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Resumos/Literatura Portuguesa/De Orpheu à Contemporaneidade: Pessoa e Sá-Carneiro
Resumos · Literatura PortuguesaPT · Secundário

De Orpheu à Contemporaneidade: Pessoa e Sá-Carneiro

O Modernismo irrompe em 1915 com a revista Orpheu, que rompe com a tradição. Fernando Pessoa (1888–1935) é o seu génio maior: no ortónimo teoriza o «fingimento poético»; nos heterónimos Caeiro, Reis e Campos cria três poetas distintos com poéticas próprias; e em «Mensagem» compõe um épico nacional-místico. Mário de Sá-Carneiro (1890–1916), seu amigo e companheiro de Orpheu, exprime a fragmentação e a despersonalização do «eu».

5 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·131313 / 17
Perfil de exame
Caracterizar o Modernismo e a revista OrpheuAnalisar o «fingimento poético» e a poesia do ortónimoDistinguir os heterónimos Caeiro, Reis e Campos e as suas poéticasAnalisar «Mensagem» e a poesia de Sá-Carneiro
Operadores:caracterizadistingueanalisainterpretacompararelaciona

nível básico

Reconhecer o Modernismo, o ortónimo e os três heterónimos e as suas características.

nível avançado

Analisar o fingimento poético, distinguir com rigor as poéticas de Caeiro, Reis e Campos e interpretar a estrutura de «Mensagem».

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. De Orpheu à Contemporaneidade: Pessoa e Sá-Carneiro
    • 01O Modernismo e Orpheu○
    • 02Fernando Pessoa ortónimo◐
    • 03Os heterónimos: Caeiro, Reis e Campos●
    • 04Mensagem◐
    • 05Mário de Sá-Carneiro◐
§ 01

O Modernismo e Orpheu#

●○○BaseLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo2-modernismo

Pontos-chave

O Modernismo é a grande revolução literária do início do século XX, que rompe radicalmente com a tradição e procura uma arte nova, à altura de um mundo transformado pela técnica, pela velocidade e pela crise dos valores. Em Portugal, o Modernismo tem uma data de nascimento simbólica: 1915, ano da publicação da revista Orpheu, que provocou um enorme escândalo e marcou a rutura da nova geração com a poesia estabelecida (ver Fig. 1).

O Modernismo e Orpheu

O Modernismo e OrpheuLinha do tempo de 1910 a 1940, 1915: Orpheu, 1916: Morte de Sá-Carneiro, 1934: «Mensagem» (Pessoa), 1935: Morte de Pessoa, 1915–1940: Modernismo (1.ª geração e após)19101940anoModernismo (1.ªgeração e após)1915Orpheu1916Morte deSá−Carneiro1934«Mensagem»(Pessoa)1935Morte de Pessoa
Fig. 1Fig. 1 — O Modernismo, de Orpheu a «Mensagem».
Orpheu teve apenas dois números (um terceiro ficou pronto mas não chegou a sair), mas o seu impacto foi decisivo. Em torno dela reuniu-se o grupo dos primeiros modernistas: Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, as duas grandes figuras, a que se juntaram Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, Luís de Montalvor e outros. A revista foi recebida com incompreensão e troça, mas afirmou uma nova sensibilidade e uma vontade de ousadia e de experimentação.
O Modernismo de Orpheu é feito de várias correntes e «ismos», muitos deles inventados ou reinventados por Pessoa: o Paulismo (uma poesia do vago e do subtil), o Interseccionismo (o cruzamento de planos e de sensações no mesmo poema), o Sensacionismo (a primazia da sensação como matéria da arte) e o Futurismo (a exaltação da máquina, da velocidade e da vida moderna, sobretudo em Álvaro de Campos). Todos partilham a vontade de romper e de renovar.
As marcas do Modernismo são a rutura com o passado e com as regras (métrica, temas, decoro), a valorização da sensação e do fragmento, a experimentação formal (o verso livre, a colagem, a simultaneidade), a provocação e o gosto do escândalo. É neste clima de revolução estética que se afirma o génio de Fernando Pessoa — o maior poeta português do século XX e um dos maiores da literatura universal — e a obra intensa e breve de Sá-Carneiro.
Exemplo resolvido

Reconhecer o Modernismo

Uma revista de 1915 publica poemas que rompem com a métrica tradicional, exaltam a máquina e a sensação e provocam escândalo. Que movimento inaugura e quem a anima?

