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Resumos/História A/Módulo 3 — A Abertura Europeia ao Mundo: Mutações nos Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos Séculos XV e XVI
Resumos · História APT · Secundário

Módulo 3 — A Abertura Europeia ao Mundo: Mutações nos Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos Séculos XV e XVI

Nos séculos XV e XVI, a Expansão portuguesa e europeia abre o mundo, cria uma economia à escala planetária e desloca o eixo do comércio do Mediterrâneo para o Atlântico. Ao mesmo tempo, o Renascimento e o Humanismo renovam os valores e o saber, e a Reforma e a Contrarreforma rompem a unidade religiosa da Europa. É um módulo central do Exame Final Nacional de História A (Prova 623), que exige relacionar Portugal com o mundo e interpretar fontes sobre estes processos.

4 secções·~16 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0444 / 10
Perfil de exame
Explicar as causas, as etapas e o pioneirismo da Expansão portuguesaCaracterizar a economia-mundo e o novo quadro económicoCaracterizar o Renascimento, o Humanismo, a Reforma e a Contrarreforma
Operadores:explicarelacionacaracterizainterpretaanalisajustificadistingue

nível básico

Conhecer as etapas da Expansão (Ceuta 1415, Índia 1498, Brasil 1500) e caracterizar Renascimento, Reforma e Contrarreforma.

nível avançado

Explicar de forma multicausal o pioneirismo português e a economia-mundo, e confrontar fontes sobre estes processos (competência exigida na Prova 623).

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo 3 — A Abertura Europeia ao Mundo: Mutações nos Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos Séculos XV e XVI
    • 01A Expansão portuguesa: causas, etapas e pioneirismo◐
    • 02O novo quadro económico: a economia-mundo●
    • 03O Renascimento e o Humanismo◐
    • 04A Reforma e a Contrarreforma●
§ 01

A Expansão portuguesa: causas, etapas e pioneirismo#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-3

Pontos-chave

A Expansão portuguesa, iniciada em 1415, foi um dos acontecimentos que mudaram o mundo, e explica-se por um conjunto de causas de várias naturezas (ver Fig. 1) — a análise multicausal é aqui essencial. Havia causas económicas (a procura de ouro, de especiarias e de novos mercados, e a falta de cereais e de metais preciosos no reino); causas sociais (a nobreza, terminada a Reconquista, procurava novas fontes de rendimento e prestígio; a burguesia, o lucro; o povo, terra e trabalho); causas políticas (a Coroa queria reforçar o seu poder, o prestígio e as receitas); causas religiosas (o ideal de cruzada contra o Islão e de difusão do Cristianismo, e o mito do Preste João); e causas geográficas e técnicas (a posição atlântica de Portugal e os progressos náuticos).

As causas da Expansão portuguesa

Causas da ExpansãoGrafo, Económicas (ouro, especiarias, mercados) → Expansão portuguesa, Sociais (nobreza, burguesia, povo) → Expansão portuguesa, Políticas (poder e receitas da Coroa) → Expansão portuguesa, Religiosas (cruzada, Preste João) → Expansão portuguesa, Geográficas e técnicas (Atlântico, caravela) → Expansão portuguesaEconómicas(ouro,especiarias, me…Sociais(nobreza,burguesia, povo)Políticas (podere receitas daCoroa)Religiosas(cruzada, PresteJoão)Geográficas etécnicas(Atlântico, car…Expansãoportuguesa
Fig. 1Fig. 1 — A Expansão explica-se pela convergência de causas de várias naturezas.
O pioneirismo português explica-se por condições favoráveis que Portugal reunia antes dos outros. Fora o primeiro reino ibérico a concluir a Reconquista e a fixar fronteiras, e vivia, após a crise de 1383-85, em paz interna e com um poder régio consolidado. A sua posição geográfica, na fachada atlântica da Europa, e uma longa experiência marítima e pesqueira davam-lhe vantagem. A tudo isto se juntaram o apoio da Coroa e da nobreza (com o papel organizador do Infante D. Henrique) e o desenvolvimento de meios técnicos — a caravela, a bússola, o astrolábio, o quadrante e uma cartografia cada vez mais rigorosa.
A Expansão desenvolveu-se por etapas ao longo do século XV e início do XVI (ver Fig. 2). Começou com a conquista de Ceuta (1415), no Norte de África; prosseguiu com a exploração metódica da costa africana (a passagem do Cabo Bojador, 1434, por Gil Eanes, quebrou o medo do mar tenebroso), o povoamento dos arquipélagos atlânticos (Madeira, Açores) e a instalação de feitorias (Arguim, São Jorge da Mina, 1482). Deu um salto decisivo quando Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança (1488), mostrando que era possível contornar África.

