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O vídeo é a forma que reúne tudo o que a disciplina já trabalhou — imagem em movimento, texto, som e tempo — e obriga a decidir, plano a plano, a que distância se coloca o espetador. Percorrem-se aqui a escala de planos, os ângulos e os movimentos de câmara, os parâmetros técnicos que fixam o peso e a qualidade do ficheiro, o guião técnico e o plano de rodagem, e a montagem onde texto, imagem e som se juntam numa peça única. Oficina de Multimédia B é uma disciplina de opção do 12.º ano sem Exame Final Nacional, avaliada internamente a partir das produções e do projeto.
4 secções~44 min de leitura5 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Reconhecer a escala de planos, os ângulos e os movimentos de câmara, ler os parâmetros de um ficheiro de vídeo e montar uma sequência com corte seco e raccord.
nível avançado
Decupar uma cena em guião técnico, planear a rodagem por posições de câmara, calcular débito e tamanho de exportação e fundamentar cada corte, transição e camada de som.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A escala de planos sobre a mesma figura
A regra dos 180.º e o eixo de ação
Numa curta de atelier, uma personagem recebe uma recusa ao fim de uma longa espera. A cena tem de fazer três coisas, por esta ordem: situar a espera, mostrar a recusa a chegar e deixar o espetador dentro da personagem. Que plano e que ângulo escolhes para cada momento, e porquê?
Plano geral, ângulo normal, câmara fixa. O plano geral mostra a figura inteira dentro de um espaço demasiado grande para ela, e é o vazio à volta — não a expressão do rosto, que a esta distância nem se lê — que faz sentir a duração. O ângulo normal mantém-se neutro porque, neste momento, nada deve ser comentado: a informação basta-se a si própria.
Plano médio da personagem, em ligeiro picado. O corte pela cintura aproxima o espetador sem ainda o comprometer, e o picado ligeiro coloca a câmara acima dos olhos, diminuindo a figura no instante exato em que a notícia a diminui. « Ligeiro » é a palavra que interessa: um picado acentuado transformaria a cena num comentário, e a cena ainda está a acontecer.
Grande plano, ângulo normal, à altura exata dos olhos. Aqui o contexto deixa de importar: retira-se o cenário do enquadramento para que nada dispute a atenção ao rosto. Voltar ao ângulo normal é uma decisão, não um descuido — depois de a ter diminuído, a câmara põe-se ao nível da personagem, e é essa igualdade que produz a empatia.
Os três planos formam uma escala que fecha — geral, médio, grande plano (Fig. 1) — e é essa progressão, e não cada plano isolado, que constrói a cena. Se o grande plano tivesse sido gasto no primeiro momento, o terceiro não teria para onde ir.
Se a recusa vier de uma segunda personagem em campo, define-se o eixo de ação entre as duas e mantêm-se as três posições de câmara do mesmo lado (Fig. 2), para que quem espera continue sempre no mesmo lado do ecrã e o espetador nunca perca a geografia da cena.
Resultado: Plano geral em ângulo normal para situar; plano médio em ligeiro picado para a recusa; grande plano em ângulo normal, à altura dos olhos, para o desfecho. A escala fecha progressivamente e o ângulo só diminui a personagem no momento em que a narrativa a diminui — com as três posições de câmara do mesmo lado do eixo de ação.
Erros frequentes
Revisão ativa
Vais filmar uma cena de 30 s em que uma personagem entra numa sala onde outra a espera e lhe entrega um objeto. (a) Escolhe quatro planos e indica, para cada um, o ponto de corte na figura, a angulação e o movimento de câmara, se houver. (b) Justifica cada escolha por aquilo que ela faz ao espetador, e não pelo que mostra. (c) Desenha a planta do cenário com o eixo de ação e marca as quatro posições de câmara, verificando que ficam todas do mesmo lado.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
O tamanho do ficheiro cresce em linha reta com a duração
Codec e contentor: a caixa e a língua
Débito não comprimido por resolução
Débito binário sem compressão
O débito, em bits por segundo, é o produto da largura L pela altura A, ambas em pixels, pela profundidade de cor p em bits por pixel e pela frequência de fotogramas f. Para passar de bits a bytes divide-se por 8.
Tamanho do ficheiro
O tamanho é o débito multiplicado pela duração. Com D em bits por segundo e t em segundos, T sai em bits; divide-se por 8 para obter bytes.
Fator de câmara lenta
Filmando a uma frequência mais alta do que aquela a que se reproduz, o movimento abranda tantas vezes quantas o quociente entre as duas frequências. A 100 fps para reprodução a 25 fps, n = 4.
