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Esta unidade abre o estudo do conhecimento no 11.º ano. Analisa o conceito de conhecimento e a sua definição tripartida (crença verdadeira justificada), formula o problema da possibilidade do conhecimento e o desafio cético, e enquadra o racionalismo e o empirismo como respostas à origem do conhecimento (aprofundadas com Descartes e Hume). Caracteriza ainda a racionalidade científica e tecnológica, preparando o estudo do estatuto da ciência. É base de vários itens do Exame Nacional 714.
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3
nível básico
Todos os cursos: distinguir tipos de conhecimento, compreender a definição de conhecimento como crença verdadeira justificada e o desafio cético.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: analisar as condições da definição tripartida e enquadrar racionalismo e empirismo como respostas ao problema da origem e possibilidade do conhecimento.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A definição tripartida do conhecimento
Um aluno adivinha «à sorte» que a resposta é a alínea C e acerta. Terá conhecimento de que a resposta é C? Justifica com a definição tripartida.
Ele acredita que é C — a condição (1) está satisfeita.
A resposta é de facto C — a condição (2) está satisfeita.
Ele adivinhou à sorte, sem razões nem fundamento — a condição (3) não está satisfeita.
Resultado: Não tem conhecimento: apesar de a crença ser verdadeira, falta a justificação (acertou por acaso). O caso mostra que a verdade da crença não basta — sem razões, é sorte, não saber.
Erros frequentes
Revisão ativa
Constrói um exemplo de crença verdadeira mas não justificada e explica por que, apesar de verdadeira, não constitui conhecimento segundo a definição tripartida.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Atitudes perante o problema do conhecimento
Reconstrói, na forma de argumento, o raciocínio cético que parte da hipótese do sonho para pôr em causa o conhecimento do mundo.
Se sei que estou sentado a ler, então posso excluir que estou apenas a sonhar que leio.
Não posso excluir que estou apenas a sonhar (nada, na experiência, distingue com certeza a vigília do sonho vívido).
Logo, não sei que estou sentado a ler — e, por generalização, não tenho conhecimento seguro do mundo exterior.
Resultado: O argumento cético tem a forma de um Modus Tollens: exige, para haver conhecimento, a exclusão da hipótese do sonho, que não se consegue excluir; conclui a ausência de conhecimento. A resposta não passa por negar a lógica, mas por discutir se o conhecimento exige mesmo excluir toda a hipótese cética (criticismo).
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o argumento do sonho e mostra como ele ameaça a pretensão de conhecer o mundo exterior; indica depois como um criticista responderia à ameaça.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Racionalismo vs empirismo
«Todos os solteiros são não-casados.» Que estatuto tem este conhecimento (a priori/a posteriori, necessário/contingente) e o que diriam racionalistas e empiristas?
Basta compreender o significado de «solteiro» (= não-casado) para saber que é verdadeira; não é preciso observar solteiros.
É a priori (independente da experiência) e necessária (não podia ser falsa) — uma verdade analítica.
O racionalista vê aqui um exemplo do poder da razão; o empirista concede-a como «relação de ideias» (na expressão de Hume), verdadeira por análise dos conceitos, mas nega que dê informação nova sobre o mundo.
Resultado: É um conhecimento a priori e necessário (analítico). Mesmo o empirista o aceita como relação de ideias; a divergência real está no conhecimento do mundo (questões de facto), que o empirismo faz depender inteiramente da experiência.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica cada conhecimento em predominantemente a priori ou a posteriori e justifica: (a) «os triângulos têm três lados»; (b) «a neve é branca»; (c) «todo o efeito tem uma causa».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (O conhecimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Mapa do módulo do conhecimento
A astrologia afirma que a posição dos astros no nascimento determina o carácter. Que características desta afirmação a afastam da ciência?
As previsões astrológicas são vagas e ajustáveis a qualquer resultado, dificilmente sujeitas a testes que as pudessem refutar.
Perante falhas, a astrologia não corrige as suas teses; reinterpreta-as — não se revê à luz da evidência, ao contrário da ciência.
Falta o controlo crítico da comunidade e a articulação com o resto do conhecimento estabelecido.
Resultado: A astrologia afasta-se da ciência por não formular previsões testáveis e refutáveis, por não se corrigir perante a evidência e por escapar ao controlo crítico. Estes traços antecipam o critério de demarcação de Popper (a falsificabilidade), estudado a seguir.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, com um exemplo, a diferença entre uma afirmação científica e uma pseudocientífica, indicando um critério que ajude a distingui-las (a antecipar o problema da demarcação).
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Racionalidade científica e tecnológica) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)