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O português é uma língua românica, filha do latim falado: da mesma raiz nasceram também o espanhol, o francês, o italiano e o romeno. Deste parentesco decorrem as leis regulares de evolução fonética (do latim ao português), a distinção entre palavras populares e cultismos — com os seus dobretes —, a etimologia greco-latina do vocabulário científico e um punhado de expressões latinas ainda vivas. Sendo Latim B uma disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional), o foco de avaliação está na relação fundamentada entre a cultura e a língua latinas e o português.
4 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Reconhecer a origem latina do português, aplicar as leis de evolução fonética mais simples e identificar radicais greco-latinos e expressões latinas comuns.
nível avançado
Explicar a filiação românica e as leis de evolução fonética, distinguir palavras populares de cultismos com os seus dobretes e analisar a formação greco-latina do vocabulário.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A família das línguas românicas
A herança da cultura latina
A partir do latim «caballum» (cavalo), compara as formas românicas e explica por que o português diz «cavalo».
O latim clássico dizia equus; o latim falado preferiu caballum («cavalo de trabalho, de carga»). Foi o latim falado que gerou as línguas românicas.
De caballum vêm o português cavalo, o espanhol caballo, o francês cheval, o italiano cavallo e o romeno cal — todas do mesmo étimo vulgar.
A semelhança das formas mostra a origem comum: o português, como as suas línguas irmãs, descende do latim falado, e não do latim literário de Cícero.
Resultado: As línguas românicas dizem «cavalo» a partir do vulgar caballum, e não do clássico equus: o parentesco confirma que todas descendem do mesmo latim falado.
Erros frequentes
Revisão ativa
Observa o latim «lunam» e as suas descendentes românicas (lua, luna, lune, luna, lună). Explica o que este parentesco revela sobre a origem comum das línguas românicas e distingue o latim clássico do latim vulgar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (A herança latina e as línguas românicas) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As leis de evolução fonética do latim ao português
Do latim ao português: noctem > noite
Explica, pelas leis de evolução fonética, a passagem de «lupum» a «lobo», de «noctem» a «noite» e de «oculum» a «olho».
Do acusativo lupum cai o -m final; o p intervocálico sonoriza-se em b (sonorização das surdas: p > b) e o u breve abre em o. Resultado: lobo.
Do acusativo noctem cai o -m; o grupo -ct- palataliza-se em -it- (noct- > noit-). Resultado: noite.
Do acusativo oculum cai a vogal átona interna -u- (síncope: oc'lum); o grupo resultante -c'l- palataliza-se em -lh-. Resultado: olho.
Resultado: lupum > lobo (sonorização p > b), noctem > noite (palatalização -ct- > -it-) e oculum > olho (síncope + palatalização -c'l- > -lh-): cada palavra ilustra um fenómeno regular, partindo sempre do acusativo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Aplica as leis de evolução fonética para explicar a passagem de «noctem» a «noite», de «lupum» a «lobo» e de «oculum» a «olho», nomeando o fenómeno em ação em cada caso.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Evolução fonética do latim ao português) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Alguns dobretes (pares divergentes)
Um dobrete: as duas vias de oculum
Para o étimo «oculum», indica a palavra popular e o cultismo e explica as duas vias.
olho: transmitida oralmente desde o latim; sofreu a síncope (oc'lum) e a palatalização -c'l- > -lh-. É a forma divergente, muito transformada e quotidiana.
óculo: tomado mais tarde, diretamente do latim escrito, quase sem alteração; de registo culto ou técnico (cf. ainda ocular, oculista).
Ambas partem de oculum, mas olho veio pela via oral (com todas as leis) e óculo pela via culta (livresca, quase sem evolução).
Resultado: De oculum vêm olho (popular, muito evoluída) e óculo (cultismo, próximo do latim): o mesmo étimo, duas vias — a oral e a livresca —, dois resultados. É um dobrete.
Erros frequentes
Revisão ativa
Para os étimos «plenum», «oculum» e «cathedram», indica a palavra popular e o cultismo e explica a diferença entre a via oral e a via culta.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Palavras populares, cultismos e dobretes) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Radicais e afixos greco-latinos
Expressões latinas em uso
Decompõe «biologia», «geografia» e «filosofia» nos seus elementos gregos e explica o sentido de cada termo.
bio- («vida») + -logia («estudo, ciência») = «o estudo da vida».
geo- («terra») + -grafia («escrita, descrição») = «a descrição da terra».
filo- («amigo de, que ama») + -sofia («sabedoria») = «o amor à sabedoria».
Resultado: biologia = estudo da vida (bio + logia), geografia = descrição da terra (geo + grafia) e filosofia = amor à sabedoria (filo + sofia): os radicais gregos revelam o sentido do termo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Decompõe e explica «biologia», «geografia» e «filosofia» pelos seus radicais gregos; depois, indica o sentido de «statu quo», «a priori» e «grosso modo».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Etimologia greco-latina e expressões latinas) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)