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O Módulo Inicial ensina o método da disciplina: o que são as fontes históricas e como se criticam, como se organiza e mede o tempo (cronologia, periodização e durações) e como se explica o passado pela multicausalidade, distinguindo continuidades de ruturas. É a «caixa de ferramentas» que se usará em todos os módulos seguintes. Este módulo integra a disciplina e a avaliação interna, mas não faz parte do objeto de avaliação do Exame Final Nacional (Prova 623) — trata-se aqui como fundamento (ampliação).
4 secções~18 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Saber o que é uma fonte, distinguir fonte primária de secundária, contar séculos e usar os conceitos de causa/consequência e continuidade/rutura.
nível avançado
Aplicar a crítica das fontes (autenticidade, credibilidade, facto/opinião) e a multicausalidade a documentos concretos — o método que o Exame 623 exige nos módulos avaliáveis.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Tipos de fontes históricas quanto ao suporte
Fonte primária e fonte secundária
Um estudante encontra, no arquivo municipal, o original de uma carta de foral concedida por D. Afonso Henriques a uma vila, com o selo régio. Classifica esta fonte quanto ao suporte e quanto à sua relação com o facto, justificando.
É uma fonte escrita (um documento em pergaminho), reforçada por um elemento material — o selo régio, que atesta a autenticidade e é, ele próprio, um vestígio material.
É uma fonte primária (direta): foi produzida no próprio tempo do acontecimento (a concessão do foral) e pela autoridade que o praticou (a chancelaria régia).
Sendo original e contemporânea, é um testemunho de primeira ordem para estudar a organização dos concelhos e o poder régio medieval; ainda assim, deve ser cruzada com outras fontes para se avaliar o seu alcance real.
Resultado: Trata-se de uma fonte escrita (com suporte material no selo) e primária, por ser contemporânea do facto e emanada de quem o praticou — um testemunho direto e de grande valor para o estudo dos forais e do poder régio.
Erros frequentes
Revisão ativa
Indica, para três objetos à tua escolha (por exemplo, uma moeda romana, um manual de História e uma fotografia de 1974), o tipo de fonte quanto ao suporte e se é primária ou secundária, justificando.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))
Da fonte ao facto: os passos da crítica
Um cronista da corte escreve: «No ano de 1385, em Aljubarrota, o valoroso Mestre de Avis, com o favor de Deus, esmagou o soberbo exército de Castela e salvou a independência do reino.» Distingue nesta frase o que é facto do que é opinião, e explica que cuidados terias ao usá-la.
São verificáveis e datáveis: em 1385 travou-se a batalha de Aljubarrota, entre as forças do Mestre de Avis e as de Castela, com vitória portuguesa.
«Valoroso», «soberbo», «com o favor de Deus», «esmagou», «salvou a independência» são juízos de valor e uma interpretação — exprimem a posição favorável do cronista ao Mestre.
O cronista escreve da corte de Avis: tende a exaltar o vencedor e a legitimar a nova dinastia. É uma fonte primária valiosa, mas parcial.
Usar os factos com confiança, tratar os juízos como testemunho da mentalidade e da propaganda da época, e cruzar com outras fontes (incluindo castelhanas).
Resultado: O facto é a batalha de Aljubarrota (1385) e a vitória portuguesa; o resto é opinião e interpretação de um cronista comprometido com Avis. A fonte deve ser usada situando o seu ponto de vista e cruzando-a com outros testemunhos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante uma crónica escrita por ordem de um rei que descreve as suas vitórias, indica duas perguntas de crítica externa e duas de crítica interna que farias antes de a usar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))
A periodização convencional da História
As três durações de Braudel
Explica como se pode situar a partida da armada de Vasco da Gama para a Índia (1498) nas três durações de Braudel.
O acontecimento: a partida da armada em 1498 e a chegada a Calecute — um facto datado e pontual.
A conjuntura: as décadas de exploração da costa africana desde 1415, o esforço financeiro e técnico da Coroa, o ciclo de expansão do reino.
As estruturas: a posição atlântica de Portugal, os saberes náuticos acumulados, a procura de especiarias e a mentalidade cruzadística e mercantil de longa data.
Resultado: O mesmo facto lê-se em três tempos: o acontecimento de 1498 (curta duração), o ciclo da expansão (média duração) e as estruturas geográficas, económicas e mentais que o tornaram possível (longa duração) — só a leitura conjunta o explica.
Erros frequentes
Revisão ativa
Indica a que século pertencem os anos de 1143, 1755 e 1974 e a que época da periodização convencional corresponde cada um.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))
A multicausalidade em História
Um item pede que expliques por que os fatores de um acontecimento histórico não devem ser reduzidos a uma única causa. Constrói uma resposta estruturada, usando um exemplo à tua escolha.
Afirmar que a explicação histórica é multicausal: os grandes factos resultam da combinação de fatores económicos, sociais, políticos e culturais que se reforçam.
Mostrar, no exemplo escolhido, causas estruturais (de fundo), conjunturais e a causa próxima/pretexto, e separá-las das consequências.
Explicar que reduzir a uma só causa (monocausalismo) distorce a compreensão e impede de ver como os fatores se articulam.
Rematar com uma síntese que integre os vários fatores e o seu peso relativo, comunicando de forma clara e ordenada.
Resultado: Uma boa resposta enuncia a multicausalidade, distingue os níveis de causa (estrutural, conjuntural, próxima), separa causas de consequências e conclui integrando os fatores — evitando o monocausalismo e comunicando de forma estruturada e fundamentada, tal como o Exame exige.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe um acontecimento estudado e organiza as suas causas em três níveis (estruturais, conjunturais e causa próxima), distinguindo-as das consequências.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo Inicial (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)