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Resumos/História B/Dinamismos económicos da Europa nos séculos XVI a XVIII: a fachada atlântica e a economia-mundo
Resumos · História BPT · Secundário

Dinamismos económicos da Europa nos séculos XVI a XVIII: a fachada atlântica e a economia-mundo

Com a expansão marítima, o centro de gravidade da economia europeia desloca-se do Mediterrâneo para o Atlântico e forma-se uma economia à escala planetária — a economia-mundo, hierarquizada em centro, semiperiferia e periferia. O comércio intercontinental, o afluxo de metais preciosos da América e a «revolução dos preços» transformam a produção e os mercados. Portugal e Espanha, pioneiros, acabam ultrapassados pela Holanda, a Inglaterra e a França. Tema de abertura do 10.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).

4 secções·~15 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0111 / 15
Perfil de exame
Caracterizar a economia-mundo e o deslocamento do eixo económico para o AtlânticoExplicar os circuitos do comércio intercontinental e a revolução dos preçosSituar Portugal na economia europeia dos séculos XVI a XVIII
Operadores:caracterizaexplicarelacionainterpretaanalisasituajustifica

nível básico

Compreender a passagem do eixo económico do Mediterrâneo para o Atlântico e o conceito de economia-mundo (centro, semiperiferia, periferia).

nível avançado

Explicar a formação da economia-mundo e a revolução dos preços interpretando fontes económicas e situando Portugal na hierarquia europeia (competência exigida na Prova 723).

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Dinamismos económicos da Europa nos séculos XVI a XVIII: a fachada atlântica e a economia-mundo
    • 01Do Mediterrâneo ao Atlântico: a nova geografia económica◐
    • 02A economia-mundo: centro, semiperiferia e periferia●
    • 03O comércio intercontinental e a revolução dos preços◐
    • 04Produção e mercados: agricultura, manufatura e as potências atlânticas◐
§ 01

Do Mediterrâneo ao Atlântico: a nova geografia económica#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-economia-mundo-xvi-xviii

Pontos-chave

Durante a Idade Média, o grande comércio europeu organizava-se em torno de dois polos: o Mediterrâneo, dominado pelas cidades italianas (Veneza, Génova, Florença), que traziam as especiarias e os produtos de luxo do Oriente; e o mar do Norte / Báltico, animado pela Liga Hanseática. A expansão marítima dos séculos XV e XVI muda radicalmente este quadro. Ao abrir a rota do Cabo para a Índia (1498) e ao alcançar a América (1492), os Ibéricos desviam o grande comércio das rotas mediterrânicas para o oceano Atlântico. O eixo económico da Europa desloca-se, assim, do Mediterrâneo para a fachada atlântica — a faixa litoral que vai da Península Ibérica ao mar do Norte (ver Fig. 1).

As sucessivas capitais do comércio mundial (1450-1750)

Capitais do comércio mundialLinha do tempo de 1450 a 1760, 1500: Lisboa e Sevilha (portas dos produtos coloniais), 1550: Antuérpia (redistribuição europeia), 1650: Amesterdão (praça do comércio mundial), 1720: Londres (nova supremacia), 1450–1500: Primazia mediterrânica (Veneza, Génova), 1585–1700: Hegemonia holandesa14501760anoPrimaziamediterrânica (Ve…Hegemoniaholandesa1500Lisboa e Sevilha(portas dos pro…1550Antuérpia(redistribuição…1650Amesterdão(praça do comér…1720Londres (novasupremacia)
Fig. 1Fig. 1 — O centro do comércio mundial desloca-se do Mediterrâneo para a fachada atlântica.
Este deslocamento não foi instantâneo nem definitivo para os primeiros protagonistas. Num primeiro momento, Lisboa e Sevilha tornaram-se as portas de entrada dos produtos coloniais (especiarias, ouro, prata, açúcar). Mas a redistribuição desses produtos por toda a Europa fez-se sobretudo a partir de Antuérpia, no século XVI, e depois de Amesterdão, no século XVII — a grande praça do comércio mundial. A supremacia económica passou, portanto, das cidades mediterrânicas para o noroeste europeu, região que reunia portos, capitais, frotas e mercados (ver Fig. 2).