Uma curta de atelier dura 3 min 20 s e foi filmada e montada a 25 fps. (a) Quantos fotogramas tem ao todo? (b) Quantos fotogramas ocupa um plano de 4,5 s? (c) Um gesto de 2 s foi filmado a 100 fps para ser reproduzido a 25 fps: quanto tempo dura no ecrã?
3 min 20 s = 3 × 60 + 20 = 200 s.
200 × 25 = 5000 fotogramas.
4,5 × 25 = 112,5. Como não existe meio fotograma, o plano tem de assentar num número inteiro: 112 fotogramas, que dão 4,48 s, ou 113, que dão 4,52 s. Na linha de tempo o programa faz este arredondamento sozinho, mas quem soma durações no papel deve saber que ele existe.
Filmado a 100 fps, um gesto de 2 s ficou registado em 2 × 100 = 200 fotogramas. Reproduzidos a 25 fps, esses 200 fotogramas ocupam 200 ÷ 25 = 8 s.
8 ÷ 2 = 4, que é exatamente 100 ÷ 25. O movimento abranda quatro vezes e cada imagem mostrada foi genuinamente captada — nenhuma foi repetida nem inventada.
Resultado: A curta tem 5000 fotogramas. Um plano de 4,5 s ocupa 112 ou 113 fotogramas. O gesto de 2 s filmado a 100 fps dura 8 s no ecrã a 25 fps, um abrandamento de 4 vezes.
Calcula o débito de um vídeo Full HD sem compressão, a 1920 × 1080, 25 fps e 24 bits por pixel. Compara-o com o de uma exportação em H.264 a 10 Mbit/s e diz quanto ocupa cada um por minuto.
1920 × 1080 = 2 073 600 pixels.
2 073 600 × 24 = 49 766 400 bits.
49 766 400 × 25 = 1 244 160 000 bit/s, ou seja 1244,16 Mbit/s — o valor da Fig. 3.
1 244 160 000 ÷ 8 = 155 520 000 B/s, isto é 155,52 MB/s. Num minuto, 155 520 000 × 60 = 9 331 200 000 B, ou seja 9,33 GB.
A 10 Mbit/s, o mesmo minuto ocupa 10 000 000 × 60 ÷ 8 = 75 000 000 B, isto é 75 MB.
1244,16 ÷ 10 = 124,4, ou seja cerca de 124 para 1. Dito em termos de atelier: um minuto de Full HD sem compressão são 9,33 GB e enche um cartão em poucos minutos; comprimido a 10 Mbit/s são 75 MB e cabem horas no mesmo cartão. Não há aqui uma escolha entre comprimir e não comprimir, há apenas um débito a escolher bem.
Resultado: Full HD a 25 fps e 24 bits por pixel dá 1244,16 Mbit/s, isto é 9,33 GB por minuto. A mesma peça em H.264 a 10 Mbit/s ocupa 75 MB por minuto — uma taxa de compressão de cerca de 124:1.
Erros frequentes
Revisão ativa
A tua turma vai entregar uma curta de 4 minutos para projeção na sala e para publicação no sítio da escola. (a) Justifica a resolução, a frequência de fotogramas e a proporção de imagem que escolhes para a captação e para cada uma das duas exportações. (b) Calcula o débito não comprimido da resolução de captação a 24 bits por pixel e compara-o com o débito de exportação que propuseres. (c) Diz que contentor e que codec vais usar na entrega para a Web, e porquê.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Guião técnico de uma cena de 34 s
A cena da Fig. 6 tem oito planos filmados a partir de quatro posições de câmara, que pela ordem da narrativa se sucedem C1, C2, C3, C2, C4, C3, C2 e C1. Cada mudança de posição custa cerca de 20 minutos à equipa. (a) Quantas mudanças exige a ordem narrativa? (b) E um plano de rodagem agrupado por posição? (c) Quanto tempo se poupa?
Pela ordem da narrativa, as posições sucedem-se C1, C2, C3, C2, C4, C3, C2, C1 — oito planos a partir de apenas quatro pontos no espaço.
Entre oito planos há sete passagens, e nenhuma delas repete a posição anterior: C1→C2, C2→C3, C3→C2, C2→C4, C4→C3, C3→C2 e C2→C1. São 7 mudanças de posição de câmara.
Reordenando por posição, C1 filma P1 e P8; C2 filma P2, P4 e P7; C3 filma P3 e P6; C4 filma P5. São quatro grupos, e percorrer quatro grupos exige 4 − 1 = 3 mudanças.
