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Resumos/História B/A Revolução Industrial e o mundo industrializado: do capitalismo liberal às crises cíclicas
Resumos · História BPT · Secundário

A Revolução Industrial e o mundo industrializado: do capitalismo liberal às crises cíclicas

A Revolução Industrial, iniciada em Inglaterra em meados do século XVIII, substitui a produção artesanal pela produção mecanizada e fabril, movida por novas fontes de energia. Da máquina a vapor à eletricidade e ao aço da 2.ª Revolução Industrial, forma-se o mundo industrializado e o capitalismo industrial e financeiro, marcado pela concentração e por crises cíclicas de sobreprodução. Tema central do 11.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).

4 secções·~13 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0666 / 15
Perfil de exame
Explicar as causas e as fases da Revolução IndustrialCaracterizar o capitalismo industrial e financeiroExplicar as crises cíclicas do capitalismo liberal
Operadores:explicacaracterizadistinguerelacionainterpretaanalisajustifica

nível básico

Compreender as causas da Revolução Industrial, as suas fases e o funcionamento do capitalismo industrial.

nível avançado

Explicar a passagem ao capitalismo financeiro e as crises cíclicas de sobreprodução, interpretando fontes económicas (competência da Prova 723).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A Revolução Industrial e o mundo industrializado: do capitalismo liberal às crises cíclicas
    • 01As causas e o arranque da Revolução Industrial◐
    • 02Da 1.ª à 2.ª Revolução Industrial: energias e materiais◐
    • 03Do capitalismo industrial ao capitalismo financeiro●
    • 04As crises cíclicas do capitalismo liberal●
§ 01

As causas e o arranque da Revolução Industrial#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-revolucao-industrial

Pontos-chave

A Revolução Industrial foi a maior transformação económica desde a invenção da agricultura. Iniciada em Inglaterra em meados do século XVIII, substituiu a produção manual e artesanal pela produção mecanizada, concentrada na fábrica e movida por novas fontes de energia. Não teve uma causa única, mas resultou da convergência de vários fatores que se reforçaram mutuamente (ver Fig. 1) — daí a importância de a explicar de forma multicausal, uma competência muito valorizada no exame.

As causas da Revolução Industrial

Causas da Revolução IndustrialGrafo, Revolução agrícola (mais alimentos, mão de obra livre) → Revolução Industrial (fábrica, máquina a vapor), Crescimento demográfico (trabalhadores e mercado) → Revolução Industrial (fábrica, máquina a vapor), Acumulação de capital (comércio colonial) → Revolução Industrial (fábrica, máquina a vapor), Carvão e ferro abundantes → Revolução Industrial (fábrica, máquina a vapor), Mercados coloniais e domínio marítimo → Revolução Industrial (fábrica, máquina a vapor)Revoluçãoagrícola (maisalimentos, mão …Crescimentodemográfico(trabalhadores …Acumulação decapital(comércio colon…Carvão e ferroabundantesMercadoscoloniais edomínio marítimoRevoluçãoIndustrial(fábrica, máqui…
Fig. 1Fig. 1 — A Revolução Industrial explica-se pela convergência de várias causas.
Entre as causas destaca-se, em primeiro lugar, uma revolução agrícola prévia: novas técnicas (rotação de culturas sem pousio, seleção de gado) e a concentração da propriedade (as enclosures inglesas) aumentaram a produção de alimentos e a produtividade, o que permitiu alimentar mais gente e libertou mão de obra do campo para a indústria. A esta juntou-se um forte crescimento demográfico, que dava simultaneamente trabalhadores para as fábricas e consumidores para os produtos.
Havia ainda condições económicas e materiais decisivas. A acumulação de capital, gerada pelo comércio colonial e pelo capitalismo comercial, forneceu os fundos para investir. A abundância de carvão e de ferro, no subsolo inglês, deu a energia e o material da nova indústria. Os vastos mercados coloniais e o domínio marítimo asseguravam matérias-primas (como o algodão) e escoamento para os produtos. E um clima social e político favorável à iniciativa — com um Estado que protegia a propriedade e o comércio — completava o quadro.
Sobre esta base, uma série de invenções técnicas desencadeou a mecanização, começando pela indústria têxtil do algodão (as máquinas de fiar e de tecer). A inovação decisiva foi, porém, a máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt (1769): uma força motriz poderosa e constante, independente da água e do vento, que podia instalar-se em qualquer lugar. Aplicada às máquinas, às minas e aos transportes, a máquina a vapor deu origem à fábrica moderna e tornou o carvão a energia da época. Nascia a civilização industrial.
Exemplo resolvido

