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Resumos/História B/Regimes autoritários e totalitarismos: da 1.ª República portuguesa ao Estado Novo
Resumos · História BPT · Secundário

Regimes autoritários e totalitarismos: da 1.ª República portuguesa ao Estado Novo

A crise das democracias liberais no entreguerras abre caminho aos regimes autoritários e aos totalitarismos — o fascismo italiano (1922) e o nazismo alemão (1933) —, assentes no partido único, no culto do chefe, na propaganda e no terror. Em Portugal, a instável 1.ª República (1910-26) cai com o 28 de Maio de 1926, e da Ditadura Militar nasce o Estado Novo de Salazar (Constituição de 1933), regime autoritário e corporativo. Tema central do 11.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).

4 secções·~13 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·111111 / 15
Perfil de exame
Distinguir regimes autoritários e totalitarismosCaracterizar a 1.ª República portuguesa e a sua criseCaracterizar o Estado Novo (política, economia e sociedade)
Operadores:distinguecaracterizaexplicarelacionainterpretaanalisajustifica

nível básico

Compreender a ascensão dos totalitarismos e a passagem da 1.ª República ao Estado Novo.

nível avançado

Caracterizar o modelo totalitário e o Estado Novo (economia corporativa), interpretando fontes (competência da Prova 723).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Regimes autoritários e totalitarismos: da 1.ª República portuguesa ao Estado Novo
    • 01A crise das democracias e os totalitarismos◐
    • 02As características do modelo totalitário●
    • 03A 1.ª República portuguesa e a sua queda (1910-26)◐
    • 04O Estado Novo: política, economia e repressão●
§ 01

A crise das democracias e os totalitarismos#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-totalitarismos-estado-novo

Pontos-chave

No período entre as duas guerras (1919-1939), muitas democracias liberais europeias entraram em crise e foram substituídas por regimes autoritários e totalitários (ver Fig. 1). As causas foram várias: o abalo causado pela Primeira Guerra, a instabilidade política e social, o medo da revolução comunista (após 1917) e, sobretudo, a Grande Depressão de 1929, que gerou desemprego, miséria e descontentamento. Nesse clima de crise, muitos voltaram-se contra a democracia, vista como fraca e incapaz, e apoiaram líderes e movimentos que prometiam ordem, autoridade e grandeza nacional.

Da 1.ª República ao Estado Novo e aos totalitarismos (1910-1945)

1910-1945Linha do tempo de 1910 a 1945, 1910: 1.ª República (Portugal), 1922: Mussolini (Itália), 1926: 28 de Maio (fim da 1.ª República), 1933: Hitler; Constituição de 1933 (Estado Novo), 1919–1939: Entreguerras: crise das democracias19101945anoEntreguerras:crise das democra…19101.ª República(Portugal)1922Mussolini(Itália)192628 de Maio (fimda 1.ª Repúblic…1933Hitler;Constituição de…
Fig. 1Fig. 1 — A vaga autoritária e totalitária, na Europa e em Portugal.
Importa distinguir dois graus. Os regimes autoritários limitavam-se a suprimir a democracia e as liberdades, concentrando o poder num chefe ou num grupo, mas sem pretenderem controlar toda a vida dos cidadãos. Os regimes totalitários iam muito mais longe: pretendiam o controlo total (daí «totalitário») da sociedade, da economia, da cultura e das próprias consciências, enquadrando os indivíduos «do berço à sepultura» numa única ideologia. Nem todo o regime autoritário era totalitário.
Os dois grandes totalitarismos foram o fascismo italiano e o nazismo alemão. Na Itália, Mussolini chegou ao poder em 1922 (a Marcha sobre Roma) e instaurou o regime fascista, ultranacionalista e corporativo, sob o culto do «Duce». Na Alemanha, Hitler tornou-se chefe do governo em 1933 e ergueu o regime nazi, ainda mais radical, marcado por um racismo extremo e criminoso (o antissemitismo), pelo culto do «Führer» e por um agressivo expansionismo que conduziria à Segunda Guerra Mundial.
Estes movimentos partilhavam um conjunto de traços — o anticomunismo, o antiliberalismo, o antiparlamentarismo, o nacionalismo exacerbado, o culto do chefe e da força. Portugal não ficou à margem desta vaga: a 1.ª República caiu em 1926 e, dela, nasceria o Estado Novo de Salazar, um regime autoritário e corporativo com afinidades — mas também diferenças — face aos totalitarismos, como veremos. Toda a Europa do Sul, Central e de Leste conheceu, nestes anos, a queda da democracia.
Exemplo resolvido

Relacionar crise de 1929 e totalitarismos

Explica de que forma a Grande Depressão de 1929 favoreceu a ascensão dos regimes totalitários.