  1. 01Identificar os traços

    A rutura formal, a exaltação da máquina/sensação e a provocação são modernistas.

  2. 02Situar a revista

    A revista de 1915 que inaugura o Modernismo é Orpheu.

  3. 03Nomear os autores

    É animada por Pessoa e Sá-Carneiro, entre outros.

Resultado: É a revista Orpheu (1915), que inaugura o Modernismo português; anima-a o grupo de Pessoa e Sá-Carneiro, com a rutura formal, o culto da sensação e a provocação.

Foco no Exame Nacional

  • Situar o início do Modernismo português (1915, Orpheu) e o grupo de Orpheu.
  • Reconhecer as correntes (Paulismo, Interseccionismo, Sensacionismo, Futurismo).
  • Enunciar as marcas do Modernismo (rutura, sensação, experimentação, provocação).

Erros frequentes

  • Ignorar a data e o papel de Orpheu (1915) como marco do Modernismo.
  • Confundir as correntes modernistas entre si.
  • Reduzir o Modernismo a Pessoa, esquecendo Sá-Carneiro e o grupo de Orpheu.

Revisão ativa

Explica por que a revista Orpheu (1915) é considerada o marco do Modernismo português e quais as suas marcas essenciais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Fernando Pessoa ortónimo#

●●○PadrãoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo2-modernismo

Pontos-chave

Fernando Pessoa (Lisboa, 1888–1935) é o maior poeta português do século XX. Passou parte da infância na África do Sul (Durban), onde se formou em inglês, e viveu em Lisboa uma vida exterior discreta — de tradutor comercial — que contrasta com a imensidão da sua obra interior. Chama-se «ortónimo» à poesia que Pessoa assinou com o próprio nome, distinta da dos heterónimos que criou (ver Fig. 2).

A poesia do ortónimo

A poesia do ortónimoGrafo, Pessoa ortónimo → Fingimento poético, Pessoa ortónimo → Fragmentação do «eu», Pessoa ortónimo → Dor de pensar, Pessoa ortónimo → Saudade, sonho, tédioPessoaortónimoFingimentopoéticoFragmentaçãodo «eu»Dor de pensarSaudade,sonho, tédio
Fig. 2Fig. 2 — Os temas da poesia do ortónimo.
A chave da poesia do ortónimo é o «fingimento poético», teorizado no célebre poema «Autopsicografia»: «O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.» O fingimento não é mentira: é a transformação da emoção vivida em emoção pensada e recriada pela arte. O poeta intelectualiza o sentimento — sente, depois pensa o que sentiu, e por fim escreve; a poesia é essa terceira dor, fingida, feita de inteligência.
Do fingimento decorre a fragmentação do «eu». Pessoa vive a sua identidade como múltipla e problemática: não sabe «quantas almas tem», sente-se vários, estranho a si mesmo. Esta fragmentação — que nos heterónimos se dramatiza em vários poetas — está já no ortónimo, sob a forma de uma consciência dividida, que se observa e se interroga sem cessar. É a raiz do drama pessoano: quem sou eu, que sou tantos?
Os grandes temas do ortónimo são, assim, a dor de pensar (a inteligência que impede de viver e de sentir espontaneamente), a fragmentação e o mistério do eu, a saudade e a nostalgia (da infância, do que não foi), o sonho e o tédio, a interrogação do sentido. A par dos poemas de reflexão sobre a poesia, há um Pessoa lírico, musical e melancólico (o «Cancioneiro»), que canta a saudade e o mistério com uma simplicidade aparente. É esta poesia intelectual e comovida, ao mesmo tempo, que faz a singularidade do ortónimo.
Exemplo resolvido

O fingimento poético

Em «Autopsicografia», Pessoa diz que o poeta «finge que é dor / a dor que deveras sente». Explica o sentido desta afirmação.

