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Resumos · FilosofiaPT · Secundário

O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica

Esta unidade abre o estudo do conhecimento no 11.º ano. Analisa o conceito de conhecimento e a sua definição tripartida (crença verdadeira justificada), formula o problema da possibilidade do conhecimento e o desafio cético, e enquadra o racionalismo e o empirismo como respostas à origem do conhecimento (aprofundadas com Descartes e Hume). Caracteriza ainda a racionalidade científica e tecnológica, preparando o estudo do estatuto da ciência. É base de vários itens do Exame Nacional 714.

4 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3

T·0888 / 13
Perfil de exame
Distinguir tipos de conhecimento e caracterizar o conhecimento proposicionalFormular o problema da possibilidade do conhecimento e o desafio céticoEnquadrar o racionalismo e o empirismo como respostas à origem do conhecimentoCaracterizar a racionalidade científica e tecnológica
Operadores:distinguedefineformulacaracterizaexplicarelaciona

nível básico

Todos os cursos: distinguir tipos de conhecimento, compreender a definição de conhecimento como crença verdadeira justificada e o desafio cético.

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 714: analisar as condições da definição tripartida e enquadrar racionalismo e empirismo como respostas ao problema da origem e possibilidade do conhecimento.

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica
    • 01Tipos de conhecimento e a definição tripartida○
    • 02O problema da possibilidade do conhecimento: o desafio cético◐
    • 03Racionalismo e empirismo: as respostas à origem do conhecimento◐
    • 04A racionalidade científica e tecnológica◐
§ 01

Tipos de conhecimento e a definição tripartida#

●○○BaseLPAE-filosofia-conhecimento

Pontos-chave

A palavra «conhecer» tem sentidos diferentes que importa distinguir. O conhecimento por contacto (ou por familiaridade) é conhecer algo por experiência direta: «conheço Lisboa», «conheço o sabor do café». O conhecimento de capacidades ou saber-fazer é saber executar algo: «sei nadar», «sei tocar piano». O conhecimento proposicional é conhecer que uma proposição é verdadeira: «sei que a água ferve a 100 °C», «sei que Lisboa é a capital de Portugal». É este último — o saber-que — que a teoria do conhecimento analisa, porque é o que pode ser verdadeiro ou falso e justificado por razões (ver Fig. 1).

A definição tripartida do conhecimento

Crença verdadeira justificadaGrafo, Crença (acredito que p) → Conhecimento de que p, Verdade (p é verdadeira) → Conhecimento de que p, Justificação (tenho razões) → Conhecimento de que pCrença(acredito qu…Verdade (p éverdadeira)Justificação(tenho razõe…Conhecimentode que p
Fig. 1Fig. 1 — Conhecer que p é ter uma crença (1) verdadeira (2) e justificada (3).
Que condições têm de estar reunidas para eu conhecer que algo é o caso? A resposta clássica, que remonta a Platão, é a definição tripartida: o conhecimento é crença verdadeira justificada. Conhecer que p exige três condições conjuntas: (1) crença — eu tenho de acreditar que p (não se conhece o que não se crê); (2) verdade — p tem de ser verdadeira (não se conhece o que é falso; posso julgar saber, mas engano-me); (3) justificação — tenho de ter boas razões ou fundamento para crer que p (não basta acertar por sorte).
As três condições são necessárias e nenhuma, por si, é suficiente. Uma crença verdadeira sem justificação não é conhecimento: se acerto no resultado de um jogo por mero palpite, tinha uma crença verdadeira, mas não sabia. Uma crença justificada mas falsa também não é conhecimento: durante séculos houve boas razões para crer que o Sol girava à volta da Terra, mas isso era falso, logo não era conhecimento. E uma proposição verdadeira em que não acredito não é, para mim, conhecimento. É a conjunção das três que se propõe como definição do saber.
A definição tripartida foi posta em causa por contraexemplos (os casos de Gettier, séc. XX), em que há crença verdadeira e justificada mas hesitamos em falar de conhecimento — por a justificação se ligar à verdade por acaso. Este debate mostra como a análise conceptual funciona em filosofia: propõe-se uma definição, testa-se com casos, revê-se. Para os nossos fins, a definição tripartida é o ponto de partida: fixa que conhecer é mais do que acreditar (exige verdade) e mais do que acertar (exige justificação) — e é a justificação que abre o problema seguinte, o do cético.
Exemplo resolvido

Aplicar a definição tripartida

Um aluno adivinha «à sorte» que a resposta é a alínea C e acerta. Terá conhecimento de que a resposta é C? Justifica com a definição tripartida.