Relacionar revolução agrícola e industrial

Explica por que a revolução agrícola foi uma condição prévia da Revolução Industrial.

  1. 01Efeito na produção

    As novas técnicas e as enclosures aumentaram a produção e a produtividade agrícolas.

  2. 02Efeito na população

    Mais alimentos permitiram sustentar uma população crescente, que dava mercado e trabalhadores.

  3. 03Libertação de mão de obra

    A concentração da propriedade expulsou camponeses do campo, disponibilizando-os para as fábricas das cidades.

Resultado: A revolução agrícola foi condição da Revolução Industrial porque aumentou a produção de alimentos (sustentando mais gente), libertou mão de obra do campo para a indústria e forneceu mercado e capitais — sem ela, a industrialização não teria trabalhadores nem consumidores.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar, de forma multicausal, as causas da Revolução Industrial (agrícola, demográfica, capital, carvão/ferro, mercados).
  • Explicar o papel da máquina a vapor (Watt, 1769) e da fábrica.
  • Justificar o pioneirismo de Inglaterra na industrialização.

Erros frequentes

  • Reduzir a Revolução Industrial a uma só causa (a máquina a vapor) — a explicação deve ser multicausal.
  • Esquecer a revolução agrícola prévia como condição da industrialização.
  • Confundir invenções (spinning jenny, máquina a vapor) com as causas económicas de fundo.

Revisão ativa

Explica, mobilizando várias causas, por que a Revolução Industrial começou em Inglaterra em meados do século XVIII.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Da 1.ª à 2.ª Revolução Industrial: energias e materiais#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-revolucao-industrial

Pontos-chave

A primeira Revolução Industrial (aproximadamente 1760-1860) assentou no trio carvão-ferro-vapor. O carvão era a energia; o ferro, o material; a máquina a vapor, a força motriz. Os seus setores de ponta foram a indústria têxtil do algodão e a siderurgia (ferro). A grande novidade dos transportes foi o caminho-de-ferro (a partir de 1825-1830), que, movido a vapor, revolucionou a circulação de pessoas e mercadorias, reduziu distâncias e custos e integrou os mercados (ver Fig. 2).

As duas Revoluções Industriais

As Revoluções IndustriaisLinha do tempo de 1750 a 1914, 1769: Máquina a vapor (Watt), 1830: Caminho-de-ferro, 1870: 2.ª Revolução Industrial, 1913: Linha de montagem (fordismo), 1760–1860: 1.ª Revolução Industrial (carvão, ferro, vapor), 1870–1914: 2.ª Revolução Industrial (eletricidade, petróleo, aço)17501914ano1.ª RevoluçãoIndustrial (carvã…2.ª RevoluçãoIndustrial (eletr…1769Máquina a vapor(Watt)1830Caminho-de-ferro18702.ª RevoluçãoIndustrial1913Linha demontagem (fordi…
Fig. 2Fig. 2 — Da máquina a vapor à eletricidade e ao aço: as duas Revoluções Industriais.
A partir de cerca de 1870, uma segunda Revolução Industrial trouxe transformações profundas. Novas fontes de energia — a eletricidade e o petróleo — juntaram-se ao carvão e permitiram novas aplicações (iluminação, motores elétricos, motor de explosão). Novos materiais, sobretudo o aço (mais resistente que o ferro, produzido em massa pelo processo Bessemer), e novas indústrias — a química, o automóvel, a eletricidade — deram origem a uma economia mais complexa e produtiva.
A 2.ª Revolução Industrial alterou também a organização do trabalho e o mapa das potências. Surgiram métodos de produção em massa: o taylorismo (organização científica do trabalho, decompondo as tarefas para as tornar mais eficientes) e o fordismo (a linha de montagem, aplicada por Henry Ford ao automóvel a partir de 1913), que baratearam os produtos e multiplicaram a produção. E, sobretudo, a liderança industrial deixou de ser exclusiva da Inglaterra: a Alemanha e os Estados Unidos afirmaram-se como novas grandes potências industriais, ultrapassando-a em vários setores.
O resultado destas duas revoluções foi um crescimento sem precedentes da produção e da riqueza (ver Fig. 3). A produção de carvão, de ferro e de aço multiplicou-se; a indústria tornou-se o setor dinâmico da economia; e a civilização industrial impôs-se como o modelo dominante, difundindo-se pela Europa, pela América do Norte e pelo Japão. Mas este crescimento foi desigual e instável, gerando novas classes sociais e novos conflitos (tema das unidades seguintes) e conhecendo crises periódicas.

