EuraStudy
Resumos/História A/Módulo Inicial — Estudar/Aprender História
Resumos · História APT · Secundário

Módulo Inicial — Estudar/Aprender História

O Módulo Inicial ensina o método da disciplina: o que são as fontes históricas e como se criticam, como se organiza e mede o tempo (cronologia, periodização e durações) e como se explica o passado pela multicausalidade, distinguindo continuidades de ruturas. É a «caixa de ferramentas» que se usará em todos os módulos seguintes. Este módulo integra a disciplina e a avaliação interna, mas não faz parte do objeto de avaliação do Exame Final Nacional (Prova 623) — trata-se aqui como fundamento (ampliação).

4 secções·~18 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0111 / 10
Perfil de exame
Identificar, distinguir e criticar tipos de fontes históricasSituar no tempo: cronologia, periodização e as durações históricasExplicar processos históricos pela multicausalidade e distinguir continuidade de ruturaAmpliação — fora do Exame Nacional (Prova 623); conteúdo de avaliação interna e método transversal
Operadores:identificadistingueexplicarelacionainterpretajustificacomenta

nível básico

Saber o que é uma fonte, distinguir fonte primária de secundária, contar séculos e usar os conceitos de causa/consequência e continuidade/rutura.

nível avançado

Aplicar a crítica das fontes (autenticidade, credibilidade, facto/opinião) e a multicausalidade a documentos concretos — o método que o Exame 623 exige nos módulos avaliáveis.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

Tamanho do texto: Padrão

Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo Inicial — Estudar/Aprender História
    • 01As fontes históricas e a sua tipologia○
    • 02A crítica das fontes: da fonte ao facto◐
    • 03O tempo histórico: cronologia, periodização e durações◐
    • 04Explicar em História: multicausalidade, continuidade e rutura●
§ 01

As fontes históricas e a sua tipologia#

●○○BaseLPAE-hist-a-modulo-inicial

Pontos-chave

A História é a ciência que estuda o passado das sociedades humanas no tempo. Distingue-se do próprio passado: o passado aconteceu uma só vez e desapareceu; a História é o conhecimento que dele construímos hoje, a partir dos vestígios que sobreviveram. O profissional que faz esse trabalho é o historiador, e a matéria-prima com que trabalha são as fontes históricas — todos os testemunhos deixados pelos homens do passado, voluntária ou involuntariamente, a partir dos quais é possível reconstituir e compreender o que aconteceu. Sem fontes não há História: onde não há qualquer vestígio, há apenas silêncio (por isso se chama Pré-História ao tempo anterior à escrita, conhecido só por vestígios materiais).
As fontes classificam-se, quanto ao suporte, em vários tipos (ver Fig. 1). As fontes escritas — leis, tratados, crónicas, cartas, jornais, registos paroquiais — foram durante muito tempo as mais valorizadas, e é a partir delas que se convencionou fazer começar a História. As fontes materiais ou arqueológicas — edifícios, ferramentas, moedas, cerâmica, ossadas — são fundamentais sobretudo onde a escrita falta ou é escassa. As fontes iconográficas — pinturas, gravuras, fotografias, cartazes — dão imagem ao passado. As fontes orais — testemunhos, tradições, entrevistas — são preciosas para a história recente. Juntam-se-lhes as fontes estatísticas e cartográficas (censos, mapas) e, hoje, as audiovisuais e digitais.

Tipos de fontes históricas quanto ao suporte

Tipologia das fontes por suporteroda segmentada, 6 segmentos, Dados: Fontes, Escritas, Materiais, Iconográficas, Orais, Estatísticas, AudiovisuaisEscritasleis, crónicas, cartasMateriaisarqueológicasIconográficaspintura, fotoOraistestemunhosEstatísticascensos, mapasAudiovisuaisdigitaisFontes
Fig. 1Fig. 1 — As fontes classificam-se, quanto ao suporte, em vários tipos; o historiador cruza-os entre si.
Uma segunda classificação, transversal à anterior, distingue as fontes quanto à proximidade em relação ao facto (ver Fig. 2). A fonte primária (ou direta) é contemporânea do acontecimento que testemunha, produzida no próprio tempo ou por quem o viveu: um decreto do rei, a ata de uma reunião, uma fotografia da época, o diário de um soldado. A fonte secundária (ou indireta) foi elaborada mais tarde, por quem estudou o acontecimento sem o ter vivido: um manual escolar, um livro de História, um documentário. A mesma classificação é relativa ao objeto de estudo — um livro de História do século XIX é fonte secundária para os factos que narra, mas fonte primária para o estudo da mentalidade do seu próprio tempo.

