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Gramática — funcionamento e conhecimento explícito da língua

O domínio da Gramática desenvolve o conhecimento explícito da língua: classes de palavras, funções sintáticas, coordenação e subordinação, coesão e coerência textuais, dêixis, valor aspetual, atos ilocutórios, relações semânticas, processos de formação de palavras e variação linguística. Corresponde ao Grupo II do Exame Nacional 639, de correção objetiva, e usa a metalinguagem oficial do Dicionário Terminológico.

5 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0444 / 20
Perfil de exame
Analisar a estrutura da frase: classes de palavras e funções sintáticasDistinguir coordenação de subordinação e classificar oraçõesExplicar mecanismos de coesão e coerência, dêixis e atos ilocutóriosReconhecer processos de formação de palavras, relações de sentido e variação linguística
Operadores:identificaclassificaexplicadistinguerelacionatransforma

nível básico

Formação geral: identificar classes de palavras e funções sintáticas nucleares e reconhecer mecanismos básicos de coesão.

nível avançado

Aprofundamento: analisar orações subordinadas, valor aspetual, atos ilocutórios e variação linguística com a terminologia rigorosa do Dicionário Terminológico.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Gramática — funcionamento e conhecimento explícito da língua
    • 01Classes de palavras○
    • 02Funções sintáticas◐
    • 03Coordenação e subordinação◐
    • 04Coesão, coerência, dêixis e atos ilocutórios●
    • 05Formação de palavras, relações semânticas e variação●
§ 01

Classes de palavras#

●○○BaseLPAE-portugues-gramatica

Pontos-chave

As palavras agrupam-se em classes segundo o seu comportamento morfológico (se variam, e em quê) e sintático (que funções desempenham). O português distingue classes variáveis — nome, adjetivo, verbo, determinante, quantificador, pronome — e classes invariáveis — advérbio, preposição, conjunção e interjeição. Dominar esta classificação é a base de toda a análise gramatical, porque a função que uma palavra pode ter na frase depende, em primeiro lugar, da classe a que pertence.
O nome (substantivo) designa entidades e subdivide-se em subclasses: comum e próprio, contável e não contável, coletivo. O adjetivo atribui propriedades e pode ser qualificativo (uma casa branca) ou relacional (a política nacional); é a classe que admite graus (comparativo e superlativo). O verbo exprime ações, estados ou processos e é a classe mais rica em flexão (número, pessoa, tempo, modo, aspeto); a sua subclassificação em principal (transitivo/intransitivo), copulativo e auxiliar é decisiva para determinar as funções sintáticas na frase.
Os determinantes (artigos definidos e indefinidos, demonstrativos, possessivos) especificam o nome e antecedem-no; os quantificadores exprimem quantidade (numerais, universais como todos, existenciais como alguns). Os pronomes substituem um nome ou um grupo nominal, evitando a repetição e assegurando a coesão — pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. Distinguir determinante de pronome é frequente no exame: «este livro» (determinante, acompanha o nome) versus «este é meu» (pronome, substitui o nome).
As classes invariáveis têm funções relacionais e discursivas. O advérbio modifica o verbo, o adjetivo, outro advérbio ou toda a frase, exprimindo circunstâncias (tempo, lugar, modo, quantidade) ou modalidade e conexão (advérbios conectivos como porém, portanto). A preposição estabelece relações de subordinação entre elementos (de, para, com); a conjunção liga palavras ou orações, coordenando ou subordinando; a interjeição exprime emoções. Reconhecer estas classes é indispensável para analisar a coesão e a articulação do texto (ver Fig. 1).

