EuraStudy
Resumos/História A/Módulo 6 — A Civilização Industrial: Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas
Resumos · História APT · Secundário

Módulo 6 — A Civilização Industrial: Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas

A Revolução Industrial transformou a economia, a sociedade e o mundo do trabalho, criando a sociedade de classes e opondo o liberalismo económico ao socialismo. O século XIX é ainda o dos nacionalismos (unificações) e do imperialismo (a partilha de África). Em Portugal, à Regeneração e ao fontismo seguem-se o atraso relativo, o Ultimatum de 1890 e a ascensão do republicanismo. Módulo central do Exame Final Nacional de História A (Prova 623).

4 secções·~16 min de leitura·3 competências·Nível Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0777 / 10
Perfil de exame
Explicar a Revolução Industrial e as suas consequências sociaisDistinguir o liberalismo económico do socialismoCaracterizar nacionalismos e imperialismo e o Portugal da segunda metade do século XIX
Operadores:explicadistinguecaracterizarelacionainterpretaanalisajustifica

nível básico

Conhecer as inovações e consequências da Revolução Industrial, distinguir liberalismo económico de socialismo e situar o Ultimatum de 1890.

nível avançado

Explicar a sociedade de classes, o imperialismo e o atraso português, interpretando fontes económicas e sociais (competência exigida na Prova 623).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

Texto

Tamanho do texto: Padrão

Conteúdo · 4 secções▾
  1. Módulo 6 — A Civilização Industrial: Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas
    • 01A Revolução Industrial e o mundo do trabalho◐
    • 02Economia e sociedade: liberalismo económico e socialismo●
    • 03Nacionalismos, imperialismo e a partilha de África◐
    • 04Portugal na segunda metade do século XIX◐
§ 01

A Revolução Industrial e o mundo do trabalho#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-6

Pontos-chave

A Revolução Industrial foi a maior transformação económica desde a invenção da agricultura. Iniciada em Inglaterra em meados do século XVIII e difundida depois pela Europa e pelo mundo, substituiu a produção manual e artesanal pela produção mecanizada, na fábrica, movida por novas fontes de energia (ver Fig. 1). Explica-se por múltiplas causas que se reforçaram: uma revolução agrícola prévia (que aumentou a produção e libertou mão de obra), a acumulação de capital (do comércio e das colónias), o crescimento da população (que dava trabalhadores e mercado), a abundância de carvão e de ferro, os mercados coloniais e uma série de invenções técnicas.

As duas Revoluções Industriais

As Revoluções IndustriaisLinha do tempo de 1750 a 1920, 1769: Máquina a vapor (Watt), 1830: Caminho-de-ferro, 1870: 2.ª Revolução Industrial, 1760–1860: 1.ª Revolução Industrial (carvão, ferro, vapor), 1870–1914: 2.ª Revolução Industrial (eletricidade, petróleo, aço)17501920ano1.ª RevoluçãoIndustrial (carvã…2.ª RevoluçãoIndustrial (eletr…1769Máquina a vapor(Watt)1830Caminho-de-ferro18702.ª RevoluçãoIndustrial
Fig. 1Fig. 1 — Da máquina a vapor à eletricidade e ao aço: as duas Revoluções Industriais.
A inovação decisiva foi a máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt (1769), que forneceu uma força motriz poderosa e constante, independente da água e do vento. Aplicada às máquinas têxteis, às minas e depois aos transportes, deu origem à fábrica moderna e ao caminho-de-ferro (a partir de 1830), que revolucionou a circulação de pessoas e mercadorias. A produção multiplicou-se, o carvão tornou-se a energia da época e o ferro o seu material — nascia a civilização industrial. A partir de cerca de 1870, uma segunda Revolução Industrial trouxe novas energias (a eletricidade, o petróleo), novos materiais (o aço) e novas potências (a Alemanha e os Estados Unidos).
As consequências sociais foram profundas e, para muitos, dramáticas. A industrialização gerou um extraordinário crescimento demográfico e urbano: a população europeia disparou (ver Fig. 2) e as cidades industriais cresceram desordenadamente, atraindo multidões do campo. Formou-se uma nova classe, o proletariado — os operários que, não possuindo nada além da sua força de trabalho, a vendiam nas fábricas. As condições eram muito duras: jornadas de 12 a 16 horas, salários baixos, fábricas insalubres e perigosas, trabalho de mulheres e de crianças, e nenhuma proteção social. A cidade industrial juntava a riqueza dos patrões à miséria dos bairros operários.