Mediterrâneo e Atlântico: dois espaços económicos

Mediterrâneo vs AtlânticoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Espaço mediterrânico · Espaço atlântico; Escala · Regional (Europa-Oriente) · Planetária (três continentes); Protagonistas · Cidades italianas (Veneza, Génova) · Noroeste europeu (Antuérpia, Amesterdão, Londres); Produtos · Especiarias, luxo do Oriente · Especiarias, prata, açúcar, escravizados; Auge · Idade Média e séc. XV · Séculos XVI a XVIII, célula destacada: Noroeste europeu (Antuérpia, Amesterdão, Londres)ASPETOESPAÇO MEDITERRÂNICOESPAÇO ATLÂNTICOESCALARegional (Europa-Oriente)Planetária (trêscontinentes)PROTAGONISTASCidades italianas (Veneza,Génova)Noroeste europeu (Antuérpia,Amesterdão, Londres)PRODUTOSEspeciarias, luxo do OrienteEspeciarias, prata, açúcar,escravizadosAUGEIdade Média e séc. XVSéculos XVI a XVIII
Fig. 2Fig. 2 — A passagem de um comércio mediterrânico a um comércio atlântico e planetário.
A fachada atlântica beneficiou de várias vantagens que explicam a sua ascensão: uma posição central face às novas rotas oceânicas; uma agricultura e uma manufatura em crescimento; instituições comerciais e financeiras inovadoras (bolsas, banca, seguros); e Estados capazes de apoiar o comércio. Enquanto o Mediterrâneo se tornava uma via secundária, o Atlântico transformava-se no grande espaço da circulação de mercadorias, de capitais e de pessoas — incluindo o tráfico de escravizados —, articulando três continentes.
Importa distinguir dois planos que os exames pedem que se relacionem. O pioneirismo (quem descobriu e abriu as rotas) coube a Portugal e a Espanha. Mas a hegemonia económica (quem tirou maior proveito duradouro do novo comércio) escapou-lhes: passou para a Holanda no século XVII e, depois, para a Inglaterra e a França. Portugal e Espanha, apesar de senhores de vastos impérios, ficaram numa posição económica subordinada — foram, como veremos, semiperiferia de uma economia dominada pelo noroeste europeu.
Exemplo resolvido

Interpretar uma fonte sobre a ascensão de Amesterdão

Uma fonte do século XVII afirma: «A Amesterdão chegam as mercadorias de todo o mundo; daqui partem redistribuídas para toda a Europa, e nesta praça se fixam os preços do comércio.» Interpreta a fonte e relaciona-a com o deslocamento do eixo económico europeu.

  1. 01Identificar a informação

    A fonte apresenta Amesterdão como o centro mundial de chegada e redistribuição de mercadorias e de fixação de preços — a grande praça do comércio no século XVII.

  2. 02Contextualizar

    Situa-se no momento em que a hegemonia económica passou das cidades mediterrânicas para o noroeste europeu, com a Holanda no topo.

  3. 03Relacionar

    Confirma o deslocamento do eixo do Mediterrâneo para a fachada atlântica: já não é Veneza, mas Amesterdão, o coração da economia europeia.

Resultado: A fonte documenta a supremacia de Amesterdão como praça do comércio mundial no século XVII, ilustrando a passagem do centro económico europeu do Mediterrâneo para a fachada atlântica e a hegemonia holandesa.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o deslocamento do eixo económico do Mediterrâneo para a fachada atlântica e as suas causas.
  • Distinguir pioneirismo (Portugal e Espanha) de hegemonia económica (Holanda, depois Inglaterra e França).
  • Identificar as sucessivas praças do comércio mundial (Lisboa/Sevilha, Antuérpia, Amesterdão, Londres).

Erros frequentes

  • Confundir pioneirismo da expansão com hegemonia económica: descobrir as rotas não é o mesmo que dominar o comércio.
  • Julgar que o Mediterrâneo desapareceu do comércio (tornou-se secundário, não inexistente).
  • Situar em Portugal ou Espanha o centro da economia-mundo, quando o centro foi o noroeste europeu.

