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Nos séculos XV e XVI, a Expansão portuguesa e europeia abre o mundo, cria uma economia à escala planetária e desloca o eixo do comércio do Mediterrâneo para o Atlântico. Ao mesmo tempo, o Renascimento e o Humanismo renovam os valores e o saber, e a Reforma e a Contrarreforma rompem a unidade religiosa da Europa. É um módulo central do Exame Final Nacional de História A (Prova 623), que exige relacionar Portugal com o mundo e interpretar fontes sobre estes processos.
4 secções~16 min de leitura3 competênciasNível Padrão 2 · Aprofundamento 2
nível básico
Conhecer as etapas da Expansão (Ceuta 1415, Índia 1498, Brasil 1500) e caracterizar Renascimento, Reforma e Contrarreforma.
nível avançado
Explicar de forma multicausal o pioneirismo português e a economia-mundo, e confrontar fontes sobre estes processos (competência exigida na Prova 623).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
As causas da Expansão portuguesa
As etapas da Expansão (1415-1500)
Um cronista escreve que os portugueses partiram «pelo desejo de servir a Deus, alargando a fé, e de ganhar honra e proveito». Analisa a fonte, identificando os motivos que refere e relacionando-os com as causas da Expansão.
«Servir a Deus e alargar a fé» = motivo religioso; «ganhar honra» = motivo social (prestígio da nobreza); «proveito» = motivo económico (lucro).
A frase resume, na linguagem da época, as motivações mistas da Expansão: cruzada, honra e negócio andavam juntos.
A estes juntam-se as causas políticas (a Coroa) e geográficas/técnicas (Atlântico, caravela), que a fonte não menciona mas que a explicação histórica exige.
Resultado: A fonte exprime três motivos da Expansão — religioso, social e económico —, que devem ser integrados na explicação multicausal completa (com as causas políticas, geográficas e técnicas), mostrando que fé, honra e proveito se combinavam no impulso expansionista.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, mobilizando várias causas, por que foi Portugal — e não outro reino europeu — a iniciar a Expansão marítima no século XV.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))
A economia-mundo
Explica por que, no século XVI, Lisboa se tornou um grande centro do comércio europeu, enquanto o Mediterrâneo perdia importância.
As especiarias do Oriente chegavam à Europa pelo Mediterrâneo, através de intermediários árabes e das cidades italianas (Veneza, Génova).
Com o caminho marítimo para a Índia (1498), os portugueses passaram a trazer as especiarias diretamente por mar, sem intermediários.
O comércio deslocou-se para o Atlântico: Lisboa tornou-se centro de redistribuição das especiarias, e o Mediterrâneo perdeu o seu papel de eixo principal.
Resultado: Lisboa afirmou-se porque a rota atlântica para a Índia substituiu a rota mediterrânica: ao contornar os intermediários, Portugal captou o comércio das especiarias e deslocou o centro económico da Europa do Mediterrâneo para o Atlântico.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, com o conceito de economia-mundo, por que a Expansão deslocou o centro do comércio europeu do Mediterrâneo para o Atlântico.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Mentalidade medieval e mentalidade renascentista
Um autor renascentista escreve: «Nada há de mais admirável do que o homem, capaz, pela razão e pelo estudo, de tudo compreender e realizar.» Explica que valores do Renascimento e do Humanismo esta frase exprime.
«Nada há de mais admirável do que o homem» coloca o ser humano no centro — a marca antropocêntrica do Renascimento.
«Pela razão e pelo estudo... tudo compreender e realizar» exprime a fé humanista na razão, na educação e na capacidade humana.
Estes valores opõem-se ao teocentrismo medieval e associam-se à valorização da Antiguidade, da ciência e da dignidade do homem.
Resultado: A frase exprime o núcleo do Humanismo renascentista: o antropocentrismo e a confiança na razão, no estudo e na capacidade do homem — valores que rompem com a mentalidade medieval e fundam a modernidade.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o que se entende por antropocentrismo renascentista, opondo-o ao teocentrismo medieval e dando um exemplo cultural ou científico.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Reforma e Contrarreforma
A rutura da unidade cristã
Uma fonte protestante afirma que «a salvação vem só da fé, e a Bíblia basta ao crente»; um decreto do Concílio de Trento reafirma que «a salvação depende da fé e das obras, e a Igreja é guia da interpretação das Escrituras». Confronta as duas fontes, explicando o que as opõe.
Defende a justificação só pela fé e o livre exame (a Bíblia basta), rejeitando a mediação da Igreja.
Reafirma a fé e as obras e o papel da Igreja como guia da interpretação, contra o livre exame.
As fontes divergem em dois pontos decisivos: a via da salvação (só a fé vs fé e obras) e a autoridade na leitura da Bíblia (o crente vs a Igreja).
Trento é a resposta da Contrarreforma à Reforma: fixa a doutrina católica precisamente nos pontos negados pelos protestantes.
Resultado: As duas fontes exprimem os polos da rutura religiosa do século XVI: a Reforma (só a fé, livre exame) e a Contrarreforma de Trento (fé e obras, Igreja como guia) — divergência doutrinal que dividiu a Europa entre protestantes e católicos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue os princípios da Reforma protestante dos da Igreja Católica e explica em que consistiu a resposta da Contrarreforma.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)