7 − 3 = 4 mudanças evitadas. A 20 minutos cada, são 4 × 20 = 80 minutos, isto é 1 h 20 min de rodagem devolvidos à equipa — tempo que se gasta a repetir os planos difíceis, em vez de a arrumar tripés.
A reordenação não altera a peça: 6 + 4 + 4 + 3 + 2 + 5 + 4 + 6 = 34 s, quer se filme por uma ordem quer por outra. O que muda é apenas quando cada plano é registado.
A ordem alterada tem um custo. Dentro de C2 filmam-se seguidos P2, P4 e P7, que na peça montada estão separados por outros planos e por várias mudanças de estado. É por isso que a folha de continuidade deixa de ser opcional: a roupa, a posição do objeto, o nível do copo e a direção do olhar de cada plano têm de ficar registados e fotografados antes de se mudar de posição.
Resultado: A ordem narrativa custa 7 mudanças de posição de câmara; o plano de rodagem agrupado por posição custa 3. Poupam-se 4 mudanças, ou seja cerca de 80 minutos, ao preço de uma folha de continuidade rigorosa — sem a qual o raccord se perde. A cena continua a durar 34 s.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma cena de duas páginas de um guião literário teu ou da tua turma. (a) Escreve o guião técnico completo, uma linha por plano, com número, enquadramento, angulação, movimento, duração, som e posição de câmara. (b) Soma as durações e confirma que a cena cabe no tempo previsto. (c) Reorganiza os mesmos planos num plano de rodagem agrupado por posição de câmara e conta quantas mudanças de posição pouparás em relação à ordem da narrativa.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
A linha de tempo de montagem
Tamanho de exportação em megabytes
Com o débito em Mbit/s e a duração em segundos, o quociente por 8 dá diretamente o tamanho em megabytes. É a fórmula que permite prever o peso de uma entrega antes de a exportar. Atenção à diferença entre MB, que vale 10⁶ bytes, e MiB, que vale 2²⁰ bytes.
A peça final tem 12 minutos e vai ser exportada em MP4 com H.264, a um débito total de 12 Mbit/s. (a) Quanto ocupa o ficheiro em bytes e em GB? (b) E em GiB? (c) Se o sítio da escola só aceitar ficheiros até 500 MB, que débito seria preciso?
12 min = 12 × 60 = 720 s.
12 Mbit/s são 12 000 000 bit/s; ao longo de 720 s dão 12 000 000 × 720 = 8 640 000 000 bits.
8 640 000 000 ÷ 8 = 1 080 000 000 B. Como um gigabyte vale 10⁹ bytes, são 1,08 GB.
Um gibibyte vale 2³⁰ = 1 073 741 824 bytes, pelo que 1 080 000 000 ÷ 1 073 741 824 = 1,006 GiB. É exatamente a mesma quantidade de informação: só muda a unidade, e é por isso que o sistema operativo mostra um número ligeiramente menor do que aquele que se anunciou.
500 MB são 500 000 000 B, isto é 4 000 000 000 bits. Repartidos por 720 s dão 4 000 000 000 ÷ 720 ≈ 5 555 556 bit/s, ou seja cerca de 5,56 Mbit/s. Arredondando para baixo, 5,5 Mbit/s garante folga: 5 500 000 × 720 ÷ 8 = 495 000 000 B, isto é 495 MB.
Descer de 12 para 5,5 Mbit/s é ficar com menos de metade do orçamento de bits, e nota-se sobretudo nos planos com muito movimento. Se a peça tiver sequências agitadas, vale mais entregar duas versões — um mestre a 12 Mbit/s para a projeção e uma versão leve a 5,5 Mbit/s para o sítio — do que degradar a única cópia que existe.
Resultado: 12 minutos a 12 Mbit/s ocupam 1 080 000 000 B, isto é 1,08 GB ou 1,006 GiB. Para caber no limite de 500 MB, o débito teria de descer para cerca de 5,5 Mbit/s, que dá 495 MB.
Erros frequentes
Revisão ativa
Monta os primeiros 40 segundos do teu projeto numa linha de tempo com cinco pistas — imagem, títulos, diálogo, música e ambiente. (a) Usa corte seco em todos os cortes menos um e justifica por escrito o significado dessa única transição. (b) Faz o ambiente atravessar todos os cortes sem interrupção e compara a leitura com uma versão em que o som corta com a imagem. (c) Acrescenta um título de abertura e uma legenda, verificando o tempo de leitura da legenda a quinze caracteres por segundo. (d) Exporta em MP4 com H.264 a 8 Mbit/s e prevê, antes de exportar, quanto vai pesar o ficheiro.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes