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Funções exponenciais, logarítmicas e função composta

Estudam-se a função exponencial (com o limite notável que a caracteriza) e a função logarítmica, as suas propriedades operatórias e a relação de inversão entre ambas, no quadro mais geral da função composta e da função inversa. Aplicam-se a equações e inequações e a modelos de crescimento e decaimento. Matéria do 12.º ano avaliada no Exame Nacional.

4 secções·~10 min de leitura·4 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·101010 / 17
Perfil de exame
Estudar a função exponencial e aplicar o seu limite notávelAplicar as propriedades operatórias dos logaritmosCompor funções e reconhecer funções inversasResolver equações e inequações e modelar com exponenciais e logaritmos
Operadores:estudaresolvecalculadeterminamodelajustifica

nível básico

Reconhecer as funções exponencial e logarítmica e as propriedades dos logaritmos.

nível avançado

Resolver equações e inequações exp./log., compor funções e determinar inversas, aplicar limites notáveis.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Funções exponenciais, logarítmicas e função composta
    • 01Função exponencial◐
    • 02Logaritmos e função logarítmica◐
    • 03Função composta e função inversa●
    • 04Equações, inequações e modelos●
§ 01

Função exponencial#

●●○PadrãoLPAE-matematica-a-12-funcoes-exp-log

Pontos-chave

A função exponencial de base «e», «f(x) = eˣ», é a mais importante da Análise. Tem domínio «ℝ», contradomínio «]0, +∞[» (é sempre positiva), é estritamente crescente e injetiva. O seu gráfico passa por «(0, 1)» e tem o eixo «Ox» como assíntota horizontal quando «x → −∞» (ver Fig. 1). Cresce mais depressa do que qualquer polinómio — o «crescimento exponencial».

Função exponencial f(x) = eˣ

Função exponencialGráfico de y = eˣ, ordenada na origem y = 1, crescente, no intervalo x de -3 a 2.3, assíntota horizontal em y = 0−3−2−11212345678y = 0y = eˣyx
Fig. 1Fig. 1 — f(x) = eˣ: crescente, positiva, com assíntota horizontal y = 0 e f(0) = 1.
As potências obedecem às regras conhecidas: «eˣ · eʸ = eˣ⁺ʸ», «eˣ / eʸ = eˣ⁻ʸ», «(eˣ)ʸ = eˣʸ». Estas propriedades transformam produtos em somas de expoentes e são a chave da resolução de equações exponenciais. Bases diferentes de «e» reduzem-se a esta: «aˣ = eˣ ln a».
Um limite notável caracteriza o crescimento da exponencial junto da origem: «lim (eˣ − 1)/x = 1» quando «x → 0». Dele decorre a propriedade que torna «e» especial no cálculo: a derivada de «eˣ» é a própria «eˣ». Este facto — a função que é igual à sua derivada — explica a omnipresença de «e» na modelação de fenómenos de crescimento e decaimento.
A Fig. 1 mostra «f(x) = eˣ»: positiva, crescente, com assíntota horizontal «y = 0» à esquerda e ordenada na origem «1». A exponencial modela juros compostos contínuos, crescimento de populações, decaimento radioativo (com expoente negativo) e muitos outros fenómenos em que a taxa de variação é proporcional à própria quantidade.
lim⁡x→0ex−1x=1\lim_{x \to 0} \dfrac{e^x - 1}{x} = 1x→0lim​xex−1​=1

Limite notável exponencial

Traduz que a derivada de eˣ em 0 vale 1; consequência: (eˣ)′ = eˣ.

Exemplo resolvido

Resolver uma equação exponencial

Resolve eˣ = 5.

  1. 01Aplicar o logaritmo

    Como o logaritmo natural é a inversa da exponencial, ln(eˣ) = ln 5, ou seja x = ln 5.

  2. 02Valor aproximado

    ln 5 ≈ 1,609.

Resultado: x = ln 5 ≈ 1,609.

Foco no Exame Nacional

  • Estudar o domínio, contradomínio, monotonia e assíntota da função exponencial.
  • Aplicar as regras das potências e o limite notável (eˣ − 1)/x = 1.