  1. 01Verificar a crença

    Ele acredita que é C — a condição (1) está satisfeita.

  2. 02Verificar a verdade

    A resposta é de facto C — a condição (2) está satisfeita.

  3. 03Verificar a justificação

    Ele adivinhou à sorte, sem razões nem fundamento — a condição (3) não está satisfeita.

Resultado: Não tem conhecimento: apesar de a crença ser verdadeira, falta a justificação (acertou por acaso). O caso mostra que a verdade da crença não basta — sem razões, é sorte, não saber.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir conhecimento por contacto, saber-fazer e conhecimento proposicional.
  • Enunciar a definição tripartida (crença verdadeira justificada) e explicar cada condição.
  • Mostrar, com exemplos, que cada condição é necessária mas não suficiente.

Erros frequentes

  • Confundir conhecer (saber-que, com verdade e justificação) com meramente acreditar ou opinar.
  • Achar que uma crença verdadeira já é conhecimento, mesmo sem justificação (o palpite certo não é saber).
  • Esquecer a condição de verdade (uma crença justificada mas falsa não é conhecimento).

Revisão ativa

Constrói um exemplo de crença verdadeira mas não justificada e explica por que, apesar de verdadeira, não constitui conhecimento segundo a definição tripartida.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O problema da possibilidade do conhecimento: o desafio cético#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-conhecimento

Pontos-chave

Se conhecer exige justificação, surge de imediato uma questão inquietante: podemos justificar as nossas crenças de forma segura, ou será o conhecimento impossível? Este é o problema da possibilidade do conhecimento, e o seu principal protagonista é o cético. O ceticismo é a posição que duvida ou nega que possamos ter conhecimento seguro — não por capricho, mas por argumentos: mostra que as nossas fontes habituais de crença (os sentidos, a razão, a memória) podem enganar-nos, pelo que nunca teríamos a certeza exigida (ver Fig. 2).

Atitudes perante o problema do conhecimento

Atitudes perante o conhecimentoDiagrama em árvore, 3 caminhos, Dados: sim, sem dúvida; não / suspende; investiga os limitessim, sem dúvidanão / suspendeinvestiga os li…É possível co…DogmatismoCeticismoCriticismo
Fig. 2Fig. 2 — Três atitudes perante o desafio cético: dogmatismo, ceticismo e criticismo.
O cético dispõe de argumentos poderosos. O argumento do erro dos sentidos: os sentidos já nos enganaram (ilusões, sonhos, miragens), e se enganam às vezes, como confiar plenamente neles? O argumento do sonho (Descartes): por vezes sonho tão vividamente que julgo estar acordado — como sei que não estou a sonhar agora? A hipótese cética radical (o «génio maligno» de Descartes, ou, na versão moderna, o «cérebro numa cuba») imagina que todas as minhas experiências poderiam ser produzidas por um enganador ou por uma simulação, sem que eu pudesse notar a diferença. Se não posso excluir estas hipóteses, como posso saber alguma coisa sobre o mundo?
Perante o problema, distinguem-se três atitudes. O dogmatismo afirma que podemos alcançar conhecimento seguro e verdades certas, muitas vezes sem examinar suficientemente as objeções céticas. O ceticismo nega ou suspende: ou sustenta que não há conhecimento seguro (ceticismo radical), ou aconselha suspender o juízo (época) perante a falta de critério indubitável. O criticismo (associado a Kant) procura uma via média: aceita o desafio cético como um estímulo, mas em vez de afirmar ingenuamente ou desistir, investiga criticamente os limites e as condições do conhecimento — o que podemos conhecer, como e até onde.
O desafio cético não é um jogo estéril: é o motor da teoria do conhecimento. Obriga a perguntar o que é uma justificação adequada, se a certeza absoluta é exigível para o conhecimento ou se basta uma justificação boa embora falível, e onde estão as fontes fiáveis do saber. As grandes teorias do conhecimento modernas — o racionalismo de Descartes e o empirismo de Hume — nascem precisamente como respostas ao cético: Descartes procura um fundamento indubitável para reconstruir o saber; Hume aceita que muito do que cremos assenta no hábito, não na razão. Compreender o cético é, pois, o passo indispensável para compreender as respostas que se lhe deram.
Exemplo resolvido

