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Resumos/História A/Módulo 7 — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais na Primeira Metade do Século XX
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Módulo 7 — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais na Primeira Metade do Século XX

A primeira metade do século XX foi um tempo de crises e de choques ideológicos: a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e o comunismo, a crise de 1929, e a ascensão dos fascismos e dos regimes totalitários. Em Portugal, a instável Primeira República foi derrubada em 1926, dando lugar ao Estado Novo de Salazar. Módulo central do Exame Final Nacional de História A (Prova 623), estas matérias exigem rigor e análise crítica.

4 secções·~16 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 1 · Aprofundamento 3

T·0888 / 10
Perfil de exame
Explicar a Primeira Guerra Mundial e a nova ordem internacionalCaracterizar a Revolução Russa e a crise de 1929Distinguir os regimes (democracia, comunismo, fascismo) e caracterizar o Estado Novo
Operadores:explicacaracterizadistinguerelacionainterpretaanalisajustifica

nível básico

Situar a 1.ª Guerra, a Revolução Russa, a crise de 1929 e a construção do Estado Novo (1926-1933).

nível avançado

Distinguir os três modelos político-ideológicos e analisar criticamente o totalitarismo e o Estado Novo, interpretando fontes (competência exigida na Prova 623).

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo 7 — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais na Primeira Metade do Século XX
    • 01A Primeira Guerra e a Primeira República◐
    • 02A Revolução Russa e a crise de 1929●
    • 03Os fascismos e o totalitarismo●
    • 04O Estado Novo em Portugal e as mutações culturais●
§ 01

A Primeira Guerra e a Primeira República#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-7

Pontos-chave

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) abriu tragicamente o século XX (ver Fig. 1). As suas causas foram estruturais e múltiplas (ver Fig. 2): as rivalidades imperialistas e económicas entre as potências, os nacionalismos exacerbados, o sistema de alianças que dividia a Europa em dois blocos e a corrida aos armamentos. A causa próxima — o pretexto — foi o assassínio do herdeiro do trono austro-húngaro em Sarajevo (1914), que fez deflagrar as tensões acumuladas. É um exemplo perfeito de multicausalidade: o atentado não «explica» a guerra, apenas a desencadeou.

A primeira metade do século XX (1914-1939)

1914-1939Linha do tempo de 1910 a 1940, 1914: Início da 1.ª Guerra, 1917: Revolução Russa, 1919: Tratado de Versalhes, 1922: Mussolini (Itália), 1929: Crise de 1929, 1933: Hitler; Estado Novo, 1914–1918: 1.ª Guerra Mundial, 1918–1939: Período entre guerras19101940ano1.ª Guerra MundialPeríodo entreguerras1914Início da 1.ªGuerra1917Revolução Russa1919Tratado deVersalhes1922Mussolini(Itália)1929Crise de 19291933Hitler; EstadoNovo
Fig. 1Fig. 1 — Os grandes marcos da primeira metade do século XX, da Grande Guerra aos totalitarismos.

