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Da Segunda Guerra Mundial saiu uma nova ordem bipolar — a Guerra Fria — e o processo de descolonização. Em Portugal, o Estado Novo tardio, imobilista e agarrado ao império, envolveu-se numa longa Guerra Colonial (1961-1974), que o desgastou e conduziu ao 25 de Abril de 1974: a queda da ditadura, a descolonização e a construção da democracia. Módulo central do Exame Final Nacional de História A (Prova 623), exige tratar com rigor e equilíbrio temas como a ditadura, a guerra e a revolução.
4 secções~15 min de leitura3 competênciasNível Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Situar a Guerra Fria, a Guerra Colonial (1961-74) e o 25 de Abril de 1974 e a democratização.
nível avançado
Explicar, de forma multicausal, o 25 de Abril e a descolonização, e interpretar fontes sobre a ditadura e a revolução (competência exigida na Prova 623).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Do pós-guerra à democracia (1939-1986)
Os dois blocos da Guerra Fria
Em 1946, um estadista declara que «uma cortina de ferro desceu sobre o continente, do Báltico ao Adriático», separando duas Europas. Explica a que realidade se refere esta imagem.
A «cortina de ferro» designa a fronteira que separava a Europa ocidental (democrática e capitalista) da Europa de leste (comunista, sob influência soviética).
A imagem exprime o início da Guerra Fria: após 1945, a Europa e o mundo dividiram-se em dois blocos antagónicos.
De um lado, o bloco ocidental liderado pelos EUA (NATO); do outro, o bloco de leste liderado pela URSS (Pacto de Varsóvia), em rivalidade permanente.
Resultado: A «cortina de ferro» descreve a divisão da Europa em dois blocos no início da Guerra Fria: o ocidental (EUA, democracia, capitalismo) e o de leste (URSS, comunismo), separados por uma fronteira ideológica e militar.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a rivalidade entre os EUA e a URSS se designa por «Guerra Fria», caracterizando os dois blocos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 8 (Direção-Geral da Educação (DGE))
A Guerra Colonial: as três frentes
Explica de que forma a Guerra Colonial (1961-1974) afetou Portugal nos planos económico, social, internacional e militar.
Consumia a maior parte do orçamento do Estado, sobrecarregando uma economia já pobre.
Mobilizava sucessivas gerações de jovens e agravava a emigração (muitos partiam para fugir à guerra), gerando cansaço e descontentamento.
Isolava Portugal, condenado pela ONU e na contramão da descolonização mundial.
Prolongava-se sem vitória à vista, gerando um profundo descontentamento entre os militares — que viria a ser decisivo.
Resultado: A Guerra Colonial desgastou Portugal em todos os planos — arruinava as finanças, esvaziava e cansava a sociedade, isolava o país e desmoralizava os militares —, tornando-se a causa maior da crise do Estado Novo e do 25 de Abril.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a Guerra Colonial se tornou insustentável e como isso contribuiu para a crise do Estado Novo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 8 (Direção-Geral da Educação (DGE))
As causas do 25 de Abril
Do 25 de Abril à democracia e à Europa (1974-1986)
O programa do Movimento das Forças Armadas resumia os objetivos do 25 de Abril nos «três D»: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Explica o significado de cada um e relaciona-os com as causas da Revolução.
Pôr fim à ditadura e instaurar a democracia: liberdades, eleições livres, partidos — resposta à repressão do Estado Novo.
Acabar a Guerra Colonial e reconhecer a independência das colónias — resposta à causa maior da Revolução, a guerra.
Modernizar e desenvolver o país, superando o atraso económico e social do Estado Novo.
Os três objetivos correspondem diretamente aos males do regime derrubado: a falta de liberdade, a guerra e o atraso.
Resultado: Os «três D» (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver) resumem o programa do 25 de Abril e respondem às causas da Revolução: acabar com a ditadura, com a Guerra Colonial e com o atraso do Estado Novo — o programa de fundação da democracia portuguesa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a Guerra Colonial foi a causa principal do 25 de Abril, sem esquecer os outros fatores que para ele contribuíram.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 8 (Direção-Geral da Educação (DGE))
A viragem europeia de Portugal
Explica como, entre a Segunda Guerra e os anos 80, o contexto internacional e as opções internas se combinaram para transformar Portugal de uma ditadura imperial numa democracia europeia.
A Guerra Fria e, sobretudo, a descolonização mundial pressionavam Portugal a abandonar o império — pressão que o Estado Novo recusou.
O imobilismo do regime e a opção pela Guerra Colonial (1961-74) desgastaram-no até ao 25 de Abril, que trouxe democracia e descolonização.
A democracia optou pela Europa, culminando na adesão à CEE (1986), que consolidou o novo regime.
A transformação resulta da combinação entre a pressão internacional e as decisões internas — uma explicação multicausal que articula Portugal e o mundo.
Resultado: Portugal transformou-se pela combinação do contexto internacional (Guerra Fria, descolonização, atração europeia) com as opções internas (imobilismo, Guerra Colonial, 25 de Abril): de ditadura imperial isolada a democracia integrada na Europa — uma mudança que só uma explicação multicausal, articulando Portugal e o mundo, faz compreender.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o significado político e económico da adesão de Portugal à CEE (1986) para a jovem democracia portuguesa.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 8 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)