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Resumos/História A/Módulo 1 — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia: Cidade, Cidadania e Império na Antiguidade Clássica
Resumos · História APT · Secundário

Módulo 1 — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia: Cidade, Cidadania e Império na Antiguidade Clássica

A civilização europeia tem as suas raízes no Mediterrâneo da Antiguidade Clássica: a Grécia inventou a cidadania e a democracia; Roma criou o direito, a cidade e um império que integrou pela cidadania e romanizou o Ocidente, incluindo o território português; e o Cristianismo trouxe uma nova visão do homem. Deste tríplice legado — grego, romano e cristão — nasceu a Europa. Este módulo integra a disciplina e a avaliação interna, mas não faz parte do objeto de avaliação do Exame Final Nacional (Prova 623) — trata-se aqui como fundamento (ampliação).

4 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3

T·0222 / 10
Perfil de exame
Caracterizar a pólis, a democracia e a cidadania ateniensesCaracterizar a cidade, o direito e a cidadania romanos e o modelo imperialExplicar a romanização e o legado clássico e cristão da EuropaAmpliação — fora do Exame Nacional (Prova 623); conteúdo de avaliação interna e fundamento cultural
Operadores:caracterizadistingueexplicarelacionaidentificacomparajustifica

nível básico

Saber o que foram a democracia ateniense e a cidadania romana e reconhecer o legado clássico e cristão da Europa.

nível avançado

Comparar os modelos de cidadania grego e romano (restrito vs extensível) e explicar a romanização e a síntese cultural europeia.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo 1 — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia: Cidade, Cidadania e Império na Antiguidade Clássica
    • 01O modelo ateniense: pólis, democracia e cidadania○
    • 02O modelo romano: cidade, direito e cidadania◐
    • 03O Império e a romanização; o espaço português◐
    • 04O Cristianismo e a herança clássica e cristã◐
§ 01

O modelo ateniense: pólis, democracia e cidadania#

●○○BaseLPAE-hist-a-modulo-1

Pontos-chave

A civilização grega organizou-se em pólis — cidades-estado independentes (Atenas, Esparta, Corinto, Tebas) que partilhavam língua, deuses e cultura, mas se governavam separadamente. É na pólis, e sobretudo em Atenas dos séculos VI e V a.C., que nasce uma das maiores invenções da Antiguidade e a raiz política da Europa: a democracia (do grego demos, povo, e kratos, poder), o governo dos cidadãos (ver Fig. 1). As reformas de Clístenes (508-507 a.C.) lançaram-lhe as bases, reorganizando o corpo cívico; a época de Péricles, em meados do século V a.C., foi o seu apogeu.

A Antiguidade Clássica: Grécia e Roma

Antiguidade ClássicaLinha do tempo de -560 a 520, -508: Democracia (Clístenes), -450: Apogeu de Péricles, -27: Império (Augusto), 212: Cidadania (Caracala), 313: Édito de Milão, 476: Queda de Roma, -500–-323: Grécia clássica, -509–-27: República romana, -27–476: Império romano−560520anoGrécia clássicaRepública romanaImpério romano−508Democracia(Clístenes)−450Apogeu dePéricles−27Império(Augusto)212Cidadania(Caracala)313Édito de Milão476Queda de Roma
Fig. 1Fig. 1 — Os grandes marcos da Antiguidade Clássica, do apogeu de Atenas à queda de Roma.
A democracia ateniense era direta: os cidadãos exerciam o poder pessoalmente, e não por representantes. Reuniam-se na Assembleia (a Eclésia), onde debatiam e votavam as leis e as grandes decisões; um Conselho (a Bulé, de 500 membros sorteados) preparava os assuntos; e a justiça era exercida por tribunais populares. Muitos cargos eram atribuídos por sorteio, e não por eleição, para que qualquer cidadão pudesse governar — e Péricles instituiu um pagamento (o misthos) aos que exerciam funções, para que também os mais pobres pudessem participar. O poder assentava, pela primeira vez, na palavra, no voto e na lei, e não no nascimento ou na força.
Esta democracia era, porém, direta mas restrita: a cidadania estava reservada a uma minoria (ver Fig. 2). Eram cidadãos apenas os homens livres, adultos, filhos de pai (e, desde Péricles, de pai e mãe) atenienses. Estavam excluídos do direito de participar as mulheres, os escravos — numerosíssimos — e os estrangeiros residentes (os metecos). Calcula-se que os cidadãos de pleno direito fossem uma pequena fração da população total. A democracia grega não era, pois, universal como a entendemos hoje: era o autogoverno de um corpo restrito de cidadãos.

