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O som é a outra metade de uma obra audiovisual e quase sempre a que decide se o espetador acredita no que vê. Percorre-se aqui o caminho que leva uma onda de pressão até um ficheiro — amostragem, teorema de Nyquist e quantização —, os equipamentos e as técnicas com que se capta, os formatos com o cálculo do débito e do tamanho, e a edição, a mistura e o desenho sonoro que dão a um produto multimédia as suas camadas de voz, música, efeitos e ambiente. Oficina de Multimédia B é uma disciplina de opção do 12.º ano sem Exame Final Nacional, avaliada internamente a partir das produções e do projeto.
4 secções~35 min de leitura5 competênciasNível Padrão 2 · Aprofundamento 2
nível básico
Identificar os formatos de áudio e os equipamentos de captação correntes e executar as operações essenciais de corte, fade e mistura numa peça simples.
nível avançado
Aplicar Nyquist e o cálculo do débito à escolha dos parâmetros de gravação, dominar microfones e padrões polares e construir uma mistura por camadas fundamentada em intenção narrativa.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Amostragem de um tom de 1 kHz
Aliasing: um sinal de 3 kHz amostrado a 4 kHz
Teorema da amostragem (Nyquist-Shannon)
A taxa de amostragem f_a tem de ser pelo menos o dobro da frequência mais alta f_max que se pretende registar. Metade da taxa é a frequência de Nyquist, o teto de agudos do ficheiro.
Níveis de quantização
p é a profundidade em bits por amostra. 8 bits dão 256 níveis, 16 bits dão 65 536 e 24 bits dão 16 777 216 — quantos mais níveis, mais fino o degrau e mais baixo o ruído de quantização.
Gama dinâmica em função da profundidade
Cada bit acrescentado vale cerca de 6 dB. Daqui os aproximadamente 96 dB dos 16 bits e os aproximadamente 144 dB dos 24 bits, que são a margem de segurança de quem grava em rodagem.
Um sintetizador da banda sonora produz conteúdo útil até 15 kHz. (a) Qual é a taxa de amostragem mínima exigida pelo teorema? (b) Se a sessão tiver ficado, por engano, a 22 kHz, a partir de que frequência é que o registo passa a ser falso? (c) Que teto de agudos garante a norma do CD, a 44,1 kHz?
O teorema exige uma taxa igual ou superior ao dobro da frequência máxima. Com 15 kHz de conteúdo útil, a taxa mínima é o dobro: 30 kHz.
30 kHz é um limite, não uma escolha. Toma-se o valor normalizado imediatamente acima — 44,1 kHz ou 48 kHz —, que dá margem para o filtro anti-aliasing atuar sem cortar dentro da banda útil.
A frequência de Nyquist é metade da taxa: 22 ÷ 2 = 11 kHz. Tudo o que na fonte estiver acima de 11 kHz não desaparece — reaparece como frequências falsas dentro da banda audível.
Metade de 44,1 kHz são 22,05 kHz, acima do limite da audição humana. Foi por isso que 44,1 kHz foi adotado: cobre os 20 kHz audíveis e deixa uma faixa de guarda para o filtro.
Resultado: (a) No mínimo 30 kHz, e na prática 44,1 ou 48 kHz. (b) A partir de 11 kHz o registo passa a ser falso, por aliasing. (c) A norma do CD garante conteúdo até 22,05 kHz — mais do que o ouvido alcança, e é essa a razão do número 44,1 kHz.
Erros frequentes
Revisão ativa
Vais gravar, na mesma sessão, a narração de uma curta de animação e os sons de uma caixa de música com muitos harmónicos agudos. (a) Escolhe a taxa de amostragem e a profundidade em bits e justifica cada uma pelo que efetivamente governa. (b) Calcula a frequência de Nyquist da taxa que escolheste. (c) Explica ao teu grupo, em cinco linhas, porque é que gravar a 32 kHz pouparia espaço mas cortaria a caixa de música acima de 16 kHz.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Padrões polares: omnidirecional, cardioide e bidirecional
Queda de nível com a distância
Afastar o microfone da distância d1 para a distância d2 faz o nível da fonte cair este número de decibéis. Duplicar a distância custa cerca de 6 dB; reduzi-la a metade rende os mesmos 6 dB.