O crescimento da população europeia

População da Europa (aproximada)Gráfico de colunas: Milhões (aprox.) por Ano, Dados: Europa: milhões de habitantes (aprox.) · 1700: 120; Europa: milhões de habitantes (aprox.) · 1800: 190; Europa: milhões de habitantes (aprox.) · 1850: 270; Europa: milhões de habitantes (aprox.) · 1900: 4000501001502002503003504001700180018501900120190270400Milhões (aprox.)Ano
Fig. 2Fig. 2 — A população europeia mais do que triplicou entre 1700 e 1900 (valores aproximados, para ilustrar a tendência).
A Revolução Industrial substituiu, assim, a velha sociedade de ordens por uma sociedade de classes, definida pela posição na economia e pela riqueza, e não pelo nascimento. No topo, a burguesia — donos das fábricas, do capital e do comércio — tornou-se a classe dominante; em baixo, o proletariado, numeroso e explorado. Entre a nova riqueza e a nova miséria abriu-se a «questão social» — o conflito entre o capital e o trabalho —, que marcaria toda a história do século XIX e XX e daria origem às grandes doutrinas económicas e sociais em confronto: o liberalismo económico e o socialismo.
Exemplo resolvido

Analisar uma fonte sobre o trabalho na fábrica

Um relatório do século XIX descreve: «Nas fábricas, homens, mulheres e crianças trabalham catorze horas por dia, por salários miseráveis, em ar viciado e entre máquinas perigosas.» Analisa a fonte e relaciona-a com as consequências sociais da Revolução Industrial.

  1. 01Identificar o conteúdo

    A fonte descreve as condições de trabalho na fábrica: jornadas longuíssimas, baixos salários, trabalho infantil e feminino, insalubridade e perigo.

  2. 02Relacionar com a industrialização

    Estas condições resultam da concentração do trabalho na fábrica e da ausência de proteção do proletariado, a nova classe operária.

  3. 03Enquadrar

    Ilustram a «questão social» — a miséria operária ao lado da riqueza burguesa — que motivará o movimento operário e o socialismo.

Resultado: A fonte documenta as duras condições do proletariado industrial (jornadas de 14 horas, salários baixos, trabalho de mulheres e crianças), consequência social da Revolução Industrial e origem da questão social que alimentaria o socialismo.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar as causas e as inovações da Revolução Industrial (máquina a vapor, fábrica, caminho-de-ferro) e a 2.ª Revolução Industrial.
  • Caracterizar o mundo do trabalho industrial (proletariado, condições de trabalho, urbanização).
  • Explicar a passagem da sociedade de ordens à sociedade de classes (burguesia e proletariado).

Erros frequentes

  • Reduzir a Revolução Industrial à máquina a vapor, esquecendo as múltiplas causas e as consequências sociais.
  • Confundir sociedade de ordens (nascimento) com sociedade de classes (riqueza/posição económica).
  • Ignorar as duras condições do proletariado e a «questão social» geradas pela industrialização.

Revisão ativa

Explica por que a Revolução Industrial deu origem a uma nova sociedade de classes, distinguindo a burguesia do proletariado.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 6 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Economia e sociedade: liberalismo económico e socialismo#

●●●AprofundamentoLPAE-hist-a-modulo-6

Pontos-chave

Perante a nova economia industrial e a questão social, confrontaram-se duas grandes doutrinas (ver Fig. 3). A primeira foi o liberalismo económico, formulado por Adam Smith na obra «A Riqueza das Nações» (1776). Defende que a economia se regula por si mesma, como que por uma «mão invisível»: se cada um procurar o seu interesse, num mercado de livre concorrência, gera-se a riqueza de todos. Daí o princípio do laissez-faire — o Estado não deve intervir na economia —, a defesa do livre comércio e da propriedade privada. Era a doutrina da burguesia industrial, que justificava a livre iniciativa e a não regulação do trabalho.

