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Resumos · História BPT · Secundário

Imperialismo, colonialismo e a industrialização tardia de Portugal

O final do século XIX é o dos nacionalismos (unificações da Itália e da Alemanha) e de um novo imperialismo: a corrida das potências à conquista de África e da Ásia, com causas económicas, políticas e ideológicas, consagrada na Conferência de Berlim (1884-85). Portugal, país de industrialização tardia e atraso relativo, é apanhado nesta corrida e sofre a humilhação do Ultimatum inglês (1890), que impulsiona o republicanismo até à queda da monarquia (1910). Tema do 11.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).

4 secções·~13 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0888 / 15
Perfil de exame
Explicar o imperialismo de forma multicausalCaracterizar a industrialização tardia de Portugal e a questão colonialRelacionar o Ultimatum de 1890 com a crise da monarquia e o republicanismo
Operadores:explicacaracterizarelacionaanalisainterpretaavaliajustifica

nível básico

Compreender as causas do imperialismo e o significado do Ultimatum de 1890 para Portugal.

nível avançado

Explicar a multicausalidade do imperialismo e o atraso relativo português, analisando criticamente fontes (competência da Prova 723).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Imperialismo, colonialismo e a industrialização tardia de Portugal
    • 01Nacionalismos e o novo imperialismo◐
    • 02A partilha de África e a economia colonial◐
    • 03A industrialização tardia de Portugal e a questão colonial●
    • 04Do Ultimatum (1890) à queda da monarquia (1910)◐
§ 01

Nacionalismos e o novo imperialismo#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-imperialismo-portugal-industrial

Pontos-chave

A segunda metade do século XIX foi o «século dos nacionalismos». O nacionalismo é o princípio de que cada nação — comunidade com língua, cultura e história próprias — deve constituir o seu próprio Estado. Este ideal conduziu à formação de dois novos e poderosos Estados: a unificação da Itália (concluída em 1861) e a unificação da Alemanha (1871), realizada por Bismarck pelo «ferro e sangue», após guerras vitoriosas (ver Fig. 1). O aparecimento da Alemanha unida alterou o equilíbrio europeu e acentuou as rivalidades entre as potências.

Nacionalismos e imperialismo (1861-1914)

Nacionalismos e imperialismoLinha do tempo de 1860 a 1914, 1861: Unificação da Itália, 1871: Unificação da Alemanha, 1885: Conferência de Berlim, 1875–1914: Novo imperialismo (partilha de África e da Ásia)18601914anoNovo imperialismo(partilha de Áfri…1861Unificação daItália1871Unificação daAlemanha1885Conferência deBerlim
Fig. 1Fig. 1 — Do triunfo dos nacionalismos à corrida imperialista.
A partir de cerca de 1870, essas potências lançaram-se numa nova vaga de expansão — o novo imperialismo: a conquista e o domínio de vastos territórios em África e na Ásia pelas potências europeias (e também pelo Japão e pelos EUA). Diferia do antigo colonialismo por ser mais rápido, mais sistemático e por ocupar diretamente o interior dos continentes, e não apenas as costas.
As causas do imperialismo foram múltiplas e devem explicar-se de forma articulada — uma competência muito valorizada no exame (ver Fig. 2). As causas económicas foram determinantes: a indústria europeia procurava matérias-primas baratas, novos mercados para os seus produtos e zonas onde investir os capitais excedentes. A estas juntaram-se causas políticas e estratégicas (o prestígio nacional, a rivalidade entre potências, o controlo de rotas e bases), causas demográficas (a emigração do excedente populacional) e causas ideológicas.

As causas do imperialismo

Causas do imperialismoGrafo, Económicas (matérias-primas, mercados, capitais) → Imperialismo (conquista de África e da Ásia), Políticas e estratégicas (prestígio, rivalidade, bases) → Imperialismo (conquista de África e da Ásia), Demográficas (emigração) → Imperialismo (conquista de África e da Ásia), Ideológicas (darwinismo social, «missão civilizadora») → Imperialismo (conquista de África e da Ásia)Económicas(matérias-primas, mercado…Políticas eestratégicas(prestígio, riv…Demográficas(emigração)Ideológicas(darwinismosocial, «missão…Imperialismo(conquista deÁfrica e da Ási…
Fig. 2Fig. 2 — O imperialismo explica-se pela convergência de várias causas.
Entre as causas ideológicas destacava-se o darwinismo social — a ideia, hoje repudiada, de que existiriam «raças» ou nações superiores, com o direito e o «dever» de dominar as inferiores. Esta ideia, associada ao nacionalismo e a um discurso de «missão civilizadora», servia para justificar, com um verniz moral, a dominação e a exploração de outros povos. A História deve analisar criticamente este discurso, distinguindo a justificação apresentada das verdadeiras causas económicas e políticas.
Exemplo resolvido

Explicar as causas económicas do imperialismo

Explica por que a industrialização foi uma das principais causas do imperialismo do final do século XIX.

  1. 01Necessidade de matérias-primas

    A indústria precisava de matérias-primas (algodão, borracha, minérios) que as colónias podiam fornecer em abundância e a baixo custo.

  2. 02Necessidade de mercados

    A produção em massa exigia novos mercados para escoar os produtos, que as colónias ofereciam.

  3. 03Exportação de capitais

    Os capitais excedentes procuravam onde investir com lucro, e as colónias eram um destino atraente.

Resultado: A industrialização foi causa central do imperialismo porque a indústria europeia procurava nas colónias matérias-primas baratas, mercados para os seus produtos e zonas de investimento para os capitais excedentes — interesses económicos que o discurso da «missão civilizadora» procurava disfarçar.

Foco no Exame Nacional

  • Definir nacionalismo e situar as unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).
  • Explicar, de forma multicausal, as causas do imperialismo (económicas, políticas, demográficas, ideológicas).
  • Analisar criticamente o darwinismo social e a «missão civilizadora» como justificação da dominação.

Erros frequentes

  • Confundir nacionalismo (cada nação, um Estado) com imperialismo (domínio de outros povos).
  • Reduzir o imperialismo a uma só causa (deve ser explicado de forma multicausal).
  • Apresentar a «missão civilizadora» como facto, em vez de a analisar como justificação ideológica da dominação.

Revisão ativa

Explica, mobilizando várias causas, por que as potências europeias se lançaram à conquista imperialista no final do século XIX.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A partilha de África e a economia colonial#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-imperialismo-portugal-industrial

Pontos-chave

O caso mais impressionante do imperialismo foi a partilha de África. Em poucas décadas, quase todo o continente africano foi repartido e ocupado pelas potências europeias, sem qualquer consideração pelos povos e reinos africanos. Para regular esta corrida e evitar conflitos entre si, as potências reuniram-se na Conferência de Berlim (1884-1885), convocada por Bismarck, que fixou as regras da partilha — nomeadamente o princípio da «ocupação efetiva» (para ter direito a um território, era preciso ocupá-lo de facto, e não apenas reivindicá-lo). África foi, literalmente, dividida à régua sobre o mapa.
A economia colonial que se estabeleceu funcionava em benefício das metrópoles. As colónias forneciam matérias-primas e produtos tropicais (algodão, borracha, café, cacau, minérios) e constituíam mercados reservados para os produtos industriais europeus. A mão de obra africana era explorada, muitas vezes sob formas de trabalho forçado. As economias africanas foram subordinadas e reorientadas para servir os interesses europeus, destruindo-se ou marginalizando-se as atividades tradicionais.
Todo este sistema se justificava com um discurso que a análise histórica deve desmontar (ver Fig. 3). Os colonizadores apresentavam a ocupação como uma «missão civilizadora» — levar o progresso, a religião e a ordem a povos «atrasados». Na realidade, por detrás desse discurso estavam interesses económicos (recursos, mercados) e políticos (prestígio, poder), e uma ideologia racista (o darwinismo social). É essencial distinguir a justificação ideológica apresentada das verdadeiras causas e da natureza real do processo: dominação e exploração.