As etapas da Expansão (1415-1500)

A ExpansãoLinha do tempo de 1410 a 1505, 1415: Ceuta, 1434: Cabo Bojador (Gil Eanes), 1482: São Jorge da Mina, 1488: Cabo da Boa Esperança (Dias), 1494: Tratado de Tordesilhas, 1498: Índia (Vasco da Gama), 1500: Brasil (Cabral)14101505ano1415Ceuta1434Cabo Bojador(Gil Eanes)1482São Jorge daMina1488Cabo da BoaEsperança (Dias)1494Tratado deTordesilhas1498Índia (Vasco daGama)1500Brasil (Cabral)
Fig. 2Fig. 2 — As grandes etapas da Expansão portuguesa, de Ceuta (1415) ao Brasil (1500).
O ciclo culminou na abertura das grandes rotas oceânicas. Antes disso, o Tratado de Tordesilhas (1494) dividiu o mundo a descobrir entre Portugal e Castela por um meridiano a 370 léguas de Cabo Verde — um documento notável, que repartiu oceanos e continentes ainda por conhecer. Em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia (Calecute), abrindo o caminho marítimo que ligou diretamente a Europa à Ásia; e, em 1500, Pedro Álvares Cabral aportou ao Brasil. Portugal montou então um império marítimo e comercial que se estendia de África ao Brasil e ao Oriente — o Estado da Índia —, à frente de toda a Europa.
Exemplo resolvido

Analisar uma fonte sobre os motivos da Expansão

Um cronista escreve que os portugueses partiram «pelo desejo de servir a Deus, alargando a fé, e de ganhar honra e proveito». Analisa a fonte, identificando os motivos que refere e relacionando-os com as causas da Expansão.

  1. 01Identificar os motivos na fonte

    «Servir a Deus e alargar a fé» = motivo religioso; «ganhar honra» = motivo social (prestígio da nobreza); «proveito» = motivo económico (lucro).

  2. 02Contextualizar

    A frase resume, na linguagem da época, as motivações mistas da Expansão: cruzada, honra e negócio andavam juntos.

  3. 03Relacionar com a multicausalidade

    A estes juntam-se as causas políticas (a Coroa) e geográficas/técnicas (Atlântico, caravela), que a fonte não menciona mas que a explicação histórica exige.

Resultado: A fonte exprime três motivos da Expansão — religioso, social e económico —, que devem ser integrados na explicação multicausal completa (com as causas políticas, geográficas e técnicas), mostrando que fé, honra e proveito se combinavam no impulso expansionista.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar, de forma multicausal, as causas da Expansão (económicas, sociais, políticas, religiosas, geográficas e técnicas).
  • Justificar o pioneirismo português com as condições que o reino reunia.
  • Ordenar e situar as grandes etapas (Ceuta 1415, Boa Esperança 1488, Tordesilhas 1494, Índia 1498, Brasil 1500).

Erros frequentes

  • Reduzir as causas da Expansão a uma só (por exemplo, «as especiarias»), quando são múltiplas.
  • Confundir Bartolomeu Dias (Cabo da Boa Esperança, 1488) com Vasco da Gama (Índia, 1498).
  • Trocar as datas de referência (Ceuta 1415; Índia 1498; Brasil 1500) ou o sentido de Tordesilhas (1494).