  1. 01Sentir

    O poeta sente uma dor verdadeira (a emoção vivida).

  2. 02Pensar

    Depois, distancia-se e pensa essa dor, intelectualiza-a.

  3. 03Escrever (fingir)

    Por fim, transforma-a em poesia — uma «dor fingida», recriada pela arte, não a mentira, mas a emoção pensada.

Resultado: O «fingimento poético» é a transformação da emoção vivida em emoção pensada e recriada pela arte: o poeta sente, pensa o que sentiu e escreve — a dor do poema é «fingida» porque é feita de inteligência, não porque seja falsa.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o «fingimento poético» (a intelectualização da emoção) a partir de «Autopsicografia».
  • Reconhecer a fragmentação e o mistério do «eu» no ortónimo.
  • Identificar os temas (dor de pensar, saudade, sonho, tédio).

Erros frequentes

  • Interpretar o «fingimento» como mentira, e não como recriação artística da emoção.
  • Confundir a poesia do ortónimo com a dos heterónimos.
  • Reduzir o ortónimo à reflexão intelectual, ignorando o Pessoa lírico e musical.

Revisão ativa

Analisa «Autopsicografia», explicando em que consiste o «fingimento poético» e a relação entre a dor sentida, a dor pensada e a dor escrita.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os heterónimos: Caeiro, Reis e Campos#

●●●AprofundamentoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo2-modernismo

Pontos-chave

A heteronímia é a maior invenção de Pessoa: em vez de escrever sob um único nome, criou vários poetas — os heterónimos —, cada um com a sua biografia, o seu estilo, a sua poética e a sua visão do mundo, distintos entre si e do próprio Pessoa (o ortónimo). Não são pseudónimos (um outro nome para o mesmo autor), mas personalidades poéticas autónomas, que Pessoa dramatiza como um «drama em gente». Os três heterónimos maiores são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos (ver Fig. 3 e Fig. 4).

Os três heterónimos

Os três heterónimosTabela com 4 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Alberto Caeiro · Ricardo Reis · Álvaro de Campos; Papel · O mestre · O discípulo neoclássico · O sensacionista moderno; Poética · Objetivismo, pura sensação · Neoclassicismo, epicurismo/estoicismo · Sensacionismo, futurismo → abulia; Temas · A natureza, ver sem pensar · Carpe diem, o destino, a morte · A máquina, o excesso; o tédio; Forma · Verso livre, linguagem simples · Odes clássicas, medida · Verso livre, longo, torrencial; Obra · O Guardador de Rebanhos · Odes · Ode Triunfal; Tabacaria, célula destacada: O mestreASPETOALBERTO CAEIRORICARDO REISÁLVARO DE CAMPOSPAPELO mestreO discípulo neoclássicoO sensacionista modernoPOÉTICAObjetivismo, pura sensaçãoNeoclassicismo, epicurismo/estoicismoSensacionismo, futurismo →abuliaTEMASA natureza, ver sem pensarCarpe diem, o destino, amorteA máquina, o excesso; otédioFORMAVerso livre, linguagemsimplesOdes clássicas, medidaVerso livre, longo,torrencialOBRAO Guardador de RebanhosOdesOde Triunfal; TabacariaTrês poetas distintos, com biografia e poética próprias.
Fig. 3Fig. 3 — Caeiro, Reis e Campos: as três poéticas.