O crescimento da produção industrial

Produção industrial (ilustrativo)Gráfico de colunas: Índice (aprox.) por Ano, Dados: Índice da produção industrial (base 100 em 1800, aprox.) · 1800: 100; Índice da produção industrial (base 100 em 1800, aprox.) · 1850: 300; Índice da produção industrial (base 100 em 1800, aprox.) · 1880: 600; Índice da produção industrial (base 100 em 1800, aprox.) · 1913: 130002004006008001000120018001850188019131003006001300Índice (aprox.)Ano
Fig. 3Fig. 3 — A produção industrial multiplicou-se ao longo do século XIX (índice ilustrativo, base 100 em 1800, para mostrar a tendência).
Exemplo resolvido

Explicar o impacto do caminho-de-ferro

Explica de que forma o caminho-de-ferro contribuiu para o desenvolvimento da economia industrial.

  1. 01Reduzir distâncias e custos

    Transportava pessoas e mercadorias com rapidez e baixo custo, encurtando distâncias.

  2. 02Integrar mercados

    Ligou regiões produtoras e consumidoras, criando mercados nacionais mais amplos.

  3. 03Estimular indústrias

    A sua construção consumia ferro, aço e carvão, dinamizando a siderurgia e a mineração.

Resultado: O caminho-de-ferro dinamizou a economia industrial ao reduzir distâncias e custos de transporte, integrar mercados regionais em mercados nacionais e alimentar a procura de ferro, aço e carvão — sendo, ao mesmo tempo, resultado e motor da industrialização.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir a 1.ª Revolução Industrial (carvão, ferro, vapor) da 2.ª (eletricidade, petróleo, aço, química).
  • Explicar o caminho-de-ferro e a produção em massa (taylorismo, fordismo).
  • Situar o surgimento de novas potências industriais (Alemanha, EUA) na 2.ª Revolução Industrial.

Erros frequentes

  • Confundir as duas Revoluções Industriais ou atribuir a eletricidade e o petróleo à primeira.
  • Esquecer o surgimento de novas potências (Alemanha, EUA) que ultrapassaram a Inglaterra.
  • Reduzir a 2.ª Revolução Industrial a uma continuação sem novidades da primeira.

Revisão ativa

Distingue a 1.ª da 2.ª Revolução Industrial quanto às energias, aos materiais e às potências dominantes.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Do capitalismo industrial ao capitalismo financeiro#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-revolucao-industrial

