelececausa)EXPERIMENTALManipular a VI, medir a VD,controlarEstabelecer relações decausaCORRELACIONALMedir a relação entrevariáveis sem manipularPrever, mas NÃO estabelecercausaESTUDO DE CASOAnalisar em profundidade umcasoExplorar e gerar hipótesesINQUÉRITORecolher dados de muitaspessoasDescrever tendências eatitudes
Fig. 3Fig. 3 — Cada método tem forças e limites; só a experiência estabelece causa.
O método por excelência para estabelecer relações de causa é o método experimental. Nele, o investigador manipula uma variável independente (VI, a causa suposta) e mede o seu efeito numa variável dependente (VD), mantendo controladas as demais condições, e comparando um grupo experimental com um grupo de controlo. Se, com tudo o resto igual, variar a VI altera a VD, pode inferir-se uma relação causal. O controlo das variáveis e a comparação de grupos são o que dá à experiência o seu poder — é o método que permite dizer que algo «causa» algo.
O método correlacional mede a relação entre variáveis tal como ocorrem, sem as manipular, verificando se variam em conjunto (por exemplo, se mais horas de estudo se associam a melhores notas). É muito útil quando não é possível ou ético experimentar, e permite prever. Mas é aqui que se impõe a distinção mais importante de toda a metodologia: correlação não é causa. Duas variáveis podem correlacionar-se sem que uma cause a outra — pode haver uma terceira variável a causar ambas, ou a direção causal ser a inversa. Concluir causa a partir de uma simples correlação é um erro grave e frequente.
Toda a investigação psicológica está sujeita a exigências éticas rigorosas, sobretudo por envolver pessoas: o consentimento informado, a proteção do bem-estar e a minimização de danos, a confidencialidade, o direito de desistir e, quando há engano (como em Milgram), a sua justificação e o esclarecimento posterior. Estudos que hoje se consideram eticamente inaceitáveis levaram à criação de códigos e comissões de ética. Escolher bem o método — consoante a questão, a viabilidade e a ética — e interpretar os resultados com prudência (nunca confundindo correlação com causa) são competências centrais de quem estuda ou lê Psicologia.
Exemplo resolvido

Correlação não é causa

Um estudo verifica que crianças que dormem com a luz acesa têm mais miopia. Um jornal conclui: «Dormir com luz causa miopia.» Avalia a conclusão.

  1. 01Identificar o tipo de estudo

    O estudo é correlacional: mede a associação entre dormir com luz e miopia, sem manipular nada.

  2. 02Procurar uma terceira variável

    Pode haver uma causa comum: pais míopes (a miopia é em parte hereditária) tendem a deixar a luz acesa E a transmitir a predisposição.

  3. 03Rejeitar o salto causal

    Da correlação não decorre a causa; concluir que a luz «causa» miopia é ilegítimo sem uma experiência controlada.

Resultado: A conclusão do jornal é indevida: de uma correlação não se infere causa. Uma terceira variável (a miopia dos pais) pode explicar ambas. Apenas um estudo experimental controlado poderia estabelecer causalidade — o erro «correlação = causa» é dos mais comuns.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os métodos de investigação (observação, experimental, correlacional, caso, inquérito) e as suas forças e limites.
  • Explicar o método experimental (VI, VD, controlo) e por que correlação não implica causa.

Erros frequentes

  • Concluir uma relação de causa a partir de uma simples correlação.
  • Confundir variável independente (manipulada, a causa suposta) com variável dependente (medida, o efeito).

Revisão ativa

Explica por que, de «as crianças que veem mais televisão violenta são mais agressivas», não se pode concluir sem mais que «ver televisão violenta torna as crianças agressivas».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A especificidade humana e o modelo biopsicossocial#

●●●AprofundamentoLPAE-psicologia-b-ciencia

Pontos-chave

Chega-se ao ponto de síntese de toda a disciplina: em que consiste a especificidade do ser humano? Ao longo do ano viu-se que o ser humano é um ser biológico — genes, cérebro, sinapses — mas cujo comportamento não se reduz à biologia; um ser que constrói ativamente o mundo e a si próprio pela mente; e um ser profundamente social e cultural, que se faz na relação com os outros. A sua especificidade está precisamente nesta articulação: nenhuma dimensão isolada o explica, e é a sua integração que o torna único. A Fig. 4 traduz essa síntese.