Reconstruir um argumento cético

Reconstrói, na forma de argumento, o raciocínio cético que parte da hipótese do sonho para pôr em causa o conhecimento do mundo.

  1. 01Premissa 1

    Se sei que estou sentado a ler, então posso excluir que estou apenas a sonhar que leio.

  2. 02Premissa 2

    Não posso excluir que estou apenas a sonhar (nada, na experiência, distingue com certeza a vigília do sonho vívido).

  3. 03Conclusão (Modus Tollens)

    Logo, não sei que estou sentado a ler — e, por generalização, não tenho conhecimento seguro do mundo exterior.

Resultado: O argumento cético tem a forma de um Modus Tollens: exige, para haver conhecimento, a exclusão da hipótese do sonho, que não se consegue excluir; conclui a ausência de conhecimento. A resposta não passa por negar a lógica, mas por discutir se o conhecimento exige mesmo excluir toda a hipótese cética (criticismo).

Foco no Exame Nacional

  • Formular o problema da possibilidade do conhecimento a partir da exigência de justificação.
  • Apresentar os argumentos céticos (erro dos sentidos, argumento do sonho, hipótese do enganador).
  • Distinguir dogmatismo, ceticismo e criticismo como atitudes perante o problema.

Erros frequentes

  • Tomar o ceticismo por mera negatividade, sem reconhecer a força dos seus argumentos.
  • Confundir dúvida cética metódica (instrumento) com descrença desistente.
  • Identificar o criticismo com o ceticismo (o criticismo procura limites e condições, não a negação).

Revisão ativa

Explica o argumento do sonho e mostra como ele ameaça a pretensão de conhecer o mundo exterior; indica depois como um criticista responderia à ameaça.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Racionalismo e empirismo: as respostas à origem do conhecimento#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-conhecimento

Pontos-chave

Além da possibilidade, o conhecimento levanta o problema da sua origem: de onde vem o que sabemos? Duas grandes tradições modernas respondem de modo oposto. O racionalismo sustenta que a fonte fundamental do conhecimento é a razão, e que há conhecimento a priori — independente da experiência —, incluindo ideias inatas e verdades necessárias que a razão apreende com certeza (como as da matemática). O empirismo sustenta que toda a fonte do conhecimento é a experiência sensível, e que a mente parte como uma «folha em branco» (tabula rasa): nada há no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos (ver Fig. 3).