Fonte primária e fonte secundária

Primária vs secundáriaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Critério · Fonte primária (direta) · Fonte secundária (indireta); Relação com o facto · Contemporânea do acontecimento · Elaborada mais tarde; Autoria · Quem viveu ou observou o facto · Quem o estudou depois; Exemplos · Decreto, ata, diário, fotografia da época · Manual, ensaio de História, documentário; Uso · Reconstituir o facto · Interpretar e sintetizar o já estudado, célula destacada: Contemporânea do acontecimentoCRITÉRIOFONTE PRIMÁRIA(DIRETA)FONTE SECUNDÁRIA(INDIRETA)RELAÇÃO COM OFACTOContemporânea doacontecimentoElaborada mais tardeAUTORIAQuem viveu ou observou ofactoQuem o estudou depoisEXEMPLOSDecreto, ata, diário,fotografia da épocaManual, ensaio de História,documentárioUSOReconstituir o factoInterpretar e sintetizar ojá estudado
Fig. 2Fig. 2 — A distinção primária/secundária assenta na contemporaneidade face ao facto estudado.
Distinguir bem os tipos de fontes é essencial, porque cada um se lê de maneira diferente e responde a perguntas diferentes. O historiador raramente se contenta com uma só: cruza fontes de vários tipos e origens para compensar os limites e os enviesamentos de cada uma. Uma crónica oficial diz o que o poder quis registar; um vestígio arqueológico revela o quotidiano que ninguém escreveu; um testemunho oral traz a voz dos que não deixaram documentos. É desta combinação crítica de testemunhos que nasce um conhecimento sólido — e é por isso que o alargamento do conceito de fonte, no século XX, a tudo o que o homem produziu (e não só aos documentos escritos), ampliou enormemente aquilo que a História pode saber.
Exemplo resolvido

Classificar uma fonte

Um estudante encontra, no arquivo municipal, o original de uma carta de foral concedida por D. Afonso Henriques a uma vila, com o selo régio. Classifica esta fonte quanto ao suporte e quanto à sua relação com o facto, justificando.

  1. 01Quanto ao suporte

    É uma fonte escrita (um documento em pergaminho), reforçada por um elemento material — o selo régio, que atesta a autenticidade e é, ele próprio, um vestígio material.

  2. 02Quanto à relação com o facto

    É uma fonte primária (direta): foi produzida no próprio tempo do acontecimento (a concessão do foral) e pela autoridade que o praticou (a chancelaria régia).

  3. 03Justificar o valor

    Sendo original e contemporânea, é um testemunho de primeira ordem para estudar a organização dos concelhos e o poder régio medieval; ainda assim, deve ser cruzada com outras fontes para se avaliar o seu alcance real.

Resultado: Trata-se de uma fonte escrita (com suporte material no selo) e primária, por ser contemporânea do facto e emanada de quem o praticou — um testemunho direto e de grande valor para o estudo dos forais e do poder régio.

Foco no Exame Nacional

  • Definir fonte histórica e classificá-la quanto ao suporte (escrita, material, iconográfica, oral).
  • Distinguir fonte primária de fonte secundária, justificando com o critério da contemporaneidade.
  • Foco (avaliação interna): reconhecer que a classificação primária/secundária é relativa ao objeto de estudo.

Erros frequentes

  • Confundir «passado» com «História» (a História é o conhecimento construído sobre o passado, não o passado em si).
  • Julgar que só os documentos escritos são fontes (também o são os vestígios materiais, iconográficos e orais).
  • Tomar toda a fonte antiga por primária: a antiguidade não define a fonte — define-a a contemporaneidade face ao facto estudado.