A síntese biopsicossocial

Modelo biopsicossocialGrafo, Biológico (corpo, cérebro) → Ser humano (compreensão integrada), Psicológico (mente, emoções, identidade) → Ser humano (compreensão integrada), Social (relações, cultura, contextos) → Ser humano (compreensão integrada), Biológico (corpo, cérebro) → Psicológico (mente, emoções, identidade), Psicológico (mente, emoções, identidade) → Social (relações, cultura, contextos)Biológico(corpo, cérebro)Psicológico(mente, emoções,identidade)Social(relações,cultura, contex…Ser humano(compreensãointegrada)
Fig. 4Fig. 4 — O fio condutor da disciplina: compreender o ser humano integrando o biológico, o psicológico e o social.
O modelo que exprime esta integração é o modelo biopsicossocial, apresentado no primeiro tema e reencontrado em cada tópico. Segundo ele, qualquer fenómeno humano — um comportamento, uma emoção, uma perturbação, uma aprendizagem — resulta da interação de três dimensões: a biológica (o corpo, o cérebro, a herança), a psicológica (os processos mentais, as emoções, a identidade) e a social (as relações, a cultura, os contextos). As três estão em interação constante e recíproca, e explicar bem exige articulá-las, não escolher uma. É a alternativa científica a todos os reducionismos.
Esta visão integrada tem, no fundo, atravessado todos os temas. Viu-se o cérebro plástico moldado pela experiência (bio e social); a memória e a emoção como processos mentais com base biológica e influência cultural; a identidade construída na relação; a resiliência a depender de fatores individuais, familiares e comunitários; o desenvolvimento como produto da pessoa em contextos. Em cada caso, a boa explicação foi biopsicossocial. O modelo não é, pois, um capítulo à parte: é o fio condutor que dá unidade à Psicologia B.
Compreender a especificidade humana e o modelo biopsicossocial é o objetivo último da disciplina, e tem alcance para além dela. Fundamenta uma atitude antirreducionista e não determinista: o ser humano é condicionado (pela biologia, pela cultura), mas não totalmente determinado — plástico, construtor de significado, capaz de autonomia e responsabilidade. Fundamenta também o respeito pela complexidade e pela singularidade de cada pessoa, e uma abordagem integrada na saúde, na educação e na intervenção social. Estudar Psicologia é, no melhor sentido, aprender a olhar o ser humano na sua inteireza — biológica, mental e social — sem o amputar de nenhuma das suas dimensões.
Exemplo resolvido

Uma explicação integrada

Aplica o modelo biopsicossocial para explicar, de forma integrada, o desenvolvimento de uma perturbação de ansiedade, mostrando por que uma explicação só biológica ou só social seria insuficiente.

  1. 01Dimensão biológica

    Pode existir uma predisposição temperamental e uma reatividade fisiológica ao stress (vulnerabilidade).

  2. 02Dimensão psicológica

    Padrões de pensamento (interpretar situações como ameaçadoras), experiências de aprendizagem e estratégias de regulação alimentam a ansiedade.

  3. 03Dimensão social

    Contextos stressores, relações, pressões e apoios disponíveis modulam o seu surgimento e curso.

  4. 04Integrar

    As três interagem: a predisposição só se traduz em perturbação em certos contextos e com certos padrões cognitivos — nenhuma dimensão sozinha basta.

Resultado: A ansiedade compreende-se pela interação do biológico (predisposição), do psicológico (interpretações e aprendizagens) e do social (contextos e apoios). Uma explicação só biológica ou só social seria redutora: é a articulação biopsicossocial que a explica — a síntese de toda a disciplina.

Foco no Exame Nacional

  • Fundamentar a especificidade do ser humano na articulação das dimensões biológica, psicológica e social.
  • Explicar o modelo biopsicossocial como quadro integrador e antirreducionista, fio condutor da disciplina.

Erros frequentes

  • Reduzir o ser humano a uma só dimensão (só biologia, só cultura, só mente), em vez de as integrar.
  • Tratar o modelo biopsicossocial como uma lista de três fatores, esquecendo que o essencial é a sua interação.

Revisão ativa

Escolhe um comportamento (por exemplo, uma dependência ou o sucesso escolar) e mostra como o modelo biopsicossocial o explica melhor do que qualquer explicação reducionista.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A Psicologia como ciência○
    • 02As grandes correntes da Psicologia◐
    • 03Os métodos de investigação◐
    • 04A especificidade humana e o modelo biopsicossocial●

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A Psicologia como ciência e a especificidade do ser humano

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano

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