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No século XVII, o Barroco cultiva o contraste, o desengano e a agudeza. Padre António Vieira (1608–1697), jesuíta, missionário, diplomata e o maior orador sacro em língua portuguesa, é o mestre do sermão conceptista. No Sermão da Sexagésima (1655), faz uma «pregação sobre a pregação»: a partir da parábola do semeador, investiga por que a palavra de Deus não frutifica e responsabiliza o estilo cultista dos pregadores, defendendo uma oratória clara e substancial.
4 secções~12 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Reconhecer o Barroco e a crítica de Vieira ao estilo cultista no Sermão da Sexagésima.
nível avançado
Analisar a estrutura argumentativa e o conceptismo do sermão, distinguindo cultismo e conceptismo.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
O Barroco e Vieira
Um texto do séc. XVII assenta num raciocínio engenhoso, que descobre relações subtis entre ideias, mais do que em metáforas ornamentais. Que tendência barroca revela?
O texto valoriza a ideia e a subtileza do raciocínio, não a ornamentação da forma.
O culto da ideia e do conceito engenhoso é o conceptismo (oposto ao cultismo, que valoriza a forma).
Trata-se de estilo conceptista, o de Vieira.
Resultado: O texto é conceptista: privilegia a ideia e a agudeza do raciocínio (o «conceito»), ao contrário do cultismo, que privilegia a ornamentação da forma.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o que caracteriza o Barroco e distingue as duas tendências de estilo (cultismo e conceptismo).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
A vida de Padre António Vieira
Por que motivo Vieira, sacerdote e pregador ao serviço da Igreja e da Coroa, acabou por ser processado pela Inquisição?
Defendeu os cristãos-novos e criticou a sua perseguição, e sustentou ideias proféticas (o Quinto Império).
Estas posições chocavam com o poder inquisitorial, que o processou entre 1665 e 1667.
O seu inconformismo e as suas ideias levaram-no ao confronto com a Inquisição.
Resultado: Vieira foi processado pela Inquisição por defender os cristãos-novos e por sustentar ideias proféticas (o Quinto Império), que colidiam com o poder inquisitorial — sinal do seu inconformismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Sintetiza o percurso de Vieira, relacionando a sua ação (missionário, diplomata) com os conflitos que enfrentou (colonos, Inquisição).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
A argumentação do Sermão da Sexagésima
No Sermão da Sexagésima, Vieira pergunta por que a palavra de Deus não frutifica. Reconstrói o seu raciocínio até à conclusão.
A palavra de Deus (a semente) é perfeita, e Deus (o semeador) não falha — a culpa não está aí.
Há ouvintes que são boa terra; logo, a esterilidade não se explica só por eles.
A culpa está no pregador e no seu estilo cultista, que deslumbra mas não converte.
Resultado: Por eliminação (não a semente, não Deus, não apenas os ouvintes), Vieira conclui que a palavra não frutifica por culpa do pregador — do seu estilo cultista —, defendendo em alternativa uma pregação clara e substancial.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a que conclusão chega Vieira sobre a causa da ineficácia da pregação e como lá chega por eliminação de hipóteses.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Cultismo e conceptismo
Vieira compara a boa pregação à sementeira e o estilo vão aos fogos de artifício. Explica como estas imagens sustentam a sua tese.
A semente enterra-se e dá fruto — como a boa pregação, humilde e substancial, que converte.
Os fogos brilham e apagam-se sem deixar nada — como o estilo cultista, que deslumbra mas não dá fruto.
A oposição das duas imagens prova, por analogia, a superioridade do estilo claro e substancial.
Resultado: As imagens funcionam como argumentos conceptistas: a sementeira (fruto) e os fogos de artifício (brilho vão) provam, por analogia, que a boa pregação é a substancial, não a ostentatória — a agudeza de Vieira pensa por imagens.
Erros frequentes
Revisão ativa
Analisa uma imagem do Sermão da Sexagésima (por exemplo, a comparação entre a pregação e a sementeira ou as estrelas), mostrando como funciona como argumento conceptista.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)