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Resumos · FilosofiaPT · Secundário

A dimensão política: a teoria da justiça de Rawls

Esta unidade de filosofia política estuda a teoria da justiça de John Rawls como resposta ao problema da sociedade justa. Apresenta a justiça como equidade, o dispositivo da posição original e do véu de ignorância, os dois princípios da justiça e a sua prioridade lexical, a regra maximin e a rejeição do utilitarismo. Conclui com as críticas libertarista (Nozick) e comunitarista (Sandel). É um tema recorrente dos itens de construção do Exame Nacional 714.

4 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2

T·0777 / 13
Perfil de exame
Formular o problema da sociedade justa e justificar a sua importância filosóficaExplicar a posição original, o véu de ignorância e a justiça como equidadeEnunciar os dois princípios da justiça, a prioridade lexical e a regra maximinConfrontar Rawls com as críticas de Nozick e de Sandel
Operadores:formulaexplicaenunciaaplicaconfrontadiscutejustifica

nível básico

Todos os cursos: compreender a justiça como equidade, o véu de ignorância e os dois princípios da justiça.

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 714: aplicar a regra maximin, explicar a prioridade lexical e confrontar Rawls com as críticas de Nozick e Sandel.

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A dimensão política: a teoria da justiça de Rawls
    • 01O problema da sociedade justa: a justiça como equidade○
    • 02A posição original e o véu de ignorância◐
    • 03Os dois princípios da justiça e a regra maximin●
    • 04Contratualismo, rejeição do utilitarismo e críticas●
§ 01

O problema da sociedade justa: a justiça como equidade#

●○○BaseLPAE-filosofia-filosofia-politica

Pontos-chave

A filosofia política pergunta o que torna justas as instituições que estruturam a vida em comum. O problema central da justiça distributiva é: como devem distribuir-se os benefícios e os encargos da cooperação social — direitos, liberdades, oportunidades, rendimento, poder? Numa sociedade, uns nascem ricos e outros pobres, uns com mais talentos e outros com menos, e essas diferenças, que ninguém escolheu, afetam profundamente a vida de cada um. A questão de Rawls é: que princípios de distribuição escolheriam pessoas livres e iguais para reger a sua sociedade?
Rawls (Uma Teoria da Justiça, 1971) chama à sua conceção justiça como equidade (justice as fairness). A ideia é que os princípios de justiça são aqueles que seriam escolhidos numa situação inicial equitativa, em que ninguém pudesse fazer valer vantagens arbitrárias. A justiça das regras deriva da equidade do procedimento pelo qual são escolhidas: se o ponto de partida for imparcial, os princípios acordados serão justos. É uma teoria contratualista — a justiça resulta de um acordo racional — mas o contrato é hipotético, não histórico (ver Fig. 1).

A justiça como equidade

Justiça como equidadeGrafo, Situação inicial equitativa → Escolha racional imparcial, Escolha racional imparcial → Princípios de justiça, Princípios de justiça → Instituições justasSituaçãoinicial equi…Escolharacional imp…Princípios dejustiçaInstituiçõesjustas
Fig. 1Fig. 1 — Se o procedimento de escolha for equitativo, os princípios acordados serão justos.
Rawls insiste em duas ideias que dão sentido à sua teoria. A primeira é a prioridade do justo sobre o bem: os princípios de justiça devem ser neutros face às diferentes conceções de vida boa que os cidadãos têm, permitindo que cada um persiga a sua, desde que respeite os direitos dos outros. A segunda é a sociedade como sistema equitativo de cooperação entre pessoas livres e iguais: a justiça regula a repartição dos frutos dessa cooperação, e não uma mera divisão de um bolo dado.
O grande adversário de Rawls é o utilitarismo. Para o utilitarista, uma sociedade é justa se maximizar a felicidade agregada — mas isso, objeta Rawls, pode sacrificar alguns em benefício da soma, «não levando a sério a distinção entre as pessoas». Uma sociedade poderia aumentar a felicidade total oprimindo uma minoria, e o utilitarismo não teria como o proibir em princípio. Rawls quer uma teoria que proteja cada pessoa com direitos invioláveis, que a felicidade geral não possa atropelar — e é para a fundamentar que constrói a posição original.
Exemplo resolvido

Distinguir justiça procedimental de resultado

Explica em que sentido a justiça como equidade de Rawls é uma justiça «do procedimento», usando a analogia de dividir um bolo.