Revisão ativa

Explica, mobilizando várias causas, por que foi Portugal — e não outro reino europeu — a iniciar a Expansão marítima no século XV.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O novo quadro económico: a economia-mundo#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-3

Pontos-chave

A Expansão transformou profundamente a economia. Pela primeira vez, o comércio passou a fazer-se à escala planetária: produtos, metais, plantas, animais e pessoas circulavam entre a Europa, a África, a Ásia e a América, ligando continentes que se ignoravam. Estabeleceu-se uma verdadeira economia-mundo — um sistema económico à escala global, organizado em três zonas (ver Fig. 3): um centro (a Europa ocidental, que domina, transforma e lucra), uma semiperiferia e uma periferia (as regiões que fornecem matérias-primas e produtos, muitas vezes sob domínio ou dependência). Nasce, com ela, o capitalismo comercial, assente na acumulação de capital, na banca, nos seguros e nas grandes companhias.

A economia-mundo

Economia-mundocírculos concêntricos, 3 anéis, Dados: Centro, Centro: Europa ocidental (Lisboa, Antuérpia), Semiperiferia, Periferia: colónias e regiões fornecedorasPeriferia: colónias e regiões fornecedorasSemiperiferiaCentro: Europa ocidental (Lisboa, Antuérpia)Centro
Fig. 3Fig. 3 — A economia-mundo organiza-se num centro que domina e numa periferia que fornece.
A grande consequência geográfica foi a deslocação do eixo do comércio do Mediterrâneo para o Atlântico. Durante séculos, as riquezas do Oriente tinham chegado à Europa pelo Mediterrâneo, controlado por árabes e por cidades italianas como Veneza e Génova. Com o caminho marítimo para a Índia, os portugueses passaram a trazer as especiarias diretamente por mar, contornando os intermediários. Lisboa tornou-se um dos grandes centros do comércio mundial, e, mais tarde, Antuérpia (nos Países Baixos) afirmou-se como o grande mercado europeu de redistribuição. O Atlântico substituiu o Mediterrâneo como principal via do comércio.
Portugal organizou este comércio num sistema de monopólio régio: a Coroa controlava diretamente o negócio das especiarias e do ouro através de instituições como a Casa da Índia e a Casa da Guiné, que centralizavam as mercadorias e as receitas. A pimenta e outras especiarias do Oriente, o ouro e os escravos de África, e, mais tarde, o açúcar do Brasil e das ilhas, geraram enormes lucros. Mas a riqueza da Expansão era frágil: dependia das rotas longínquas e perigosas, e boa parte era gasta em importações e em guerra, sem alimentar uma produção interna sólida.
A abertura do mundo teve ainda um efeito económico duradouro: a chamada revolução dos preços. A chegada maciça de metais preciosos — sobretudo a prata da América (das minas como Potosí, a partir de meados do século XVI) — aumentou enormemente a quantidade de moeda em circulação na Europa, provocando uma inflação prolongada, isto é, uma subida geral e continuada dos preços ao longo do século XVI. Este fenómeno, mal compreendido na época, beneficiou uns (mercadores, produtores) e prejudicou outros (assalariados, rendeiros de rendas fixas), e é um exemplo de como a Expansão reorganizou toda a economia europeia.
Exemplo resolvido

Explicar a deslocação do eixo económico

Explica por que, no século XVI, Lisboa se tornou um grande centro do comércio europeu, enquanto o Mediterrâneo perdia importância.

  1. 01O sistema antigo

    As especiarias do Oriente chegavam à Europa pelo Mediterrâneo, através de intermediários árabes e das cidades italianas (Veneza, Génova).

  2. 02A mudança

    Com o caminho marítimo para a Índia (1498), os portugueses passaram a trazer as especiarias diretamente por mar, sem intermediários.

  3. 03A consequência

    O comércio deslocou-se para o Atlântico: Lisboa tornou-se centro de redistribuição das especiarias, e o Mediterrâneo perdeu o seu papel de eixo principal.

Resultado: Lisboa afirmou-se porque a rota atlântica para a Índia substituiu a rota mediterrânica: ao contornar os intermediários, Portugal captou o comércio das especiarias e deslocou o centro económico da Europa do Mediterrâneo para o Atlântico.

Foco no Exame Nacional

  • Definir economia-mundo (centro, semiperiferia, periferia) e caracterizar o capitalismo comercial.
  • Explicar a deslocação do eixo económico do Mediterrâneo para o Atlântico e o papel de Lisboa e Antuérpia.
  • Explicar a revolução dos preços (afluxo de metais americanos, inflação) como consequência da Expansão.