Pontos-chave

A Revolução Industrial fez nascer uma nova forma de capitalismo — o capitalismo industrial. Ao contrário do capitalismo comercial, em que o lucro vinha do comércio, agora o lucro vem sobretudo da produção fabril: o industrial investe capital em máquinas, matérias-primas e salários, e realiza o lucro vendendo os produtos. A fábrica torna-se o centro da economia, e a livre concorrência entre empresas, movida pela procura do lucro, rege o mercado, segundo os princípios do liberalismo económico.
Com o tempo, porém, a livre concorrência conduziu ao seu contrário: a concentração. As empresas maiores e mais eficientes absorviam ou eliminavam as mais pequenas, e várias empresas de um mesmo setor associavam-se para dominar o mercado, controlar a produção e fixar preços. Surgiram assim os cartéis, os trusts e os monopólios — grandes concentrações que reduziam a concorrência real. A pequena empresa cedia lugar à grande empresa, muitas vezes organizada em sociedade anónima, com o capital dividido em ações.
Nesta fase avançada, o capital financeiro (dos bancos) tornou-se decisivo. As grandes empresas industriais precisavam de somas enormes que só os bancos podiam fornecer; e os bancos, ao financiarem a indústria e ao adquirirem participações nas empresas, foram fundindo-se com ela. Deste entrelaçamento entre a banca e a indústria nasceu o capitalismo financeiro: o poder económico passou a concentrar-se em grandes grupos financeiros e industriais, ligados entre si (ver Fig. 4).

Do capitalismo industrial ao financeiro

Capitalismo financeiroGrafo, Livre concorrência (capitalismo industrial) → Concentração: cartéis, trusts, monopólios, Concentração: cartéis, trusts, monopólios → Capitalismo financeiro (banca + indústria), Banca financia e participa na indústria → Capitalismo financeiro (banca + indústria)Livreconcorrência(capitalismo in…Concentração:cartéis, trusts,monopóliosBanca financia eparticipa naindústriaCapitalismofinanceiro(banca + indúst…
Fig. 4Fig. 4 — A livre concorrência conduz, paradoxalmente, à concentração e ao capitalismo financeiro.
Esta evolução tinha consequências importantes. Por um lado, permitia mobilizar capitais gigantescos e realizar grandes empreendimentos. Por outro, contrariava o ideal liberal da livre concorrência (agora reduzida pelos monopólios) e concentrava um enorme poder económico — e, indiretamente, político — em poucas mãos. A economia tornava-se mais poderosa, mas também mais desigual e mais dependente das decisões de grandes grupos, o que a tornava vulnerável a crises de grande amplitude, como a de 1929.
Exemplo resolvido

Explicar a formação dos monopólios

Explica por que a livre concorrência acabou por gerar monopólios, aparentemente o seu oposto.

  1. 01Lógica da concorrência

    Na concorrência, as empresas competem por preços e mercados; as mais eficientes crescem, as mais fracas desaparecem.

  2. 02Concentração

    As grandes empresas absorvem ou eliminam as pequenas e associam-se para controlar a produção e os preços.

  3. 03Resultado

    Reduz-se o número de empresas até poucas dominarem o mercado — o monopólio ou o oligopólio, que limita a concorrência inicial.

Resultado: A livre concorrência gera monopólios porque a competição elimina as empresas mais fracas e leva as maiores a concentrarem-se e a associarem-se (cartéis, trusts) para dominar o mercado — de modo que a concorrência acaba por reduzir-se à hegemonia de poucos grandes grupos.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir capitalismo comercial, industrial e financeiro.
  • Explicar a concentração empresarial (cartéis, trusts, monopólios) e a contradição com a livre concorrência.
  • Explicar o capitalismo financeiro (fusão entre banca e indústria).

Erros frequentes

  • Confundir capitalismo industrial (lucro na produção) com capitalismo comercial (lucro no comércio).
  • Julgar que a livre concorrência se manteve (a concentração gerou monopólios que a reduziram).
  • Ignorar o papel dos bancos e do capital financeiro na fase avançada do capitalismo.

Revisão ativa

Explica a evolução do capitalismo industrial para o capitalismo financeiro, referindo a concentração e o papel dos bancos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

As crises cíclicas do capitalismo liberal#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-revolucao-industrial

Pontos-chave

O capitalismo industrial não crescia de forma contínua e regular: crescia por ciclos, alternando fases de expansão (prosperidade, aumento da produção e do emprego) com fases de crise e recessão (queda da produção, desemprego). Estas crises cíclicas eram um traço estrutural do capitalismo liberal, e repetiram-se ao longo do século XIX (a mais duradoura foi a chamada «Grande Depressão» de 1873-1896).
O mecanismo típico era a crise de sobreprodução — uma novidade histórica, pois as crises do Antigo Regime eram de subprodução (faltavam bens, sobretudo após más colheitas). Agora, ao contrário, produzia-se demasiado para o que o mercado podia absorver (ver Fig. 5): num período de otimismo, as empresas investiam e produziam em excesso; a certa altura, a oferta ultrapassava a procura solvável; os produtos não se vendiam; os preços caíam; as empresas tinham prejuízos e faliam; despediam trabalhadores; o desemprego reduzia ainda mais o consumo, agravando a crise numa espiral.