Racionalismo vs empirismo

Racionalismo × empirismoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Racionalismo · Empirismo; Fonte fundamental do conhecimento · A razão · A experiência sensível; Conhecimento a priori · Sim, central · Reduzido ao mínimo (relações de ideias); Ideias inatas / tabula rasa · Admite ideias inatas · Mente como folha em branco; Modelo de saber · A matemática (necessário e universal) · As ciências empíricas (observação); Representante em estudo · Descartes · Hume, célula destacada: A razãoASPETORACIONALISMOEMPIRISMOFONTE FUNDAMENTALDO CONHECIMENTOA razãoA experiência sensívelCONHECIMENTO APRIORISim, centralReduzido ao mínimo (relaçõesde ideias)IDEIAS INATAS /TABULA RASAAdmite ideias inatasMente como folha em brancoMODELO DE SABERA matemática (necessário euniversal)As ciências empíricas(observação)REPRESENTANTE EMESTUDODescartesHume
Fig. 3Fig. 3 — As duas grandes respostas à origem do conhecimento.
A oposição organiza-se em torno de alguns conceitos-chave. A priori designa o que se conhece independentemente da experiência (pela só razão); a posteriori, o que se conhece por meio da experiência. Uma verdade necessária não podia ser de outro modo (2+2=4); uma verdade contingente podia ser diferente (hoje chove). Ideias inatas são conteúdos que a mente já traria consigo, não retirados da experiência. Os racionalistas valorizam o a priori, o necessário e o inato; os empiristas reduzem tudo, em última análise, à experiência.
Cada tradição tem os seus argumentos e as suas dificuldades. O racionalismo explica bem o conhecimento necessário e universal (a matemática, a lógica), que a experiência, sempre particular e contingente, parece não poder fundar; mas tem dificuldade em explicar como a razão pura, sozinha, alcança verdades sobre o mundo, e o conceito de ideias inatas é contestado. O empirismo explica bem o conhecimento do mundo, ancorado na observação, e é sóbrio quanto a entidades misteriosas; mas tem dificuldade em justificar o conhecimento necessário e universal e, como se verá em Hume, acaba por conduzir a um ceticismo sobre a causalidade e a indução.
Estas duas respostas serão estudadas em detalhe através dos seus maiores representantes: Descartes, o racionalista, que na dúvida metódica procura um fundamento indubitável na razão (o cogito); e Hume, o empirista, que faz derivar todas as ideias das impressões sensíveis e problematiza a causalidade. Não se trata de escolher um «vencedor», mas de compreender que o conhecimento humano parece precisar de ambos — da experiência que o alimenta e da razão que o organiza —, síntese que Kant tentará realizar. Por agora, importa fixar o mapa do problema (ver Fig. 3) antes de entrar nos autores.
Exemplo resolvido

Situar um conhecimento quanto à sua origem

«Todos os solteiros são não-casados.» Que estatuto tem este conhecimento (a priori/a posteriori, necessário/contingente) e o que diriam racionalistas e empiristas?

  1. 01Analisar o conteúdo

    Basta compreender o significado de «solteiro» (= não-casado) para saber que é verdadeira; não é preciso observar solteiros.

  2. 02Classificar

    É a priori (independente da experiência) e necessária (não podia ser falsa) — uma verdade analítica.

  3. 03Confrontar as tradições

    O racionalista vê aqui um exemplo do poder da razão; o empirista concede-a como «relação de ideias» (na expressão de Hume), verdadeira por análise dos conceitos, mas nega que dê informação nova sobre o mundo.

Resultado: É um conhecimento a priori e necessário (analítico). Mesmo o empirista o aceita como relação de ideias; a divergência real está no conhecimento do mundo (questões de facto), que o empirismo faz depender inteiramente da experiência.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir racionalismo (a razão, a priori) de empirismo (a experiência, a posteriori).
  • Explicar os conceitos de a priori/a posteriori, necessário/contingente e ideias inatas/tabula rasa.
  • Reconhecer as forças e dificuldades de cada tradição.

Erros frequentes

  • Confundir a priori (independente da experiência) com «anterior no tempo» ou com «óbvio».
  • Atribuir ao racionalismo a recusa de toda a experiência ou ao empirismo a recusa de toda a razão (é uma questão de fonte fundamental).
  • Identificar «necessário» com «verdadeiro» — há verdades contingentes que são verdadeiras.

Revisão ativa

Classifica cada conhecimento em predominantemente a priori ou a posteriori e justifica: (a) «os triângulos têm três lados»; (b) «a neve é branca»; (c) «todo o efeito tem uma causa».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A racionalidade científica e tecnológica#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-conhecimento

Pontos-chave

A ciência é a forma de conhecimento que a época moderna reconhece como mais rigorosa e fiável. A racionalidade científica caracteriza-se por procurar explicações gerais e sistemáticas, testáveis e revisáveis, apoiadas na observação, na experimentação e no raciocínio, e por submeter as suas afirmações ao controlo público da comunidade científica. Distingue-se do senso comum não por tratar de outros objetos, mas pelo método: onde o senso comum se contenta com crenças úteis e pouco examinadas, a ciência exige hipóteses precisas, testes controlados e disponibilidade para corrigir (ver Fig. 4).