A cidadania restrita em Atenas

Quem era cidadão em Atenascírculos concêntricos, 4 anéis, Dados: Atenas, Cidadãos (homens livres, filhos de atenienses), Mulheres e menores, Metecos (estrangeiros), EscravosEscravosMetecos (estrangeiros)Mulheres e menoresCidadãos (homens livres, filhos de atenienses)Atenas
Fig. 2Fig. 2 — Em Atenas, o corpo de cidadãos era um núcleo restrito no conjunto da população.
Apesar deste limite, o modelo ateniense fixou ideias decisivas para toda a história política do Ocidente: a de que o poder pode pertencer à comunidade dos cidadãos e não a um só; a de igualdade dos cidadãos perante a lei (isonomia) e no direito de falar na Assembleia; a de que a lei se discute e se decide em comum. Estas ideias seriam esquecidas durante séculos e retomadas, transformadas, pelas revoluções liberais do século XVIII — que, ao inventarem a democracia moderna (representativa e tendencialmente universal), reconheceram em Atenas a sua matriz. Estudar a pólis é estudar o berço da cidadania europeia.
Exemplo resolvido

Comentar uma fonte sobre a democracia ateniense

Um documento afirma: «Em Atenas, o governo está nas mãos do povo, e não de uma minoria.» Comenta esta afirmação, indicando o que nela é verdadeiro e o que a deve limitar.

  1. 01O que é verdadeiro

    As decisões eram tomadas diretamente pelos cidadãos, reunidos na Eclésia, por debate e voto — sem monarca nem oligarquia a decidir por eles.

  2. 02O que a limita

    «O povo» significava apenas o corpo de cidadãos — homens livres, filhos de atenienses; mulheres, escravos e metecos, a maioria da população, estavam excluídos.

  3. 03Contextualizar

    A afirmação exprime o orgulho democrático ateniense (século V a.C.), mas deve ler-se à luz da noção antiga e restrita de cidadania.

Resultado: A afirmação é verdadeira quanto ao princípio (o poder pertence aos cidadãos, que decidem diretamente), mas deve ser limitada: a cidadania excluía mulheres, escravos e estrangeiros, pelo que a democracia ateniense era direta mas restrita.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a democracia direta ateniense (Eclésia, Bulé, sorteio, misthos) e o papel de Clístenes e Péricles.
  • Explicar por que a democracia ateniense era direta mas restrita (quem era e quem não era cidadão).
  • Foco (avaliação interna): relacionar o modelo ateniense com a matriz da cidadania europeia.

Erros frequentes

  • Julgar a democracia ateniense universal (excluía mulheres, escravos e metecos).
  • Confundir democracia direta (Atenas) com democracia representativa (moderna).
  • Situar o apogeu ateniense no século errado (é o século V a.C., o de Péricles).

Revisão ativa

Explica em que sentido a democracia ateniense era «direta» e em que sentido era «restrita», indicando quem participava e quem estava excluído.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O modelo romano: cidade, direito e cidadania#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-1

Pontos-chave

Se a Grécia deu à Europa a cidadania e a democracia, Roma deu-lhe a cidade, o direito e a ideia de império. A partir de uma pequena cidade do Lácio, Roma construiu, ao longo de séculos, o maior império da Antiguidade, que uniu todo o mundo mediterrânico. A sua história política passou da Monarquia à República (509-27 a.C.) e, depois, ao Império (a partir de 27 a.C., com Augusto). Na República, o poder repartia-se entre o Senado (assembleia da aristocracia), as magistraturas (como os cônsules, eleitos e temporários) e os comícios (assembleias do povo) — um equilíbrio de órgãos que também influenciaria o pensamento político europeu.
A maior criação de Roma foi o direito. Os romanos foram os primeiros a construir um sistema jurídico completo, escrito e racional, que distinguia o direito público do privado, definia a propriedade, os contratos e a família, e assentava em princípios (como a presunção de inocência ou o valor da prova) que ainda hoje estruturam o direito ocidental. O direito romano, mais tarde compilado e transmitido, tornou-se a base dos sistemas jurídicos de grande parte da Europa. A par dele, o latim — a língua de Roma — difundiu-se por todo o Império e deu origem às línguas românicas, entre elas o português.
A cidade (a urbe) era o centro da civilização romana e o instrumento da sua difusão. As cidades romanas seguiam um modelo urbanístico regular, com duas ruas principais que se cruzavam (o cardo e o decumanus), um forum central (praça pública, política e religiosa), templos, termas, teatros, anfiteatros e aquedutos. A engenharia romana — o arco, a abóbada, o betão — permitiu construir em grande escala e ligar o Império por uma vasta rede de estradas (as vias romanas), que faziam circular exércitos, mercadorias e ideias. Onde Roma chegava, fundava ou reorganizava cidades à sua imagem.
Decisivo foi o modo como Roma tratou a cidadania — e aqui reside a grande diferença face a Atenas (ver Fig. 3). Enquanto a cidadania ateniense era fechada e hereditária, a romana era extensível: podia ser concedida a peregrinos, a aliados, a soldados e a cidades inteiras, integrando os vencidos em vez de os manter à margem. Esta política de integração pela cidadania culminou no Édito de Caracala (a Constitutio Antoniniana, 212 d.C.), que concedeu a cidadania romana a quase todos os homens livres do Império. A cidadania tornou-se, assim, um poderoso instrumento de coesão de um império imenso e multicultural — um modelo de integração muito diferente do modelo grego.