  1. 01Apresentar a analogia

    Para dividir um bolo de forma justa, faz-se com que quem corta seja o último a servir-se: não sabendo que fatia lhe caberá, corta em partes iguais.

  2. 02Extrair a ideia

    A equidade do procedimento (quem corta não sabe o que recebe) garante a justiça do resultado (fatias iguais), sem impor de fora qual deve ser a divisão.

  3. 03Aplicar a Rawls

    Analogamente, se os princípios forem escolhidos por quem não conhece a sua posição futura na sociedade (véu de ignorância), serão imparciais e, por isso, justos.

Resultado: A justiça como equidade é procedimental: define a justiça pela equidade do modo como os princípios são escolhidos, não por um resultado fixado à partida. Assegurada a imparcialidade do procedimento (o véu de ignorância), o resultado é justo.

Foco no Exame Nacional

  • Formular o problema da justiça distributiva (repartição de benefícios e encargos da cooperação).
  • Explicar a justiça como equidade (princípios justos = escolhidos em condições equitativas).
  • Explicar a objeção de Rawls ao utilitarismo (sacrifica a distinção entre as pessoas).

Erros frequentes

  • Confundir justiça como equidade com igualdade absoluta de resultados (Rawls admite desigualdades sob condições).
  • Ler o contrato de Rawls como um acordo histórico real (é hipotético e imparcial).
  • Pensar que Rawls é utilitarista (é precisamente o seu principal crítico).

Revisão ativa

Explica por que, para Rawls, uma sociedade que aumentasse a riqueza total à custa de manter uma minoria na miséria não seria justa, ligando a resposta à sua crítica ao utilitarismo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A posição original e o véu de ignorância#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-filosofia-politica

Pontos-chave

A posição original é uma experiência mental: imaginemos pessoas racionais reunidas para escolher, por acordo unânime, os princípios que hão de reger a sua sociedade. Para que a escolha seja imparcial, Rawls coloca-as sob um véu de ignorância: cada uma desconhece a sua posição na sociedade que vai resultar — a sua classe social, a sua riqueza, os seus talentos naturais, o seu sexo, a sua raça, a sua religião, a sua conceção de vida boa e até a geração a que pertence. Sabem factos gerais sobre economia, psicologia e sociedade, mas nada de particular sobre si próprias (ver Fig. 2).

A posição original e o véu de ignorância

Posição originalGrafo, Partes racionais e prudentes → Véu de ignorância, Véu de ignorância → Oculta: classe, talentos, sexo, religião, conceção de bem, Véu de ignorância → Escolha imparcial, Escolha imparcial → Dois princípios da justiçaPartesracionais e …Véu deignorânciaOculta:classe, tale…EscolhaimparcialDoisprincípios d…
Fig. 2Fig. 2 — O véu de ignorância oculta as contingências arbitrárias e força uma escolha imparcial.
O véu de ignorância é o coração do dispositivo, porque garante a imparcialidade. Se eu não sei se serei rico ou pobre, homem ou mulher, talentoso ou não, não posso escolher princípios que favoreçam a minha posição — porque não sei qual será. Sou, assim, forçado a escolher princípios que sejam justos para qualquer posição, incluindo a pior. O véu neutraliza precisamente aquelas contingências arbitrárias (nascer numa família rica, ter certos talentos) que, do ponto de vista moral, ninguém merece e que não deviam determinar a distribuição de direitos e recursos.
As partes na posição original são concebidas como racionais e mutuamente desinteressadas: procuram cada uma o seu maior benefício, não são altruístas nem invejosas. Isto é importante: Rawls não supõe pessoas boas, mas apenas racionais e prudentes. A imparcialidade não vem da bondade dos escolhedores, mas da estrutura da situação (o véu). Mesmo pessoas que só pensam em si, se ignorarem quem serão, escolherão princípios justos — a equidade resulta do procedimento, não da virtude dos participantes.
Deste modo, a posição original transforma a pergunta «que princípios são justos?» na pergunta «que princípios escolheriam pessoas racionais numa situação imparcial?». É um procedimento de construção: os princípios de justiça não são descobertos num céu de ideias nem impostos por uma autoridade, mas construídos como a escolha racional de agentes em condições equitativas. Resta saber que princípios seriam esses — e Rawls argumenta que a prudência, sob incerteza radical, conduz a duas escolhas precisas, reguladas pela regra maximin.
Exemplo resolvido

Compreender o papel do véu de ignorância

Por que motivo Rawls exige que, na posição original, as partes desconheçam os seus próprios talentos naturais?