A heteronímia pessoana

A heteronímia pessoanaGrafo, Alberto Caeiro (o mestre) → Ricardo Reis, Alberto Caeiro (o mestre) → Álvaro de Campos, Alberto Caeiro (o mestre) → Pessoa ortónimoAlbertoCaeiro (o me…Ricardo ReisÁlvaro deCamposPessoaortónimomestre demestre demestre de
Fig. 4Fig. 4 — Caeiro, o mestre, e os seus discípulos.
Alberto Caeiro é «o mestre» — o poeta que Pessoa apresenta como mestre dos outros heterónimos e de si próprio. É o poeta da natureza e da pura sensação, que recusa pensar e ver mistério nas coisas: quer vê-las como elas são, na sua evidência objetiva. «O Guardador de Rebanhos» é a sua obra. A sua lição é anti-metafísica — «o único sentido íntimo das coisas / é elas não terem sentido íntimo nenhum» —; a sua linguagem é simples e o seu verso é livre. Caeiro é o objetivismo, o olhar que aceita o mundo sem o interpretar.
Ricardo Reis é o neoclássico: discípulo de Caeiro, mas culto, latinizante e sereno. Escreve Odes de forma clássica e medida, e a sua sabedoria é epicurista e estoica — aceitar o destino com serenidade, gozar com moderação o momento presente (o «carpe diem»), perante a certeza da morte e da fugacidade. «Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio», diz a uma das suas musas. Reis é a contenção, a disciplina, a busca da tranquilidade (a ataraxia) num mundo passageiro.
Álvaro de Campos é o mais moderno e o mais dramático: engenheiro, viajado, sensacionista. A sua poesia evolui: numa primeira fase, é o futurista eufórico que exalta a máquina, a energia e a vida moderna, e quer «sentir tudo de todas as maneiras» («Ode Triunfal», «Ode Marítima»); numa segunda fase, cansado e abúlico, cai no tédio, na náusea e no desânimo («Tabacaria», «Lisbon Revisited», «Aniversário»). O seu verso é livre, longo e torrencial. Campos é o excesso, a sensação e, depois, o desengano — a face mais próxima do drama do próprio Pessoa.
Exemplo resolvido

Atribuir um poema a um heterónimo

Um poema, em odes de forma clássica, aconselha a gozar serenamente o momento presente e a aceitar o destino, perante a certeza da morte. A que heterónimo pertence e porquê?

  1. 01Observar a forma

    As odes de forma clássica e medida apontam para o neoclassicismo.

  2. 02Observar os temas

    O gozo sereno do momento (carpe diem) e a aceitação do destino são epicuristas/estoicos.

  3. 03Concluir

    Forma clássica + carpe diem + aceitação = Ricardo Reis.

Resultado: Pertence a Ricardo Reis: as odes clássicas, o carpe diem e a aceitação serena do destino perante a morte definem a sua poética neoclássica e epicurista-estoica.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir heteronímia de pseudónimo (personalidades poéticas autónomas).
  • Caracterizar cada heterónimo (Caeiro: sensação/objetivismo; Reis: neoclassicismo/carpe diem; Campos: sensacionismo/futurismo e abulia).
  • Reconhecer a obra e a forma de cada um (O Guardador de Rebanhos; as Odes; as grandes Odes de Campos).

Erros frequentes

  • Confundir heterónimo (poeta autónomo, com biografia e poética) com pseudónimo.
  • Trocar as poéticas: atribuir a Reis o futurismo, ou a Campos o classicismo.
  • Esquecer as duas fases de Álvaro de Campos (o futurismo eufórico e a abulia).

Revisão ativa

Perante três poemas — um sobre a aceitação serena do destino em odes clássicas, um sobre ver a natureza sem a pensar, e um sobre a exaltação das máquinas —, atribui cada um ao heterónimo respetivo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Mensagem#

●●○PadrãoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo2-modernismo

Pontos-chave

«Mensagem» (1934) é o único livro que Pessoa publicou em vida em português, e foi distinguido com um prémio literário. É um livro de poesia nacionalista e mística, que retoma e transfigura a história de Portugal, fazendo dela um mito com sentido espiritual e profético. Não é uma epopeia narrativa como Os Lusíadas, mas um conjunto de poemas breves e simbólicos que compõem, no seu todo, uma «mensagem» sobre o destino da pátria (ver Fig. 5).