Cidadania ateniense e cidadania romana

Cidadania: Atenas vs RomaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Critério · Atenas (grega) · Roma; Acesso · Só filhos de atenienses · Extensível a aliados, soldados e vencidos; Extensão · Fechada, restrita e hereditária · Alargada até quase todos os livres (Caracala, 212); Lógica · Excluir para preservar · Integrar para unir o Império; Exercício · Democracia direta (Assembleia) · República e, depois, Império, célula destacada: Alargada até quase todos os livres (Caracala, 212)CRITÉRIOATENAS (GREGA)ROMAACESSOSó filhos de ateniensesExtensível a aliados,soldados e vencidosEXTENSÃOFechada, restrita ehereditáriaAlargada até quase todos oslivres (Caracala, 212)LÓGICAExcluir para preservarIntegrar para unir o ImpérioEXERCÍCIODemocracia direta(Assembleia)República e, depois, Império
Fig. 3Fig. 3 — Dois modelos de cidadania: o grego, fechado; o romano, extensível e integrador.
Exemplo resolvido

Explicar o Édito de Caracala

Em 212 d.C., o imperador Caracala concedeu a cidadania romana a quase todos os homens livres do Império. Explica o significado e o alcance desta medida.

  1. 01O que estabelece

    A Constitutio Antoniniana tornou cidadãos romanos quase todos os habitantes livres do Império, independentemente da sua origem.

  2. 02Por que é significativa

    Culmina uma longa política de integração: em vez de manter os vencidos à margem, Roma integrava-os, dando-lhes direitos e deveres de cidadão.

  3. 03Alcance

    Reforçou a coesão de um império vasto e multicultural e consolidou a ideia — herdada pela Europa — de uma cidadania que se pode partilhar e alargar.

Resultado: O Édito de Caracala universalizou (entre os livres) a cidadania romana, culminando o modelo integrador de Roma: a cidadania deixou de ser privilégio de uma cidade para se tornar o vínculo comum de todo o Império.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a organização política romana (República e Império) e a cidade romana.
  • Explicar a importância do direito romano e do latim como legados de Roma.
  • Comparar a cidadania romana (extensível) com a ateniense (restrita) e explicar o Édito de Caracala (212).

Erros frequentes

  • Confundir República com Império (a República é anterior a Augusto; o Império começa em 27 a.C.).
  • Julgar a cidadania romana idêntica à ateniense (a romana era extensível, integradora dos vencidos).
  • Esquecer o direito e o latim como os grandes legados duradouros de Roma à Europa.

Revisão ativa

Explica por que a cidadania romana foi um instrumento de integração do Império, comparando-a com a cidadania ateniense.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O Império e a romanização; o espaço português#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-1

Pontos-chave

A expansão de Roma transformou os povos conquistados através de um processo profundo a que se chama romanização: a adoção, pelos vencidos, da língua, do direito, da religião, dos costumes e das formas de vida romanas (ver Fig. 4). A romanização não foi apenas imposta pela força; foi também atraente — ser romano dava estatuto, direitos e acesso a uma civilização urbana e próspera —, e fez-se através de vários agentes: o exército e os seus veteranos, a fundação de cidades, a rede de estradas, o comércio, a administração e a concessão da cidadania.