Erros frequentes

  • Confundir «economia-mundo» (sistema à escala global) com «economia mundial» de hoje ou com globalização.
  • Julgar que a riqueza da Expansão gerou uma indústria sólida em Portugal (era frágil e dependente das rotas).
  • Não relacionar a revolução dos preços com o afluxo de prata da América.

Revisão ativa

Explica, com o conceito de economia-mundo, por que a Expansão deslocou o centro do comércio europeu do Mediterrâneo para o Atlântico.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O Renascimento e o Humanismo#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-3

Pontos-chave

Ao mesmo tempo que se abria o mundo, mudavam também os valores e o modo de pensar. O Renascimento foi o grande movimento cultural que, nascido na Itália nos séculos XIV-XV e difundido pela Europa nos séculos XV-XVI, renovou as artes, as letras e a mentalidade. A sua marca essencial é o antropocentrismo: o homem, e não Deus, passa a estar no centro das preocupações — em contraste com o teocentrismo medieval (ver Fig. 4). Valoriza-se a vida terrena, a razão, a beleza, a glória e a capacidade do ser humano de conhecer e transformar o mundo.

Mentalidade medieval e mentalidade renascentista

Medieval vs renascentistaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Mentalidade medieval · Mentalidade renascentista; Centro · Deus (teocentrismo) · O homem (antropocentrismo); Modelo · A tradição e a religião · A Antiguidade Clássica; Saber · Autoridade e fé · Razão, observação e experiência; Vida terrena · Preparação para a salvação · Valorizada; glória e realização, célula destacada: O homem (antropocentrismo)ASPETOMENTALIDADE MEDIEVALMENTALIDADERENASCENTISTACENTRODeus (teocentrismo)O homem (antropocentrismo)MODELOA tradição e a religiãoA Antiguidade ClássicaSABERAutoridade e féRazão, observação eexperiênciaVIDA TERRENAPreparação para a salvaçãoValorizada; glória erealização
Fig. 4Fig. 4 — Do teocentrismo medieval ao antropocentrismo renascentista.
O Renascimento fez-se pela redescoberta e imitação da Antiguidade Clássica greco-latina, tomada como modelo de perfeição. É essa admiração pelos antigos que dá o nome ao movimento — o «renascer» da cultura clássica. No plano intelectual, o Renascimento manifestou-se sobretudo no Humanismo: uma corrente que colocava o ser humano (studia humanitatis) no centro do estudo, valorizava as línguas e os textos clássicos, cultivava o espírito crítico e a curiosidade, e acreditava na educação e na dignidade do homem. A grande figura europeia do Humanismo foi Erasmo de Roterdão; em Portugal, destacaram-se humanistas como Damião de Góis e André de Resende.
O novo espírito estimulou também a ciência. Renascia a confiança na observação, na experiência e na razão para compreender a natureza, em vez da simples autoridade dos antigos textos. É neste clima que Nicolau Copérnico propõe o heliocentrismo (a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário), iniciando a revolução científica que se prolongaria nos séculos seguintes. A curiosidade renascentista, aliada à experiência acumulada pelos navegadores, alargou enormemente o conhecimento do mundo — a própria Expansão foi, também ela, uma extraordinária aventura de saber.
A difusão destas ideias foi tornada possível por uma invenção decisiva: a imprensa de tipos móveis, aperfeiçoada por Gutenberg por volta de 1450. Pela primeira vez, os livros podiam ser produzidos em grande número e a baixo custo, em vez de copiados à mão. A imprensa multiplicou a circulação de textos clássicos, científicos e religiosos, acelerou a difusão do Humanismo e viria a ser fundamental para a Reforma. O Renascimento é, assim, um tempo de abertura — do mundo, do saber e do próprio homem —, e um dos fundamentos da modernidade europeia.
Exemplo resolvido

Interpretar uma fonte humanista

Um autor renascentista escreve: «Nada há de mais admirável do que o homem, capaz, pela razão e pelo estudo, de tudo compreender e realizar.» Explica que valores do Renascimento e do Humanismo esta frase exprime.

  1. 01Antropocentrismo

    «Nada há de mais admirável do que o homem» coloca o ser humano no centro — a marca antropocêntrica do Renascimento.