Liberalismo económico e socialismo

Liberalismo económico vs socialismoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Liberalismo económico · Socialismo (marxista); Mercado · Livre concorrência; mão invisível · Crítica do mercado capitalista; Estado · Não intervém (laissez-faire) · Intervém; controla a economia; Propriedade · Privada e sagrada · Abolição da propriedade dos meios de produção; Sociedade · Iniciativa individual · Igualdade; fim das classes (revolução); Autor/obra · Adam Smith (1776) · Marx e Engels (Manifesto, 1848), célula destacada: Abolição da propriedade dos meios de produçãoASPETOLIBERALISMO ECONÓMICOSOCIALISMO (MARXISTA)MERCADOLivre concorrência; mãoinvisívelCrítica do mercadocapitalistaESTADONão intervém (laissez-faire)Intervém; controla aeconomiaPROPRIEDADEPrivada e sagradaAbolição da propriedade dosmeios de produçãoSOCIEDADEIniciativa individualIgualdade; fim das classes(revolução)AUTOR/OBRAAdam Smith (1776)Marx e Engels (Manifesto,1848)
Fig. 3Fig. 3 — Duas respostas opostas à economia industrial e à questão social.
A segunda doutrina, o socialismo, nasceu como reação à miséria operária e à exploração geradas pelo capitalismo industrial. Uma primeira corrente, o socialismo utópico (Owen, Fourier, Saint-Simon), sonhava com comunidades ideais e harmoniosas, a alcançar pela cooperação e pelo exemplo, sem conflito de classes. Mais influente foi o socialismo científico ou marxismo, de Karl Marx e Friedrich Engels, exposto no «Manifesto do Partido Comunista» (1848) e em «O Capital». Marx via na história uma luta de classes; denunciava a exploração do proletariado (a extração da mais-valia pelo capitalista); e defendia que os operários deviam derrubar a burguesia pela revolução, abolir a propriedade privada dos meios de produção e construir uma sociedade sem classes.
Estas ideias alimentaram o movimento operário. Para melhorar a sua condição, os trabalhadores organizaram-se: fundaram sindicatos, recorreram à greve, criaram partidos operários e associações internacionais (as «Internacionais»). Reivindicavam melhores salários, a redução do horário de trabalho, a proibição do trabalho infantil, condições dignas e o direito de voto. Ao longo do século XIX e início do XX, este movimento — reformista numas correntes, revolucionário noutras — tornou-se uma força política decisiva, e obteve gradualmente conquistas (legislação laboral, sufrágio alargado) que atenuaram a exploração inicial.
O confronto entre liberalismo económico e socialismo estruturou a vida política e social contemporânea, e é essencial distingui-los: o primeiro defende o mercado livre, a propriedade privada e o Estado mínimo; o segundo, a intervenção, a igualdade social e, na versão marxista, a abolição da propriedade privada e a revolução do proletariado. Deste confronto nasceriam, no século XX, os grandes regimes e conflitos ideológicos — o comunismo (herdeiro do marxismo, com a Revolução Russa de 1917), mas também as reações totalitárias —, matéria do módulo seguinte. Compreender estas duas doutrinas é a chave de todo o século XX.
Exemplo resolvido

Confrontar duas fontes doutrinárias

Uma fonte defende que «o Estado não deve intervir na economia: a livre concorrência basta para gerar a riqueza». Outra afirma que «a história é a luta de classes, e o proletariado deve abolir a propriedade e libertar-se pela revolução». Identifica cada doutrina e explica o que as opõe.

  1. 01Identificar a primeira

    «Estado não intervém» e «livre concorrência» identificam o liberalismo económico (Adam Smith).

  2. 02Identificar a segunda

    «Luta de classes», «abolir a propriedade» e «revolução» identificam o socialismo científico/marxismo (Marx).

  3. 03Explicar a oposição

    Divergem no papel do Estado (mínimo vs interventor), na propriedade (privada vs abolida) e no método (livre iniciativa vs revolução do proletariado).