Erros frequentes

  • Dizer que eˣ pode ser negativo ou nulo (é sempre positiva).
  • Somar bases em vez de somar expoentes (eˣ · eʸ = eˣ⁺ʸ, não e^(x·y)).

Revisão ativa

Resolve a equação eˣ = 5 e indica o valor aproximado da solução.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 12.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Logaritmos e função logarítmica#

●●○PadrãoLPAE-matematica-a-12-funcoes-exp-log

Pontos-chave

O logaritmo de «x» na base «a» (com «a > 0», «a ≠ 1») é o expoente a que é preciso elevar «a» para obter «x»: «log_a x = y ⇔ aʸ = x». O logaritmo de base «e» chama-se logaritmo natural e escreve-se «ln x». Como só as potências de base positiva dão resultados positivos, o logaritmo só está definido para «x > 0».
As propriedades operatórias dos logaritmos transformam produtos em somas, quocientes em diferenças e potências em produtos: «ln(ab) = ln a + ln b», «ln(a/b) = ln a − ln b», «ln(aⁿ) = n ln a». São o inverso das regras das potências e a ferramenta essencial para resolver equações em que a incógnita está no expoente. A mudança de base faz-se por «log_a x = ln x / ln a».
A função logarítmica «f(x) = ln x» tem domínio «]0, +∞[», contradomínio «ℝ», é estritamente crescente e tem o eixo «Oy» como assíntota vertical (quando «x → 0⁺», «ln x → −∞») — ver Fig. 2. Passa por «(1, 0)», pois «ln 1 = 0». Cresce muito lentamente, o oposto do crescimento explosivo da exponencial.

Função logarítmica f(x) = ln x

Função logarítmicaGráfico de y = ln x, zeros em x = 1, crescente, no intervalo x de 0.08 a 8, assíntota vertical em x = 012345678−3−2−112x = 0y = ln xyx
Fig. 2Fig. 2 — f(x) = ln x: domínio ]0, +∞[, crescente, assíntota vertical x = 0, zero em x = 1.
A Fig. 2 mostra «f(x) = ln x»: definida apenas para «x > 0», crescente, com assíntota vertical «x = 0» e zero em «x = 1». Os logaritmos permitem «medir ordens de grandeza» (escalas logarítmicas: Richter, pH, decibéis) e resolver equações exponenciais. Dominar as suas propriedades operatórias é indispensável no Exame.
log⁡ax=y  ⟺  ay=x,log⁡ax=ln⁡xln⁡a\log_a x = y \iff a^y = x, \qquad \log_a x = \dfrac{\ln x}{\ln a}loga​x=y⟺ay=x,loga​x=lnalnx​

Definição e mudança de base

O logaritmo é o expoente; qualquer base reduz-se ao logaritmo natural.

ln⁡(ab)=ln⁡a+ln⁡b,ln⁡ ⁣(ab)=ln⁡a−ln⁡b,ln⁡(an)=nln⁡a\ln(ab) = \ln a + \ln b, \quad \ln\!\left(\dfrac{a}{b}\right) = \ln a - \ln b, \quad \ln(a^n) = n \ln aln(ab)=lna+lnb,ln(ba​)=lna−lnb,ln(an)=nlna

Propriedades operatórias

Transformam produtos/quocientes/potências em somas/diferenças/produtos.

Exemplo resolvido

Simplificar uma expressão com logaritmos

Simplifica ln(e³) + ln 1 − ln(1/e).

  1. 01ln(e³)

    ln(e³) = 3·ln e = 3·1 = 3.

  2. 02ln 1

    ln 1 = 0 (pois e⁰ = 1).

  3. 03ln(1/e)

    ln(1/e) = ln(e⁻¹) = −1.

  4. 04Somar

    3 + 0 − (−1) = 4.

Resultado: ln(e³) + ln 1 − ln(1/e) = 4.

Foco no Exame Nacional

  • Aplicar as propriedades operatórias dos logaritmos e a mudança de base.
  • Estudar o domínio, monotonia e assíntota da função logarítmica.

Erros frequentes

  • Escrever ln(a + b) = ln a + ln b (a propriedade é para o produto, não para a soma).
  • Esquecer a condição de existência x > 0 ao resolver equações logarítmicas.

