EuraStudy
A primeira metade do século XX foi um tempo de crises e de choques ideológicos: a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e o comunismo, a crise de 1929, e a ascensão dos fascismos e dos regimes totalitários. Em Portugal, a instável Primeira República foi derrubada em 1926, dando lugar ao Estado Novo de Salazar. Módulo central do Exame Final Nacional de História A (Prova 623), estas matérias exigem rigor e análise crítica.
4 secções~16 min de leitura3 competênciasNível Padrão 1 · Aprofundamento 3
nível básico
Situar a 1.ª Guerra, a Revolução Russa, a crise de 1929 e a construção do Estado Novo (1926-1933).
nível avançado
Distinguir os três modelos político-ideológicos e analisar criticamente o totalitarismo e o Estado Novo, interpretando fontes (competência exigida na Prova 623).
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A primeira metade do século XX (1914-1939)
As causas da Primeira Guerra Mundial
Explica por que o Tratado de Versalhes (1919), ao punir duramente a Alemanha, contribuiu para a instabilidade e para as crises das décadas seguintes.
Versalhes responsabilizou a Alemanha pela guerra e impôs-lhe indemnizações pesadas, perdas de território e o desarmamento.
Estas condições, sentidas como humilhantes e injustas, geraram na Alemanha um profundo ressentimento nacional.
Esse ressentimento, agravado pela crise de 1929, foi explorado pelo nazismo, que prometia refazer a grandeza alemã — preparando novas crises e a Segunda Guerra.
Resultado: Ao punir severamente a Alemanha, Versalhes semeou um ressentimento nacional que, combinado com a crise de 1929, foi aproveitado pelo nazismo — pelo que a «paz» de 1919 é uma das causas das crises e da guerra que se seguiriam.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue as causas profundas da Primeira Guerra Mundial do pretexto que a desencadeou, explicando por que se fala de multicausalidade.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))
O desemprego na crise de 1929 (Estados Unidos)
Um historiador afirma que «sem a crise de 1929, dificilmente Hitler teria chegado ao poder». Explica esta afirmação, relacionando a crise económica com a ascensão do nazismo.
A Grande Depressão atingiu duramente a Alemanha, com desemprego em massa e miséria, sobre um país já humilhado por Versalhes.
O desespero e o medo (também o medo do comunismo) levaram muitos a apoiar os nazis, que prometiam trabalho, ordem e a grandeza nacional.
A crise foi, assim, um fator decisivo (embora não o único) da chegada de Hitler ao poder em 1933.
Resultado: A afirmação sublinha o peso da crise de 1929: ao lançar a Alemanha no desemprego e no desespero, criou as condições que os nazis exploraram — a crise económica foi um fator determinante da ascensão do nazismo, mostrando a ligação entre economia e política.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a crise de 1929 pôs em causa o liberalismo económico e conduziu à intervenção do Estado na economia.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Democracia liberal, comunismo e fascismo
Um texto de propaganda dos anos 30 afirma: «Um só partido, um só chefe, uma só vontade. O indivíduo nada é; tudo pertence ao Estado e à Nação.» Analisa a fonte e identifica o tipo de regime que exprime.
«Um só partido, um só chefe» = partido único e culto do chefe; «o indivíduo nada é, tudo pertence ao Estado» = negação das liberdades individuais e controlo total.
Estas características — partido único, chefe todo-poderoso, primado do Estado/Nação sobre o indivíduo — definem um regime totalitário, de tipo fascista.
A fonte é propaganda: exalta a submissão total ao Estado, o oposto da democracia liberal, que garante liberdades e pluralismo.
Resultado: A fonte exprime um regime totalitário fascista: partido único, culto do chefe e absorção do indivíduo pelo Estado e pela Nação — a negação das liberdades e do pluralismo próprios da democracia liberal.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue a democracia liberal, o comunismo e o fascismo quanto ao número de partidos, às liberdades e à economia.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Do 28 de Maio ao Estado Novo
A propaganda do regime resume os seus valores na «lição de Salazar»: «Deus, Pátria, Família». Explica o que esta divisa revela sobre a natureza do Estado Novo.
«Deus» remete para o catolicismo e a tradição religiosa; «Pátria», para o nacionalismo e o culto da nação e do império; «Família», para a ordem social tradicional e hierárquica.
A divisa exprime um regime autoritário, conservador, católico e nacionalista, avesso ao individualismo liberal e ao igualitarismo comunista.
Revela um traço que distingue o Estado Novo de outros fascismos: o seu forte tradicionalismo católico, a par do autoritarismo, do partido único e da censura.
Resultado: A divisa «Deus, Pátria, Família» revela a natureza autoritária, conservadora, católica e nacionalista do Estado Novo: um regime de ordem tradicional, que combina traços comuns aos fascismos com um tradicionalismo católico que o singulariza.
Erros frequentes
Revisão ativa
Caracteriza o Estado Novo, indicando três das suas características, e discute em que medida se aproxima e se distingue dos fascismos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 7 (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)