Revisão ativa

Explica por que razão o eixo económico da Europa se deslocou do Mediterrâneo para o Atlântico nos séculos XVI e XVII, distinguindo pioneirismo de hegemonia económica.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A economia-mundo: centro, semiperiferia e periferia#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-economia-mundo-xvi-xviii

Pontos-chave

Os historiadores da economia (Fernand Braudel, Immanuel Wallerstein) chamam economia-mundo a um vasto espaço económico, autónomo e articulado, organizado à volta de um centro dominante e ligado por trocas regulares. A partir do século XVI, a expansão europeia integra pela primeira vez três continentes numa única rede de trocas — nasce uma economia-mundo à escala planetária, com uma hierarquia bem definida entre as regiões que a compõem (ver Fig. 3).

A hierarquia da economia-mundo

Centro, semiperiferia e periferiacírculos concêntricos, 2 anéis, Dados: Centro (noroeste europeu), Semiperiferia (Europa do Sul: Portugal, Espanha, Itália), Periferia (América, África, Ásia colonial)Periferia (América, África, Ásia colonial)Semiperiferia (Europa do Sul: Portugal, Espanha, Itália)Centro (noroeste europeu)
Fig. 3Fig. 3 — A economia-mundo organiza-se em círculos hierarquizados: centro, semiperiferia e periferia.
O centro é a região economicamente dominante: concentra os capitais, a banca, os seguros, as frotas e as manufaturas mais avançadas, e fixa os preços e as regras do comércio. No século XVI foi Antuérpia; no XVII, as Províncias Unidas (Holanda), com Amesterdão; no XVIII, a Inglaterra afirma-se como novo centro. O centro compra matérias-primas baratas e vende produtos manufaturados caros, retendo a maior parte do lucro.
À volta do centro dispõem-se a semiperiferia e a periferia. A semiperiferia (Portugal, Espanha, a Itália, a França do interior) tem uma posição intermédia: participa no grande comércio, mas de forma subordinada, servindo muitas vezes de intermediária. A periferia (a América colonial, a África, partes da Ásia, e a Europa de Leste) fornece as matérias-primas e os produtos coloniais — prata, açúcar, tabaco, algodão — em condições desfavoráveis, frequentemente com trabalho forçado ou escravo. Estabelece-se, assim, uma divisão internacional do trabalho que beneficia o centro e mantém a periferia dependente (ver Fig. 4).

A divisão internacional do trabalho

Divisão internacional do trabalhoGrafo, Periferia (colónias): matérias-primas, prata, açúcar → Centro europeu: capitais, banca, manufaturas, Centro europeu: capitais, banca, manufaturas → Periferia (colónias): matérias-primas, prata, açúcar, Centro europeu: capitais, banca, manufaturas → Concentração do lucro no centroPeriferia(colónias):matérias-primas…Centro europeu:capitais, banca,manufaturasConcentração dolucro no centromatérias-primasbaratasmanufaturascaras
Fig. 4Fig. 4 — A troca desigual entre centro e periferia: matérias-primas baratas por manufaturas caras.
Este modelo é essencial para compreender a posição de Portugal. Apesar de possuir um império, Portugal não era o centro da economia-mundo: era semiperiferia. Trazia da periferia (Brasil, África, Índia) produtos preciosos, mas dependia do centro europeu para os financiamentos, as manufaturas e mesmo para a redistribuição — o ouro do Brasil, por exemplo, acabava em grande parte em Inglaterra, para pagar importações. A hierarquia da economia-mundo explica, portanto, por que o pioneirismo ibérico não se traduziu em hegemonia económica duradoura.
Exemplo resolvido

Explicar a posição de Portugal na economia-mundo

Justifica a afirmação: «Portugal, apesar de possuir um vasto império, ocupava na economia-mundo a posição de semiperiferia, e não de centro.»

  1. 01Definir centro

    O centro concentra capitais, banca, manufaturas e fixa os preços — funções que estavam na Holanda e, depois, na Inglaterra, não em Portugal.

  2. 02Caracterizar a dependência

    Portugal trazia produtos da periferia (Brasil, Índia), mas dependia do centro para financiamentos e manufaturas; o próprio ouro do Brasil escoava-se para Inglaterra.

  3. 03Concluir

    Participava no grande comércio de forma subordinada, como intermediário — a definição de semiperiferia.