  1. 01Os efeitos da crise

    A crise gerou desemprego em massa, miséria e desespero, sobretudo na Alemanha.

  2. 02O descrédito da democracia

    As democracias pareciam incapazes de resolver a crise, o que as desacreditava aos olhos de muitos.

  3. 03A alternativa totalitária

    Movimentos como o nazismo prometiam ordem, emprego e grandeza nacional, atraindo massas desesperadas.

Resultado: A crise de 1929 favoreceu os totalitarismos porque o desemprego e a miséria desacreditaram as democracias liberais, incapazes de responder, enquanto movimentos como o nazismo, prometendo ordem, emprego e grandeza, conquistaram o apoio de massas desesperadas — foi o caso da chegada de Hitler ao poder em 1933.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar as causas da crise das democracias e da ascensão dos autoritarismos (guerra, 1929, medo do comunismo).
  • Distinguir regime autoritário de regime totalitário.
  • Situar o fascismo italiano (1922) e o nazismo alemão (1933).

Erros frequentes

  • Confundir regime autoritário (suprime a democracia) com totalitário (controlo total da sociedade).
  • Situar mal a chegada ao poder de Mussolini (1922) e de Hitler (1933).
  • Ignorar o papel da crise de 1929 na ascensão dos totalitarismos.

Revisão ativa

Explica as causas da crise das democracias no entreguerras e distingue regime autoritário de regime totalitário.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

As características do modelo totalitário#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-totalitarismos-estado-novo

Fascismo, nazismo e Estado Novo

Fascismo, nazismo e Estado NovoTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Fascismo (Itália) · Nazismo (Alemanha) · Estado Novo (Portugal); Chefe · Mussolini (Duce) · Hitler (Führer) · Salazar; Partido único · Partido Nacional Fascista · Partido Nazi (NSDAP) · União Nacional; Traço distintivo · Corporativismo, culto do Estado · Racismo, antissemitismo · Conservador, católico, ruralista; Expansionismo · Forte (ambição imperial) · Muito forte (guerra, genocídio) · Fraco; defensivo e colonial, célula destacada: Conservador, católico, ruralistaASPETOFASCISMO (ITÁLIA)NAZISMO (ALEMANHA)ESTADO NOVO (PORTUGAL)CHEFEMussolini (Duce)Hitler (Führer)SalazarPARTIDO ÚNICOPartido Nacional FascistaPartido Nazi (NSDAP)União NacionalTRAÇO DISTINTIVOCorporativismo, culto doEstadoRacismo, antissemitismoConservador, católico,ruralistaEXPANSIONISMOForte (ambição imperial)Muito forte (guerra,genocídio)Fraco; defensivo e colonial
Fig. 3Fig. 3 — Três regimes com afinidades e diferenças significativas.

Pontos-chave

Apesar das diferenças, os regimes totalitários partilhavam um conjunto de características que definem o modelo (ver Fig. 2). A primeira era o partido único: um só partido, identificado com o Estado, monopolizava o poder e suprimia todos os outros. A segunda era o culto do chefe: um líder carismático (o Duce, o Führer), apresentado como infalível e encarnação da nação, concentrava um poder absoluto e era objeto de veneração.

