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A civilização europeia tem as suas raízes no Mediterrâneo da Antiguidade Clássica: a Grécia inventou a cidadania e a democracia; Roma criou o direito, a cidade e um império que integrou pela cidadania e romanizou o Ocidente, incluindo o território português; e o Cristianismo trouxe uma nova visão do homem. Deste tríplice legado — grego, romano e cristão — nasceu a Europa. Este módulo integra a disciplina e a avaliação interna, mas não faz parte do objeto de avaliação do Exame Final Nacional (Prova 623) — trata-se aqui como fundamento (ampliação).
4 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3
nível básico
Saber o que foram a democracia ateniense e a cidadania romana e reconhecer o legado clássico e cristão da Europa.
nível avançado
Comparar os modelos de cidadania grego e romano (restrito vs extensível) e explicar a romanização e a síntese cultural europeia.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A Antiguidade Clássica: Grécia e Roma
A cidadania restrita em Atenas
Um documento afirma: «Em Atenas, o governo está nas mãos do povo, e não de uma minoria.» Comenta esta afirmação, indicando o que nela é verdadeiro e o que a deve limitar.
As decisões eram tomadas diretamente pelos cidadãos, reunidos na Eclésia, por debate e voto — sem monarca nem oligarquia a decidir por eles.
«O povo» significava apenas o corpo de cidadãos — homens livres, filhos de atenienses; mulheres, escravos e metecos, a maioria da população, estavam excluídos.
A afirmação exprime o orgulho democrático ateniense (século V a.C.), mas deve ler-se à luz da noção antiga e restrita de cidadania.
Resultado: A afirmação é verdadeira quanto ao princípio (o poder pertence aos cidadãos, que decidem diretamente), mas deve ser limitada: a cidadania excluía mulheres, escravos e estrangeiros, pelo que a democracia ateniense era direta mas restrita.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica em que sentido a democracia ateniense era «direta» e em que sentido era «restrita», indicando quem participava e quem estava excluído.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Cidadania ateniense e cidadania romana
Em 212 d.C., o imperador Caracala concedeu a cidadania romana a quase todos os homens livres do Império. Explica o significado e o alcance desta medida.
A Constitutio Antoniniana tornou cidadãos romanos quase todos os habitantes livres do Império, independentemente da sua origem.
Culmina uma longa política de integração: em vez de manter os vencidos à margem, Roma integrava-os, dando-lhes direitos e deveres de cidadão.
Reforçou a coesão de um império vasto e multicultural e consolidou a ideia — herdada pela Europa — de uma cidadania que se pode partilhar e alargar.
Resultado: O Édito de Caracala universalizou (entre os livres) a cidadania romana, culminando o modelo integrador de Roma: a cidadania deixou de ser privilégio de uma cidade para se tornar o vínculo comum de todo o Império.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a cidadania romana foi um instrumento de integração do Império, comparando-a com a cidadania ateniense.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os agentes da romanização
Junto a Coimbra encontram-se as ruínas de Conimbriga, com forum, termas, casas com mosaicos e um traçado urbano regular. Explica como este sítio ilustra a romanização do território português.
Conimbriga é uma cidade romana da Lusitânia, com os elementos típicos do urbanismo romano (forum, termas, domus com mosaicos, ruas ortogonais).
A existência de uma cidade organizada à romana mostra a adoção do modo de vida urbano, da língua, do direito e dos hábitos romanos pelas populações locais.
O sítio integra-se numa rede de cidades e vias (Olisipo, Bracara, Ebora) que difundiram a civilização romana por todo o território.
Resultado: Conimbriga é um testemunho material da romanização: uma cidade construída segundo o modelo romano prova a integração do território português na civilização urbana, jurídica e linguística de Roma — de que o português é herdeiro.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o conceito de romanização e indica três instrumentos através dos quais ela se fez, dando um exemplo do território português.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))
As três raízes da civilização europeia
Um item pede que expliques por que se diz que a Europa tem «raízes mediterrânicas». Constrói uma resposta estruturada, identificando os legados grego, romano e cristão.
A cidadania, a democracia, a filosofia e a confiança na razão, nascidas na pólis (Atenas).
O direito, a cidade, o latim e as línguas românicas, a administração e a cidadania integradora do Império.
O monoteísmo, uma moral assente na dignidade e igualdade da pessoa humana, e a Igreja como instituição unificadora.
Concluir que a Europa nasce da fusão destes três legados mediterrânicos, transmitida através da Idade Média e reencontrada nas épocas seguintes.
Resultado: A Europa tem raízes mediterrânicas porque resulta da síntese de três legados da Antiguidade Clássica — o grego (cidadania e razão), o romano (direito, cidade e língua) e o cristão (dignidade humana e Igreja) —, que se combinaram e transmitiram a toda a história europeia posterior.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica de que forma a civilização europeia é herdeira, ao mesmo tempo, da Grécia, de Roma e do Cristianismo, dando um exemplo de cada legado.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)