As causas da Primeira Guerra Mundial

Causas da 1.ª GuerraGrafo, Rivalidades imperialistas e económicas → Primeira Guerra Mundial, Nacionalismos → Primeira Guerra Mundial, Sistema de alianças (dois blocos) → Primeira Guerra Mundial, Corrida aos armamentos → Primeira Guerra Mundial, Sarajevo (pretexto, 1914) → Primeira Guerra MundialRivalidadesimperialistas eeconómicasNacionalismosSistema dealianças (doisblocos)Corrida aosarmamentosSarajevo(pretexto, 1914)Primeira GuerraMundialdesencadeia
Fig. 2Fig. 2 — Causas profundas e pretexto (Sarajevo) da Primeira Guerra Mundial.
A guerra revelou-se muito mais longa e mortífera do que se esperava. Foi uma guerra total, que mobilizou sociedades inteiras, e uma guerra de trincheiras, que se arrastou durante anos com um custo humano horroroso; as novas armas (metralhadoras, gases, tanques, aviação) multiplicaram a destruição. Com a entrada dos Estados Unidos (1917) e a saída da Rússia (em revolução), o conflito terminou em 1918 com a derrota da Alemanha e dos seus aliados. Portugal participou ao lado dos Aliados, enviando um Corpo Expedicionário para a Flandres, onde sofreu pesadas perdas na batalha de La Lys (1918).
A paz reorganizou o mundo, mas de forma frágil. O Tratado de Versalhes (1919) puniu duramente a Alemanha — considerada culpada da guerra —, impondo-lhe pesadas indemnizações, perdas territoriais e o desarmamento, o que gerou um profundo ressentimento que os nazis explorariam. Desmoronaram-se os grandes impérios (alemão, austro-húngaro, russo, otomano) e nasceram novos Estados; os Estados Unidos afirmaram-se como grande potência; e criou-se a Sociedade das Nações (SDN), destinada a preservar a paz — mas fraca e sem os EUA. A «paz» de Versalhes preparou, em boa medida, as crises seguintes.
Em Portugal, este período foi o da Primeira República (1910-1926). Implantada a 5 de outubro de 1910, a República laicizou o Estado (separação da Igreja e do Estado, 1911) e deu uma nova Constituição (1911), mas viveu numa instabilidade crónica: sucederam-se dezenas de governos em dezasseis anos, num clima de crise financeira, conflito social e agitação política, agravado pela custosa participação na Guerra. Esta instabilidade desgastou o regime parlamentar e desacreditou-o, preparando o terreno para o golpe militar de 28 de maio de 1926, que lhe poria fim (não confundir com o 25 de Abril de 1974, de sentido oposto).
Exemplo resolvido

Explicar as consequências de Versalhes

Explica por que o Tratado de Versalhes (1919), ao punir duramente a Alemanha, contribuiu para a instabilidade e para as crises das décadas seguintes.

  1. 01O que impôs

    Versalhes responsabilizou a Alemanha pela guerra e impôs-lhe indemnizações pesadas, perdas de território e o desarmamento.

  2. 02O ressentimento

    Estas condições, sentidas como humilhantes e injustas, geraram na Alemanha um profundo ressentimento nacional.

  3. 03As consequências

    Esse ressentimento, agravado pela crise de 1929, foi explorado pelo nazismo, que prometia refazer a grandeza alemã — preparando novas crises e a Segunda Guerra.

Resultado: Ao punir severamente a Alemanha, Versalhes semeou um ressentimento nacional que, combinado com a crise de 1929, foi aproveitado pelo nazismo — pelo que a «paz» de 1919 é uma das causas das crises e da guerra que se seguiriam.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar, de forma multicausal, as causas da 1.ª Guerra e distinguir causas de pretexto (Sarajevo).
  • Caracterizar a guerra (total, de trincheiras) e a nova ordem (Versalhes, SDN, punição da Alemanha).
  • Caracterizar a Primeira República portuguesa (1910-1926) e a sua instabilidade.

Erros frequentes

  • Tomar o atentado de Sarajevo (1914) pela causa da guerra, quando foi apenas o pretexto.
  • Confundir a Primeira República (1910-1926) com o Estado Novo (a partir de 1933), de natureza oposta.
  • Confundir o 28 de Maio de 1926 (fim da República, ditadura) com o 25 de Abril de 1974 (fim da ditadura, democracia).