Os agentes da romanização

A romanizaçãoGrafo, Latim (língua) → Romanização, Cidade e urbanismo → Romanização, Direito e cidadania → Romanização, Exército e veteranos → Romanização, Estradas e comércio → RomanizaçãoLatim (língua)Cidade eurbanismoDireito ecidadaniaExército eveteranosEstradas ecomércioRomanização
Fig. 4Fig. 4 — Vários agentes e instrumentos difundiram a civilização romana entre os povos conquistados.
Os instrumentos da romanização foram sobretudo a língua, a cidade e o direito. O latim substituiu as línguas locais e, com o tempo, deu origem às línguas românicas. As cidades, fundadas ou reorganizadas segundo o modelo romano, difundiram os hábitos urbanos — o forum, as termas, os espetáculos. O direito romano regulou a vida e a propriedade. A tudo isto se juntaram a moeda comum, os pesos e medidas, a religião (primeiro o culto dos deuses romanos e do imperador, depois o Cristianismo) e as grandes obras públicas. A romanização foi, assim, um dos mais poderosos processos de unificação cultural da história.
O atual território português foi profundamente romanizado. Integrado sobretudo na província da Lusitânia (e parte na Galécia e na Bética), conheceu a fundação e o desenvolvimento de cidades como Olisipo (Lisboa), Bracara Augusta (Braga), Ebora (Évora), Scallabis (Santarém) e Conimbriga (junto a Coimbra), cujas ruínas ainda hoje se visitam. Cruzaram-no vias romanas, ergueram-se pontes, templos, villae agrícolas e explorações mineiras. A resistência dos povos locais foi notável — é célebre a figura de Viriato e a luta dos Lusitanos —, mas acabou por ceder, e a romanização deixou marcas duradouras.
O legado romano no território português é visível ainda hoje e é parte da nossa identidade. A língua portuguesa é uma língua românica, filha do latim; o direito português tem raízes no direito romano; muitos topónimos, traçados de estradas e limites administrativos remontam a esse tempo; e o Cristianismo, que se difundiu no quadro do Império, tornou-se a religião do país. Estudar a romanização é, por isso, compreender como o território que viria a ser Portugal foi integrado, desde a Antiguidade, no espaço civilizacional europeu de raiz greco-latina.
Exemplo resolvido

Explicar a romanização a partir de um vestígio

Junto a Coimbra encontram-se as ruínas de Conimbriga, com forum, termas, casas com mosaicos e um traçado urbano regular. Explica como este sítio ilustra a romanização do território português.

  1. 01Identificar

    Conimbriga é uma cidade romana da Lusitânia, com os elementos típicos do urbanismo romano (forum, termas, domus com mosaicos, ruas ortogonais).

  2. 02Relacionar com a romanização

    A existência de uma cidade organizada à romana mostra a adoção do modo de vida urbano, da língua, do direito e dos hábitos romanos pelas populações locais.

  3. 03Alargar

    O sítio integra-se numa rede de cidades e vias (Olisipo, Bracara, Ebora) que difundiram a civilização romana por todo o território.

Resultado: Conimbriga é um testemunho material da romanização: uma cidade construída segundo o modelo romano prova a integração do território português na civilização urbana, jurídica e linguística de Roma — de que o português é herdeiro.

Foco no Exame Nacional

  • Definir romanização e identificar os seus principais agentes e instrumentos (língua, cidade, direito, exército).
  • Localizar a romanização do território português (Lusitânia; cidades romanas; Viriato).
  • Foco (avaliação interna): reconhecer os legados romanos duradouros (língua, direito, cidade) em Portugal.

Erros frequentes

  • Reduzir a romanização à conquista militar, esquecendo a língua, a cidade e o direito.
  • Ignorar a resistência dos povos locais (os Lusitanos, Viriato) antes da romanização.
  • Não relacionar o português (língua românica) com o latim e a romanização.

Revisão ativa

Explica o conceito de romanização e indica três instrumentos através dos quais ela se fez, dando um exemplo do território português.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O Cristianismo e a herança clássica e cristã#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-1