A estrutura de «Mensagem»

A estrutura de «Mensagem»Diagrama em árvore, 3 caminhos, Dados: Brasão (passado) → Os fundadores e heróis; Mar Português (presente) → A epopeia marítima; O Encoberto (futuro) → Sebastianismo, Quinto ImpérioBrasão (passado)Mar Português (presente)O Encoberto (futuro)«Mensagem»Os fundadores e heróisA epopeia marítimaSebastianismo, Quinto Império
Fig. 5Fig. 5 — As três partes de «Mensagem».
O livro tem uma estrutura tripartida, de valor simbólico. A primeira parte, «Brasão», evoca os fundadores e heróis que construíram Portugal, dispostos como as figuras de um brasão (os campos, os castelos, as quinas, a coroa, o timbre) — de D. Afonso Henriques a D. Dinis: é o passado, a fundação. A segunda, «Mar Português», canta a epopeia marítima e os Descobrimentos, o esforço, o sofrimento e a glória da expansão — «Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!»: é o presente histórico, a realização.
A terceira parte, «O Encoberto», é a mais profética e mística: anuncia um futuro de renascimento espiritual, o regresso do «Encoberto» (associado ao mito sebástico) e a vinda de um Quinto Império — não já material, mas espiritual e cultural, em que Portugal cumpriria uma missão superior. Poemas como «Nevoeiro» encerram o livro apontando para essa hora por vir: «É a Hora!». O movimento das três partes vai, assim, do passado (fundação) ao presente (expansão) e ao futuro (o Quinto Império anunciado).
«Mensagem» retoma o sebastianismo — a antiga esperança messiânica no regresso de D. Sebastião — e transforma-o num mito do ressurgimento espiritual da pátria. Pessoa reelabora a matéria histórica de Os Lusíadas numa chave simbólica e esotérica: os factos tornam-se símbolos de um sentido oculto, e a história de Portugal, uma promessa por cumprir. É esta fusão de nacionalismo, misticismo e simbolismo que faz de «Mensagem» uma obra singular — o épico moderno de um Portugal sonhado.
Exemplo resolvido

O sentido das três partes

Um poema de «Mensagem» anuncia, em tom profético, a vinda do «Encoberto» e de uma nova era espiritual para Portugal. A que parte pertence e que mito retoma?

  1. 01Identificar o tom

    O tom profético e o anúncio de um futuro espiritual pertencem à parte final.

  2. 02Situar

    É «O Encoberto», a terceira parte, voltada para o futuro.

  3. 03Reconhecer o mito

    Retoma o sebastianismo (o regresso do desaparecido) e o Quinto Império espiritual.

Resultado: Pertence a «O Encoberto» (3.ª parte, o futuro): retoma o mito sebástico e anuncia o Quinto Império espiritual — o renascimento profético de Portugal com que Pessoa encerra «Mensagem».

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer «Mensagem» como o único livro de Pessoa em vida e a sua natureza nacional-mística.
  • Explicar a estrutura tripartida (Brasão, Mar Português, O Encoberto) e o seu sentido (passado, presente, futuro).
  • Interpretar o sebastianismo e o Quinto Império.

Erros frequentes

  • Confundir «Mensagem» com uma epopeia narrativa à maneira de Os Lusíadas.
  • Trocar a ordem ou o sentido das três partes.
  • Ler o Quinto Império como império material, e não espiritual.

Revisão ativa

Explica a estrutura tripartida de «Mensagem» e como ela desenha um percurso do passado ao futuro do destino de Portugal.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Mário de Sá-Carneiro#

●●○PadrãoLPAE-literatura-portuguesa-11-modulo2-modernismo

Pontos-chave

Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 1890 – Paris, 1916) é, a seguir a Pessoa, a grande figura da primeira geração modernista e o seu companheiro mais próximo — os dois trocaram uma correspondência fundamental e fundaram juntos Orpheu. Viveu grande parte da vida em Paris, cidade que marca a sua obra, e morreu jovem, aos vinte e cinco anos, por suicídio — o que deu à sua figura uma aura trágica, próxima do «poeta maldito» (ver Fig. 6).