  2. 02Confiança na razão e no saber

    «Pela razão e pelo estudo... tudo compreender e realizar» exprime a fé humanista na razão, na educação e na capacidade humana.

  3. 03Contextualizar

    Estes valores opõem-se ao teocentrismo medieval e associam-se à valorização da Antiguidade, da ciência e da dignidade do homem.

Resultado: A frase exprime o núcleo do Humanismo renascentista: o antropocentrismo e a confiança na razão, no estudo e na capacidade do homem — valores que rompem com a mentalidade medieval e fundam a modernidade.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o Renascimento (antropocentrismo, regresso à Antiguidade) e opô-lo à mentalidade medieval (teocentrismo).
  • Definir Humanismo e identificar figuras (Erasmo; em Portugal, Damião de Góis, André de Resende).
  • Explicar o papel da imprensa (Gutenberg, c. 1450) e da ciência (Copérnico) na renovação cultural.

Erros frequentes

  • Confundir Renascimento (movimento cultural) com Reforma (movimento religioso).
  • Reduzir o Renascimento à arte, esquecendo o Humanismo, a ciência e a imprensa.
  • Atribuir a invenção da imprensa a outra época ou não perceber o seu papel na difusão das ideias.

Revisão ativa

Explica o que se entende por antropocentrismo renascentista, opondo-o ao teocentrismo medieval e dando um exemplo cultural ou científico.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A Reforma e a Contrarreforma#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-3

Pontos-chave

O século XVI foi também o da grande rutura religiosa da Europa: a Reforma protestante. Em 1517, o monge alemão Martinho Lutero afixou as suas 95 teses, protestando contra a venda de indulgências (o «perdão» dos pecados a troco de dinheiro) e outros abusos da Igreja. O gesto desencadeou um movimento que dividiu a Cristandade ocidental. As causas foram múltiplas: os abusos e a mundanização do clero, o desejo de uma fé mais pessoal, o espírito crítico do Humanismo, a difusão de ideias pela imprensa e os interesses de príncipes e Estados que viam na Reforma um meio de se libertarem da tutela de Roma.
A doutrina protestante rompia com a Igreja Católica em pontos essenciais: a justificação pela fé (a salvação vem da fé, e não das obras ou das indulgências), a autoridade única da Bíblia (o livre exame, cada crente a interpreta) e o sacerdócio de todos os crentes (rejeitando a hierarquia e a autoridade do Papa). Do luteranismo, difundido na Alemanha e no Norte da Europa, saíram outras correntes: o calvinismo de João Calvino (com a doutrina da predestinação, difundido na Suíça, na França, nos Países Baixos e na Escócia) e o anglicanismo, criado em Inglaterra por Henrique VIII por motivos sobretudo políticos.
A Igreja Católica respondeu com a Contrarreforma (ou Reforma Católica), um vasto movimento de reafirmação e renovação (ver Fig. 5). O seu momento central foi o Concílio de Trento (1545-1563), que reafirmou os dogmas católicos (os sete sacramentos, o valor das obras, a autoridade do Papa e da Tradição a par da Bíblia), condenou os abusos, disciplinou o clero e criou os seminários. Criaram-se instrumentos de defesa e difusão da fé: o Index (lista de livros proibidos), a Inquisição (tribunal contra a heresia, ativo também em Portugal) e a Companhia de Jesus (os jesuítas, fundada por Inácio de Loyola em 1540), que se dedicou ao ensino e às missões, incluindo no Oriente e no Brasil.