As características do totalitarismo

Características do totalitarismoGrafo, Partido único (identificado com o Estado) → Estado totalitário, Culto do chefe → Estado totalitário, Ideologia oficial e propaganda → Estado totalitário, Terror e polícia política → Estado totalitário, Enquadramento das massas → Estado totalitário, Dirigismo económico → Estado totalitárioPartido único(identificadocom o Estado)Culto do chefeIdeologiaoficial epropagandaTerror e políciapolíticaEnquadramentodas massasDirigismoeconómicoEstadototalitário
Fig. 2Fig. 2 — Os traços que definem o Estado totalitário.
A terceira característica era uma ideologia oficial única e obrigatória, difundida por uma poderosa propaganda que controlava a imprensa, a rádio, o cinema e a educação, moldando as consciências e glorificando o regime. A quarta era o terror: uma polícia política (a Gestapo nazi, a OVRA fascista) vigiava, prendia, torturava e eliminava os opositores, impondo o medo. A liberdade de expressão, de imprensa e de associação eram abolidas.
A quinta característica era o enquadramento total das massas: o regime organizava os cidadãos desde a infância (juventudes, organizações de trabalhadores, de tempos livres), procurando controlar toda a vida social e criar um «homem novo» dedicado à ideologia. A sexta era o dirigismo económico: o Estado intervinha e orientava a economia ao serviço dos objetivos do regime (frequentemente o rearmamento e a autossuficiência). E, com frequência, juntava-se o militarismo e o expansionismo — a exaltação da guerra e a agressão a outros povos.
É esta a diferença essencial face a um regime meramente autoritário: o totalitarismo não se contenta em silenciar a oposição — quer controlar tudo e todos, moldar as consciências e não deixar qualquer espaço à autonomia do indivíduo. O nazismo alemão, com o seu racismo genocida (que conduziria ao Holocausto), foi a forma mais extrema e criminosa deste modelo. Distinguir estes traços, e compará-los com o caso português, é um objetivo central da unidade.
Exemplo resolvido

Analisar uma fonte totalitária

Um texto de propaganda afirma: «Um só povo, um só Reich, um só chefe; fora do partido e da sua doutrina não há verdade nem lugar.» Analisa a fonte e identifica as características totalitárias que revela.

  1. 01Culto do chefe

    «Um só chefe» exprime o culto do líder infalível, encarnação da nação.

  2. 02Partido único e ideologia

    «Fora do partido e da sua doutrina não há verdade» revela o partido único e a ideologia oficial obrigatória.

  3. 03Ausência de liberdade

    Não há «lugar» fora do regime — supressão de qualquer pluralismo ou autonomia.

Resultado: A fonte revela características totalitárias: o culto do chefe («um só chefe»), o partido único e a ideologia oficial obrigatória («fora do partido não há verdade») e a supressão de todo o pluralismo — traços do controlo total próprio do totalitarismo.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o modelo totalitário (partido único, culto do chefe, ideologia/propaganda, terror, enquadramento das massas, dirigismo).
  • Distinguir totalitarismo de simples autoritarismo pelo grau de controlo da sociedade.
  • Comparar fascismo, nazismo e Estado Novo (ver Fig. 3).

Erros frequentes

  • Reduzir o totalitarismo ao culto do chefe, esquecendo o partido único, a propaganda e o terror.
  • Não distinguir o grau de controlo social entre autoritarismo e totalitarismo.
  • Ignorar o dirigismo económico e o enquadramento das massas como traços do modelo.

Revisão ativa

Caracteriza o modelo totalitário, enunciando as suas principais características.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A 1.ª República portuguesa e a sua queda (1910-26)#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-totalitarismos-estado-novo

Pontos-chave

Proclamada a 5 de outubro de 1910, a Primeira República portuguesa (1910-1926) trouxe grandes esperanças de mudança e uma obra reformadora assinalável. Adotou uma nova Constituição (1911), separou a Igreja do Estado, apostou na instrução e na laicização, alargou direitos e afirmou os ideais republicanos e democráticos. Foi um regime de valores progressistas, que rompeu com a monarquia e procurou modernizar o país (ver Fig. 4).

A 1.ª República e a sua queda (1910-1926)

1.ª República (1910-1926)Linha do tempo de 1909 a 1927, 1910: Implantação da República, 1911: Constituição de 1911, 1916: Entrada na Primeira Guerra, 1926: Golpe de 28 de Maio19091927ano1910Implantação daRepública1911Constituição de19111916Entrada naPrimeira Guerra1926Golpe de 28 deMaio
Fig. 4Fig. 4 — Da esperança de 1910 à queda de 1926.
Contudo, a República não conseguiu criar estabilidade. Sofreu de uma enorme instabilidade governativa (dezenas de governos em quinze anos), de graves dificuldades financeiras, de forte conflitualidade social (greves, agitação operária) e da oposição da Igreja, dos monárquicos e de setores conservadores. A participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial (1916-18), custosa e impopular, agravou as dificuldades económicas e o descontentamento.
A acumulação destes problemas foi minando o regime e o apoio à democracia parlamentar. Setores cada vez mais amplos — militares, conservadores, católicos, parte da burguesia — passaram a defender uma solução autoritária, de «ordem», que pusesse fim à instabilidade. A crise da República inseria-se, aliás, na crise geral das democracias liberais europeias do pós-guerra, favorável às soluções de força.
O desfecho chegou com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a Primeira República e instaurou uma Ditadura Militar. Terminava a experiência republicana e democrática; abria-se um período autoritário que conduziria, poucos anos depois, ao Estado Novo. Importa não confundir a 1.ª República (regime democrático de 1910-26) com o Estado Novo (regime autoritário que se lhe seguiu) — um erro frequente no exame.
Exemplo resolvido