Os temas de Sá-Carneiro

Os temas de Sá-CarneiroGrafo, Mário de Sá-Carneiro → Dispersão do «eu», Mário de Sá-Carneiro → Despersonalização (o «não-eu»), Mário de Sá-Carneiro → Aspiração ao absoluto / o «quase», Mário de Sá-Carneiro → Imagens de oiro e corMário deSá−CarneiroDispersão do«eu»Despersonalização(o «não-eu»)Aspiração aoabsoluto / o…Imagens deoiro e cor
Fig. 6Fig. 6 — Os temas de Mário de Sá-Carneiro.
A sua obra, breve e intensa, compreende a poesia («Dispersão», 1914, e «Indícios de Oiro», póstumo) e a prosa (a novela «A Confissão de Lúcio», os contos de «Céu em Fogo»). O tema central é a fragmentação e a dispersão do «eu»: o poeta sente-se dividido, múltiplo, incapaz de coincidir consigo próprio. O título «Dispersão» diz tudo — o sujeito dispersa-se, perde-se, não se encontra.
Desta fragmentação nasce o drama da despersonalização: o sentimento de ser um «não-eu», de se ter perdido a si mesmo, de viver como estranho e ausente. Sá-Carneiro exprime a angústia de quem aspira a um absoluto — à beleza total, à realização plena — e sempre falha, ficando aquém, no «quase» (título de um dos seus poemas mais célebres): «Um pouco mais de sol — e fora brasa, / Um pouco mais de azul — e fora além.» É a tragédia do desejo do infinito que nunca se cumpre.
A sua poesia é rica de imagens luxuosas e artificiais — o oiro, as cores, o brilho, o requinte —, de sensações intensas e de uma musicalidade nervosa, entre o esplendor e o desespero. Herdeiro do Simbolismo e do Decadentismo, mas já plenamente modernista pela ousadia e pela fragmentação, Sá-Carneiro deixou, na sua obra curta, um dos testemunhos mais pungentes da crise do «eu» moderno. Ao lado da vastidão de Pessoa, a sua intensidade concentrada é insubstituível.
Exemplo resolvido

O drama do «quase»

Em «Quase», o sujeito lamenta ter ficado sempre a um passo do sublime e da realização plena. Que drama do «eu» exprime este poema?

  1. 01Identificar o motivo

    O sujeito fica sempre aquém — no «quase» —, a um passo do absoluto que deseja.

  2. 02Relacionar com o eu

    Esta falha permanente exprime a dispersão e a despersonalização: o eu que não se realiza nem coincide consigo.

  3. 03Concluir

    É a tragédia do desejo do infinito que nunca se cumpre.

Resultado: «Quase» exprime o drama do «eu» de Sá-Carneiro: a aspiração ao absoluto e à realização plena que sempre falha, ficando no «quase» — sinal da dispersão e da despersonalização do sujeito moderno.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer Sá-Carneiro como figura de Orpheu e companheiro de Pessoa.
  • Analisar a fragmentação/dispersão do «eu» e a despersonalização.
  • Interpretar a aspiração ao absoluto e o «quase» (a realização falhada).

Erros frequentes

  • Reduzir Sá-Carneiro a mero seguidor de Pessoa, ignorando a sua obra própria.
  • Confundir a dispersão do eu (interior) com um tema meramente sentimental.
  • Ignorar a herança simbolista/decadentista (o oiro, o artificial, a sensação).

Revisão ativa

Analisa o poema «Quase» (ou outro de Sá-Carneiro), mostrando como exprime a aspiração ao absoluto e a sua frustração.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01O Modernismo e Orpheu○
    • 02Fernando Pessoa ortónimo◐
    • 03Os heterónimos: Caeiro, Reis e Campos●
    • 04Mensagem◐
    • 05Mário de Sá-Carneiro◐

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De Orpheu à Contemporaneidade: Pessoa e Sá-Carneiro

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Referências e fontes

Fontes

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  • Aprendizagens Essenciais de Literatura Portuguesa — 10.º e 11.º anos

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