Reforma e Contrarreforma

Reforma vs ContrarreformaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Reforma protestante · Contrarreforma católica; Autoridade · Só a Bíblia; rejeita o Papa · O Papa e a Tradição, a par da Bíblia; Salvação · Justificação só pela fé · Pela fé e pelas obras; Leitura da Bíblia · Livre exame de cada crente · Interpretação orientada pela Igreja; Instrumentos · Difusão pela imprensa; pastores · Trento, Index, Inquisição, jesuítas, célula destacada: Justificação só pela féASPETOREFORMA PROTESTANTECONTRARREFORMACATÓLICAAUTORIDADESó a Bíblia; rejeita o PapaO Papa e a Tradição, a parda BíbliaSALVAÇÃOJustificação só pela féPela fé e pelas obrasLEITURA DA BÍBLIALivre exame de cada crenteInterpretação orientada pelaIgrejaINSTRUMENTOSDifusão pela imprensa;pastoresTrento, Index, Inquisição,jesuítas
Fig. 5Fig. 5 — Os pontos essenciais que opõem a Reforma protestante à Contrarreforma católica.
A consequência maior foi a rutura definitiva da unidade religiosa da Europa (ver Fig. 6). A Cristandade ocidental, que a Idade Média conhecera unida sob Roma, dividiu-se: um Norte tendencialmente protestante e um Sul católico, entre eles a Inglaterra anglicana. Desta fratura nasceram tensões e guerras de religião que ensanguentaram a Europa durante mais de um século (culminando na Guerra dos Trinta Anos, 1618-1648). Portugal, país da Contrarreforma, manteve-se firmemente católico, com um papel destacado dos jesuítas e da Inquisição. Compreender esta rutura é indispensável para entender toda a história europeia posterior.

A rutura da unidade cristã

A divisão religiosa da EuropaGrafo, Igreja católica medieval (unidade) → Luteranismo, Igreja católica medieval (unidade) → Calvinismo, Igreja católica medieval (unidade) → Anglicanismo, Luteranismo → Rutura da unidade cristã, Calvinismo → Rutura da unidade cristã, Anglicanismo → Rutura da unidade cristãIgreja católicamedieval(unidade)LuteranismoCalvinismoAnglicanismoRutura daunidade cristã
Fig. 6Fig. 6 — Da unidade medieval à Europa religiosamente dividida.
Exemplo resolvido

Confrontar duas fontes sobre a Reforma

Uma fonte protestante afirma que «a salvação vem só da fé, e a Bíblia basta ao crente»; um decreto do Concílio de Trento reafirma que «a salvação depende da fé e das obras, e a Igreja é guia da interpretação das Escrituras». Confronta as duas fontes, explicando o que as opõe.

  1. 01A posição protestante

    Defende a justificação só pela fé e o livre exame (a Bíblia basta), rejeitando a mediação da Igreja.

  2. 02A posição católica (Trento)

    Reafirma a fé e as obras e o papel da Igreja como guia da interpretação, contra o livre exame.

  3. 03O que as opõe

    As fontes divergem em dois pontos decisivos: a via da salvação (só a fé vs fé e obras) e a autoridade na leitura da Bíblia (o crente vs a Igreja).

  4. 04Contextualizar

    Trento é a resposta da Contrarreforma à Reforma: fixa a doutrina católica precisamente nos pontos negados pelos protestantes.

Resultado: As duas fontes exprimem os polos da rutura religiosa do século XVI: a Reforma (só a fé, livre exame) e a Contrarreforma de Trento (fé e obras, Igreja como guia) — divergência doutrinal que dividiu a Europa entre protestantes e católicos.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar as causas da Reforma e distinguir os seus princípios (justificação pela fé, livre exame) do catolicismo.
  • Caracterizar a Contrarreforma (Concílio de Trento, Index, Inquisição, Companhia de Jesus).
  • Relacionar Reforma e Contrarreforma com a rutura da unidade religiosa e situar Portugal como país da Contrarreforma.

Erros frequentes

  • Confundir Reforma (protestante) com Contrarreforma (resposta católica).
  • Atribuir o anglicanismo a motivos doutrinais, quando foi sobretudo político (Henrique VIII).
  • Esquecer que Portugal foi um país da Contrarreforma (jesuítas, Inquisição, Concílio de Trento).

Revisão ativa

Distingue os princípios da Reforma protestante dos da Igreja Católica e explica em que consistiu a resposta da Contrarreforma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3 (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A Expansão portuguesa: causas, etapas e pioneirismo◐
    • 02O novo quadro económico: a economia-mundo●
    • 03O Renascimento e o Humanismo◐
    • 04A Reforma e a Contrarreforma●

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Dos resumos à prática

Módulo 3 — A Abertura Europeia ao Mundo: Mutações nos Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos Séculos XV e XVI

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Referências e fontes

Fontes

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  • Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 3

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