As classes de palavras

As classes de palavrasTabela com 3 colunas e 8 linhas, Dados: Classe · Variável? · Função essencial; Nome · Sim · Designar entidades; Adjetivo · Sim · Atribuir propriedades; Verbo · Sim · Exprimir ação/estado/processo; Determinante · Sim · Especificar o nome; Pronome · Sim · Substituir o nome (coesão); Advérbio · Não · Modificar / conectar; Preposição · Não · Relacionar (subordinar); Conjunção · Não · Ligar (coordenar/subordinar), célula destacada: Substituir o nome (coesão)CLASSEVARIÁVEL?FUNÇÃO ESSENCIALNOMESimDesignar entidadesADJETIVOSimAtribuir propriedadesVERBOSimExprimir ação/estado/processoDETERMINANTESimEspecificar o nomePRONOMESimSubstituir o nome (coesão)ADVÉRBIONãoModificar / conectarPREPOSIÇÃONãoRelacionar (subordinar)CONJUNÇÃONãoLigar (coordenar/subordinar)A classe determina que funções sintáticas a palavra podeter.
Fig. 1Fig. 1 — Classes variáveis e invariáveis e a respetiva função essencial.
Exemplo resolvido

Determinante ou pronome?

Classifica a palavra «aquela» em cada frase: (a) «Aquela aluna venceu.» (b) «De todas, prefiro aquela.»

  1. 01Observar o contexto de (a)

    Em «Aquela aluna», a palavra antecede e acompanha o nome «aluna», especificando-o.

  2. 02Observar o contexto de (b)

    Em «prefiro aquela», a palavra ocorre sozinha, no lugar de um nome (a aluna), que substitui.

  3. 03Concluir a classificação

    Mesma forma, classes diferentes: (a) determinante demonstrativo; (b) pronome demonstrativo.

Resultado: Em (a) «aquela» é determinante demonstrativo (acompanha o nome); em (b) é pronome demonstrativo (substitui o nome). O critério é sempre funcional: acompanhar ou substituir.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar a classe e a subclasse de uma palavra pelo seu comportamento morfossintático.
  • Distinguir determinante de pronome (acompanha versus substitui o nome).
  • Reconhecer os advérbios conectivos e a sua função na coesão.

Erros frequentes

  • Confundir determinante e pronome (o mesmo demonstrativo pode ser um ou outro consoante acompanhe ou substitua o nome).
  • Classificar como adjetivo um nome que funciona como modificador, ou vice-versa.
  • Confundir a classe da palavra com a sua função sintática (são planos de análise distintos).

Revisão ativa

Num período dado, identifica a classe e a subclasse de cinco palavras de classes diferentes e justifica a distinção entre um determinante e um pronome presentes no texto.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Funções sintáticas#

●●○PadrãoLPAE-portugues-gramatica

Pontos-chave

A função sintática é o papel que um grupo de palavras desempenha na frase, e não deve confundir-se com a classe: um mesmo grupo nominal pode ser sujeito numa frase e complemento direto noutra. As funções organizam-se em dois níveis: as funções ao nível da frase (sujeito e predicado) e as funções internas ao grupo verbal (complementos, predicativos, modificadores). Identificá-las exige testes sintáticos, não a intuição.
O sujeito é a função de que se predica algo; concorda com o verbo em número e pessoa e pode ser simples, composto, nulo (subentendido, indeterminado ou expletivo) ou frásico. O predicado é a função desempenhada pelo grupo verbal e contém o verbo e os seus complementos. O teste da concordância verbal identifica o sujeito: em «Chegaram os convidados», o verbo no plural concorda com «os convidados», que é o sujeito, apesar da ordem invertida.
Os complementos são exigidos pela valência do verbo (pelo seu significado). O complemento direto responde à seleção de um verbo transitivo direto e pode ser substituído pelos pronomes o/a/os/as (viu o filme → viu-o); o complemento indireto, introduzido por «a», substitui-se por lhe/lhes (deu o livro ao amigo → deu-lhe o livro); o complemento oblíquo é um complemento preposicionado exigido pelo verbo (gosta de música); o complemento agente da passiva introduz-se por «por» (foi feito pelo aluno). Distinguir complementos de modificadores é um dos pontos mais avaliados.
Os predicativos atribuem uma propriedade: o predicativo do sujeito ocorre com verbos copulativos (ser, estar, parecer, ficar) e caracteriza o sujeito (a casa está limpa); o predicativo do complemento direto caracteriza esse complemento (consideram-no competente). Os modificadores, ao contrário dos complementos, não são exigidos pelo verbo e podem ser suprimidos sem tornar a frase agramatical: o modificador do grupo verbal exprime circunstâncias (correu no parque) e o modificador apositivo/restritivo incide sobre o nome. O teste da supressão distingue o complemento (não suprimível) do modificador (suprimível) — ver Fig. 2.