  1. 01Identificar o problema dos talentos

    Os talentos naturais (inteligência, aptidões) são fruto da «lotaria natural»: ninguém os merece, resultam do nascimento e da educação.

  2. 02Ver o risco sem véu

    Se soubesse que é muito talentoso, alguém escolheria princípios que premiassem os talentos, favorecendo-se a si à custa dos menos dotados.

  3. 03Aplicar o véu

    Ignorando os seus talentos, ninguém pode desenhar as regras a seu favor; será forçado a aceitar princípios justos também para quem tem menos talentos.

Resultado: O véu oculta os talentos porque estes são moralmente arbitrários (não merecidos) e não devem, por si sós, determinar a distribuição. Assim se impede que a escolha dos princípios seja enviesada a favor dos mais bem dotados pela natureza.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o dispositivo da posição original e o que o véu de ignorância oculta.
  • Explicar como o véu de ignorância garante a imparcialidade da escolha.
  • Compreender que as partes são racionais e mutuamente desinteressadas (a equidade vem do procedimento).

Erros frequentes

  • Pensar que na posição original as pessoas nada sabem (sabem factos gerais; ignoram apenas a sua situação particular).
  • Supor que a imparcialidade vem da bondade das partes (vem do véu de ignorância).
  • Confundir o véu de ignorância com uma situação histórica real.

Revisão ativa

Explica por que uma pessoa colocada sob o véu de ignorância não escolheria uma sociedade com escravatura, mesmo que a escravatura beneficiasse a maioria.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Os dois princípios da justiça e a regra maximin#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-filosofia-politica

Pontos-chave

Rawls argumenta que as partes escolheriam dois princípios. O primeiro princípio (das liberdades iguais) garante a cada pessoa um sistema plenamente adequado de liberdades básicas iguais (liberdade de pensamento, de consciência, de expressão, de associação, direitos políticos, liberdade da pessoa) — e igual para todos. O segundo princípio regula as desigualdades sociais e económicas, admitindo-as apenas sob duas condições: (a) que estejam associadas a cargos e posições abertos a todos em condições de igualdade equitativa de oportunidades; e (b) que sejam para o maior benefício dos membros menos favorecidos da sociedade (o princípio da diferença) — ver Fig. 3.

A regra maximin

Escolha pela regra maximinTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Sociedade · Mais favorecido · Menos favorecido (o mínimo); A (igualitária) · 20 · 20; B (Rawls) · 60 · 30; C (utilitária) · 100 · 10, célula destacada: 30SOCIEDADEMAIS FAVORECIDOMENOS FAVORECIDO (OMÍNIMO)A (IGUALITÁRIA)2020B (RAWLS)6030C (UTILITÁRIA)10010
Fig. 3Fig. 4 — A regra maximin escolhe a sociedade cujo pior situado está melhor (Sociedade B: mínimo mais alto).
Entre os princípios há uma ordem de prioridade lexical (serial): o primeiro tem prioridade absoluta sobre o segundo, e dentro do segundo a igualdade de oportunidades tem prioridade sobre o princípio da diferença. Isto significa que as liberdades básicas não podem ser sacrificadas em nome de maiores vantagens económicas: não se trocam liberdades por dinheiro. Só depois de garantidas as liberdades iguais e a justa igualdade de oportunidades se pode considerar a distribuição de recursos — e esta só admite desigualdades que melhorem a situação dos que estão pior.
O princípio da diferença é a parte mais original e discutida. Não exige igualdade absoluta de rendimentos: admite que uns ganhem mais do que outros — mas só se essa desigualdade beneficiar também os mais desfavorecidos. Por exemplo, salários mais altos para certas profissões são justos se os incentivos que criam (mais produtividade, melhores serviços) acabarem por melhorar a situação dos que estão pior do que estariam numa distribuição igualitária. A desigualdade só se justifica se «levantar o fundo», não se apenas enriquecer o topo.
A escolha destes princípios apoia-se na regra maximin (maximizar o mínimo): sob o véu de ignorância, perante incerteza radical sobre que posição se ocupará, é racional escolher a alternativa cujo pior resultado possível seja o melhor entre os piores resultados — ou seja, proteger-se contra a hipótese de acabar na pior posição. Como qualquer um pode vir a ser o menos favorecido, a prudência aconselha a garantir que a pior posição seja tão boa quanto possível. É por isto que as partes preferem os princípios de Rawls ao utilitarismo, que poderia deixá-las numa posição miserável em nome da felicidade total (ver Fig. 4).