Revisão ativa

Distingue as causas profundas da Primeira Guerra Mundial do pretexto que a desencadeou, explicando por que se fala de multicausalidade.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A Revolução Russa e a crise de 1929#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-7

Pontos-chave

Em 1917, em plena Guerra, a Rússia conheceu uma revolução que mudaria o século. A queda do czar (Revolução de fevereiro) pôs fim à autocracia; e, em outubro, os bolcheviques, liderados por Lénine, tomaram o poder, prometendo «paz, pão e terra». Nascia o primeiro Estado comunista da história — a futura União Soviética (URSS, 1922). Aplicando (à sua maneira) o marxismo, o novo regime nacionalizou a economia, aboliu a propriedade privada dos meios de produção e instituiu a ditadura de um só partido. Sob Estaline, tornou-se uma ditadura totalitária, com a coletivização forçada, a industrialização a marchas forçadas e uma dura repressão (as «purgas»).
A Revolução Russa teve um enorme impacto mundial. Pela primeira vez, um movimento operário conquistara o poder e construía um Estado que se dizia socialista — o que entusiasmou os operários e os partidos de esquerda de todo o mundo e, ao mesmo tempo, aterrorizou as classes dominantes e os governos. O «perigo comunista» tornou-se um fantasma que atravessaria todo o século XX, e o medo da revolução foi um dos fatores que favoreceu, por reação, a ascensão dos regimes autoritários e fascistas na Europa.
Em 1929 abateu-se sobre o mundo capitalista a maior crise económica da sua história. O «crash» da Bolsa de Nova Iorque (outubro de 1929) desencadeou a Grande Depressão: faliram bancos e empresas, a produção afundou-se, o comércio mundial contraiu-se e o desemprego atingiu proporções dramáticas (ver Fig. 3). A crise, nascida nos Estados Unidos, alastrou a todo o mundo. Revelou os limites do liberalismo económico puro — o mercado, deixado a si próprio, não se autorregulara — e lançou milhões de pessoas na miséria.

O desemprego na crise de 1929 (Estados Unidos)

Desemprego na Grande DepressãoGráfico de colunas: Taxa de desemprego (%, aprox.) por Ano, Dados: Desemprego nos EUA (%, aprox.) · 1929: 3; Desemprego nos EUA (%, aprox.) · 1931: 16; Desemprego nos EUA (%, aprox.) · 1933: 25051015202519291931193331625Taxa de desemprego (%, aprox.)Ano
Fig. 3Fig. 3 — O desemprego nos EUA disparou com a Grande Depressão (valores aproximados, para ilustrar a tendência).
A resposta à crise passou pela intervenção do Estado na economia, rompendo com o laissez-faire. Nos Estados Unidos, o presidente Roosevelt lançou o New Deal (a partir de 1933): grandes obras públicas, regulação da economia e medidas sociais, para relançar a atividade e o emprego — política que corresponde às ideias que o economista Keynes viria a teorizar (o Estado deve intervir para estimular a procura). Mas a crise teve também consequências políticas terríveis: o desemprego e o desespero, sobretudo na Alemanha, alimentaram os movimentos extremistas e foram decisivos para a chegada dos nazis ao poder. Economia e política estavam, uma vez mais, ligadas.
Exemplo resolvido

Relacionar crise económica e política

Um historiador afirma que «sem a crise de 1929, dificilmente Hitler teria chegado ao poder». Explica esta afirmação, relacionando a crise económica com a ascensão do nazismo.

  1. 01A crise na Alemanha

    A Grande Depressão atingiu duramente a Alemanha, com desemprego em massa e miséria, sobre um país já humilhado por Versalhes.

  2. 02O aproveitamento nazi

    O desespero e o medo (também o medo do comunismo) levaram muitos a apoiar os nazis, que prometiam trabalho, ordem e a grandeza nacional.

  3. 03Concluir

    A crise foi, assim, um fator decisivo (embora não o único) da chegada de Hitler ao poder em 1933.

Resultado: A afirmação sublinha o peso da crise de 1929: ao lançar a Alemanha no desemprego e no desespero, criou as condições que os nazis exploraram — a crise económica foi um fator determinante da ascensão do nazismo, mostrando a ligação entre economia e política.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a Revolução Russa de 1917 (queda do czar, bolcheviques, Lénine) e a URSS/comunismo (Estaline).
  • Explicar a crise de 1929 (crash, Grande Depressão, desemprego) e os limites do liberalismo económico.
  • Explicar a resposta à crise (intervenção do Estado, New Deal, Keynes) e relacioná-la com a ascensão do nazismo.