Revisão ativa

Indica, para três objetos à tua escolha (por exemplo, uma moeda romana, um manual de História e uma fotografia de 1974), o tipo de fonte quanto ao suporte e se é primária ou secundária, justificando.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A crítica das fontes: da fonte ao facto#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-inicial

Pontos-chave

Uma fonte não é a verdade: é um testemunho que é preciso interrogar. O historiador não copia o que a fonte diz — submete-a à crítica das fontes, o conjunto de operações que permite passar, com segurança, do documento ao facto histórico (ver Fig. 3). Esta crítica desenvolve-se em dois planos. A crítica externa (ou de autenticidade) pergunta se a fonte é o que parece ser: quem a produziu, quando, onde, se é original ou cópia, se não é um falso. A crítica interna (ou de credibilidade) pergunta o que a fonte vale como testemunho: o que diz, o que quis dizer, o que omite e até que ponto merece confiança.

Da fonte ao facto: os passos da crítica

A crítica das fontesGrafo, Fonte → Crítica externa (autenticidade), Crítica externa (autenticidade) → Crítica interna (credibilidade), Crítica interna (credibilidade) → Facto / opinião, Facto / opinião → Cruzamento de fontes, Cruzamento de fontes → Facto histórico fundamentadoFonteCrítica externa(autenticidade)Crítica interna(credibilidade)Facto / opiniãoCruzamento defontesFacto históricofundamentado
Fig. 3Fig. 3 — A crítica das fontes conduz, passo a passo, do documento ao facto histórico.
O núcleo da crítica interna é distinguir o facto da opinião. O facto é aquilo que se pode verificar e datar («em 1415 os portugueses tomaram Ceuta»); a opinião é um juízo, uma interpretação, uma tomada de posição de quem escreve («Ceuta foi uma conquista gloriosa»). Toda a fonte tem um autor, com uma posição social, interesses e intenções — e, portanto, um ponto de vista. Uma crónica encomendada pelo rei tende a engrandecê-lo; um panfleto de oposição tende a denegri-lo. Reconhecer a intencionalidade e a subjetividade da fonte não a desqualifica: pelo contrário, saber quem fala, a quem e para quê é parte essencial da sua compreensão.
Porque nenhuma fonte é neutra nem completa, a regra de ouro do método histórico é o cruzamento de fontes: confrontar vários testemunhos, de origens e naturezas diferentes, sobre o mesmo acontecimento. Onde concordam, ganha-se confiança; onde divergem, procura-se a razão da divergência — e é muitas vezes aí que se aprende mais. Confrontar a versão oficial com a do adversário, o documento escrito com o vestígio material, a fonte da época com os dados que hoje possuímos, permite corrigir enviesamentos e aproximar-se de uma reconstituição fundamentada. Uma afirmação histórica só é sólida quando assenta em fontes cruzadas e criticadas.
Daqui decorre a questão da objetividade em História. O historiador aspira à verdade e apoia-se em provas, mas não é uma máquina: escolhe temas, seleciona documentos, formula perguntas — e fá-lo a partir do seu próprio tempo. A História não é, por isso, uma opinião qualquer (está sujeita à prova das fontes e ao controlo dos pares), mas também não é uma verdade única e definitiva: reescreve-se quando aparecem fontes novas ou perguntas novas. Esta objetividade possível — rigorosa mas consciente dos seus limites — é o que separa o conhecimento histórico da propaganda e do mito. No Exame e nos exercícios, «analisar uma fonte» significa sempre situá-la, distinguir nela facto de opinião e confrontá-la com outras.
Exemplo resolvido

Distinguir facto de opinião numa fonte

Um cronista da corte escreve: «No ano de 1385, em Aljubarrota, o valoroso Mestre de Avis, com o favor de Deus, esmagou o soberbo exército de Castela e salvou a independência do reino.» Distingue nesta frase o que é facto do que é opinião, e explica que cuidados terias ao usá-la.

  1. 01Identificar os factos

    São verificáveis e datáveis: em 1385 travou-se a batalha de Aljubarrota, entre as forças do Mestre de Avis e as de Castela, com vitória portuguesa.

  2. 02Identificar as opiniões

    «Valoroso», «soberbo», «com o favor de Deus», «esmagou», «salvou a independência» são juízos de valor e uma interpretação — exprimem a posição favorável do cronista ao Mestre.