As funções sintáticas na frase

Funções sintáticasDiagrama em árvore, 5 caminhos, Dados: Sujeito; Predicado → Complementos → direto / indireto; Predicado → Complementos → oblíquo / agente; Predicado → Predicativos; Predicado → ModificadoresComplementosPredicadoFraseSujeitodireto / indi…oblíquo / age…PredicativosModificadores
Fig. 2Fig. 2 — A frase organiza-se em sujeito e predicado; dentro do predicado, complementos, predicativos e modificadores.
Exemplo resolvido

Distinguir complemento de modificador

Analisa a frase «O aluno leu o livro na biblioteca», classificando «o livro» e «na biblioteca».

  1. 01Testar a supressão

    «O aluno leu na biblioteca» continua agramatical em sentido (falta o objeto do verbo transitivo ler); «O aluno leu o livro» é completa — logo «o livro» é exigido, «na biblioteca» não.

  2. 02Testar a substituição de «o livro»

    «O aluno leu-o» — substitui-se por «o», sinal de complemento direto.

  3. 03Classificar «na biblioteca»

    É suprimível e exprime circunstância de lugar: modificador do grupo verbal.

Resultado: «O livro» é complemento direto (exigido pelo verbo transitivo, substituível por «o»); «na biblioteca» é modificador do grupo verbal (suprimível, circunstância de lugar).

Foco no Exame Nacional

  • Identificar sujeito e predicado com o teste da concordância.
  • Distinguir os complementos (direto, indireto, oblíquo, agente da passiva) pela substituição pronominal e pela regência.
  • Distinguir complemento de modificador pelo teste da supressão.
  • Reconhecer o predicativo do sujeito e do complemento direto.

Erros frequentes

  • Confundir complemento indireto com complemento oblíquo (só o indireto se substitui por lhe/lhes).
  • Tomar um modificador do grupo verbal por complemento (o modificador pode ser suprimido).
  • Identificar o sujeito pela posição (início da frase) em vez de pela concordância.

Revisão ativa

Na frase «Ontem, o júri considerou o candidato apto para o cargo», identifica todas as funções sintáticas, distinguindo complementos, predicativo e modificador, e justifica com testes.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Coordenação e subordinação#

●●○PadrãoLPAE-portugues-gramatica

Pontos-chave

Um período pode conter mais do que uma oração, e a forma como as orações se ligam define a estrutura da frase complexa. Há duas grandes relações: a coordenação, em que as orações têm o mesmo estatuto sintático e nenhuma depende da outra; e a subordinação, em que uma oração (subordinada) depende de outra (subordinante), desempenhando uma função sintática dentro dela. Distinguir as duas é o ponto de partida da análise da frase complexa.
As orações coordenadas ligam-se por conjunções ou locuções coordenativas e classificam-se pelo sentido da ligação: copulativas (adição: e, nem), adversativas (oposição: mas, porém, contudo), disjuntivas (alternativa: ou… ou), conclusivas (conclusão: logo, portanto) e explicativas (justificação: pois, que). A coordenação também pode ser assindética, sem conjunção, marcada apenas por vírgula («Vim, vi, venci»). O teste é a autonomia: cada oração coordenada poderia, em princípio, existir sozinha.
As orações subordinadas exercem uma função sintática na oração subordinante e classificam-se em três grandes tipos. As substantivas desempenham funções próprias do nome (sujeito, complemento direto): «Disse que vinha» (a subordinada é complemento direto). As adjetivas (relativas) modificam um nome, introduzidas por pronome relativo, e são restritivas (delimitam, sem vírgula) ou explicativas (acrescentam, entre vírgulas). As adverbiais exprimem circunstâncias (causa, tempo, condição, concessão, fim, consequência, comparação), funcionando como modificadores.
A distinção entre subordinada adjetiva restritiva e explicativa tem consequências de sentido e de pontuação, e é frequentemente avaliada. «Os alunos que estudaram passaram» (restritiva: só esses passaram) difere de «Os alunos, que estudaram, passaram» (explicativa: todos estudaram e todos passaram). Da mesma forma, reconhecer o valor da subordinada adverbial (uma condicional «se…» não é o mesmo que uma concessiva «embora…») é essencial para interpretar a relação lógica que estrutura a frase e o texto (ver Fig. 3).