Discurso e realidade do imperialismo

Discurso vs realidadeTabela com 2 colunas e 4 linhas, Dados: Discurso / justificação apresentada · Realidade / causa por detrás; «Missão civilizadora»: levar o progresso · Domínio e exploração económica; Superioridade das «raças» (darwinismo social) · Racismo e busca de prestígio nacional; Evangelização e missionação · Controlo político e cultural dos povos; «Ordem» e «paz» · Ocupação militar e trabalho forçado, célula destacada: Domínio e exploração económicaDISCURSO /JUSTIFICAÇÃOAPRESENTADAREALIDADE /CAUSA PORDETRÁS«MISSÃOCIVILIZADORA»:LEVAR O PROGRESSODomínio e exploraçãoeconómicaSUPERIORIDADE DAS«RAÇAS»(DARWINISMOSOCIAL)Racismo e busca de prestígionacionalEVANGELIZAÇÃO EMISSIONAÇÃOControlo político e culturaldos povos«ORDEM» E «PAZ»Ocupação militar e trabalhoforçado
Fig. 3Fig. 3 — A análise crítica distingue o discurso «civilizador» da realidade da dominação.
As consequências do imperialismo foram duradouras e, em larga medida, trágicas. Para as potências, trouxe recursos, mercados e prestígio, mas acirrou as rivalidades que levariam à Primeira Guerra Mundial. Para os povos colonizados, significou dominação, exploração económica, violência, e a subordinação ou destruição das suas sociedades. As fronteiras artificiais então traçadas — ignorando povos, línguas e culturas — estão na origem de muitos conflitos do mundo contemporâneo. A História deve descrever este processo com rigor e sem apologia.
Exemplo resolvido

Analisar criticamente uma fonte imperialista

Um discurso do final do século XIX afirma que «cabe às nações civilizadas levar o progresso aos povos atrasados, ocupando e governando os seus territórios». Analisa criticamente a fonte, distinguindo a justificação das causas reais.

  1. 01Identificar a justificação

    A fonte invoca a «missão civilizadora» e a superioridade das nações «civilizadas» — uma justificação ideológica ligada ao darwinismo social.

  2. 02Distinguir as causas reais

    Por detrás estavam causas económicas (matérias-primas, mercados, capitais) e políticas (prestígio, rivalidade entre potências).

  3. 03Avaliar criticamente

    O discurso disfarça de «civilização» o que era dominação e exploração; a análise histórica deve desmontar essa retórica.

Resultado: A fonte usa a ideologia da «missão civilizadora» (darwinismo social) para justificar o imperialismo, mas as suas causas reais eram económicas e políticas: analisá-la criticamente é distinguir a justificação ideológica da dominação efetiva e da exploração dos povos colonizados.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a partilha de África e a Conferência de Berlim (1884-85) e o princípio da ocupação efetiva.
  • Caracterizar a economia colonial (matérias-primas, mercados reservados, trabalho forçado).
  • Distinguir a justificação ideológica («missão civilizadora») das causas reais e avaliar criticamente as consequências.

Erros frequentes

  • Ignorar a Conferência de Berlim (1884-85) ou o carácter arbitrário da partilha de África.
  • Apresentar a «missão civilizadora» como facto, em vez de a analisar criticamente.
  • Subestimar as consequências para os povos colonizados e o problema das fronteiras artificiais.

Revisão ativa

Explica a partilha de África e distingue a justificação ideológica das verdadeiras causas do imperialismo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A industrialização tardia de Portugal e a questão colonial#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-b-imperialismo-portugal-industrial

Pontos-chave

Enquanto a Europa do noroeste se industrializava, Portugal permaneceu, ao longo do século XIX, um país de industrialização tardia e limitada. Apesar dos esforços do fontismo (obras públicas, caminhos-de-ferro), o país continuou predominantemente agrário, com uma agricultura atrasada e de baixa produtividade, uma indústria débil e concentrada (têxteis, conservas, cortiça, em Lisboa e no Porto), um mercado interno pequeno e um elevadíssimo analfabetismo. Face às potências industriais, Portugal vivia um profundo atraso relativo (ver Fig. 4).