  3. 03Avaliar a intenção

    O cronista escreve da corte de Avis: tende a exaltar o vencedor e a legitimar a nova dinastia. É uma fonte primária valiosa, mas parcial.

  4. 04Definir os cuidados

    Usar os factos com confiança, tratar os juízos como testemunho da mentalidade e da propaganda da época, e cruzar com outras fontes (incluindo castelhanas).

Resultado: O facto é a batalha de Aljubarrota (1385) e a vitória portuguesa; o resto é opinião e interpretação de um cronista comprometido com Avis. A fonte deve ser usada situando o seu ponto de vista e cruzando-a com outros testemunhos.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir crítica externa (autenticidade) de crítica interna (credibilidade) de uma fonte.
  • Separar, num documento, o que é facto do que é opinião/intenção do autor.
  • Foco (avaliação interna): justificar a necessidade de cruzar fontes e reconhecer a objetividade possível da História.

Erros frequentes

  • Tomar a fonte como verdade absoluta, aceitando-a sem a situar nem a criticar.
  • Confundir facto (verificável) com opinião/juízo de valor do autor.
  • Ignorar a intenção e o ponto de vista de quem produziu a fonte (crer que qualquer fonte é «neutra»).

Revisão ativa

Perante uma crónica escrita por ordem de um rei que descreve as suas vitórias, indica duas perguntas de crítica externa e duas de crítica interna que farias antes de a usar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O tempo histórico: cronologia, periodização e durações#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-inicial

Pontos-chave

A História organiza-se no tempo, e medir e ordenar o tempo é a primeira tarefa do historiador. A cronologia é a ciência que data os acontecimentos e os coloca em sequência. No mundo ocidental, a datação convencional toma como ano zero (aproximado) o nascimento de Cristo: contam-se para a frente os anos depois de Cristo (d.C.) e para trás os anos antes de Cristo (a.C.). Note-se que, antes de Cristo, a numeração corre ao contrário do tempo — o ano 200 a.C. é anterior ao ano 100 a.C. Datar bem é a condição de tudo o resto: sem uma cronologia segura, causas e consequências baralham-se.
Para não trabalhar ano a ano, agrupa-se o tempo em unidades maiores, sobretudo o século (cem anos). Há uma regra de contagem que gera muitos erros: como não houve ano zero, o século I vai do ano 1 ao ano 100, o século II do ano 101 ao 200, e assim por diante — por isso os anos de 1901 a 2000 pertencem ao século XX, e o ano de 1500 ainda é do século XV. Na prática, para um ano de quatro algarismos, o século obtém-se somando 1 aos dois primeiros algarismos quando os dois últimos não são «00» (1415: 14 + 1 = século XV; ver Fig. 4). Os séculos escrevem-se em numeração romana.

A periodização convencional da História

Periodização convencionalLinha do tempo de -3000 a 2050, -3000: Escrita, 476: Queda de Roma (476), 1492: Descobrimentos (1492), 1789: Revolução Francesa (1789), -3000–476: Idade Antiga, 476–1492: Idade Média, 1492–1789: Idade Moderna, 1789–2050: Idade Contemporânea−30002050anoIdade AntigaIdade MédiaIdade ModernaIdadeContemporânea−3000Escrita476Queda de Roma(476)1492Descobrimentos(1492)1789RevoluçãoFrancesa (1789)
Fig. 4Fig. 4 — As grandes épocas da periodização ocidental e as datas convencionais que as separam.
Ordenar não basta: é preciso periodizar, isto é, recortar o tempo em épocas com uma identidade própria. A periodização ocidental convencional distingue a Pré-História (antes da escrita), a Idade Antiga (da escrita à queda do Império Romano do Ocidente, 476), a Idade Média (476 até 1453/1492), a Idade Moderna (até à Revolução Francesa, 1789) e a Idade Contemporânea (de 1789 até hoje). Estas fronteiras são convenções úteis, não cortes absolutos — foram fixadas por historiadores europeus e são discutíveis; a vida das sociedades não muda de um dia para o outro, e cada periodização reflete um ponto de vista.
O tempo histórico não é, porém, uma linha única e uniforme. A Escola dos Annales, e em especial Fernand Braudel, mostrou que convivem no passado durações diferentes (ver Fig. 5). A curta duração é o tempo do acontecimento — uma batalha, um golpe, uma eleição —, rápido e visível. A média duração é o tempo da conjuntura — ciclos económicos, uma geração, uma vaga de crescimento ou de crise, ao longo de décadas. A longa duração é o tempo das estruturas — a geografia, o clima, as mentalidades, as formas de produção —, que se transforma muito lentamente, ao ritmo dos séculos. Compreender um facto é situá-lo nas três durações ao mesmo tempo: o acontecimento à superfície, a estrutura no fundo.