Erros frequentes

  • Confundir a Revolução de fevereiro (queda do czar) com a de outubro (bolcheviques/Lénine) de 1917.
  • Atribuir a crise de 1929 a causas políticas, quando foi uma crise económica do capitalismo (crash bolsista).
  • Não relacionar a crise de 1929 com a ascensão do nazismo e com o fim do laissez-faire (New Deal).

Revisão ativa

Explica por que a crise de 1929 pôs em causa o liberalismo económico e conduziu à intervenção do Estado na economia.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os fascismos e o totalitarismo#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-7

Pontos-chave

No clima de crise do período entre guerras — desilusão do pós-guerra, crise económica, medo do comunismo, nacionalismos feridos — ascenderam na Europa regimes autoritários e antidemocráticos: os fascismos. O primeiro foi o fascismo italiano: Benito Mussolini chegou ao poder em 1922 (a «Marcha sobre Roma») e instaurou uma ditadura de partido único, com culto do chefe (o «Duce»), corporativismo, nacionalismo agressivo e violência contra os opositores. Na Alemanha, Adolf Hitler e o partido nazi chegaram ao poder em 1933, aproveitando a crise e o ressentimento de Versalhes, e construíram um regime ainda mais extremo.
Estes regimes são exemplos de totalitarismo — uma forma de ditadura que procura o controlo total da sociedade (ver Fig. 4). As suas características comuns são: um partido único e um chefe todo-poderoso, objeto de culto; uma ideologia oficial imposta a todos; o controlo do Estado sobre a economia, a educação e os meios de comunicação; a supressão das liberdades e da oposição; a propaganda maciça; e o recurso à violência e à polícia política (o terror). O nazismo acrescentou a estas características um racismo e um antissemitismo virulentos, que levaram à perseguição dos judeus — e que conduziriam, na Segunda Guerra, ao horror do Holocausto.

Democracia liberal, comunismo e fascismo

Os três modelosTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Democracia liberal · Comunismo · Fascismo/Nazismo; Partidos · Vários (pluralismo) · Partido único · Partido único; Liberdades · Garantidas · Suprimidas · Suprimidas; Economia · Mercado (com intervenção) · Coletivizada (Estado) · Corporativa; iniciativa privada tutelada; Carácter · Democrático · Totalitário (esquerda) · Totalitário; nacionalista e (nazi) racista, célula destacada: Totalitário; nacionalista e (nazi) racistaASPETODEMOCRACIA LIBERALCOMUNISMOFASCISMO/NAZISMOPARTIDOSVários (pluralismo)Partido únicoPartido únicoLIBERDADESGarantidasSuprimidasSuprimidasECONOMIAMercado (com intervenção)Coletivizada (Estado)Corporativa; iniciativaprivada tuteladaCARÁCTERDemocráticoTotalitário (esquerda)Totalitário; nacionalista e(nazi) racista
Fig. 4Fig. 4 — Os três modelos político-ideológicos em confronto no século XX.
É útil distinguir, com clareza, os três grandes modelos político-ideológicos que se defrontaram no século XX (ver Fig. 4): a democracia liberal (pluralismo de partidos, liberdades, eleições livres, economia de mercado), o comunismo (partido único, abolição da propriedade privada, objetivo de uma sociedade sem classes) e o fascismo/nazismo (partido único, nacionalismo extremo, corporativismo, negação das liberdades). Comunismo e fascismo, embora inimigos entre si, partilham o caráter totalitário — o partido único e a supressão da liberdade —, opondo-se ambos à democracia liberal.
A ascensão destes regimes deve ser explicada, mas nunca justificada. Resultou de uma conjuntura concreta de crise e medo, e triunfou onde a democracia era frágil e a promessa de ordem e de grandeza nacional seduzia populações desesperadas. As suas consequências foram catastróficas: a supressão da liberdade, a perseguição e o extermínio de milhões de pessoas, e a marcha para a Segunda Guerra Mundial. A História estuda os fascismos com rigor e sentido crítico, precisamente para compreender como e por que puderam surgir — e para que se não repitam.
Exemplo resolvido

Analisar uma fonte totalitária

Um texto de propaganda dos anos 30 afirma: «Um só partido, um só chefe, uma só vontade. O indivíduo nada é; tudo pertence ao Estado e à Nação.» Analisa a fonte e identifica o tipo de regime que exprime.