Portugal e as potências industriais

Atraso relativo de PortugalTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Potências industriais · Portugal; Base económica · Indústria dinâmica · Agrária, indústria débil; Agricultura · Modernizada, produtiva · Tradicional, baixa produtividade; Alfabetização · Elevada e crescente · Analfabetismo muito alto; Posição económica · Centro / potência · Dependente (de Inglaterra), emigração, célula destacada: Dependente (de Inglaterra), emigraçãoASPETOPOTÊNCIAS INDUSTRIAISPORTUGALBASE ECONÓMICAIndústria dinâmicaAgrária, indústria débilAGRICULTURAModernizada, produtivaTradicional, baixaprodutividadeALFABETIZAÇÃOElevada e crescenteAnalfabetismo muito altoPOSIÇÃO ECONÓMICACentro / potênciaDependente (de Inglaterra),emigração
Fig. 4Fig. 4 — O atraso relativo de Portugal face às potências industriais.
Este atraso alimentava a dependência económica externa, sobretudo face a Inglaterra, e uma forte emigração (para o Brasil), que revelava a incapacidade de o país dar futuro à sua população. As finanças do Estado, endividadas pelas obras do fontismo, eram frágeis. O contraste entre o Portugal atrasado e a Europa industrializada era gritante, e a consciência desse atraso pesava sobre a vida política e cultural (a chamada «geração de 70» debateu a «decadência» do país).
Neste quadro de fragilidade, Portugal foi apanhado na corrida imperialista. Possuindo antigas colónias em África — sobretudo Angola e Moçambique —, Portugal quis ligá-las por terra, ocupando os territórios entre ambas: era o projeto do «Mapa Cor-de-Rosa» (1886). O problema é que esse projeto chocava frontalmente com os interesses da Inglaterra, a maior potência da época, que pretendia unir os seus próprios domínios do Cairo ao Cabo, atravessando justamente essa região.
A desproporção de forças era enorme: de um lado, o Império Britânico, potência industrial e naval; do outro, Portugal, país pobre e fraco. A ambição colonial portuguesa era, além disso, dificilmente sustentável face à «ocupação efetiva» exigida em Berlim, pois Portugal não tinha meios para ocupar de facto tão vastos territórios. O choque de interesses com a Inglaterra tornou-se inevitável — e desembocaria, em 1890, numa grave humilhação nacional: o Ultimatum inglês, tema da secção seguinte.
Exemplo resolvido

Explicar a insustentabilidade do Mapa Cor-de-Rosa

Explica por que o projeto do Mapa Cor-de-Rosa era, para Portugal, difícil de concretizar face ao contexto internacional.

  1. 01O projeto

    Ligar Angola a Moçambique por terra, ocupando os territórios do interior africano entre ambas.

  2. 02O obstáculo inglês

    A Inglaterra queria unir o Cairo ao Cabo, atravessando exatamente essa faixa — interesses inconciliáveis.

  3. 03A fraqueza portuguesa

    Portugal, pobre e sem meios para a «ocupação efetiva» de Berlim, não tinha força para impor o projeto a uma potência como a Inglaterra.

Resultado: O Mapa Cor-de-Rosa era insustentável porque chocava com o projeto britânico Cairo-Cabo e porque Portugal, país fraco e sem meios para ocupar efetivamente tão vastos territórios, não podia impor-se à maior potência da época — o que conduziria à cedência de 1890.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a industrialização tardia e o atraso relativo de Portugal no século XIX.
  • Explicar a questão colonial portuguesa e o projeto do Mapa Cor-de-Rosa (1886).
  • Explicar o choque entre as ambições coloniais portuguesa e inglesa em África.

Erros frequentes

  • Julgar que Portugal se industrializou como a Europa do noroeste (viveu um atraso relativo).
  • Confundir o Mapa Cor-de-Rosa (projeto/pretensão) com uma ocupação efetiva realizada.
  • Ignorar a desproporção de forças entre Portugal e o Império Britânico.

Revisão ativa

Explica o projeto do Mapa Cor-de-Rosa e por que ele conduziu ao choque com a Inglaterra.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Do Ultimatum (1890) à queda da monarquia (1910)#

●●○PadrãoLPAE-hist-b-imperialismo-portugal-industrial

Pontos-chave

O choque com a Inglaterra chegou ao auge em 1890. A Inglaterra dirigiu a Portugal um Ultimatum, exigindo a retirada imediata das forças portuguesas dos territórios em disputa (entre Angola e Moçambique), sob ameaça de rutura de relações e de recurso à força. Portugal, fraco e sem meios para resistir a tão grande potência, teve de ceder. A cedência foi sentida como uma profunda humilhação nacional e um golpe no prestígio da monarquia, acusada de fraqueza e de sacrificar a «honra da Pátria» (ver Fig. 5).