As três durações de Braudel

As durações históricascírculos concêntricos, 3 anéis, Dados: Tempo, Curta duração — o acontecimento, Média duração — a conjuntura, Longa duração — as estruturasLonga duração — as estruturasMédia duração — a conjunturaCurta duração — o acontecimentoTempo
Fig. 5Fig. 5 — O acontecimento ocorre à superfície do tempo; a estrutura, no fundo, muda ao ritmo dos séculos.
Exemplo resolvido

Situar um facto nas três durações

Explica como se pode situar a partida da armada de Vasco da Gama para a Índia (1498) nas três durações de Braudel.

  1. 01Curta duração

    O acontecimento: a partida da armada em 1498 e a chegada a Calecute — um facto datado e pontual.

  2. 02Média duração

    A conjuntura: as décadas de exploração da costa africana desde 1415, o esforço financeiro e técnico da Coroa, o ciclo de expansão do reino.

  3. 03Longa duração

    As estruturas: a posição atlântica de Portugal, os saberes náuticos acumulados, a procura de especiarias e a mentalidade cruzadística e mercantil de longa data.

Resultado: O mesmo facto lê-se em três tempos: o acontecimento de 1498 (curta duração), o ciclo da expansão (média duração) e as estruturas geográficas, económicas e mentais que o tornaram possível (longa duração) — só a leitura conjunta o explica.

Foco no Exame Nacional

  • Datar corretamente: converter um ano no seu século (e vice-versa), lidando com a ausência de ano zero e com o a.C.
  • Reconhecer e caracterizar as épocas da periodização convencional e o seu caráter convencional.
  • Foco (avaliação interna): distinguir as três durações de Braudel (curta, média, longa) e aplicá-las a um exemplo.

Erros frequentes

  • Errar o século por não somar 1 (julgar que 1789 é «século XVII» em vez de XVIII).
  • Inverter a contagem antes de Cristo (crer que 100 a.C. é anterior a 200 a.C.).
  • Tomar as fronteiras entre épocas como cortes exatos e universais, em vez de convenções discutíveis.

Revisão ativa

Indica a que século pertencem os anos de 1143, 1755 e 1974 e a que época da periodização convencional corresponde cada um.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Explicar em História: multicausalidade, continuidade e rutura#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-inicial

Pontos-chave

Datar e narrar não é ainda explicar. O objetivo mais alto da História é compreender por que aconteceram as coisas — e a resposta quase nunca é uma só causa. O princípio fundamental da explicação histórica é a multicausalidade: um acontecimento resulta do encontro de múltiplos fatores, de natureza diferente — económicos, sociais, políticos, culturais, religiosos, militares, geográficos —, que se combinam e reforçam (ver Fig. 6). Reduzir um grande facto a uma única causa (o chamado monocausalismo) é o erro mais frequente e mais grave: simplifica, distorce e impede de compreender.

