EuraStudy
A primeira metade do século XX é uma época de crise da civilização liberal: às duas guerras mundiais e à crise de 1929 juntam-se profundas mutações culturais — a crise das certezas do racionalismo positivista, as vanguardas artísticas e a cultura de massas — e o violento confronto de três modelos ideológicos: a democracia liberal, o comunismo e o fascismo. Tema de abertura do 11.º ano e do Exame Nacional de História B (Prova 723).
4 secções~13 min de leitura3 competênciasNível Padrão 2 · Aprofundamento 2
nível básico
Compreender o panorama de crises e o confronto de modelos ideológicos da primeira metade do século XX.
nível avançado
Enquadrar as mutações culturais e distinguir os modelos ideológicos, interpretando fontes (competência da Prova 723).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Panorama da primeira metade do século XX
Explica por que a Primeira Guerra Mundial abalou a confiança do século XIX no progresso.
O século XIX acreditava que a ciência e a técnica traziam progresso contínuo e melhoria da humanidade.
A Grande Guerra usou a técnica (metralhadoras, gases, artilharia) para matar milhões — o progresso ao serviço da destruição.
Ruiu a crença otimista: o progresso técnico revelou-se ambivalente, capaz do melhor e do pior.
Resultado: A Primeira Guerra Mundial abalou a confiança liberal porque mostrou que o mesmo progresso técnico admirado no século XIX podia servir a matança industrial de milhões — o que destruiu o otimismo no progresso e abriu o clima de crise e dúvida da primeira metade do século XX.
Erros frequentes
Revisão ativa
Enquadra a primeira metade do século XX como um período de crise da civilização liberal, referindo as suas várias dimensões.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
A crise das certezas
Explica de que forma a teoria da relatividade e a psicanálise contribuíram para a «crise das certezas».
Einstein mostrou que espaço e tempo não são absolutos mas dependem do observador, abalando a física «certa» de Newton.
Freud revelou o inconsciente, mostrando que o homem não é plenamente racional nem senhor de si.
O universo tornava-se incerto e o homem, obscuro — ruíam as certezas racionalistas do século XIX.
Resultado: A relatividade tornou incertas as noções absolutas de espaço e tempo, e a psicanálise revelou o inconsciente por trás da razão: juntas, minaram a confiança positivista do século XIX num mundo ordenado e num homem racional, alimentando a crise das certezas que marcou a cultura do século XX.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a «crise das certezas» do início do século XX, relacionando-a com as descobertas científicas e a psicanálise.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
As vanguardas artísticas
Explica por que as vanguardas artísticas podem ser vistas como expressão da crise das certezas do início do século XX.
As vanguardas recusaram as regras e a representação fiel da arte tradicional.
Num mundo em que a ciência e a psicanálise tornavam tudo incerto e relativo, a arte também abandonou as certezas da forma herdada.
Cubismo, abstracionismo ou surrealismo traduzem, em arte, esse mundo fragmentado, subjetivo e incerto.
Resultado: As vanguardas exprimem a crise das certezas porque, tal como a nova ciência e a psicanálise abalaram as verdades absolutas, elas romperam com as regras e a representação tradicionais, traduzindo em arte um mundo fragmentado, subjetivo e incerto — o mundo novo do século XX.
Erros frequentes
Revisão ativa
Caracteriza as vanguardas artísticas e a cultura de massas como expressões culturais do início do século XX.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Democracia liberal, comunismo e fascismo
Ambos o comunismo e o fascismo eram ditaduras de partido único. Explica, então, por que eram modelos opostos e inimigos.
Ambos rejeitavam a democracia liberal e assentavam num partido único e num Estado autoritário.
O comunismo visava a igualdade e o fim das classes (abolição da propriedade); o fascismo exaltava a nação/raça e a hierarquia (mantendo a propriedade).
O fascismo nasceu, em grande parte, como reação anticomunista; combatiam-se como inimigos mortais.
Resultado: Embora ambos fossem ditaduras de partido único, comunismo e fascismo eram opostos nos fins e nos valores — igualdade e fim das classes contra nação/raça e hierarquia — e por isso inimigos: o fascismo definiu-se, em larga medida, como reação ao comunismo, e ambos combatiam a democracia liberal.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue os três grandes modelos ideológicos em confronto na primeira metade do século XX quanto ao sistema político e à economia.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História B — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)