Coordenação e subordinação

Coordenação e subordinaçãoTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Relação · Tipo · Exemplo de conector; Coordenação · Copulativa · e, nem; Coordenação · Adversativa · mas, porém, contudo; Coordenação · Conclusiva · logo, portanto; Subordinação · Substantiva · que, se (completivas); Subordinação · Adjetiva (relativa) · que, o qual, cujo; Subordinação · Adverbial · porque, quando, embora, se, célula destacada: Adjetiva (relativa)RELAÇÃOTIPOEXEMPLO DE CONECTORCOORDENAÇÃOCopulativae, nemCOORDENAÇÃOAdversativamas, porém, contudoCOORDENAÇÃOConclusivalogo, portantoSUBORDINAÇÃOSubstantivaque, se (completivas)SUBORDINAÇÃOAdjetiva (relativa)que, o qual, cujoSUBORDINAÇÃOAdverbialporque, quando, embora, seA subordinada exerce uma função na subordinante; acoordenada é autónoma.
Fig. 3Fig. 3 — Os tipos de oração coordenada e subordinada e o seu valor.
Exemplo resolvido

Restritiva ou explicativa?

Compara: (a) «Os jogadores que se lesionaram falharam o jogo.» (b) «Os jogadores, que se lesionaram, falharam o jogo.» Que muda?

  1. 01Analisar (a)

    Sem vírgulas, a relativa restringe: apenas os jogadores lesionados (e não todos) falharam o jogo.

  2. 02Analisar (b)

    Entre vírgulas, a relativa é explicativa: todos os jogadores se lesionaram — logo todos falharam o jogo.

  3. 03Concluir

    A mesma oração relativa muda o sentido consoante seja restritiva (delimita) ou explicativa (acrescenta), o que a pontuação sinaliza.

Resultado: Em (a), oração subordinada adjetiva relativa restritiva (só os lesionados falharam); em (b), explicativa (todos se lesionaram e falharam). As vírgulas são decisivas para o sentido.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir coordenação (orações autónomas) de subordinação (oração dependente com função).
  • Classificar orações coordenadas pelo valor da conjunção.
  • Classificar orações subordinadas (substantivas, adjetivas, adverbiais) e o seu valor.
  • Distinguir subordinada adjetiva restritiva de explicativa (sentido e pontuação).

Erros frequentes

  • Classificar como coordenada uma oração que, na verdade, depende de outra (e vice-versa).
  • Confundir a conjunção «que» completiva (substantiva) com o pronome relativo «que» (adjetiva).
  • Ignorar as vírgulas ao distinguir a relativa restritiva da explicativa.

Revisão ativa

No período «Embora estivesse cansado, o atleta, que treinara toda a semana, correu e venceu», identifica e classifica todas as orações, distinguindo coordenação de subordinação.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Coesão, coerência, dêixis e atos ilocutórios#