Explicar a queda da 1.ª República

Explica por que a 1.ª República portuguesa, apesar da sua obra reformadora, acabou por cair em 1926.

  1. 01A obra

    A República fez reformas importantes (Constituição de 1911, laicização, ensino), com valores democráticos.

  2. 02As fragilidades

    Mas sofreu de instabilidade governativa crónica, crise financeira, conflitos sociais e o desgaste da participação na guerra.

  3. 03O contexto e o desfecho

    No clima europeu de crise das democracias, setores cada vez mais amplos apoiaram uma solução autoritária — o golpe de 28 de Maio de 1926.

Resultado: A 1.ª República caiu porque, apesar da sua obra reformadora, não conseguiu criar estabilidade: a instabilidade governativa, a crise financeira, a conflitualidade social e o desgaste da guerra, no contexto europeu de crise das democracias, levaram amplos setores a apoiar o golpe autoritário de 28 de Maio de 1926.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a obra e os valores da 1.ª República (Constituição de 1911, laicização, ensino).
  • Explicar as causas da instabilidade e da queda da 1.ª República (instabilidade governativa, finanças, guerra).
  • Situar o 28 de Maio de 1926 (fim da República) e distinguir a República do Estado Novo.

Erros frequentes

  • Confundir a 1.ª República (1910, democrática) com o Estado Novo (1933, autoritário).
  • Ignorar a obra reformadora da República, reduzindo-a apenas à instabilidade.
  • Situar mal o 28 de Maio de 1926 (golpe que pôs fim à República).

Revisão ativa

Explica as causas da instabilidade e da queda da 1.ª República portuguesa, culminando no 28 de Maio de 1926.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O Estado Novo: política, economia e repressão#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-totalitarismos-estado-novo

A 1.ª República e o Estado Novo

1.ª República vs Estado NovoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · 1.ª República (1910-26) · Estado Novo (1933-74); Regime · Democrático, parlamentar · Autoritário, corporativo; Partidos · Pluralismo (vários partidos) · Partido único (União Nacional); Liberdades · Reconhecidas (com instabilidade) · Suprimidas (censura, PIDE); Economia · Liberal, instável · Corporativa, condicionamento industrial, célula destacada: Suprimidas (censura, PIDE)ASPETO1.ª REPÚBLICA (1910-26)ESTADO NOVO (1933-74)REGIMEDemocrático, parlamentarAutoritário, corporativoPARTIDOSPluralismo (vários partidos)Partido único (UniãoNacional)LIBERDADESReconhecidas (cominstabilidade)Suprimidas (censura, PIDE)ECONOMIALiberal, instávelCorporativa, condicionamentoindustrial
Fig. 6Fig. 6 — Dois regimes opostos: a democracia republicana e o autoritarismo do Estado Novo.

Pontos-chave

Da Ditadura Militar de 1926 nasceu o Estado Novo (ver Fig. 5). A incapacidade dos militares para resolver a grave crise financeira levou-os a chamar, em 1928, para ministro das Finanças, um professor de Economia de Coimbra, António de Oliveira Salazar. Salazar equilibrou as contas públicas e, com o prestígio e o poder assim ganhos, tornou-se presidente do Conselho (chefe do governo) em 1932. Em 1933, uma nova Constituição institucionalizou o novo regime — o Estado Novo —, que Salazar dirigiria durante décadas.