Na cena do café, o microfone de lapela fica a 20 cm da boca e o canhão, na vara, a 1 m. (a) Que diferença de nível de voz há entre os dois? (b) O ruído da máquina de café chega praticamente igual aos dois microfones: o que é que isso significa para a relação entre voz e ruído?
Uniformizam-se as unidades: 1 m são 100 cm. A razão é 100 ÷ 20 = 5, ou seja, o canhão está cinco vezes mais longe da boca do que a lapela.
Aplicando a fórmula da queda de nível com a distância: 20 × log10(5) = 20 × 0,699 ≈ 14 dB de diferença a favor da lapela.
O ruído da máquina e da rua não parte da boca: chega difuso, refletido por todo o espaço, e por isso atinge os dois microfones praticamente com o mesmo nível. A distância à boca não o atenua.
Se a voz da lapela está cerca de 14 dB acima e o ruído está ao mesmo nível nos dois, então a distância entre voz e ruído é cerca de 14 dB maior na lapela.
Resultado: A lapela entrega a voz cerca de 14 dB acima do canhão e, como o ruído difuso do café chega igual aos dois, ganha aproximadamente 14 dB de relação sinal-ruído. É esta a razão por que se aproxima o microfone em ambiente ruidoso — e é também a razão por que a lapela soa mais colada e menos natural: a proximidade que a limpa é a mesma que lhe retira o espaço.
Erros frequentes
Revisão ativa
Uma cena da tua curta passa-se num café, com ruído de máquina e trânsito na rua, e tem duas personagens sentadas frente a frente. (a) Escolhe os microfones e os padrões polares que levarias e desenha um pequeno esquema da colocação. (b) Indica quais deles precisam de alimentação fantasma. (c) Diz que nível de pico procuras e porquê. (d) Enumera o que gravas para além dos diálogos e para que serve cada registo na montagem.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Formatos de áudio por família de compressão
Um minuto de áudio em quatro débitos
Débito binário de áudio sem compressão
D em bit/s, f_a em Hz, p em bits por amostra. O número de canais multiplica: o estéreo custa o dobro do mono. A fórmula só vale para áudio sem compressão — num formato com perdas, D é escolhido no codificador.
Tamanho do ficheiro
t é a duração em segundos. Divide-se por oito para passar de bits a bytes. Para obter megabytes divide-se ainda por 10⁶; para mebibytes, por 2²⁰ = 1 048 576.
Taxa de compressão
Um quociente de 7,35 escreve-se 7,35:1 e significa que o ficheiro ficou pouco mais de sete vezes menor do que o original sem compressão.
A norma do CD áudio grava a 44,1 kHz, com 16 bits por amostra e dois canais. (a) Qual é o débito binário, em bit/s e em kbit/s? (b) Quanto ocupam 3 minutos nessa qualidade, em MB e em MiB?
Aplica-se a fórmula do débito: 44 100 amostras por segundo, 16 bits cada, dois canais. Dá 1 411 200 bit/s.
1 411 200 ÷ 1000 = 1411,2 kbit/s. É este o número que identifica a qualidade de CD e o termo de comparação de todos os formatos com perdas.
Três minutos são 180 segundos. 1 411 200 × 180 = 254 016 000 bits.
254 016 000 ÷ 8 = 31 752 000 bytes.
Em megabytes: 31 752 000 ÷ 1 000 000 = 31,752 MB, ou seja ≈ 31,75 MB. Em mebibytes: 31 752 000 ÷ 1 048 576 ≈ 30,28 MiB. É o mesmo ficheiro, medido em duas réguas diferentes.
Resultado: O débito é de 1 411 200 bit/s, isto é, 1411,2 kbit/s, e três minutos ocupam 31 752 000 bytes — cerca de 31,75 MB, que muitos sistemas mostrarão como ≈ 30,28 MiB. É este peso que a compressão vem resolver.
