EuraStudy
Para tirar o máximo proveito do grande comércio, os Estados do Antigo Regime adotam o mercantilismo — uma política de acumulação de metais preciosos, protecionismo e exploração das colónias. Ao mesmo tempo, desenvolvem-se os instrumentos do capitalismo comercial (banca, bolsas, seguros, companhias monopolistas) e organiza-se o comércio colonial e triangular, assente na escravatura e na economia de plantação. Tema central do 10.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).
4 secções~14 min de leitura3 competênciasNível Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Compreender os princípios do mercantilismo e a organização do comércio colonial e triangular.
nível avançado
Explicar a articulação entre mercantilismo, capitalismo comercial e escravatura, interpretando fontes económicas (competência da Prova 723).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Os princípios do mercantilismo
Um conselheiro régio do século XVII escreve: «O reino enriquece quando vende ao estrangeiro mais do que lhe compra, retendo assim o ouro e a prata dentro das suas fronteiras.» Identifica a doutrina expressa e explica os seus princípios.
A ideia de reter ouro e prata através de uma balança comercial favorável identifica o mercantilismo (metalismo).
Vender mais do que se compra faz entrar metal precioso, que a doutrina identifica com a riqueza do reino.
Daqui decorrem o protecionismo (travar importações), o apoio à produção nacional e o exclusivo colonial.
Resultado: A fonte exprime o mercantilismo: identifica a riqueza com os metais preciosos e defende uma balança comercial favorável, base do protecionismo e da exploração das colónias caraterísticos da política económica do Antigo Regime.
Erros frequentes
Revisão ativa
Caracteriza o mercantilismo, explicando o princípio do metalismo, a balança comercial favorável e o papel das colónias.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os instrumentos do capitalismo comercial
A Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), fundada em 1602, reunia capitais de muitos investidores em ações, tinha o monopólio do comércio com a Ásia e podia armar frotas e administrar territórios. Explica por que a VOC representa uma forma avançada de capitalismo comercial.
Ao vender ações a muitos investidores, reunia somas enormes que nenhum comerciante isolado poderia juntar.
Investidores partilhavam lucros e perdas na proporção das suas ações — a lógica da sociedade anónima.
O monopólio estatal e os poderes quase soberanos garantiam o controlo de um comércio distante e arriscado a longo prazo.
Resultado: A VOC é uma forma avançada de capitalismo comercial porque combinava a mobilização de grande capital por ações, a partilha de risco entre investidores e o monopólio garantido pelo Estado — reunindo os instrumentos financeiros da época ao serviço da acumulação de capital.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o funcionamento das companhias monopolistas por ações e o seu papel na acumulação de capital comercial.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
O comércio triangular do Atlântico
A dimensão do tráfico atlântico de escravizados
Uma descrição do século XVIII refere: «Nos engenhos das Antilhas, centenas de escravos cultivam a cana e fabricam o açúcar que enriquece os senhores e abastece a Europa.» Analisa a fonte e relaciona-a com o comércio triangular.
A fonte descreve a economia de plantação: produção de açúcar em larga escala, para exportação, com trabalho escravo.
Esse açúcar constitui a terceira perna do comércio triangular — os produtos coloniais que regressavam à Europa.
O enriquecimento dos senhores e da Europa assentava na escravização de africanos, a etapa central e mais brutal do sistema.
Resultado: A fonte ilustra a economia de plantação, base do comércio triangular: o açúcar produzido por escravos nas Antilhas alimentava a Europa e enriquecia proprietários e traficantes, evidenciando que a acumulação de capital colonial assentava na escravização de milhões de africanos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o comércio triangular, identificando o que era transportado em cada uma das três pernas e a base esclavagista do sistema.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os impérios coloniais e a concorrência mercantil
Explica por que o pacto colonial, sendo vantajoso para a metrópole, gerava descontentamento nas colónias e favorecia o contrabando.
A colónia só podia comerciar com a metrópole, comprando-lhe manufaturas e vendendo-lhe matérias-primas, em navios da metrópole.
Garantia um mercado cativo, preços favoráveis e o controlo dos lucros coloniais.
As colónias pagavam mais caro e vendiam mais barato do que num mercado livre; daí o contrabando e a revolta, como nas treze colónias inglesas.
Resultado: O pacto colonial beneficiava a metrópole com um mercado cativo, mas prejudicava as colónias, que compravam caro e vendiam barato; essa desigualdade alimentava o contrabando e o descontentamento, uma das causas da independência dos EUA e da crise do sistema colonial.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o pacto colonial e mostra como as tensões que ele gerava contribuíram para a crise do sistema colonial no final do século XVIII.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)