O mecanismo da crise de sobreprodução

Crise de sobreproduçãoGrafo, Sobreprodução (oferta > procura) → Queda dos preços, Queda dos preços → Prejuízos e falências, Prejuízos e falências → Desemprego, Desemprego → Quebra do consumo (recessão), Quebra do consumo (recessão) → Sobreprodução (oferta > procura)Sobreprodução(oferta >procura)Queda dos preçosPrejuízos efalênciasDesempregoQuebra doconsumo(recessão)agrava
Fig. 5Fig. 5 — A espiral da crise de sobreprodução no capitalismo liberal.
Após atingir o fundo, a crise acabava por se resolver: a eliminação das empresas mais fracas, a destruição de stocks e a descida dos preços reduziam a oferta e recompunham, com o tempo, as condições para uma nova expansão. O ciclo recomeçava. Mas cada crise deixava um rasto de falências, de desemprego e de sofrimento social, revelando a instabilidade e a dureza do capitalismo liberal e alimentando a crítica social e o movimento operário.
Estas crises punham em causa o dogma liberal do laissez-faire, segundo o qual o mercado se autorregularia sem intervenção. A recorrência e a gravidade das crises mostravam que o mercado, entregue a si próprio, gerava instabilidade e desemprego. Esta constatação prepararia a viragem do século XX: a crise de 1929, de dimensão sem precedentes, levaria os Estados a intervir na economia (New Deal, keynesianismo), pondo fim ao liberalismo económico puro — matéria de uma unidade posterior.
Exemplo resolvido

Contrastar dois tipos de crise

Uma crise do século XVII resultava da falta de pão após uma má colheita; uma crise do século XIX resultava de os produtos industriais não encontrarem comprador. Explica a diferença de natureza entre as duas.

  1. 01Crise de subprodução

    No Antigo Regime, faltavam bens (fome por má colheita): a crise era de escassez de produção.

  2. 02Crise de sobreprodução

    No capitalismo industrial, produzia-se em excesso e a oferta ultrapassava a procura solvável: os bens sobravam e não se vendiam.

  3. 03Explicar a inversão

    Uma é falta de bens; a outra, excesso de bens face ao poder de compra — natureza oposta.

Resultado: As duas crises são de natureza oposta: a do Antigo Regime é de subprodução (falta de bens, por más colheitas), enquanto a do capitalismo industrial é de sobreprodução (excesso de bens face à procura solvável) — o que revela a lógica nova, e instável, da economia industrial.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar as crises cíclicas como traço estrutural do capitalismo liberal.
  • Distinguir crise de sobreprodução (capitalismo) de crise de subprodução (Antigo Regime) e explicar o seu mecanismo.
  • Relacionar as crises cíclicas com a crítica ao laissez-faire e a futura intervenção do Estado.

Erros frequentes

  • Confundir crise de sobreprodução (produz-se demasiado) com crise de subprodução (falta de bens, do Antigo Regime).
  • Apresentar o crescimento industrial como contínuo, ignorando os ciclos e as crises.
  • Não relacionar a instabilidade das crises com a crítica ao liberalismo económico e o futuro intervencionismo.

Revisão ativa

Explica o mecanismo de uma crise de sobreprodução e distingue-a das crises de subprodução do Antigo Regime.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01As causas e o arranque da Revolução Industrial◐
    • 02Da 1.ª à 2.ª Revolução Industrial: energias e materiais◐
    • 03Do capitalismo industrial ao capitalismo financeiro●
    • 04As crises cíclicas do capitalismo liberal●

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A Revolução Industrial e o mundo industrializado: do capitalismo liberal às crises cíclicas

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano

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