Do 28 de Maio ao Estado Novo

Do 28 de Maio ao Estado NovoGrafo, 28 de Maio de 1926 (fim da 1.ª República) → Ditadura Militar, Ditadura Militar → Salazar, ministro das Finanças (1928), Salazar, ministro das Finanças (1928) → Constituição de 1933 (Estado Novo)28 de Maio de1926 (fim da 1.ªRepública)Ditadura MilitarSalazar,ministro dasFinanças (1928)Constituição de1933 (EstadoNovo)
Fig. 5Fig. 5 — A construção do Estado Novo, do golpe de 1926 à Constituição de 1933.
O Estado Novo foi um regime autoritário e corporativo. Autoritário: suprimiu a democracia e as liberdades; teve um partido único (a União Nacional), o culto do chefe (Salazar), a censura prévia à imprensa, uma poderosa propaganda (o SPN/SNI) e uma temida polícia política (a PVDE, depois PIDE), que vigiava e reprimia a oposição. Corporativo: organizava a economia e a sociedade em corporações (grémios de patrões, sindicatos nacionais controlados pelo Estado), segundo o Estatuto do Trabalho Nacional (1933), em vez do conflito de classes.
A política económica do Estado Novo assentava no equilíbrio orçamental, no nacionalismo económico e num forte intervencionismo do Estado, através do condicionamento industrial: o Estado controlava a criação e a expansão das indústrias, favorecendo os grupos existentes e travando a concorrência. Privilegiou o mundo rural e uma certa autossuficiência (autarcia), e manteve o vasto império colonial como parte essencial da economia e da identidade do regime. O resultado foi a estabilidade financeira, mas também a perpetuação do atraso económico e do baixo nível de vida.
Coloca-se a questão de saber se o Estado Novo foi um regime totalitário. Partilhava muitos traços com os totalitarismos (partido único, culto do chefe, censura, polícia política, corporativismo). Mas distinguia-se deles em pontos importantes: era mais conservador do que revolucionário, apoiava-se na Igreja e nos valores tradicionais («Deus, Pátria, Família»), privilegiava a desmobilização das massas em vez do seu enquadramento fervoroso, e evitava o expansionismo militar. Por isso, muitos historiadores classificam-no antes como um regime autoritário e corporativo, com influências fascistas — uma distinção que o exame valoriza, e que ilustra a importância da análise rigorosa e não anacrónica.
Exemplo resolvido

Discutir a natureza do Estado Novo

Discute a afirmação: «O Estado Novo foi um regime autoritário e corporativo com influências fascistas, mas com diferenças face aos totalitarismos.»

  1. 01As afinidades

    Partilhava traços com os totalitarismos: partido único, culto do chefe, censura, polícia política, corporativismo.

  2. 02As diferenças

    Era conservador (não revolucionário), apoiado na Igreja e na tradição, desmobilizava as massas e evitava o expansionismo militar.

  3. 03A conclusão

    Por isso, classifica-se melhor como autoritário e corporativo, com influências fascistas, do que como plenamente totalitário.

Resultado: A afirmação é fundamentada: o Estado Novo tinha traços comuns aos totalitarismos (partido único, censura, PIDE, corporativismo), mas o seu conservadorismo, a aliança com a Igreja, a desmobilização das massas e o não-expansionismo distinguem-no deles — pelo que se classifica melhor como regime autoritário e corporativo com influências fascistas.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a passagem da Ditadura Militar ao Estado Novo (Salazar, Constituição de 1933).
  • Caracterizar o Estado Novo (autoritário e corporativo: partido único, censura, PIDE, corporativismo, condicionamento industrial).
  • Discutir criticamente a classificação do Estado Novo (autoritário/corporativo com influências fascistas vs totalitário).

Erros frequentes

  • Situar mal a institucionalização do Estado Novo (Constituição de 1933) ou confundi-la com 1926.
  • Ignorar a dimensão económica do regime (corporativismo, condicionamento industrial).
  • Equiparar acriticamente o Estado Novo aos totalitarismos, ignorando as suas diferenças (conservadorismo, desmobilização, não-expansionismo).

Revisão ativa

Caracteriza o Estado Novo como regime autoritário e corporativo e discute se pode ser considerado totalitário.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A crise das democracias e os totalitarismos◐
    • 02As características do modelo totalitário●
    • 03A 1.ª República portuguesa e a sua queda (1910-26)◐
    • 04O Estado Novo: política, economia e repressão●

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Dos resumos à prática

Regimes autoritários e totalitarismos: da 1.ª República portuguesa ao Estado Novo

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano

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