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Esta unidade de filosofia da ciência investiga o que distingue o conhecimento científico. Aborda a diferença entre ciência e senso comum e o problema da demarcação; expõe o indutivismo e o problema da indução herdado de Hume; e apresenta a resposta de Popper — o falsificacionismo, com a falsificabilidade como critério de demarcação, o método de conjeturas e refutações e a noção de corroboração. É tema central do 11.º ano e do Exame Nacional 714.
4 secções~14 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Todos os cursos: compreender o problema da demarcação e a ideia de Popper de que uma teoria científica tem de ser falsificável.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: expor o problema da indução, o método de conjeturas e refutações e a noção de corroboração, e discutir criticamente o falsificacionismo.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Ciência e senso comum
Duas pessoas creem que «beber água morna de manhã faz bem». Uma repete-o porque a avó dizia; outra desenha um estudo controlado para o testar. Distingue as duas atitudes.
Aceita a crença por tradição, sem a testar nem a formular de modo preciso — é a atitude do senso comum.
Formula uma hipótese precisa e submete-a a um teste controlado, disposta a abandoná-la se os dados a contrariarem — é a atitude científica.
A diferença não está no conteúdo (a mesma crença), mas no método e na disposição para rever à luz da evidência.
Resultado: A distinção ciência/senso comum reside na atitude metódica e crítica: formular hipóteses precisas, testá-las de forma controlada e estar disposto a corrigir. O mesmo conteúdo pode ser mantido de modo pré-científico ou científico consoante essa atitude.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que uma teoria que «explica tudo» e nunca pode ser desmentida é suspeita do ponto de vista da demarcação, usando um exemplo de pseudociência.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Estatuto do conhecimento científico) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Indução vs refutação
Um indutivista afirma que a lei «todos os metais dilatam com o calor» está provada porque foi confirmada milhares de vezes. Avalia a afirmação.
A lei é universal (todos os metais, sempre); as confirmações são casos particulares finitos.
Nenhum número finito de confirmações esgota os casos possíveis (metais futuros, condições não testadas); a inferência pressupõe a uniformidade da natureza, que não está provada.
A lei não está «provada»; está, no máximo, bem apoiada e não refutada. Bastaria um caso de metal que não dilatasse para a falsificar.
Resultado: A afirmação é indefensável em rigor: as confirmações não provam uma lei universal (problema da indução). A lei permanece uma conjetura bem sucedida mas falsificável — ideia que Popper tornará central.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a observação de milhares de cisnes brancos não prova «todos os cisnes são brancos», mas a observação de um único cisne negro a refuta, e o que isso mostra sobre a indução.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Estatuto do conhecimento científico) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O método de conjeturas e refutações
Compara, quanto à cientificidade, «a luz encurva-se ao passar perto de uma grande massa» (relatividade) e «tudo acontece como Deus quer, de modo insondável». Usa o critério de Popper.
A previsão da relatividade é arriscada: prevê um desvio observável da luz das estrelas junto ao Sol; se não se observasse, a teoria seria refutada. É falsificável.
«Tudo acontece como Deus quer de modo insondável» é compatível com qualquer resultado; nada a poderia desmentir. Não é falsificável.
Pelo critério de Popper, a primeira é científica (arrisca-se à refutação e resistiu), a segunda não é científica (imune ao desmentido).
Resultado: A afirmação da relatividade é científica por ser falsificável (fez uma previsão arriscada, testável e corroborada em 1919); a afirmação teológica insondável não é científica por não excluir nenhum resultado. O critério é a falsificabilidade, não a verdade nem o uso de linguagem técnica.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que, para Popper, a afirmação «todos os cisnes são brancos» é científica e a afirmação «os astros influenciam o destino de forma que se ajusta a qualquer acontecimento» não é, recorrendo ao critério da falsificabilidade.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Estatuto do conhecimento científico) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Verificacionismo vs falsificacionismo
Uma experiência parece refutar a teoria T. Mostra por que, na prática, isso não obriga logicamente a abandonar T, e que crítica isto levanta ao falsificacionismo estrito.
Ao testar T, usam-se sempre hipóteses auxiliares (sobre os instrumentos, as condições iniciais, teorias de fundo). Testa-se T + hipóteses auxiliares, não T isolada.
Se a previsão falha, a lógica só diz que algo no conjunto está errado — pode ser uma hipótese auxiliar (um erro de medição), não a teoria central T.
Logo, é sempre possível salvar T culpando uma hipótese auxiliar; a refutação nunca é tão inequívoca como o falsificacionismo estrito sugere.
Resultado: Pela tese de Duhem-Quine, uma refutação atinge o conjunto teoria + hipóteses auxiliares, não a teoria isolada, pelo que é sempre possível (dentro de limites) preservar a teoria central. Isto mostra que a falsificação real é mais complexa do que o modelo simples de Popper — crítica que Kuhn desenvolverá.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica a diferença entre dizer que uma teoria está «confirmada» e dizer que está «corroborada», e por que Popper prefere o segundo termo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Estatuto do conhecimento científico) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)