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Nos séculos XVII e XVIII vigora o Antigo Regime: uma sociedade de ordens, uma economia mercantilista e a monarquia absoluta — de que Luís XIV é o modelo —, a que se opõe já o parlamentarismo inglês. O comércio colonial e triangular, assente na escravatura, e o ouro do Brasil enriquecem a Europa e sustentam a arte barroca; em Portugal, o reformismo pombalino ensaia a modernização. Este módulo integra a disciplina e a avaliação interna, mas não faz parte do objeto de avaliação do Exame Final Nacional (Prova 623) — trata-se aqui como fundamento (ampliação).
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3
nível básico
Saber o que foram o Antigo Regime, o absolutismo, o mercantilismo e o pombalismo.
nível avançado
Comparar absolutismo e parlamentarismo e explicar o comércio triangular e o reformismo pombalino — bases para compreender o Liberalismo (Módulo 5).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A sociedade de ordens do Antigo Regime
Um caderno de queixas afirma: «Enquanto o clero e a nobreza nada pagam, é o terceiro estado quem sustenta, com os seus impostos, todo o peso do Estado.» Explica o que esta fonte revela sobre a sociedade do Antigo Regime.
A fonte denuncia a isenção fiscal dos privilegiados (clero e nobreza) e a sobrecarga do terceiro estado.
Revela a sociedade de ordens: as ordens dividem-se juridicamente entre privilegiadas e não privilegiada, com direitos desiguais.
Queixas como esta, no final do século XVIII, exprimem o descontentamento que alimentaria a Revolução Francesa e o fim do Antigo Regime.
Resultado: A fonte revela a injustiça fiscal e jurídica da sociedade de ordens: os privilegiados não pagavam, e o terceiro estado sustentava o Estado — desigualdade que, no fim do Antigo Regime, se tornaria um dos motores da Revolução.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a burguesia, sendo por vezes rica, fazia parte do terceiro estado, e por que isso gerava tensão no Antigo Regime.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 4 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Absolutismo francês e parlamentarismo inglês
Bossuet escreve que «o trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus», e que o rei só a Deus deve contas. Explica que forma de poder esta ideia justifica e por que se opõe ao modelo inglês.
É a teoria do direito divino: o poder do rei vem de Deus, pelo que a sua autoridade é sagrada e ilimitada perante os homens.
Justifica o absolutismo: se o rei só a Deus deve contas, não tem de partilhar o poder com nenhuma assembleia nem de o limitar por lei.
No parlamentarismo inglês, ao contrário, o poder do rei é limitado por lei e pelo Parlamento (Bill of Rights, 1689): o rei responde perante a nação, não só perante Deus.
Resultado: A frase de Bossuet fundamenta o absolutismo pelo direito divino (o rei recebe o poder de Deus e é ilimitado), o oposto do modelo inglês, em que o rei está submetido à lei e ao Parlamento — os dois polos do poder no Antigo Regime.
Erros frequentes
Revisão ativa
Compara o poder do rei no absolutismo francês e na monarquia parlamentar inglesa, indicando quem faz as leis em cada caso.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 4 (Direção-Geral da Educação (DGE))
O comércio triangular
Um ministro do século XVII defende que o país deve «vender muito ao estrangeiro e comprar-lhe pouco, proteger as suas manufaturas e tirar das colónias tudo o que precisa». Identifica a doutrina económica e explica os seus princípios.
É o mercantilismo, a política económica dominante no Antigo Regime.
«Vender muito e comprar pouco» = manter uma balança comercial favorável, para acumular metais preciosos.
«Proteger as manufaturas» = protecionismo; «tirar das colónias o que precisa» = usar as colónias como fonte de matérias-primas e mercado reservado.
Resultado: A fonte exprime o mercantilismo: acumular metais preciosos através de uma balança comercial favorável, do protecionismo e da exploração das colónias — a doutrina que enquadrava o comércio colonial e triangular do Antigo Regime.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o funcionamento do comércio triangular e o papel da escravatura, relacionando-o com a doutrina mercantilista.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 4 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os séculos XVII-XVIII e o reformismo pombalino
Explica por que a ação de Pombal — que reconstruiu Lisboa de forma racional, reformou o ensino e as ciências, mas expulsou os jesuítas e reprimiu a nobreza com poder absoluto — se designa por «despotismo esclarecido».
Pombal promoveu reformas inspiradas na razão e no progresso: a Baixa racional, a modernização do ensino e das ciências, o desenvolvimento económico.
Fê-lo com poder absoluto e métodos autoritários — expulsando os jesuítas, reprimindo a nobreza —, sem partilhar nem limitar o poder do rei.
Combina, assim, ideias iluministas com o absolutismo: reforma «de cima», em nome do progresso, mas para reforçar o Estado e o rei.
Resultado: A ação de Pombal é despotismo esclarecido porque une o espírito reformador e racional do Iluminismo a um poder absoluto e autoritário: moderniza o país, mas ao serviço do reforço da monarquia, sem abrir mão do poder absoluto.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que o reformismo pombalino se classifica como «despotismo esclarecido», relacionando os seus métodos com os seus objetivos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 4 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)