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Em Portugal, a crise do Antigo Regime precipita-se com as invasões francesas e a ida da corte para o Brasil. A Revolução Liberal de 1820 e a Constituição de 1822 instauram o liberalismo, mas seguem-se o conflito liberal-absolutista, a guerra civil (1832-34) e um longo período de instabilidade, até à estabilidade da Regeneração (1851) e ao desenvolvimento material do fontismo, marcado, porém, pelo atraso relativo. Tema do 10.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).
4 secções~14 min de leitura3 competênciasNível Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Situar a Revolução de 1820, a guerra civil e a Regeneração na construção do Estado liberal português.
nível avançado
Explicar o conflito liberal-absolutista e o fontismo (desenvolvimento e atraso relativo), interpretando fontes (competência da Prova 723).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Portugal: da crise à Revolução de 1820
Um manifesto dos revolucionários de 1820 exige «o regresso de El-Rei ao Reino, o fim do domínio estrangeiro e a reunião de Cortes que deem ao país uma Constituição». Analisa a fonte e relaciona cada reivindicação com uma causa da revolução.
Responde à ausência da corte no Brasil, sentida como abandono e humilhação nacional.
Rejeita a tutela inglesa (Beresford), que feria o orgulho e os interesses nacionais.
Traduz o objetivo liberal: substituir o absolutismo por um Estado constitucional.
Resultado: As três reivindicações resumem as causas da Revolução de 1820: o descontentamento com a ausência do rei e a tutela inglesa (causas nacionais e políticas) e a aspiração liberal a uma constituição — objetivos que a Constituição de 1822 procuraria concretizar.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, mobilizando várias causas, por que eclodiu a Revolução Liberal de 1820 em Portugal.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Da usurpação à vitória liberal (1826-1834)
Constituição de 1822 e Carta Constitucional de 1826
Explica por que a guerra civil de 1832-1834 entre D. Pedro e D. Miguel foi, no fundo, um confronto entre dois regimes políticos.
D. Pedro liderava os liberais (defensores da Carta e do constitucionalismo); D. Miguel, os absolutistas.
Os liberais queriam o Estado constitucional; os absolutistas, restaurar o Antigo Regime e o poder ilimitado do rei.
A guerra decidiu não só quem reinava, mas que regime vigoraria — venceu o liberalismo (Évora Monte, 1834).
Resultado: A guerra civil foi um confronto entre regimes: a vitória de D. Pedro e dos liberais em 1834 significou a derrota definitiva do absolutismo e a consolidação do Estado liberal e constitucional em Portugal, encerrando o Antigo Regime.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue a Constituição de 1822 da Carta Constitucional de 1826 e explica a oposição entre setembristas e cartistas.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Da instabilidade à Regeneração (1834-1851)
Uma lei liberal de 1834 extingue as ordens religiosas e nacionaliza os seus bens, que são depois vendidos. Explica o alcance social e económico desta medida.
Extinguem-se os conventos e nacionalizam-se as suas terras e bens, que o Estado vende em hasta pública.
Coloca no mercado grandes propriedades, adquiridas sobretudo pela burguesia com capital.
Reforça a burguesia proprietária, enfraquece o poder económico da Igreja e traduz o fim dos privilégios do Antigo Regime.
Resultado: A extinção das ordens religiosas e a venda dos seus bens transferiram grande parte da propriedade para a burguesia, reforçando a nova classe dominante e desmantelando o poder económico da Igreja — uma medida típica da revolução liberal contra o Antigo Regime.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica as principais reformas do Estado liberal em Portugal após 1834 e o significado da chegada da Regeneração em 1851.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os limites do desenvolvimento fontista
Uma fonte elogia o fontismo por ter «coberto o país de caminhos-de-ferro e estradas»; outra critica-o por ter «afundado o Estado em dívidas sem industrializar a nação». Confronta as duas visões e formula um balanço.
A primeira fonte sublinha a modernização das infraestruturas (caminhos-de-ferro, estradas), que integrou o território e o mercado.
A segunda aponta o endividamento externo e a ausência de verdadeira industrialização — o país continuou agrário e atrasado.
Ambas têm razão: o fontismo modernizou infraestruturas mas à custa de dívida, sem superar o atraso estrutural.
Resultado: O balanço do fontismo é ambivalente: modernizou as infraestruturas e integrou o mercado nacional, mas fê-lo por dívida externa e sem industrializar o país, que permaneceu agrário e em atraso relativo face à Europa — fragilidade que minaria a monarquia constitucional.
Erros frequentes
Revisão ativa
Avalia o fontismo, distinguindo os seus êxitos (modernização das infraestruturas) das suas fragilidades (dívida, atraso relativo).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)