Resultado: A primeira fonte é o liberalismo económico (mercado livre, Estado mínimo, propriedade privada) e a segunda o marxismo (luta de classes, abolição da propriedade, revolução): as duas grandes doutrinas em confronto na civilização industrial.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o liberalismo económico (Adam Smith, mão invisível, laissez-faire, livre concorrência).
  • Distinguir socialismo utópico de socialismo científico (Marx: luta de classes, mais-valia, revolução).
  • Explicar o movimento operário (sindicatos, greve, Internacionais) e distinguir liberalismo económico de socialismo.

Erros frequentes

  • Confundir liberalismo económico (mercado livre) com liberalismo político (direitos e constituição) ou com o socialismo.
  • Confundir socialismo utópico (comunidades ideais) com socialismo científico/marxismo (luta de classes e revolução).
  • Atribuir o «Manifesto Comunista» (1848) ou a mais-valia a outro autor que não Marx (e Engels).

Revisão ativa

Distingue o liberalismo económico do socialismo marxista quanto ao papel do Estado, à propriedade e à questão social.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 6 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Nacionalismos, imperialismo e a partilha de África#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-6

Pontos-chave

O século XIX foi também o «século dos nacionalismos». O nacionalismo é o princípio de que cada nação — comunidade com língua, cultura e história próprias — deve ter o seu próprio Estado. Este ideal levou, na segunda metade do século, à formação de dois novos e poderosos Estados: a unificação da Itália (concluída em 1861) e a unificação da Alemanha (1871), realizada por Bismarck pelo «ferro e sangue», após guerras vitoriosas. O surgimento da Alemanha unida alterou profundamente o equilíbrio europeu e alimentou as rivalidades entre as potências, que desembocariam na Primeira Guerra Mundial.
Ao nacionalismo juntou-se, no final do século, um novo imperialismo: a corrida das potências europeias (e do Japão e dos EUA) à conquista de vastos territórios em África e na Ásia. As causas foram múltiplas (ver Fig. 4): económicas (a procura de matérias-primas, de mercados e de zonas para investir os capitais da indústria), políticas e estratégicas (o prestígio nacional e a competição entre potências), demográficas (a emigração) e ideológicas. Entre estas últimas destacava-se o darwinismo social — a ideia, hoje repudiada, de que existiriam «raças» ou nações superiores com o direito e o dever de dominar as «inferiores» —, usado para justificar, com um verniz «civilizador», a dominação e a exploração de outros povos.

As causas do imperialismo

Causas do imperialismoGrafo, Económicas (matérias-primas, mercados, capitais) → Imperialismo e partilha de África, Políticas e estratégicas (prestígio, rivalidade) → Imperialismo e partilha de África, Demográficas (emigração) → Imperialismo e partilha de África, Ideológicas (darwinismo social, «missão civilizadora») → Imperialismo e partilha de ÁfricaEconómicas(matérias-primas, mercado…Políticas eestratégicas(prestígio, riv…Demográficas(emigração)Ideológicas(darwinismosocial, «missão…Imperialismo epartilha deÁfrica
Fig. 4Fig. 4 — O imperialismo do final do século XIX explica-se pela convergência de várias causas.
O caso mais impressionante foi a partilha de África. Em poucas décadas, quase todo o continente africano foi repartido e ocupado pelas potências europeias, sem qualquer consideração pelos povos e reinos africanos. Para regular esta corrida e evitar conflitos entre si, as potências reuniram-se na Conferência de Berlim (1884-1885), convocada por Bismarck, que fixou as regras da partilha — nomeadamente o princípio da «ocupação efetiva» (para ter direito a um território, era preciso ocupá-lo de facto). África foi dividida à régua sobre o mapa, e as consequências dessa partilha arbitrária far-se-iam sentir por muito tempo.
O imperialismo teve consequências duradouras e, em larga medida, trágicas. Para as potências, trouxe poder, riqueza e prestígio, mas também acirrou as rivalidades que levariam à Grande Guerra. Para os povos colonizados, significou dominação, exploração económica, violência e a destruição ou subordinação das suas sociedades — ainda que os colonizadores a apresentassem como «missão civilizadora». A História deve descrever este processo com rigor e sem apologia: o imperialismo foi um sistema de dominação, e as fronteiras artificiais então traçadas em África estão na origem de muitos problemas do mundo contemporâneo. Para Portugal, a corrida a África seria, como veremos, a ocasião de uma grave humilhação: o Ultimatum inglês de 1890.
Exemplo resolvido