  1. 01Identificar as ideias

    «Um só partido, um só chefe» = partido único e culto do chefe; «o indivíduo nada é, tudo pertence ao Estado» = negação das liberdades individuais e controlo total.

  2. 02Classificar o regime

    Estas características — partido único, chefe todo-poderoso, primado do Estado/Nação sobre o indivíduo — definem um regime totalitário, de tipo fascista.

  3. 03Analisar criticamente

    A fonte é propaganda: exalta a submissão total ao Estado, o oposto da democracia liberal, que garante liberdades e pluralismo.

Resultado: A fonte exprime um regime totalitário fascista: partido único, culto do chefe e absorção do indivíduo pelo Estado e pela Nação — a negação das liberdades e do pluralismo próprios da democracia liberal.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a ascensão dos fascismos no contexto de crise do entre guerras (Mussolini 1922, Hitler 1933).
  • Caracterizar o totalitarismo (partido único, culto do chefe, propaganda, terror, supressão das liberdades) e o racismo nazi.
  • Distinguir os três modelos: democracia liberal, comunismo e fascismo/nazismo.

Erros frequentes

  • Confundir os regimes: democracia liberal, comunismo e fascismo têm naturezas distintas (embora comunismo e fascismo sejam ambos totalitários).
  • Reduzir o nazismo ao fascismo, esquecendo o racismo e o antissemitismo específicos do nazismo.
  • Justificar (em vez de explicar) a ascensão dos fascismos, ou situar mal as datas (Mussolini 1922; Hitler 1933).

Revisão ativa

Distingue a democracia liberal, o comunismo e o fascismo quanto ao número de partidos, às liberdades e à economia.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O Estado Novo em Portugal e as mutações culturais#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-7

Pontos-chave

Em Portugal, a instável Primeira República foi derrubada pelo golpe militar de 28 de maio de 1926, que instaurou uma Ditadura Militar (ver Fig. 5). Da crise financeira do novo regime emergiu António de Oliveira Salazar, professor de economia chamado a ministro das Finanças (1928), que equilibrou as contas do Estado e ganhou enorme prestígio. Nomeado presidente do Conselho de Ministros (chefe do governo) em 1932, institucionalizou o regime com a Constituição de 1933, fundando o Estado Novo — uma ditadura que duraria mais de quarenta anos, até 1974.