Resultado: Portugal era semiperiferia porque, embora ligado à periferia colonial e ao grande comércio, dependia economicamente do centro europeu (Holanda, Inglaterra) para capitais e manufaturas, não controlando os mecanismos que concentravam o lucro — o que distingue o império político da hegemonia económica.

Foco no Exame Nacional

  • Definir economia-mundo e distinguir centro, semiperiferia e periferia (Braudel, Wallerstein).
  • Explicar a divisão internacional do trabalho e a relação desigual entre centro e periferia.
  • Situar Portugal como semiperiferia da economia-mundo e explicar as consequências dessa posição.

Erros frequentes

  • Confundir extensão do império com posição de centro: ter colónias não significa dominar a economia-mundo.
  • Tratar centro, semiperiferia e periferia como regiões fixas (a hegemonia do centro deslocou-se ao longo do tempo).
  • Ignorar a divisão internacional do trabalho (matérias-primas baratas da periferia / manufaturas caras do centro).

Revisão ativa

Caracteriza a economia-mundo dos séculos XVI-XVIII, distinguindo centro, semiperiferia e periferia, e situa Portugal nessa hierarquia.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O comércio intercontinental e a revolução dos preços#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-economia-mundo-xvi-xviii

Pontos-chave

Pela primeira vez na história, os séculos XVI a XVIII assistem a um comércio verdadeiramente à escala planetária, articulando a Europa, a América, a África e a Ásia. Da Ásia vinham as especiarias, as sedas e as porcelanas; da América, a prata, o açúcar, o tabaco e, mais tarde, o algodão; de África, o ouro, o marfim e, sobretudo, os escravizados. A Europa exportava manufaturas, armas e produtos redistribuídos. Estes circuitos entrelaçavam-se em rotas transoceânicas regulares, das quais o comércio triangular do Atlântico (Europa-África-América) foi o mais característico (ver Fig. 5).

Os circuitos do comércio intercontinental

Comércio intercontinentalGrafo, América: prata, açúcar, tabaco → Europa: manufaturas e redistribuição, África: ouro, marfim, escravizados → América: prata, açúcar, tabaco, Ásia: especiarias, sedas, porcelanas → Europa: manufaturas e redistribuição, Europa: manufaturas e redistribuição → África: ouro, marfim, escravizados, Europa: manufaturas e redistribuição → Ásia: especiarias, sedas, porcelanasAmérica: prata,açúcar, tabacoÁfrica: ouro,marfim,escravizadosÁsia:especiarias,sedas, porcelan…Europa:manufaturas eredistribuiçãoprata, açúcarescravizadosespeciariasmanufaturas,armasprata(pagamento)
Fig. 5Fig. 5 — A economia-mundo articula quatro continentes num único sistema de trocas.
O motor deste comércio foi, em larga medida, a prata americana. As minas da América espanhola — sobretudo Potosí (no atual território boliviano) e o México — despejaram na Europa quantidades enormes de prata e de ouro. Esse metal precioso pagava as importações asiáticas (a Europa tinha poucos produtos que interessassem ao Oriente, mas a prata era universalmente aceite) e financiava o próprio crescimento do comércio mundial. A moeda tornou-se abundante como nunca.
O afluxo maciço de metais preciosos teve uma consequência económica decisiva: a chamada revolução dos preços. Ao longo do século XVI, os preços na Europa subiram fortemente — em média, mais que triplicaram —, num processo de inflação prolongada e generalizada (ver Fig. 6). A explicação corrente, já esboçada na época, associa esta subida à quantidade de moeda em circulação: mais prata a perseguir a mesma quantidade de bens fez subir os preços. A subida da população e a procura crescente reforçaram o fenómeno.

A revolução dos preços no século XVI

Revolução dos preços (ilustrativo)Gráfico de colunas: Índice (aprox.) por Ano, Dados: Índice de preços na Europa (base 100 em 1500, aprox.) · 1500: 100; Índice de preços na Europa (base 100 em 1500, aprox.) · 1550: 180; Índice de preços na Europa (base 100 em 1500, aprox.) · 1600: 300; Índice de preços na Europa (base 100 em 1500, aprox.) · 1650: 3400501001502002503001500155016001650100180300340Índice (aprox.)Ano
Fig. 6Fig. 6 — Ao longo do século XVI, os preços mais que triplicaram (índice ilustrativo, base 100 em 1500, para mostrar a tendência).
A revolução dos preços redistribuiu a riqueza e transformou a sociedade. Beneficiou os que vendiam mercadorias e produziam para o mercado — os comerciantes e a burguesia —, cujos lucros subiam com os preços. Prejudicou os que viviam de rendimentos fixos — parte da nobreza tradicional que recebia rendas fixas — e agravou a condição dos assalariados, cujos salários subiam mais devagar do que os preços. Ao favorecer o capital e a iniciativa mercantil, a revolução dos preços foi um dos motores da ascensão da burguesia e do capitalismo comercial, tema da unidade seguinte.
Exemplo resolvido

Confrontar afluxo de prata e subida de preços

Um autor do século XVI escreve: «Desde que se descobriram as Índias, a moeda tornou-se abundante e todas as coisas encareceram.» Explica a relação estabelecida na fonte e identifica quem beneficiou e quem foi prejudicado.

  1. 01Identificar a relação

    A fonte associa a abundância de moeda (prata da América) à subida geral dos preços — a revolução dos preços.

  2. 02Explicar o mecanismo

    Mais moeda em circulação, para uma quantidade de bens que crescia mais devagar, fez subir os preços (inflação).

  3. 03Distinguir efeitos

    Beneficiaram os comerciantes e produtores para o mercado (lucros crescentes); foram prejudicados os rendimentos fixos e os assalariados (salários a subir menos que os preços).

Resultado: A fonte capta a essência da revolução dos preços: o afluxo de prata americana aumentou a moeda em circulação e provocou uma inflação prolongada, que enriqueceu a burguesia mercantil e empobreceu quem vivia de rendas fixas e de salários — um dos motores da ascensão do capitalismo.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar os circuitos do comércio intercontinental e o papel da prata americana.
  • Explicar a revolução dos preços (causas monetárias e demográficas) e a sua natureza inflacionista.
  • Analisar as consequências sociais da revolução dos preços (burguesia vs rendimentos fixos e salários).

Erros frequentes

  • Reduzir o comércio a uma só rota, esquecendo a articulação planetária (Europa-América-África-Ásia).
  • Confundir revolução dos preços (inflação por afluxo de metais) com um simples encarecimento pontual.
  • Ignorar que a inflação beneficiou a burguesia mercantil e prejudicou os rendimentos fixos e os salários.

Revisão ativa

Explica de que modo o afluxo de prata americana provocou a revolução dos preços e quais foram as suas consequências sociais na Europa.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Produção e mercados: agricultura, manufatura e as potências atlânticas#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-economia-mundo-xvi-xviii

Pontos-chave

O grande comércio não teria existido sem uma base produtiva. Na agricultura, o noroeste europeu — sobretudo as Províncias Unidas e a Inglaterra — introduziu progressos importantes: drenagem de terras, novas culturas (plantas forrageiras), rotação de culturas sem pousio e criação de gado. Estes progressos aumentaram a produção e a produtividade, alimentaram uma população crescente e libertaram mão de obra e capitais para outras atividades. Onde a agricultura permaneceu tradicional e pouco produtiva — como em grande parte da Península Ibérica —, o crescimento económico foi mais lento.
Na indústria, ainda dominava a produção artesanal, mas surgem formas novas de organização do trabalho. Na manufatura concentrada, os trabalhadores reuniam-se num mesmo espaço sob a direção de um empresário. No sistema de trabalho ao domicílio (o «putting-out»), o mercador-empresário distribuía a matéria-prima por camponeses que fiavam e teciam em casa, e depois recolhia e vendia o produto. Este sistema, muito difundido no têxtil, permitia à burguesia mercantil controlar a produção sem grandes fábricas — foi uma etapa decisiva na acumulação de capital que prepararia a Revolução Industrial.
Ao longo destes séculos, a supremacia económica passou por várias potências atlânticas (ver Fig. 7). No século XVII, o predomínio foi das Províncias Unidas (Holanda): pequeno país, mas dono da maior frota mercante da Europa, de Amesterdão como praça financeira e da Companhia das Índias Orientais. No século XVIII, a hegemonia passa para a Inglaterra e disputa-se com a França: as duas potências, com marinhas poderosas, impérios coloniais e políticas mercantilistas, digladiam-se pelo domínio dos mares e dos mercados, numa rivalidade que percorre o século.