Analisar criticamente uma fonte imperialista

Um discurso do final do século XIX afirma que «cabe às nações civilizadas levar o progresso aos povos atrasados, ocupando e governando os seus territórios». Analisa criticamente a fonte, distinguindo a justificação apresentada das verdadeiras causas.

  1. 01Identificar a justificação

    A fonte invoca a «missão civilizadora»: as nações «civilizadas» teriam o dever de levar o progresso aos «atrasados» — uma justificação ideológica ligada ao darwinismo social.

  2. 02Distinguir das causas reais

    Por detrás desse discurso estavam causas económicas (matérias-primas, mercados, investimento) e políticas (prestígio, rivalidade entre potências).

  3. 03Avaliar criticamente

    O discurso mascara de «civilização» o que era dominação e exploração; a análise histórica deve desmontar essa retórica.

Resultado: A fonte usa a ideologia da «missão civilizadora» (darwinismo social) para justificar o imperialismo, mas as suas causas reais eram económicas e políticas: analisá-la criticamente é distinguir a justificação ideológica da dominação efetiva dos povos colonizados.

Foco no Exame Nacional

  • Definir nacionalismo e situar as unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).
  • Explicar, de forma multicausal, as causas do imperialismo (económicas, políticas, ideológicas — darwinismo social).
  • Explicar a partilha de África e a Conferência de Berlim (1884-85) e avaliar criticamente as suas consequências.

Erros frequentes

  • Confundir nacionalismo (cada nação, um Estado) com imperialismo (domínio de outros povos).
  • Apresentar a «missão civilizadora» como facto, em vez de a analisar criticamente como justificação da dominação.
  • Ignorar a Conferência de Berlim (1884-85) ou o caráter arbitrário da partilha de África.

Revisão ativa

Explica, mobilizando várias causas, por que as potências europeias se lançaram à partilha de África no final do século XIX.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 6 (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Portugal na segunda metade do século XIX#

●●○PadrãoLPAE-hist-a-modulo-6

Pontos-chave

Em Portugal, a segunda metade do século XIX abriu-se com a Regeneração (a partir de 1851), que trouxe estabilidade política ao regime da monarquia constitucional (ver Fig. 5). Terminadas as guerras civis entre liberais, os partidos passaram a alternar-se pacificamente no poder (o «rotativismo»), sob a Carta Constitucional revista. Foi um tempo de aposta no «desenvolvimento material» do país, associado à figura de Fontes Pereira de Melo — o fontismo —, que lançou um vasto programa de obras públicas: caminhos-de-ferro, estradas, pontes, portos e telégrafo, para modernizar e integrar o território.

Portugal, da Regeneração à República (1851-1910)