A multicausalidade em História

MulticausalidadeGrafo, Fatores económicos → Acontecimento, Fatores sociais → Acontecimento, Fatores políticos → Acontecimento, Fatores culturais/religiosos → Acontecimento, Acontecimento → ConsequênciasFatoreseconómicosFatores sociaisFatorespolíticosFatoresculturais/religiososAcontecimentoConsequências
Fig. 6Fig. 6 — Um acontecimento nasce do encontro de vários tipos de causas — e produz, por sua vez, consequências.
Entre as causas, é útil distinguir níveis. As causas estruturais (ou profundas, de longa duração) são as condições de fundo que preparam o terreno ao longo do tempo — uma crise económica prolongada, uma tensão social acumulada, uma ideia que se difunde. As causas conjunturais aproximam-se do acontecimento no tempo. E a causa próxima ou o pretexto (a «faísca») é o incidente imediato que o desencadeia. O assassínio de Sarajevo (1914) não «explica» a Primeira Guerra Mundial: foi o pretexto que fez deflagrar tensões estruturais acumuladas durante décadas. Distinguir causas de pretextos, e causas de consequências, é uma competência central da disciplina.
A História pensa-se também na tensão entre continuidade e rutura. Há aspetos que permanecem, que atravessam épocas quase sem mudar (as continuidades, geralmente de longa duração); e há momentos e processos em que algo se transforma profundamente e depressa (as ruturas). Uma revolução é uma rutura; a lenta transmissão de uma língua ou de uma crença é uma continuidade. O olhar histórico consiste, em boa parte, em identificar, num dado processo, o que muda e o que permanece — e em perceber que quase nunca há rutura total: mesmo as revoluções conservam heranças do que dizem destruir.
Tudo isto confirma que o conhecimento histórico é uma construção, não um decalque do passado. Parte de perguntas, seleciona e critica fontes, propõe explicações causais e organiza-as num discurso fundamentado — que outros historiadores podem discutir e rever. Por isso, comunicar em História não é acumular datas: é construir um texto claro, ordenado e argumentado, em que cada afirmação se apoia em fontes e se explica por causas. É exatamente esta competência — interpretar e confrontar fontes, contextualizar, e responder de forma estruturada e fundamentada, mobilizando a multicausalidade — que o Exame Final Nacional de História A avalia nos seus módulos, e que este Módulo Inicial prepara.
Exemplo resolvido

Organizar uma explicação multicausal

Um item pede que expliques por que os fatores de um acontecimento histórico não devem ser reduzidos a uma única causa. Constrói uma resposta estruturada, usando um exemplo à tua escolha.

  1. 01Enunciar o princípio

    Afirmar que a explicação histórica é multicausal: os grandes factos resultam da combinação de fatores económicos, sociais, políticos e culturais que se reforçam.

  2. 02Distinguir níveis

    Mostrar, no exemplo escolhido, causas estruturais (de fundo), conjunturais e a causa próxima/pretexto, e separá-las das consequências.

  3. 03Justificar

    Explicar que reduzir a uma só causa (monocausalismo) distorce a compreensão e impede de ver como os fatores se articulam.

  4. 04Concluir

    Rematar com uma síntese que integre os vários fatores e o seu peso relativo, comunicando de forma clara e ordenada.

Resultado: Uma boa resposta enuncia a multicausalidade, distingue os níveis de causa (estrutural, conjuntural, próxima), separa causas de consequências e conclui integrando os fatores — evitando o monocausalismo e comunicando de forma estruturada e fundamentada, tal como o Exame exige.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar um acontecimento pela multicausalidade, evitando o monocausalismo.
  • Distinguir causa estrutural, causa conjuntural e causa próxima/pretexto; e causa de consequência.
  • Identificar continuidades e ruturas num processo histórico e comunicar de forma estruturada e fundamentada.

Erros frequentes

  • Explicar um grande facto por uma só causa (monocausalismo).
  • Confundir a causa próxima (o pretexto) com as causas profundas de um acontecimento.
  • Trocar causa por consequência, ou apresentar uma lista de factos sem os articular por causas.

Revisão ativa

Escolhe um acontecimento estudado e organiza as suas causas em três níveis (estruturais, conjunturais e causa próxima), distinguindo-as das consequências.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01As fontes históricas e a sua tipologia○
    • 02A crítica das fontes: da fonte ao facto◐
    • 03O tempo histórico: cronologia, periodização e durações◐
    • 04Explicar em História: multicausalidade, continuidade e rutura●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Módulo Inicial — Estudar/Aprender História

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~18
min
4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial

Tópico seguinte

Módulo 1 — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia: Cidade, Cidadania e Império na Antiguidade Clássica

EuraStudy·Resumos T·01·MMXXVI

Continua com o tópico seguinte: o teu percurso é mantido.