Mapa do módulo do conhecimento

Mapa do módulo IVGrafo, Problema do conhecimento → Origem: racionalismo / empirismo, Origem: racionalismo / empirismo → Descartes e Hume, Problema do conhecimento → Estatuto do conhecimento científico, Estatuto do conhecimento científico → Popper e KuhnProblema doconhecimentoOrigem:racionalismo…Descartes eHumeEstatuto doconhecimento…Popper e Kuhn
Fig. 4Fig. 4 — Do problema do conhecimento à filosofia da ciência: o mapa das unidades seguintes.
Convém distinguir ciência, técnica e tecnociência. A ciência procura conhecer e explicar (saber por quê); a técnica procura fazer, produzir meios para fins (saber como). Durante muito tempo separadas, ciência e técnica fundem-se hoje na tecnociência: a ciência contemporânea depende de instrumentação técnica sofisticada, e a técnica torna-se aplicação sistemática de conhecimento científico. Esta fusão amplia enormemente o poder humano de intervir no mundo — mas levanta problemas éticos e políticos novos (dos limites da manipulação genética às responsabilidades ambientais).
A racionalidade científica não é infalível nem neutra em todos os sentidos, e é objeto de reflexão filosófica de segunda ordem — a filosofia da ciência. Esta pergunta o que distingue a ciência das pseudociências (o problema da demarcação), como as teorias se justificam e mudam (o método, a indução, a falsificação), e em que sentido a ciência é objetiva. Não faz ciência: examina os seus pressupostos, conceitos e métodos. É este o objeto das unidades seguintes, com Popper (o estatuto do conhecimento científico) e o confronto Popper–Kuhn (a evolução e a objetividade da ciência).
Reconhecer o valor da ciência não significa cientismo — a crença de que só a ciência produz conhecimento válido e de que responde a todas as questões. Muitas questões (o que é justo, o que é belo, o sentido da vida) não são científicas mas filosóficas, e não se resolvem por medição. Ao mesmo tempo, importa distinguir a ciência genuína das pseudociências e das falsas notícias, sobretudo numa cultura saturada de informação: saber avaliar a fiabilidade das fontes e a solidez das alegações é uma competência crítica que a filosofia da ciência ajuda a desenvolver, e que o Exame 714 valoriza.
Exemplo resolvido

Distinguir ciência de pseudociência

A astrologia afirma que a posição dos astros no nascimento determina o carácter. Que características desta afirmação a afastam da ciência?

  1. 01Testar a testabilidade

    As previsões astrológicas são vagas e ajustáveis a qualquer resultado, dificilmente sujeitas a testes que as pudessem refutar.

  2. 02Testar a revisão

    Perante falhas, a astrologia não corrige as suas teses; reinterpreta-as — não se revê à luz da evidência, ao contrário da ciência.

  3. 03Testar o controlo público

    Falta o controlo crítico da comunidade e a articulação com o resto do conhecimento estabelecido.

Resultado: A astrologia afasta-se da ciência por não formular previsões testáveis e refutáveis, por não se corrigir perante a evidência e por escapar ao controlo crítico. Estes traços antecipam o critério de demarcação de Popper (a falsificabilidade), estudado a seguir.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a racionalidade científica e distingui-la do senso comum pelo método.
  • Distinguir ciência, técnica e tecnociência.
  • Situar a filosofia da ciência como reflexão de segunda ordem (demarcação, método, objetividade).

Erros frequentes

  • Confundir ciência (conhecer/explicar) com técnica (fazer/produzir).
  • Cair no cientismo (só a ciência dá conhecimento) ou no seu oposto (relativizar toda a ciência).
  • Pensar que a filosofia da ciência «faz ciência», em vez de refletir sobre ela.

Revisão ativa

Explica, com um exemplo, a diferença entre uma afirmação científica e uma pseudocientífica, indicando um critério que ajude a distingui-las (a antecipar o problema da demarcação).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Racionalidade científica e tecnológica) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Tipos de conhecimento e a definição tripartida○
    • 02O problema da possibilidade do conhecimento: o desafio cético◐
    • 03Racionalismo e empirismo: as respostas à origem do conhecimento◐
    • 04A racionalidade científica e tecnológica◐

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O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento)

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