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Esta unidade compara duas teorias explicativas do conhecimento. O racionalismo de Descartes procura, através da dúvida metódica, um fundamento indubitável (o cogito) e um critério de verdade (a clareza e a distinção), recorrendo à existência de Deus para garantir o conhecimento do mundo. O empirismo de Hume faz derivar todas as ideias das impressões, distingue relações de ideias de questões de facto, e mostra que a causalidade assenta no hábito, levantando o problema da indução. É núcleo do 11.º ano e do Exame Nacional 714.
5 secções~19 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2
nível básico
Todos os cursos: compreender a dúvida metódica e o cogito de Descartes e a distinção entre impressões e ideias em Hume.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: analisar o critério de verdade e o papel de Deus em Descartes, e o problema da causalidade e da indução em Hume, comparando criticamente as duas teorias.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Duas estratégias face ao conhecimento
Segundo o método de Hume, como se avaliaria a legitimidade da ideia de «substância» (algo que subsiste por baixo das qualidades sensíveis)?
Para Hume, toda a ideia legítima deriva de uma impressão anterior (sensível ou interna).
Dos objetos temos impressões de cor, forma, dureza, sabor... mas não uma impressão da «substância» em si, por baixo dessas qualidades.
Não havendo impressão correspondente, a ideia de substância é, para Hume, obscura ou ilegítima — uma ficção da mente.
Resultado: Aplicando o teste da impressão, Hume conclui que a ideia de substância não deriva de nenhuma impressão e é, por isso, suspeita. O exemplo mostra como o princípio empirista funciona como crivo crítico dos conceitos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que Descartes começa por duvidar de tudo e Hume por perguntar «de que impressão deriva esta ideia?», e o que cada estratégia procura alcançar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (A atividade cognoscitiva) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os graus da dúvida até ao cogito
Mostra por que «penso, logo existo» é uma certeza que sobrevive mesmo à hipótese de um enganador todo-poderoso.
Admita-se que um génio maligno me engana em tudo o que penso.
Para ser enganado, tenho de estar a pensar; e para pensar, tenho de existir — o engano pressupõe um sujeito que pensa.
Logo, sempre que penso (mesmo enganado), é certo que existo: quanto mais o génio me engana, mais confirma que existo enquanto coisa pensante.
Resultado: O cogito é indubitável porque a sua negação é autorrefutante: duvidar de que existo já é pensar, e pensar prova que existo. Por isso resiste à dúvida hiperbólica e serve de primeiro fundamento do conhecimento.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a hipótese do génio maligno não consegue pôr em dúvida o cogito, mostrando como o próprio ato de duvidar confirma a existência do sujeito pensante.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (A atividade cognoscitiva) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A reconstrução cartesiana do saber
Reconstrói a objeção do círculo cartesiano e explica em que sentido a argumentação de Descartes pareceria circular.
Descartes usa a existência de um Deus não-enganador para garantir que o que concebo clara e distintamente é verdadeiro.
Mas a prova da existência de Deus assenta em premissas (a ideia de perfeição, o princípio de causalidade) que ele só aceita por as conceber clara e distintamente.
Usa-se a clareza e a distinção para provar Deus, e Deus para garantir a clareza e a distinção: cada um depende do outro — um círculo.
Resultado: A objeção mostra uma aparente circularidade: o critério de verdade depende de Deus e a prova de Deus depende do critério. Descartes e os seus intérpretes respondem distinguindo a evidência atual (que se impõe por si) da garantia das verdades apenas recordadas — mas a objeção continua a ser um ponto crítico da sua teoria.
Erros frequentes
Revisão ativa
Reconstrói, passo a passo, a cadeia cartesiana que vai do cogito até ao conhecimento do mundo, indicando onde entram o critério de verdade e a existência de Deus.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (A atividade cognoscitiva) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O garfo de Hume
Onde situa Hume a proposição «todo o acontecimento tem uma causa»: relação de ideias ou questão de facto? Que consequência tira daí?
Se fosse, a sua negação seria contraditória. Mas «um acontecimento sem causa» é concebível sem contradição lógica — logo, não é relação de ideias.
Se é questão de facto, só se conheceria pela experiência; mas nunca observamos «a causalidade em geral», apenas casos particulares.
O princípio de causalidade não é nem demonstrável a priori nem verificável na experiência como necessário — a sua necessidade não tem fundamento racional.
Resultado: Hume conclui que «todo o acontecimento tem uma causa» não é relação de ideias (a negação não é contraditória) nem se justifica como verdade necessária pela experiência. Prepara-se assim a sua análise cética da causalidade e da indução.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica cada proposição como relação de ideias ou questão de facto e justifica: (a) «todos os solteiros são não-casados»; (b) «a água ferve a 100 °C ao nível do mar»; (c) «5 é um número primo».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (A atividade cognoscitiva) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A análise humeana da causalidade
Alguém defende: «a indução é fiável porque sempre funcionou no passado». Mostra, com Hume, por que este argumento é circular.
Premissa: a indução funcionou até hoje. Conclusão: a indução funcionará no futuro (é fiável).
Passar de «funcionou» para «funcionará» pressupõe que o futuro se assemelha ao passado — o princípio da uniformidade da natureza.
Mas usar «funcionou no passado» para concluir «funcionará» é justamente aplicar a indução (do passado para o futuro) para justificar a indução — pressupõe-se o que se quer provar.
Resultado: A justificação é circular: apoia a fiabilidade da indução num raciocínio que já é indutivo (pressupõe a uniformidade da natureza). Por isso Hume conclui que a indução não tem fundamento racional necessário e assenta no hábito — o problema que a filosofia da ciência herdará.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o problema da indução a partir do exemplo «o sol nasceu todos os dias até hoje, logo nascerá amanhã», mostrando por que, segundo Hume, esta inferência não tem fundamento racional necessário.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (A atividade cognoscitiva) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)