A mesma faixa de 3 minutos vai ser exportada em MP3 a 192 kbit/s para o sítio do ciclo. (a) Que tamanho terá? (b) Qual é a taxa de compressão face ao WAV de qualidade de CD?
Num formato com perdas o débito não se deduz dos parâmetros: foi escolhido no codificador e vale 192 000 bit/s. Em 180 segundos: 192 000 × 180 = 34 560 000 bits.
34 560 000 ÷ 8 = 4 320 000 bytes, ou seja, 4,32 MB.
A taxa de compressão é o quociente entre o original e o comprimido: 31 752 000 ÷ 4 320 000 = 7,35.
Escreve-se 7,35:1. A mesma conta a 128 kbit/s daria 2 880 000 bytes, isto é, 2,88 MB, e uma taxa de 11,03:1 — mais poupança, e já com perda audível em música.
Resultado: Em MP3 a 192 kbit/s a faixa passa a 4,32 MB, uma taxa de compressão de 7,35:1. Vale a pena reter a ordem de grandeza: a compressão com perdas trabalha correntemente entre 7:1 e 11:1, e é ela que torna o áudio transportável na Web sem que o ouvido corrente proteste.
Erros frequentes
Revisão ativa
A instalação sonora do teu grupo tem uma faixa de 8 minutos que corre em ciclo num leitor da sala. (a) Calcula o tamanho da faixa em WAV a 48 kHz, 24 bits e estéreo. (b) Calcula o tamanho da mesma faixa em AAC a 192 kbit/s. (c) Sabendo que o leitor lê os dois formatos e que o cartão disponível tem 2 GB, decide o formato de exportação e justifica a decisão em cinco linhas.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
A cadeia do som, da fonte ao suporte
Ganho de normalização
O ganho a aplicar é a diferença entre o nível-alvo e o pico atual, ambos em dBFS. Por ser um ganho fixo, soma-se por igual a tudo o que está no trecho — sinal e ruído —, e é por isso que a normalização não melhora a relação sinal-ruído.
A narração da curta tem picos a −9,5 dBFS e um ruído de fundo constante a −60 dBFS. Vais normalizá-la para um pico de −3 dBFS. (a) Que ganho é aplicado? (b) Em que nível fica o ruído de fundo? (c) A relação sinal-ruído melhorou?
O ganho é a diferença entre o nível-alvo e o pico atual: −3 − (−9,5) = +6,5 dB.
A normalização é um ganho fixo, aplicado por igual a todas as amostras do trecho. O ruído de fundo sobe portanto os mesmos 6,5 dB: −60 + 6,5 = −53,5 dBFS.
Antes da operação, a distância entre o pico da voz e o ruído era −9,5 − (−60) = 50,5 dB.
Depois da operação: −3 − (−53,5) = 50,5 dB. Exatamente o mesmo valor, porque os dois níveis subiram juntos.
Para melhorar de facto a relação sinal-ruído há que agir na origem — aproximar o microfone, calar a sala, escolher a hora — ou, já em edição, atacar o ruído com uma ferramenta que o saiba distinguir do sinal. Subir o volume não é subir a qualidade.
Resultado: Aplica-se um ganho de +6,5 dB, o ruído sobe de −60 para −53,5 dBFS e a relação sinal-ruído mantém-se nos mesmos 50,5 dB. A normalização ajusta o nível de saída e nada mais: quem quiser uma gravação limpa tem de a conseguir na captação.
Erros frequentes
Revisão ativa
Tens a montagem de imagem fechada de uma curta de 3 minutos e o som por fazer. (a) Constrói o mapa de pistas com as quatro camadas — diálogo, ambiente, efeitos e música — e diz o que entra em cada uma. (b) Escolhe dois momentos em que a música tem de ceder à voz e indica de quantos dB. (c) Encontra um corte em que o som do plano seguinte deva entrar antes da imagem e explica o efeito narrativo que isso produz. (d) Indica a proveniência e a licença da música que vais usar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Oficina de Multimédia B — 12.º ano (DGE) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Oficina de Multimédia B — documento curricular da disciplina (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes