EuraStudy
Com a expansão marítima, o centro de gravidade da economia europeia desloca-se do Mediterrâneo para o Atlântico e forma-se uma economia à escala planetária — a economia-mundo, hierarquizada em centro, semiperiferia e periferia. O comércio intercontinental, o afluxo de metais preciosos da América e a «revolução dos preços» transformam a produção e os mercados. Portugal e Espanha, pioneiros, acabam ultrapassados pela Holanda, a Inglaterra e a França. Tema de abertura do 10.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).
4 secções~15 min de leitura3 competênciasNível Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Compreender a passagem do eixo económico do Mediterrâneo para o Atlântico e o conceito de economia-mundo (centro, semiperiferia, periferia).
nível avançado
Explicar a formação da economia-mundo e a revolução dos preços interpretando fontes económicas e situando Portugal na hierarquia europeia (competência exigida na Prova 723).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
As sucessivas capitais do comércio mundial (1450-1750)
Mediterrâneo e Atlântico: dois espaços económicos
Uma fonte do século XVII afirma: «A Amesterdão chegam as mercadorias de todo o mundo; daqui partem redistribuídas para toda a Europa, e nesta praça se fixam os preços do comércio.» Interpreta a fonte e relaciona-a com o deslocamento do eixo económico europeu.
A fonte apresenta Amesterdão como o centro mundial de chegada e redistribuição de mercadorias e de fixação de preços — a grande praça do comércio no século XVII.
Situa-se no momento em que a hegemonia económica passou das cidades mediterrânicas para o noroeste europeu, com a Holanda no topo.
Confirma o deslocamento do eixo do Mediterrâneo para a fachada atlântica: já não é Veneza, mas Amesterdão, o coração da economia europeia.
Resultado: A fonte documenta a supremacia de Amesterdão como praça do comércio mundial no século XVII, ilustrando a passagem do centro económico europeu do Mediterrâneo para a fachada atlântica e a hegemonia holandesa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que razão o eixo económico da Europa se deslocou do Mediterrâneo para o Atlântico nos séculos XVI e XVII, distinguindo pioneirismo de hegemonia económica.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
A hierarquia da economia-mundo
A divisão internacional do trabalho
Justifica a afirmação: «Portugal, apesar de possuir um vasto império, ocupava na economia-mundo a posição de semiperiferia, e não de centro.»
O centro concentra capitais, banca, manufaturas e fixa os preços — funções que estavam na Holanda e, depois, na Inglaterra, não em Portugal.
Portugal trazia produtos da periferia (Brasil, Índia), mas dependia do centro para financiamentos e manufaturas; o próprio ouro do Brasil escoava-se para Inglaterra.
Participava no grande comércio de forma subordinada, como intermediário — a definição de semiperiferia.
Resultado: Portugal era semiperiferia porque, embora ligado à periferia colonial e ao grande comércio, dependia economicamente do centro europeu (Holanda, Inglaterra) para capitais e manufaturas, não controlando os mecanismos que concentravam o lucro — o que distingue o império político da hegemonia económica.
Erros frequentes
Revisão ativa
Caracteriza a economia-mundo dos séculos XVI-XVIII, distinguindo centro, semiperiferia e periferia, e situa Portugal nessa hierarquia.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os circuitos do comércio intercontinental
A revolução dos preços no século XVI
Um autor do século XVI escreve: «Desde que se descobriram as Índias, a moeda tornou-se abundante e todas as coisas encareceram.» Explica a relação estabelecida na fonte e identifica quem beneficiou e quem foi prejudicado.
A fonte associa a abundância de moeda (prata da América) à subida geral dos preços — a revolução dos preços.
Mais moeda em circulação, para uma quantidade de bens que crescia mais devagar, fez subir os preços (inflação).
Beneficiaram os comerciantes e produtores para o mercado (lucros crescentes); foram prejudicados os rendimentos fixos e os assalariados (salários a subir menos que os preços).
Resultado: A fonte capta a essência da revolução dos preços: o afluxo de prata americana aumentou a moeda em circulação e provocou uma inflação prolongada, que enriqueceu a burguesia mercantil e empobreceu quem vivia de rendas fixas e de salários — um dos motores da ascensão do capitalismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica de que modo o afluxo de prata americana provocou a revolução dos preços e quais foram as suas consequências sociais na Europa.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
A sucessão das potências económicas (séc. XVI-XVIII)
O Tratado de Methuen (1703) previa que a Inglaterra admitiria os vinhos portugueses e Portugal admitiria os panos ingleses. Analisa as consequências económicas deste acordo para Portugal.
Trocava um privilégio para o vinho português no mercado inglês pela abertura do mercado português aos têxteis ingleses.
Portugal especializou-se num produto primário (vinho) e importou manufaturas (panos), travando a sua própria indústria têxtil.
O ouro do Brasil pagava esse défice comercial: escoava-se para Inglaterra, financiando a indústria inglesa em vez da portuguesa.
Resultado: O Tratado de Methuen reforçou a dependência económica de Portugal: ao trocar vinho por panos, comprometeu o desenvolvimento manufatureiro nacional e canalizou o ouro do Brasil para Inglaterra, ilustrando a condição de semiperiferia da economia portuguesa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que o ouro do Brasil não industrializou Portugal, relacionando-o com o Tratado de Methuen (1703) e a posição de semiperiferia.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)