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No fim do século XIX, o Simbolismo reage ao Realismo com uma poesia da sugestão, da musicalidade e do símbolo, atenta aos «estados de alma» e ao indizível. Em Portugal, António Nobre (1867–1900), em «Só», canta a saudade, a infância e o Portugal rural; Camilo Pessanha (1867–1926), em «Clepsydra», leva ao extremo a musicalidade, a dissolução e a sugestão, tornando-se o mais puro simbolista português e um mestre para o Modernismo.
4 secções~12 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Reconhecer o Simbolismo e distinguir «Só» (saudade) de «Clepsydra» (musicalidade).
nível avançado
Analisar a sinestesia, a musicalidade e a sugestão, comparando as poéticas de Nobre e de Pessanha.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Do Realismo ao Simbolismo
Um poema não descreve nem explica: através de sons musicais e de imagens vagas, sugere um estado de alma indefinível de melancolia. Que movimento revela?
O poema sugere em vez de descrever, e privilegia a musicalidade e a imagem vaga.
Sugestão, musicalidade e evocação de estados de alma são marcas do Simbolismo.
É um poema simbolista, oposto à objetividade realista.
Resultado: É um poema simbolista: sugere um estado de alma através da musicalidade e de imagens vagas, em vez de descrever o mundo objetivamente como fazia o Realismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica em que consiste o Simbolismo e distingue os seus princípios (símbolo, musicalidade, sugestão, sinestesia) da estética realista.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os temas de «Só»
Num poema de «Só», o «menino» evoca com ternura a aldeia natal e a infância, num tom de perda e de tristeza. Que temas e que feição do simbolismo de Nobre se revelam?
A evocação da aldeia e da infância perdida é a saudade e o saudosismo; a tristeza remete para a solidão e a morte.
Quem evoca é o «menino»/Anto, alter ego lírico do poeta.
É um simbolismo nacional e saudosista, feito de memória pessoal e pátria.
Resultado: Revelam-se a saudade da infância e da terra natal e o tom melancólico da doença e da solidão, na voz do «menino» — o simbolismo nacional e saudosista de «Só».
Erros frequentes
Revisão ativa
Analisa um poema de «Só», mostrando como Nobre funde a saudade da infância e da terra natal com a consciência da doença e da solidão.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os recursos de «Clepsydra»
Um poema de Pessanha, feito de sons musicais e imagens que se esbatem, sugere que tudo escorre e se desfaz. Como se relaciona isto com o título «Clepsydra»?
As imagens que se dissolvem e a musicalidade criam uma impressão de fluidez e de passagem.
A clepsidra mede o tempo que escorre gota a gota — símbolo da dissolução de tudo.
A forma (música, sugestão, dissolução) encarna o tema do tempo que passa.
Resultado: A musicalidade e as imagens que se dissolvem encarnam o tema anunciado pelo título: como a água da clepsidra, tudo escorre e se desfaz — a forma faz sentir a passagem irreversível do tempo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Analisa um poema de «Clepsydra», mostrando como a musicalidade, a sugestão e a sinestesia criam uma impressão de dissolução e de passagem do tempo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Nobre e Pessanha
Perante um poema saudosista sobre a aldeia natal e um poema musical sobre o tempo que escorre, atribui cada um a Nobre ou a Pessanha e justifica.
A evocação da aldeia e da saudade é própria de Nobre («Só»), simbolismo nacional.
A musicalidade e o tema do tempo/dissolução são de Pessanha («Clepsydra»), simbolismo puro.
Os dois usam recursos simbolistas, mas com objetivos distintos.
Resultado: O poema saudosista é de Nobre (simbolismo nacional, a saudade); o poema musical sobre o tempo é de Pessanha (simbolismo puro, a dissolução) — a mesma estética simbolista ao serviço de projetos diferentes.
Erros frequentes
Revisão ativa
Compara um poema de Nobre com um de Pessanha, mostrando como cada um usa a musicalidade e a sugestão, mas ao serviço de objetivos diferentes.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)