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Esta unidade de filosofia política estuda a teoria da justiça de John Rawls como resposta ao problema da sociedade justa. Apresenta a justiça como equidade, o dispositivo da posição original e do véu de ignorância, os dois princípios da justiça e a sua prioridade lexical, a regra maximin e a rejeição do utilitarismo. Conclui com as críticas libertarista (Nozick) e comunitarista (Sandel). É um tema recorrente dos itens de construção do Exame Nacional 714.
4 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Todos os cursos: compreender a justiça como equidade, o véu de ignorância e os dois princípios da justiça.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: aplicar a regra maximin, explicar a prioridade lexical e confrontar Rawls com as críticas de Nozick e Sandel.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
A justiça como equidade
Explica em que sentido a justiça como equidade de Rawls é uma justiça «do procedimento», usando a analogia de dividir um bolo.
Para dividir um bolo de forma justa, faz-se com que quem corta seja o último a servir-se: não sabendo que fatia lhe caberá, corta em partes iguais.
A equidade do procedimento (quem corta não sabe o que recebe) garante a justiça do resultado (fatias iguais), sem impor de fora qual deve ser a divisão.
Analogamente, se os princípios forem escolhidos por quem não conhece a sua posição futura na sociedade (véu de ignorância), serão imparciais e, por isso, justos.
Resultado: A justiça como equidade é procedimental: define a justiça pela equidade do modo como os princípios são escolhidos, não por um resultado fixado à partida. Assegurada a imparcialidade do procedimento (o véu de ignorância), o resultado é justo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que, para Rawls, uma sociedade que aumentasse a riqueza total à custa de manter uma minoria na miséria não seria justa, ligando a resposta à sua crítica ao utilitarismo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A posição original e o véu de ignorância
Por que motivo Rawls exige que, na posição original, as partes desconheçam os seus próprios talentos naturais?
Os talentos naturais (inteligência, aptidões) são fruto da «lotaria natural»: ninguém os merece, resultam do nascimento e da educação.
Se soubesse que é muito talentoso, alguém escolheria princípios que premiassem os talentos, favorecendo-se a si à custa dos menos dotados.
Ignorando os seus talentos, ninguém pode desenhar as regras a seu favor; será forçado a aceitar princípios justos também para quem tem menos talentos.
Resultado: O véu oculta os talentos porque estes são moralmente arbitrários (não merecidos) e não devem, por si sós, determinar a distribuição. Assim se impede que a escolha dos princípios seja enviesada a favor dos mais bem dotados pela natureza.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que uma pessoa colocada sob o véu de ignorância não escolheria uma sociedade com escravatura, mesmo que a escravatura beneficiasse a maioria.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A regra maximin
Os dois princípios da justiça
Sob o véu de ignorância, deves escolher entre a Sociedade A (todos com 20), a B (mais favorecido 60, menos favorecido 30) e a C (mais favorecido 100, menos favorecido 10). Qual escolhes e porquê?
O mínimo (posição do menos favorecido) é: A = 20; B = 30; C = 10.
A regra manda escolher a opção cujo mínimo é o mais alto: comparam-se 20, 30 e 10 — o maior mínimo é 30, na Sociedade B.
Como qualquer um pode acabar na pior posição, é racional garantir que ela seja tão boa quanto possível; B assegura o melhor pior-caso e admite desigualdade (60 vs 30) porque esta beneficia o mais desfavorecido face a A.
Resultado: Escolhe-se a Sociedade B (princípios de Rawls): tem o mínimo mais alto (30). A C, apesar de maior riqueza no topo (100) e maior soma total, deixa o pior situado em 10 — o utilitarismo poderia preferi-la, mas o maximin rejeita-a por sacrificar o menos favorecido.
Erros frequentes
Revisão ativa
Aplica a regra maximin à escolha entre três sociedades, cada uma com um rendimento para o grupo mais favorecido e outro para o menos favorecido, e justifica qual seria escolhida na posição original.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Rawls e os seus críticos
Nozick objeta que a redistribuição rawlsiana «trata as pessoas como meios». Reconstrói o argumento e uma resposta rawlsiana.
Se adquiri legitimamente os meus bens (trabalho, troca livre), tirar-mos para dar a outros é usar-me como instrumento de um fim igualitário — viola os meus direitos e a minha liberdade.
Nozick pressupõe que as aquisições de partida são legítimas e que os talentos que as geram são «meus» por pleno direito.
Rawls contesta esse pressuposto: os talentos e as posições iniciais são fruto da lotaria natural e social, moralmente arbitrários; a estrutura de cooperação que torna a riqueza possível é comum, pelo que a sua distribuição é uma questão de justiça, não um roubo do que seria «só meu».
Resultado: A crítica de Nozick assenta na ideia de propriedade plena sobre o fruto dos próprios talentos; Rawls responde que talentos e circunstâncias são arbitrários e que a riqueza é produto da cooperação social, legitimando a redistribuição a favor dos menos favorecidos. O confronto ilustra a divergência entre liberdade e igualdade na filosofia política.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma das críticas a Rawls (Nozick ou Sandel), reconstrói o seu argumento principal e formula uma resposta que um defensor de Rawls poderia dar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)