Do 28 de Maio ao Estado Novo

1926-1933Grafo, Instabilidade da 1.ª República → 28 de Maio de 1926, 28 de Maio de 1926 → Ditadura Militar, Ditadura Militar → Salazar nas Finanças (1928), Salazar nas Finanças (1928) → Salazar chefe do governo (1932), Salazar chefe do governo (1932) → Constituição de 1933: Estado NovoInstabilidade da1.ª República28 de Maio de1926Ditadura MilitarSalazar nasFinanças (1928)Salazar chefe dogoverno (1932)Constituição de1933: EstadoNovo
Fig. 5Fig. 5 — Da crise da Primeira República à fundação do Estado Novo (1926-1933).
O Estado Novo era um regime autoritário e corporativo. As suas características principais eram: um poder concentrado em Salazar; um partido único (a União Nacional) e a ausência de eleições livres; a organização corporativa da sociedade (por corporações, em vez do conflito de classes); a supressão das liberdades, com censura prévia à imprensa e uma polícia política (a PIDE) que reprimia os opositores; um forte nacionalismo, assente em valores tradicionais e católicos («Deus, Pátria, Família»); a defesa do império colonial; e uma política económica de contenção financeira e relativa autarcia. Era um regime de ordem, disciplina e obediência, avesso à democracia e ao comunismo.
O Estado Novo partilhava traços com os fascismos da época — o autoritarismo, o partido único, o corporativismo, a censura, a propaganda, o culto da ordem —, mas apresentava também diferenças: era, em geral, mais conservador, católico e tradicionalista, e menos expansionista e menos assente na mobilização de massas e no racismo do que o nazismo. Por isso os historiadores discutem se deve classificar-se como «fascista» ou antes como uma ditadura autoritária e corporativa com influências fascistas. Em qualquer caso, foi um regime não democrático, que suprimiu as liberdades e reprimiu a oposição durante décadas — e que a História deve analisar com rigor e sem complacência.
A par destes embates políticos, a primeira metade do século XX viveu profundas mutações culturais. Foi um tempo de «crise das certezas»: a teoria da relatividade de Einstein abalou a física clássica, e a psicanálise de Freud revelou o peso do inconsciente, pondo em causa a soberania da razão. Nas artes, as vanguardas (cubismo, futurismo, expressionismo, abstração, surrealismo) romperam com a tradição e com a representação. E afirmou-se a cultura de massas, através dos novos meios de comunicação — a imprensa, a rádio e o cinema —, que chegavam a milhões de pessoas e que os regimes totalitários, incluindo o Estado Novo, souberam usar como poderosos instrumentos de propaganda.
Exemplo resolvido

Analisar uma fonte do Estado Novo

A propaganda do regime resume os seus valores na «lição de Salazar»: «Deus, Pátria, Família». Explica o que esta divisa revela sobre a natureza do Estado Novo.

  1. 01Descodificar a divisa

    «Deus» remete para o catolicismo e a tradição religiosa; «Pátria», para o nacionalismo e o culto da nação e do império; «Família», para a ordem social tradicional e hierárquica.

  2. 02Caracterizar o regime

    A divisa exprime um regime autoritário, conservador, católico e nacionalista, avesso ao individualismo liberal e ao igualitarismo comunista.

  3. 03Situar

    Revela um traço que distingue o Estado Novo de outros fascismos: o seu forte tradicionalismo católico, a par do autoritarismo, do partido único e da censura.

Resultado: A divisa «Deus, Pátria, Família» revela a natureza autoritária, conservadora, católica e nacionalista do Estado Novo: um regime de ordem tradicional, que combina traços comuns aos fascismos com um tradicionalismo católico que o singulariza.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a passagem da Primeira República ao Estado Novo (28 de Maio de 1926; Salazar; Constituição de 1933).
  • Caracterizar o Estado Novo (autoritário, corporativo, partido único, censura, PIDE, nacionalismo) e discutir a sua relação com os fascismos.
  • Caracterizar as mutações culturais (crise das certezas — Einstein, Freud; vanguardas; cultura de massas e propaganda).

Erros frequentes

  • Confundir o 28 de Maio de 1926 (fim da República, ditadura) com o 25 de Abril de 1974 (fim da ditadura).
  • Confundir a Primeira República (1910-1926) com o Estado Novo (a partir de 1933).
  • Afirmar, sem análise, que o Estado Novo era «igual» ao nazismo, ignorando as diferenças (conservadorismo, catolicismo, menor mobilização e ausência do racismo nazi).

Revisão ativa

Caracteriza o Estado Novo, indicando três das suas características, e discute em que medida se aproxima e se distingue dos fascismos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A Primeira Guerra e a Primeira República◐
    • 02A Revolução Russa e a crise de 1929●
    • 03Os fascismos e o totalitarismo●
    • 04O Estado Novo em Portugal e as mutações culturais●

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Dos resumos à prática

Módulo 7 — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais na Primeira Metade do Século XX

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Referências e fontes

Fontes

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