Portugal 1851-1910Linha do tempo de 1848 a 1912, 1851: Regeneração (estabilidade), 1856: Primeiro caminho-de-ferro (fontismo), 1890: Ultimatum inglês, 1908: Regicídio, 1910: Implantação da República18481912ano1851Regeneração(estabilidade)1856Primeirocaminho-de-ferr…1890Ultimatum inglês1908Regicídio1910Implantação daRepública
Fig. 5Fig. 5 — Portugal na segunda metade do século XIX: da estabilidade da Regeneração à queda da monarquia.
Este esforço de modernização teve, porém, limites e um preço. As obras foram financiadas em grande parte por dívida externa, o que fragilizou as finanças do Estado. E, sobretudo, Portugal industrializou-se pouco e tarde: continuava a ser um país predominantemente agrário, pobre, com elevado analfabetismo e forte emigração (sobretudo para o Brasil), e economicamente dependente do estrangeiro, sobretudo de Inglaterra. Comparado com as potências industriais da Europa, Portugal vivia um atraso relativo, que os progressos do fontismo atenuaram mas não superaram.
No plano colonial, Portugal foi apanhado na corrida imperialista, com consequências humilhantes. Possuindo antigas colónias em África (Angola e Moçambique), quis ligá-las por terra, ocupando os territórios entre ambas — o projeto do «Mapa Cor-de-Rosa». Mas este chocava com os interesses da Inglaterra, que pretendia unir os seus domínios do Cairo ao Cabo. Em 1890, a Inglaterra dirigiu a Portugal um Ultimatum, exigindo a retirada imediata desses territórios; Portugal, fraco e sem meios para resistir, teve de ceder. O Ultimatum foi sentido como uma humilhação nacional e um golpe no prestígio da monarquia.
O Ultimatum de 1890 teve enormes consequências políticas: deu um forte impulso ao republicanismo. O Partido Republicano acusou a monarquia de ser incapaz de defender a honra e os interesses da nação, e ganhou apoio crescente, sobretudo nas cidades, entre a burguesia, os intelectuais e o povo urbano. A esta agitação juntaram-se a crise económica, o descontentamento social e o desgaste do regime, culminando no regicídio de 1908 (o assassínio do rei D. Carlos e do herdeiro). A monarquia constitucional entrava em agonia, e a 5 de outubro de 1910 seria substituída pela República — acontecimento que abre o módulo seguinte.
Exemplo resolvido

Analisar uma reação ao Ultimatum

Um jornal republicano de 1890 escreve: «Cedeu a monarquia à imposição estrangeira, sacrificando a honra da Pátria. Só uma República saberá defender a nação.» Analisa a fonte e explica as consequências políticas do Ultimatum.

  1. 01Contextualizar

    A fonte reage ao Ultimatum inglês de 1890, em que Portugal cedeu os territórios africanos do Mapa Cor-de-Rosa.

  2. 02Identificar a crítica

    Acusa a monarquia de fraqueza e de sacrificar a «honra da Pátria», e apresenta a República como alternativa capaz de defender a nação.

  3. 03Explicar as consequências

    O Ultimatum, explorado assim pelos republicanos, minou o prestígio da monarquia e impulsionou o republicanismo, contribuindo para a queda do regime em 1910.

Resultado: A fonte mostra como o Ultimatum de 1890 foi usado pelo republicanismo: ao apresentar a monarquia como incapaz de defender a honra nacional, os republicanos ganharam apoio — pelo que o Ultimatum foi um fator decisivo da crise da monarquia e da implantação da República em 1910.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a Regeneração e o fontismo (estabilidade, obras públicas) e os seus limites (dívida, atraso relativo).
  • Explicar o Ultimatum de 1890 (Mapa Cor-de-Rosa, exigência inglesa) e o seu significado como humilhação nacional.
  • Relacionar o Ultimatum com a ascensão do republicanismo e a crise da monarquia (regicídio de 1908).

Erros frequentes

  • Julgar que o fontismo industrializou Portugal (o país manteve-se agrário e atrasado, e endividou-se).
  • Situar mal o Ultimatum (1890) ou confundir o Mapa Cor-de-Rosa com uma conquista efetiva.
  • Não relacionar o Ultimatum com a ascensão do republicanismo e a queda da monarquia (1910).

Revisão ativa

Explica de que forma o Ultimatum de 1890 contribuiu para a crise da monarquia e a ascensão do republicanismo em Portugal.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 6 (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A Revolução Industrial e o mundo do trabalho◐
    • 02Economia e sociedade: liberalismo económico e socialismo●
    • 03Nacionalismos, imperialismo e a partilha de África◐
    • 04Portugal na segunda metade do século XIX◐

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Módulo 6 — A Civilização Industrial: Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~16
min
3
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de História A — Módulo 6

Tópico anterior

Módulo 5 — O Liberalismo: Ideologia e Revolução, Modelos e Práticas nos Séculos XVIII e XIX

Tópico seguinte

Módulo 7 — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais na Primeira Metade do Século XX

EuraStudy·Resumos T·07·MMXXVI

Continua com o tópico seguinte: o teu percurso é mantido.