Pontos-chave

Ao legado grego e romano juntou-se, na formação da Europa, um terceiro elemento decisivo: o Cristianismo. Nascido na Judeia, província do Império Romano, no século I d.C., a partir da pregação de Jesus de Nazaré, o Cristianismo trouxe uma mensagem nova e revolucionária para a Antiguidade: o monoteísmo (um só Deus), a igualdade de todos os homens perante Deus, o amor ao próximo e a promessa de salvação universal, aberta a todos — pobres e ricos, livres e escravos, homens e mulheres, judeus e gentios. Face à religião oficial romana, politeísta e ligada ao poder, era uma mensagem de dignidade e de esperança para os humildes.
A difusão do Cristianismo fez-se, paradoxalmente, através das estruturas do próprio Império que o perseguia: as estradas, as cidades e o uso comum do grego e do latim facilitaram a pregação dos apóstolos e a formação de comunidades. Durante quase três séculos, os cristãos foram alvo de perseguições, por recusarem o culto do imperador; mas a religião não parou de crescer. A viragem deu-se no século IV: o Édito de Milão (313), de Constantino, concedeu liberdade de culto e pôs fim às perseguições; e o Édito de Tessalónica (380), de Teodósio, fez do Cristianismo a religião oficial do Império. A Igreja tornou-se, então, uma instituição poderosa e estruturante.
Da fusão destes três legados nasceu a civilização europeia (ver Fig. 5). Da Grécia, a Europa herdou a cidadania, a democracia, a filosofia, a arte e a confiança na razão. De Roma, herdou o direito, a cidade, a língua (o latim e as línguas românicas), a administração e a ideia de império e de cidadania integradora. Do Cristianismo, herdou o monoteísmo, uma moral assente na dignidade e igualdade da pessoa humana, e uma Igreja que seria, durante toda a Idade Média, a grande instituição unificadora do Ocidente. É esta síntese greco-latina e cristã que constitui a raiz comum da Europa.

As três raízes da civilização europeia

As raízes da EuropaGrafo, Grécia: cidadania, democracia, filosofia → Civilização europeia, Roma: direito, cidade, latim, império → Civilização europeia, Cristianismo: monoteísmo, dignidade humana → Civilização europeiaGrécia:cidadania,democracia, fil…Roma: direito,cidade, latim,impérioCristianismo:monoteísmo,dignidade humanaCivilizaçãoeuropeia
Fig. 5Fig. 5 — A Europa nasce da síntese de três legados: o grego, o romano e o cristão.
Quando o Império Romano do Ocidente se desagregou (476 d.C.), sob a pressão das invasões germânicas, foi este património que sobreviveu e se transmitiu à Idade Média. A Igreja preservou a língua latina e boa parte da cultura antiga; os reinos germânicos adotaram o direito e a religião de Roma; e a memória do Império e da Antiguidade Clássica nunca se apagou — seria reencontrada, uma e outra vez, no Renascimento, no Iluminismo e no próprio ideal europeu contemporâneo. Compreender as raízes mediterrânicas é, por isso, compreender de onde vem a Europa — e, com ela, Portugal.
Exemplo resolvido

Relacionar os legados da Antiguidade com a Europa

Um item pede que expliques por que se diz que a Europa tem «raízes mediterrânicas». Constrói uma resposta estruturada, identificando os legados grego, romano e cristão.

  1. 01Legado grego

    A cidadania, a democracia, a filosofia e a confiança na razão, nascidas na pólis (Atenas).

  2. 02Legado romano

    O direito, a cidade, o latim e as línguas românicas, a administração e a cidadania integradora do Império.

  3. 03Legado cristão

    O monoteísmo, uma moral assente na dignidade e igualdade da pessoa humana, e a Igreja como instituição unificadora.

  4. 04Sintetizar

    Concluir que a Europa nasce da fusão destes três legados mediterrânicos, transmitida através da Idade Média e reencontrada nas épocas seguintes.

Resultado: A Europa tem raízes mediterrânicas porque resulta da síntese de três legados da Antiguidade Clássica — o grego (cidadania e razão), o romano (direito, cidade e língua) e o cristão (dignidade humana e Igreja) —, que se combinaram e transmitiram a toda a história europeia posterior.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a mensagem do Cristianismo e explicar a sua difusão no Império Romano.
  • Situar o Édito de Milão (313) e o Édito de Tessalónica (380) e o seu significado.
  • Explicar a síntese dos legados grego, romano e cristão como raiz da civilização europeia.

Erros frequentes

  • Confundir o Édito de Milão (313, liberdade de culto) com a oficialização do Cristianismo (380).
  • Esquecer que o Cristianismo se difundiu dentro do Império Romano e apesar das perseguições.
  • Atribuir a raiz da Europa a um só legado, esquecendo a síntese greco-latina e cristã.

Revisão ativa

Explica de que forma a civilização europeia é herdeira, ao mesmo tempo, da Grécia, de Roma e do Cristianismo, dando um exemplo de cada legado.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1 (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O modelo ateniense: pólis, democracia e cidadania○
    • 02O modelo romano: cidade, direito e cidadania◐
    • 03O Império e a romanização; o espaço português◐
    • 04O Cristianismo e a herança clássica e cristã◐

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Dos resumos à prática

Módulo 1 — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia: Cidade, Cidadania e Império na Antiguidade Clássica

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 1

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