Revisão ativa

Simplifica ln(e³) + ln 1 − ln(1/e) e resolve ln(x − 1) = 0.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 12.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Função composta e função inversa#

●●●AprofundamentoLPAE-matematica-a-12-funcoes-exp-log

Pontos-chave

A composição de funções aplica uma função ao resultado de outra: «(f ∘ g)(x) = f(g(x))». Primeiro atua «g», depois «f»; o domínio de «f ∘ g» são os «x» do domínio de «g» cujas imagens estão no domínio de «f». A composição não é comutativa em geral («f ∘ g ≠ g ∘ f»). Decompor uma função complicada como composição de funções simples é essencial para a derivar (regra da cadeia).
Uma função «f» é invertível se for injetiva (a valores diferentes de «x» correspondem imagens diferentes). A função inversa «f⁻¹» «desfaz» «f»: «f⁻¹(f(x)) = x» e «f(f⁻¹(y)) = y». O domínio de «f⁻¹» é o contradomínio de «f» e vice-versa. Graficamente, os gráficos de «f» e «f⁻¹» são simétricos em relação à reta «y = x» (ver Fig. 3).

Exponencial e logaritmo: funções inversas

Funções inversasGráfico de y = eˣ, ordenada na origem y = 1, crescente, no intervalo x de -3 a 1.386, Gráfico de y = ln x, zeros em x = 1, crescente, no intervalo x de 0.05 a 4, Gráfico de y = x, zeros em x = 0, ordenada na origem y = 0, crescente, no intervalo x de -3 a 4−3−2−11234−3−2−11234y = eˣy = ln xy = xyx
Fig. 3Fig. 3 — eˣ e ln x são inversas: os gráficos são simétricos em relação a y = x (tracejado).
A exponencial e o logaritmo natural são, precisamente, funções inversas uma da outra: «ln(eˣ) = x» para todo o «x», e «e^(ln x) = x» para «x > 0». Esta relação de inversão explica muitas das suas propriedades e é a razão pela qual se resolvem equações exponenciais aplicando logaritmos (e vice-versa). A Fig. 3 mostra a simetria dos dois gráficos em relação a «y = x».
Reconhecer uma função como composta ou como inversa de outra simplifica muito o seu estudo. Para determinar a inversa de uma função injetiva, resolve-se «y = f(x)» em ordem a «x» e trocam-se os papéis das variáveis. A simetria em relação a «y = x» fornece uma verificação gráfica imediata do resultado — uma técnica valiosa no Exame.
Exemplo resolvido

Determinar a função inversa

Determina a inversa de f(x) = eˣ + 1 e o seu domínio.

  1. 01Escrever y = f(x)

    y = eˣ + 1.

  2. 02Resolver em ordem a x

    eˣ = y − 1 ⇒ x = ln(y − 1) (válido para y − 1 > 0, isto é y > 1).

  3. 03Trocar variáveis

    f⁻¹(x) = ln(x − 1).

  4. 04Domínio

    O domínio de f⁻¹ é o contradomínio de f, ]1, +∞[ (pois eˣ + 1 > 1).

Resultado: f⁻¹(x) = ln(x − 1), com domínio ]1, +∞[.

Foco no Exame Nacional

  • Compor funções e determinar o domínio da composta.
  • Determinar a inversa de uma função injetiva e reconhecer a simetria em y = x.

Erros frequentes

  • Confundir a inversa f⁻¹ com o inverso 1/f.
  • Compor pela ordem errada ((f ∘ g)(x) = f(g(x)), não g(f(x))).

Revisão ativa

Determina a função inversa de f(x) = eˣ + 1 e indica o seu domínio.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 12.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Equações, inequações e modelos#

●●●AprofundamentoLPAE-matematica-a-12-funcoes-exp-log

Pontos-chave

Resolver equações exponenciais consiste, em regra, em igualar bases (e, então, os expoentes) ou em aplicar logaritmos a ambos os membros. Nas inequações, há que atender à monotonia: como «eˣ» e «ln x» são crescentes, a desigualdade mantém o sentido ao aplicar a exponencial ou o logaritmo — mas é preciso respeitar sempre a condição de existência «x > 0» nos logaritmos.
Os modelos exponenciais descrevem fenómenos em que a taxa de variação é proporcional à quantidade presente. O crescimento exponencial «N(t) = N₀·e^(kt)» com «k > 0» modela populações e capitais; o decaimento «N(t) = N₀·e^(−kt)» com «k > 0» modela a desintegração radioativa, o arrefecimento e a eliminação de um fármaco (ver Fig. 4). «N₀» é o valor inicial e «k» a taxa (constante) de crescimento ou decaimento.