●●●AprofundamentoLPAE-portugues-gramatica

Pontos-chave

A coerência e a coesão são as duas propriedades que fazem de uma sequência de frases um texto. A coerência é a propriedade lógico-semântica: as ideias não se contradizem, progridem e relacionam-se de forma pertinente com o tema e a situação. A coesão é a propriedade linguística de superfície: os mecanismos gramaticais e lexicais que ligam as partes do texto. Um texto pode ser coeso (bem ligado) mas incoerente (sem sentido lógico), e ambos são avaliados na escrita.
A coesão realiza-se por vários mecanismos. A coesão gramatical inclui a coesão referencial (retoma de um elemento por pronomes, determinantes ou elipse — anáfora e catáfora), a coesão frásica (concordância) e a coesão interfrásica e temporal (conectores e correlação de tempos verbais). A coesão lexical assegura-se por reiteração (repetição, sinónimos, hiperónimos) e por colocação (palavras do mesmo campo lexical). Estes mecanismos evitam a repetição desnecessária e guiam o leitor pela progressão do texto.
A dêixis é o mecanismo pelo qual certas expressões só se interpretam em relação à situação de enunciação — quem fala, onde e quando. Distinguem-se a dêixis pessoal (eu, tu, nós; os pronomes e a flexão que remetem para os interlocutores), a dêixis espacial (aqui, ali, este, aquele; a localização relativa ao locutor) e a dêixis temporal (agora, ontem, amanhã; o tempo relativo ao momento da enunciação). Sem conhecer a situação, um enunciado deítico como «encontramo-nos aqui amanhã» é indeterminado.
Os atos ilocutórios (ou de fala) são as ações que realizamos ao enunciar: afirmar, perguntar, ordenar, prometer, agradecer. Distinguem-se cinco tipos — assertivos (descrevem um estado de coisas: afirmar, concluir), diretivos (levam o interlocutor a agir: pedir, ordenar), compromissivos (comprometem o locutor: prometer, jurar), expressivos (exprimem um estado psicológico: agradecer, felicitar) e declarativos (alteram a realidade pela própria enunciação: batizar, declarar aberta a sessão). O mesmo enunciado pode ter valor ilocutório indireto: «Podes fechar a porta?» tem forma de pergunta, mas força de pedido (ver Fig. 4).

Coesão, dêixis e atos ilocutórios

Coesão, dêixis e atos ilocutóriosTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Fenómeno · Tipo · Exemplo; Coesão · Referencial (anáfora) · O João… ele…; Coesão · Interfrásica · portanto, contudo; Coesão · Lexical · casa… habitação… lar; Dêixis · Pessoal / espacial / temporal · eu, aqui, amanhã; Ato ilocutório · Diretivo · «Fecha a porta.»; Ato ilocutório · Compromissivo · «Prometo que venho.», célula destacada: eu, aqui, amanhãFENÓMENOTIPOEXEMPLOCOESÃOReferencial (anáfora)O João… ele…COESÃOInterfrásicaportanto, contudoCOESÃOLexicalcasa… habitação… larDÊIXISPessoal /espacial /temporaleu, aqui, amanhãATO ILOCUTÓRIODiretivo«Fecha a porta.»ATO ILOCUTÓRIOCompromissivo«Prometo que venho.»As expressões deíticas dependem da situação de enunciação.
Fig. 4Fig. 4 — Mecanismos de coesão, tipos de dêixis e atos ilocutórios.
Exemplo resolvido

Reconhecer um ato ilocutório indireto

Num restaurante, um cliente diz ao empregado: «Será que me podia trazer a conta?» Classifica o ato ilocutório.

  1. 01Observar a forma

    A frase tem forma interrogativa (é, à letra, uma pergunta sobre a possibilidade de trazer a conta).

  2. 02Identificar a intenção real

    O cliente não quer saber se o empregado é capaz: quer que ele traga a conta — a intenção é levar o interlocutor a agir.

  3. 03Classificar

    A força ilocutória é diretiva (um pedido), realizada de forma indireta e cortês através da forma interrogativa.

Resultado: É um ato ilocutório diretivo (pedido) indireto: a forma é interrogativa, mas a força é a de um pedido, atenuado pela cortesia («será que», «podia»).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir coerência (lógico-semântica) de coesão (linguística).
  • Identificar mecanismos de coesão referencial, interfrásica e lexical num texto.
  • Reconhecer as expressões deíticas (pessoal, espacial, temporal).
  • Classificar atos ilocutórios e reconhecer atos ilocutórios indiretos.

Erros frequentes

  • Confundir coesão com coerência (a coesão é a ligação linguística; a coerência é o sentido lógico).
  • Não reconhecer a anáfora, tomando um pronome por elemento novo em vez de retoma.
  • Classificar um ato ilocutório pela forma (interrogativa, imperativa) sem atender à força indireta.