Os dois princípios da justiça

Dois princípios da justiçaTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Prioridade · Princípio · Conteúdo; 1.º (absoluta) · Liberdades iguais · Sistema igual de liberdades básicas para todos; 2.º (a) · Igualdade equitativa de oportunidades · Cargos e posições abertos a todos; 2.º (b) · Princípio da diferença · Desigualdades só se beneficiarem os mais desfavorecidosPRIORIDADEPRINCÍPIOCONTEÚDO1.º (ABSOLUTA)Liberdades iguaisSistema igual de liberdadesbásicas para todos2.º (A)Igualdade equitativa deoportunidadesCargos e posições abertos atodos2.º (B)Princípio da diferençaDesigualdades só sebeneficiarem os maisdesfavorecidos
Fig. 4Fig. 3 — Os dois princípios da justiça e a sua ordem de prioridade lexical.
Exemplo resolvido

Aplicar a regra maximin

Sob o véu de ignorância, deves escolher entre a Sociedade A (todos com 20), a B (mais favorecido 60, menos favorecido 30) e a C (mais favorecido 100, menos favorecido 10). Qual escolhes e porquê?

  1. 01Identificar o pior resultado de cada opção

    O mínimo (posição do menos favorecido) é: A = 20; B = 30; C = 10.

  2. 02Aplicar o maximin

    A regra manda escolher a opção cujo mínimo é o mais alto: comparam-se 20, 30 e 10 — o maior mínimo é 30, na Sociedade B.

  3. 03Justificar a escolha

    Como qualquer um pode acabar na pior posição, é racional garantir que ela seja tão boa quanto possível; B assegura o melhor pior-caso e admite desigualdade (60 vs 30) porque esta beneficia o mais desfavorecido face a A.

Resultado: Escolhe-se a Sociedade B (princípios de Rawls): tem o mínimo mais alto (30). A C, apesar de maior riqueza no topo (100) e maior soma total, deixa o pior situado em 10 — o utilitarismo poderia preferi-la, mas o maximin rejeita-a por sacrificar o menos favorecido.

Foco no Exame Nacional

  • Enunciar os dois princípios da justiça (liberdades iguais; oportunidades + princípio da diferença).
  • Explicar a prioridade lexical (as liberdades não se trocam por vantagens económicas).
  • Explicar a regra maximin e por que conduz ao princípio da diferença em vez do utilitarismo.

Erros frequentes

  • Apresentar o princípio da diferença como igualdade total (admite desigualdades que beneficiem os mais desfavorecidos).
  • Ignorar a prioridade lexical, permitindo trocar liberdades por bens económicos.
  • Confundir a regra maximin (maximizar o mínimo) com maximizar a média ou a soma (utilitarismo).

Revisão ativa

Aplica a regra maximin à escolha entre três sociedades, cada uma com um rendimento para o grupo mais favorecido e outro para o menos favorecido, e justifica qual seria escolhida na posição original.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Contratualismo, rejeição do utilitarismo e críticas#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-filosofia-politica

Pontos-chave

A teoria de Rawls é uma forma moderna de contratualismo: a justiça funda-se num acordo hipotético entre pessoas livres e iguais, não numa ordem natural nem no cálculo da utilidade. Ao contrário do utilitarismo — que junta as satisfações de todos numa soma e maximiza-a, podendo sacrificar indivíduos —, o contratualismo de Rawls parte de cada pessoa como titular de direitos que nenhum saldo agregado pode violar. A prioridade das liberdades básicas e o princípio da diferença exprimem esta recusa de sacrificar uns pelo bem-estar total (ver Fig. 5).