Modelo de decaimento exponencial

Decaimento exponencialGráfico de N(t) = 100·e^(−0,3t), ordenada na origem y = 100, decrescente, no intervalo x de 0 a 12, assíntota horizontal em y = 02468101220406080100N₀ = 100meia-vida ≈ 2,31 hy = 0N(t) = 100·e(−0,3t)N(t)t (horas)
Fig. 4Fig. 4 — N(t) = 100·e^(−0,3t): decaimento exponencial; meia-vida ≈ 2,31 h (quando N = 50).
Uma grandeza característica do decaimento é a meia-vida: o tempo ao fim do qual a quantidade se reduz a metade. Obtém-se resolvendo «N(t) = N₀/2», isto é «e^(−kt) = 1/2», donde «t = ln 2 / k». A Fig. 4 mostra o modelo «N(t) = 100·e^(−0,3t)», com meia-vida «ln 2 / 0,3 ≈ 2,31». Modelar significa escolher a função, ajustar os parâmetros aos dados e usar o modelo para prever.
Os logaritmos são a ferramenta natural para «resolver o tempo» nestes modelos — determinar quando uma quantidade atinge um dado valor. A modelação exponencial e logarítmica aparece com frequência no Exame, muitas vezes apoiada na calculadora gráfica (para intersetar curvas ou ler valores), combinando o rigor algébrico com a leitura de gráficos.
N(t)=N0 e−kt,t1/2=ln⁡2kN(t) = N_0\,e^{-kt}, \qquad t_{1/2} = \dfrac{\ln 2}{k}N(t)=N0​e−kt,t1/2​=kln2​

Decaimento exponencial e meia-vida

N₀ é o valor inicial e k a taxa de decaimento; a meia-vida é o tempo para reduzir a quantidade a metade.

Exemplo resolvido

Meia-vida e tempo para 20 %

Para N(t) = 100·e^(−0,3t) (t em horas), determina a meia-vida e o instante em que resta 20 % da quantidade inicial.

  1. 01Meia-vida

    N(t) = 50 ⇔ 100·e^(−0,3t) = 50 ⇔ e^(−0,3t) = 0,5 ⇔ −0,3t = ln 0,5 ⇔ t = ln 2 / 0,3 ≈ 2,31 h.

  2. 0220 % da quantidade

    20 % de 100 é 20: 100·e^(−0,3t) = 20 ⇔ e^(−0,3t) = 0,2 ⇔ −0,3t = ln 0,2.

  3. 03Resolver

    t = −ln 0,2 / 0,3 = ln 5 / 0,3 ≈ 1,609/0,3 ≈ 5,36 h.

Resultado: A meia-vida é ≈ 2,31 h; resta 20 % da quantidade inicial ao fim de ≈ 5,36 h.

Foco no Exame Nacional

  • Resolver equações e inequações exponenciais e logarítmicas (com condição de existência).
  • Aplicar modelos de crescimento/decaimento e calcular a meia-vida.

Erros frequentes

  • Ao resolver inequações logarítmicas, esquecer o domínio (argumento > 0).
  • Confundir a taxa k com a meia-vida (relacionam-se por t = ln 2 / k).

Revisão ativa

Uma substância decai segundo N(t) = 100·e^(−0,3t) (t em horas). Determina a meia-vida e o instante em que resta 20 % da quantidade inicial.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 12.º ano (Despacho 702/2023) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Função exponencial◐
    • 02Logaritmos e função logarítmica◐
    • 03Função composta e função inversa●
    • 04Equações, inequações e modelos●

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Funções exponenciais, logarítmicas e função composta

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Matemática A — 12.º ano (Despacho 702/2023)

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