Portugal, do Ultimatum à República (1876-1910)

Portugal 1876-1910Linha do tempo de 1876 a 1911, 1876: Fundação do Partido Republicano, 1886: Mapa Cor-de-Rosa, 1890: Ultimatum inglês, 1908: Regicídio, 1910: Implantação da República18761911ano1876Fundação doPartido Republi…1886Mapa Cor-de-Rosa1890Ultimatum inglês1908Regicídio1910Implantação daRepública
Fig. 5Fig. 5 — Do Ultimatum à queda da monarquia: a crise final do regime.
O Ultimatum de 1890 teve enormes consequências políticas, sobretudo por dar um forte impulso ao republicanismo (ver Fig. 6). O Partido Republicano acusou a monarquia de ser incapaz de defender a nação e os seus interesses, e ganhou apoio crescente, sobretudo nas cidades, entre a burguesia, os intelectuais, os militares e o povo urbano. O hino «A Portuguesa» nasceu justamente da indignação anti-britânica deste momento. A revolta de 31 de janeiro de 1891, no Porto, foi a primeira tentativa (falhada) de proclamar a República.

Do Ultimatum à queda da monarquia

Do Ultimatum à RepúblicaGrafo, Ultimatum inglês (1890): cedência → Humilhação nacional; descrédito da monarquia, Humilhação nacional; descrédito da monarquia → Crescimento do republicanismo, Crise financeira e social → Queda da monarquia (1910), Crescimento do republicanismo → Queda da monarquia (1910)Ultimatum inglês(1890): cedênciaHumilhaçãonacional;descrédito da m…Crescimento dorepublicanismoCrise financeirae socialQueda damonarquia (1910)
Fig. 6Fig. 6 — O Ultimatum de 1890 como fator decisivo da crise da monarquia.
À agitação republicana somaram-se outros fatores de crise: a bancarrota financeira do Estado (1892), o descontentamento social, o desgaste do rotativismo e das instituições monárquicas, e a incapacidade de resolver os problemas do país. A monarquia tentou reagir, inclusive com uma solução autoritária (a ditadura de João Franco, a partir de 1906), mas isso só agravou a contestação. O regime entrava em agonia.
O desfecho aproximou-se rapidamente. Em 1 de fevereiro de 1908 deu-se o Regicídio: o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, Luís Filipe, foram assassinados em Lisboa. Subiu ao trono D. Manuel II, o último rei, incapaz de travar a crise. Finalmente, a 5 de outubro de 1910, uma revolução em Lisboa derrubou a monarquia e proclamou a República. Terminava um regime de séculos; abria-se o período da Primeira República — tema de uma unidade posterior. O Ultimatum de 1890 fora, nesta cadeia de acontecimentos, um fator decisivo.
Exemplo resolvido

Analisar uma reação ao Ultimatum

Um jornal republicano de 1890 escreve: «Cedeu a monarquia à imposição estrangeira, sacrificando a honra da Pátria. Só uma República saberá defender a nação.» Analisa a fonte e explica as consequências políticas do Ultimatum.

  1. 01Contextualizar

    A fonte reage ao Ultimatum inglês de 1890, em que Portugal cedeu os territórios do Mapa Cor-de-Rosa.

  2. 02Identificar a crítica

    Acusa a monarquia de fraqueza e de sacrificar a «honra da Pátria», apresentando a República como alternativa.

  3. 03Explicar as consequências

    O Ultimatum, explorado pelos republicanos, minou o prestígio da monarquia e impulsionou o republicanismo, contribuindo para a queda do regime em 1910.

Resultado: A fonte mostra como o Ultimatum de 1890 foi usado pelo republicanismo: ao apresentar a monarquia como incapaz de defender a honra nacional, os republicanos ganharam apoio — pelo que o Ultimatum foi fator decisivo da crise da monarquia e da implantação da República em 1910.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o Ultimatum de 1890 (exigência inglesa, cedência) e o seu significado como humilhação nacional.
  • Relacionar o Ultimatum com a ascensão do republicanismo e a crise da monarquia.
  • Situar o Regicídio (1908) e a implantação da República (5 de outubro de 1910).

Erros frequentes

  • Situar mal o Ultimatum (1890) ou confundir o Mapa Cor-de-Rosa com uma conquista efetiva.
  • Não relacionar o Ultimatum com a ascensão do republicanismo e a queda da monarquia.
  • Confundir o Regicídio (1908) com a implantação da República (1910).

Revisão ativa

Explica de que forma o Ultimatum de 1890 contribuiu para a crise da monarquia e a ascensão do republicanismo em Portugal.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Nacionalismos e o novo imperialismo◐
    • 02A partilha de África e a economia colonial◐
    • 03A industrialização tardia de Portugal e a questão colonial●
    • 04Do Ultimatum (1890) à queda da monarquia (1910)◐

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Dos resumos à prática

Imperialismo, colonialismo e a industrialização tardia de Portugal

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano

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