Revisão ativa

Num parágrafo dado, identifica dois mecanismos de coesão (um referencial e um lexical), uma expressão deítica e o ato ilocutório dominante de uma frase, justificando cada resposta.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Formação de palavras, relações semânticas e variação#

●●●AprofundamentoLPAE-portugues-gramatica

Pontos-chave

O léxico do português não é fechado: renova-se por processos de formação de palavras. Os dois processos morfológicos centrais são a derivação e a composição. A derivação forma palavras a partir de uma base pela junção de afixos: prefixação (in- + feliz → infeliz), sufixação (feliz + -mente → felizmente), prefixação e sufixação combinadas, e derivação não afixal ou conversão (mudança de classe sem afixo, como o infinitivo «o jantar»). A composição junta duas ou mais bases: morfológica (agri- + cultura → agricultura) ou morfossintática (guarda-chuva, fim de semana).
Existem ainda processos não morfológicos, ligados sobretudo à economia e à renovação da língua: a extensão semântica (uma palavra ganha novo sentido), o empréstimo de outras línguas (estrangeirismos, como «software»), a sigla e o acrónimo (ONU, radar), a amálgama e a abreviação (metropolitano → metro). Reconhecer o processo de formação de uma palavra permite compreender a sua estrutura e o seu sentido, e é matéria recorrente do Grupo II do exame.
As relações semânticas organizam o léxico em redes de sentido. A sinonímia é a relação de sentido próximo (belo/bonito); a antonímia, de sentido oposto (alto/baixo); a hiponímia e a hiperonímia, de inclusão (rosa é hipónimo de flor, o hiperónimo); a holonímia e a meronímia, de todo e parte (árvore/ramo); a homonímia e a paronímia, de formas iguais ou parecidas com sentidos distintos (são/são; eminente/iminente). Estas relações sustentam a coesão lexical e a precisão vocabular na escrita.
A língua não é uniforme: varia. A variação linguística manifesta-se em vários eixos — geográfico (variedades do português: europeu, do Brasil, dos países africanos; e dialetos), social (variação segundo o grupo, a idade, a escolaridade), situacional (registos formal e informal, adequados ao contexto) e histórico (a mudança da língua ao longo do tempo). Reconhecer a variação, sem a hierarquizar preconceituosamente, e adequar o registo à situação são competências que a norma escolar valoriza: escrever bem é, também, escolher a variedade e o registo adequados (ver Fig. 5).

Processos de formação de palavras

Processos de formação de palavrasGrafo, Formação de palavras → Morfológicos, Formação de palavras → Não morfológicos, Morfológicos → Derivação (afixos), Morfológicos → Composição (bases), Não morfológicos → Empréstimo / siglaFormação depalavrasMorfológicosNãomorfológicosDerivação(afixos)Composição(bases)Empréstimo /sigla
Fig. 5Fig. 5 — O léxico renova-se por processos morfológicos e não morfológicos.
Exemplo resolvido

Identificar o processo de formação

Indica o processo de formação de «desflorestação», «girassol» e «metro» (de «metropolitano»).

  1. 01«desflorestação»

    Base «floresta» com prefixo «des-» e sufixo «-ção» (mais alteração): derivação por prefixação e sufixação.

  2. 02«girassol»

    Junção de duas bases, «gira» (verbo) e «sol» (nome): composição morfossintática.

  3. 03«metro»

    Redução de «metropolitano»: processo não morfológico de abreviação (truncação).

Resultado: «Desflorestação» forma-se por derivação (prefixação + sufixação); «girassol» por composição morfossintática; «metro» por abreviação (processo não morfológico).

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o processo de formação de uma palavra (derivação, composição, outros).
  • Reconhecer relações semânticas (sinonímia, antonímia, hiperonímia/hiponímia, holonímia/meronímia).
  • Distinguir os eixos de variação linguística (geográfica, social, situacional, histórica).
  • Adequar o registo à situação de comunicação.

Erros frequentes

  • Confundir derivação com composição (uma junta afixo a uma base; a outra junta bases).
  • Confundir homonímia com paronímia (formas iguais versus apenas parecidas).
  • Tratar variedades ou registos não padrão como «erros», em vez de variação legítima.

Revisão ativa

Indica o processo de formação de quatro palavras dadas, estabelece uma relação semântica entre dois pares de palavras e identifica um exemplo de variação situacional num texto.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Classes de palavras○
    • 02Funções sintáticas◐
    • 03Coordenação e subordinação◐
    • 04Coesão, coerência, dêixis e atos ilocutórios●
    • 05Formação de palavras, relações semânticas e variação●

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Dos resumos à prática

Gramática — funcionamento e conhecimento explícito da língua

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário

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