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Esta unidade confronta duas conceções da evolução e da objetividade da ciência. Para Popper, a ciência progride racionalmente por eliminação do erro, selecionando as teorias mais aptas e aproximando-se da verdade. Para Kuhn, a ciência desenvolve-se por fases — ciência normal dentro de um paradigma, anomalias, crise e revolução científica que substitui o paradigma —, sendo os paradigmas incomensuráveis, o que problematiza a objetividade e o progresso. Comparar Popper e Kuhn é tema recorrente do Exame Nacional 714.
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Todos os cursos: compreender o progresso da ciência em Popper (eliminação do erro) e o desenvolvimento por paradigmas e revoluções em Kuhn.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: discutir a incomensurabilidade dos paradigmas e a questão da objetividade, confrontando criticamente Popper e Kuhn.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Duas conceções da mudança científica
«A ciência é uma longa história de acumulação de verdades, em que cada geração acrescenta às anteriores.» Que conceção da mudança científica exprime, e como reagiriam Popper e Kuhn?
É uma conceção cumulativa e contínua do progresso científico (a ciência só cresce, sem ruturas).
Popper aceita o progresso e a aproximação à verdade, mas não por acumulação de confirmações — sim por eliminação do erro (as teorias são substituídas por melhores).
Kuhn rejeita a imagem cumulativa: há revoluções em que o paradigma anterior é abandonado, não simplesmente somado; há descontinuidade, não pura acumulação.
Resultado: A frase exprime uma conceção cumulativa ingénua. Popper corrige-a (progresso por eliminação do erro, não por acumulação) e Kuhn rejeita-a (a ciência conhece ruturas revolucionárias). O exemplo mostra que ambos recusam o cumulativismo, mas por razões diferentes.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a diferença entre conceber a mudança científica como acumulação contínua e concebê-la como sucessão de ruturas, e associa cada conceção a Popper e a Kuhn.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Racionalidade científica e objetividade) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O esquema do progresso segundo Popper
Descreve, com o esquema P1 → TT → EE → P2, como a deteção de uma anomalia leva à substituição de uma teoria por outra melhor.
Parte-se de um problema (P1: explicar um fenómeno) e propõe-se uma teoria-tentativa (TT) que o pretende resolver.
Submete-se TT a testes severos; um teste revela uma previsão falhada (anomalia) que refuta ou limita TT — é a eliminação do erro (EE).
A refutação levanta um novo problema (P2), mais profundo, que exige uma nova teoria com maior conteúdo e verosimilhança, reiniciando o ciclo.
Resultado: O progresso dá-se porque a crítica elimina o que é falso e gera problemas mais ricos: a teoria seguinte resolve o problema da anterior e mais alguns, aproximando-se da verdade. Não há prova final, mas há progresso objetivo por eliminação do erro.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o esquema P1 → TT → EE → P2 aplicando-o a um exemplo (por exemplo, a substituição de uma teoria científica por outra que resolve as suas dificuldades).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Racionalidade científica e objetividade) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O ciclo do desenvolvimento científico de Kuhn
A física clássica não explicava certos fenómenos (radiação do corpo negro, órbita de Mercúrio). Descreve o processo segundo Kuhn até à mudança de paradigma.
Sob o paradigma da física clássica, os cientistas resolviam problemas assumindo os seus princípios como não problemáticos.
Certos resultados resistiram persistentemente (corpo negro, Mercúrio); a acumulação de anomalias no núcleo gerou crise e busca de alternativas.
Emergiram a mecânica quântica e a relatividade, novos paradigmas que reorganizaram conceitos fundamentais (espaço, tempo, energia) e substituíram o anterior.
Resultado: O caso ilustra o ciclo de Kuhn: ciência normal clássica → anomalias persistentes → crise → revolução (relatividade e quântica) → novo paradigma e nova ciência normal. A mudança não foi mera adição, mas reorganização da visão do mundo físico.
Erros frequentes
Revisão ativa
Descreve o ciclo do desenvolvimento científico segundo Kuhn (ciência normal, anomalias, crise, revolução, novo paradigma) aplicando-o a uma mudança científica que conheças.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Racionalidade científica e objetividade) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Popper vs Kuhn
Um crítico de Kuhn diz: «Se os paradigmas fossem realmente incomensuráveis, nem sequer poderíamos dizer que discordam.» Reconstrói a objeção e uma resposta kuhniana.
Se dois paradigmas não têm nada em comum (nem conceitos, nem observações), não haveria sequer base para dizer que se contradizem — mas dizemos que a relatividade contraria a física clássica, logo há comparação.
A objeção visa a versão radical da incomensurabilidade, que tornaria impossível qualquer comparação e comunicação entre paradigmas.
Kuhn pode responder que a incomensurabilidade é parcial, não total: há dificuldades de tradução e ausência de critério plenamente neutro, mas não ausência absoluta de comunicação — cientistas de paradigmas diferentes entendem-se com esforço.
Resultado: A objeção mostra que a incomensurabilidade total é insustentável (impediria até o desacordo). A resposta kuhniana matiza a tese: a incomensurabilidade é parcial — dificulta, mas não impossibilita, a comparação. Isto aproxima Kuhn de uma posição menos relativista e permite salvar algum progresso objetivo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escreve o plano de um ensaio que responda «A escolha entre teorias científicas é totalmente objetiva?», mobilizando Popper e Kuhn e tomando uma posição fundamentada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Racionalidade científica e objetividade) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)