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Nos séculos XIII e XIV forma-se e afirma-se o reino de Portugal, no quadro de uma Europa cristã organizada em ordens sociais, senhorios e concelhos, com um poder régio em crescimento. Ao dinamismo dos séculos XIII e XIV segue-se a grande crise do século XIV — fome, Peste Negra e guerra —, que em Portugal culmina na crise de 1383-85, na vitória de Aljubarrota e na nova dinastia de Avis. Este módulo integra a disciplina e a avaliação interna, mas não faz parte do objeto de avaliação do Exame Final Nacional (Prova 623) — trata-se aqui como fundamento (ampliação).
4 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Saber as datas-chave da formação de Portugal, distinguir as ordens sociais e conhecer a crise de 1383-85 e Aljubarrota.
nível avançado
Explicar a afirmação do poder régio e a multicausalidade da crise de 1383-85 (dinástica, castelhana, social e nacional).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A formação do reino de Portugal
Explica por que os reconhecimentos de 1143 (Zamora) e de 1179 (bula papal) foram decisivos para a independência de Portugal.
Afonso VII de Leão reconheceu D. Afonso Henriques como rei: Portugal passou a ser aceite como reino pelos vizinhos, deixando de ser um simples condado.
A bula Manifestis Probatum, do papa Alexandre III, deu legitimidade religiosa ao reino; num tempo em que o Papa era a autoridade suprema da Cristandade, essa garantia protegia a independência.
Os dois reconhecimentos — do rei vizinho e do Papa — consolidaram Portugal como reino soberano, política e religiosamente legitimado.
Resultado: 1143 deu a Portugal o reconhecimento como reino pelos vizinhos, e 1179 acrescentou-lhe a legitimidade da Igreja: juntos, tornaram a independência portuguesa segura e reconhecida na Cristandade.
Erros frequentes
Revisão ativa
Ordena cronologicamente e explica o significado de: batalha de São Mamede, Tratado de Zamora, bula Manifestis Probatum e Tratado de Alcanizes.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 2 (Direção-Geral da Educação (DGE))
A sociedade de ordens medieval
Senhorio e concelho
Uma carta de foral concede aos moradores de uma vila o direito de eleger juízes locais, fixa os impostos que devem à Coroa e garante-lhes liberdades pessoais. Explica o que este documento revela sobre a organização do território.
É uma carta de foral, que institui ou reconhece um concelho, definindo os direitos e deveres dos seus moradores (os vizinhos).
A eleição de juízes e as liberdades pessoais mostram a autonomia administrativa e judicial do concelho.
Ao fixar os impostos devidos à Coroa e a dependência direta do rei, o foral liga a população ao rei — e não a um senhor —, reforçando a autoridade régia.
Resultado: A carta de foral revela a organização do território em concelhos: comunidades com liberdades e administração próprias, dependentes diretamente do rei, que a Coroa usava para povoar o território e limitar o poder dos senhores.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue senhorio de concelho, indicando de quem dependiam os seus moradores e que direitos tinham.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 2 (Direção-Geral da Educação (DGE))
A afirmação do poder régio
Explica de que forma a obra de D. Dinis (feiras, comércio, Estudo Geral, uso do português) serviu o reforço do poder do rei.
As feiras e o comércio geraram riqueza e receitas (impostos) que financiavam o rei e ligavam as populações à Coroa.
O Estudo Geral (1290) formava letrados e juristas que serviam a administração e a justiça régias, fundamentando o poder do rei em leis e em técnicos.
O uso do português na chancelaria afirmava a língua e a identidade do reino, reforçando a autoridade do rei sobre um espaço próprio.
Resultado: A obra de D. Dinis mostra como o dinamismo económico, cultural e linguístico servia a centralização: mais riqueza, mais letrados e uma língua nacional davam ao rei recursos, quadros e legitimidade para afirmar o seu poder.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica como o dinamismo económico e cultural dos séculos XIII-XIV contribuiu para a afirmação do poder régio em Portugal.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 2 (Direção-Geral da Educação (DGE))
As causas da crise de 1383-85
A crise de 1383-85 passo a passo
Uma fonte descreve 1383-85 como «uma revolução em que o povo e os mercadores levaram ao trono o Mestre de Avis»; outra fala apenas de «uma crise de sucessão resolvida em Aljubarrota». Confronta as duas leituras e toma posição fundamentada.
É verdade que houve um problema de sucessão: D. Fernando morreu sem varão e a herdeira estava ligada a Castela, o que abriu a crise.
Mas a crise teve também uma forte dimensão social (apoio da burguesia e do povo a Avis) e nacional (recusa da união com Castela), com participação popular e mudança de dinastia.
As duas leituras não se excluem: a segunda completa a primeira, mostrando que a crise foi mais do que dinástica.
A designação de «revolução» justifica-se pela amplitude social e pela mudança de dinastia, sem negar a origem dinástica do conflito.
Resultado: As duas fontes iluminam faces do mesmo processo: houve uma crise de sucessão, mas resolvida com forte participação social e sentido nacional — pelo que 1383-85 se explica melhor como uma crise com dimensão revolucionária, e não por uma causa única.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, de forma multicausal, por que a crise de 1383-85 terminou com a vitória do Mestre de Avis e a independência de Portugal.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 2 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)