A sucessão das potências económicas (séc. XVI-XVIII)

Potências económicas atlânticasLinha do tempo de 1500 a 1789, 1602: Companhia das Índias Orientais (VOC), 1703: Tratado de Methuen (Portugal-Inglaterra), 1500–1580: Pioneirismo ibérico (Portugal, Espanha), 1600–1700: Hegemonia holandesa, 1700–1789: Rivalidade Inglaterra-França15001789anoPioneirismoibérico (Portugal…HegemoniaholandesaRivalidadeInglaterra-França1602Companhia dasÍndias Orientai…1703Tratado deMethuen (Portug…
Fig. 7Fig. 7 — Da primazia ibérica à hegemonia holandesa e à rivalidade anglo-francesa.
E Portugal, neste quadro? Portugal manteve-se semiperiferia. Beneficiou do ciclo do ouro do Brasil (sobretudo na primeira metade do século XVIII), que financiou o luxo da corte de D. João V e as importações, mas não industrializou o país nem alterou a sua dependência: o ouro escoava-se para a Inglaterra, por força do Tratado de Methuen (1703), que trocava panos ingleses por vinho português e consolidava a subordinação económica. Só o reformismo pombalino, na segunda metade do século, tentaria — com êxito limitado — estimular a manufatura e o comércio nacionais. A economia portuguesa entrava no fim do Antigo Regime frágil e dependente.
Exemplo resolvido

Analisar o Tratado de Methuen

O Tratado de Methuen (1703) previa que a Inglaterra admitiria os vinhos portugueses e Portugal admitiria os panos ingleses. Analisa as consequências económicas deste acordo para Portugal.

  1. 01Descrever o acordo

    Trocava um privilégio para o vinho português no mercado inglês pela abertura do mercado português aos têxteis ingleses.

  2. 02Explicar o efeito

    Portugal especializou-se num produto primário (vinho) e importou manufaturas (panos), travando a sua própria indústria têxtil.

  3. 03Relacionar com o ouro

    O ouro do Brasil pagava esse défice comercial: escoava-se para Inglaterra, financiando a indústria inglesa em vez da portuguesa.

Resultado: O Tratado de Methuen reforçou a dependência económica de Portugal: ao trocar vinho por panos, comprometeu o desenvolvimento manufatureiro nacional e canalizou o ouro do Brasil para Inglaterra, ilustrando a condição de semiperiferia da economia portuguesa.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar os progressos agrícolas do noroeste europeu e as novas formas de organização do trabalho industrial (manufatura, trabalho ao domicílio).
  • Explicar a sucessão das potências atlânticas (Holanda no séc. XVII; Inglaterra e França no séc. XVIII).
  • Explicar a dependência económica de Portugal (ouro do Brasil, Tratado de Methuen de 1703).

Erros frequentes

  • Julgar que já existiam fábricas industriais (dominava o artesanato e o trabalho ao domicílio).
  • Esquecer que a supremacia económica se deslocou (Holanda → Inglaterra/França) ao longo dos séculos XVII-XVIII.
  • Apresentar o ouro do Brasil como sinal de força económica portuguesa, quando alimentou a dependência face a Inglaterra.

Revisão ativa

Explica por que o ouro do Brasil não industrializou Portugal, relacionando-o com o Tratado de Methuen (1703) e a posição de semiperiferia.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Do Mediterrâneo ao Atlântico: a nova geografia económica◐
    • 02A economia-mundo: centro, semiperiferia e periferia●
    • 03O comércio intercontinental e a revolução dos preços◐
    • 04Produção e mercados: agricultura, manufatura e as potências atlânticas◐

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Dinamismos económicos da Europa nos séculos XVI a XVIII: a fachada atlântica e a economia-mundo

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Mercantilismo, capitalismo comercial e comércio intercontinental dos impérios coloniais

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