Rawls e os seus críticos

Rawls × Nozick × SandelTabela com 4 colunas e 3 linhas, Dados: Autor · Critério de justiça · Estado · Objeção a Rawls; Rawls · Equidade: dois princípios (maximin) · Redistribuidor (a favor dos menos favorecidos) · —; Nozick (libertarismo) · Justiça histórica das aquisições legítimas · Mínimo (só protege direitos) · Redistribuir viola a liberdade e a propriedade; Sandel (comunitarismo) · Bens e valores partilhados pela comunidade · Promotor de uma vida boa comum · O «eu» sem laços é uma ficção; a neutralidade é ilusória, célula destacada: Equidade: dois princípios (maximin)AUTORCRITÉRIO DE JUSTIÇAESTADOOBJEÇÃO A RAWLSRAWLSEquidade: dois princípios(maximin)Redistribuidor (a favor dosmenos favorecidos)—NOZICK(LIBERTARISMO)Justiça histórica dasaquisições legítimasMínimo (só protege direitos)Redistribuir viola aliberdade e a propriedadeSANDEL(COMUNITARISMO)Bens e valores partilhadospela comunidadePromotor de uma vida boacomumO «eu» sem laços é umaficção; a neutralidade éilusória
Fig. 5Fig. 5 — Rawls entre a crítica libertarista (Nozick) e a comunitarista (Sandel).
A crítica libertarista, de Robert Nozick (Anarquia, Estado e Utopia, 1974), acusa Rawls de sacrificar a liberdade e os direitos de propriedade em nome da igualdade. Para Nozick, uma distribuição é justa se resultar de aquisições e transferências legítimas (trabalho, troca, doação livres) — a justiça é histórica, depende de como se chegou à distribuição, não de um padrão final. Redistribuir para satisfazer o princípio da diferença seria tomar aos indivíduos o que legitimamente adquiriram, tratando-os como meios para um fim igualitário. O Estado deve ser mínimo, limitado a proteger direitos, não um redistribuidor.
A crítica comunitarista, de Michael Sandel, contesta os pressupostos filosóficos de Rawls, não sobretudo as suas conclusões distributivas. Sandel argumenta que o «eu» da posição original — um sujeito abstrato, despojado de todos os laços, valores e pertenças pelo véu de ignorância — é uma ficção irrealista: as pessoas reais são constituídas pelas suas comunidades, tradições e fins, que não podem simplesmente pôr de lado para escolher princípios. Além disso, a prioridade do justo sobre o bem (a neutralidade do Estado face às conceções de vida boa) seria ela própria uma tomada de posição, não uma neutralidade genuína.
Estas críticas, opostas entre si, iluminam o lugar de Rawls no espetro político-filosófico: demasiado igualitário para os libertaristas, demasiado individualista e neutro para os comunitaristas. Discuti-las é o coração do trabalho filosófico nesta unidade — não decorar posições, mas confrontar teses e argumentos, ponderar o que cada crítica acerta (Nozick chama a atenção para os limites da redistribuição; Sandel, para o peso dos laços comunitários) e o que talvez exagere, e tomar uma posição fundamentada. É este tipo de argumentação comparativa que o Exame 714 valoriza nos itens de resposta extensa.
Exemplo resolvido

Reconstruir e responder à crítica de Nozick

Nozick objeta que a redistribuição rawlsiana «trata as pessoas como meios». Reconstrói o argumento e uma resposta rawlsiana.

  1. 01Reconstruir Nozick

    Se adquiri legitimamente os meus bens (trabalho, troca livre), tirar-mos para dar a outros é usar-me como instrumento de um fim igualitário — viola os meus direitos e a minha liberdade.

  2. 02Identificar o pressuposto

    Nozick pressupõe que as aquisições de partida são legítimas e que os talentos que as geram são «meus» por pleno direito.

  3. 03Formular a resposta rawlsiana

    Rawls contesta esse pressuposto: os talentos e as posições iniciais são fruto da lotaria natural e social, moralmente arbitrários; a estrutura de cooperação que torna a riqueza possível é comum, pelo que a sua distribuição é uma questão de justiça, não um roubo do que seria «só meu».

Resultado: A crítica de Nozick assenta na ideia de propriedade plena sobre o fruto dos próprios talentos; Rawls responde que talentos e circunstâncias são arbitrários e que a riqueza é produto da cooperação social, legitimando a redistribuição a favor dos menos favorecidos. O confronto ilustra a divergência entre liberdade e igualdade na filosofia política.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a teoria de Rawls como contratualista e a sua rejeição do utilitarismo.
  • Apresentar a crítica libertarista de Nozick (justiça histórica; contra a redistribuição).
  • Apresentar a crítica comunitarista de Sandel (o eu situado; contra a neutralidade do justo).

Erros frequentes

  • Confundir a crítica de Nozick (liberdade/propriedade) com a de Sandel (comunidade/identidade).
  • Apresentar Rawls como utilitarista ou como defensor da igualdade absoluta.
  • Reduzir a discussão a rótulos, sem reconstruir os argumentos de cada posição.

Revisão ativa

Escolhe uma das críticas a Rawls (Nozick ou Sandel), reconstrói o seu argumento principal e formula uma resposta que um defensor de Rawls poderia dar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O problema da sociedade justa: a justiça como equidade○
    • 02A posição original e o véu de ignorância◐
    • 03Os dois princípios da justiça e a regra maximin●
    • 04Contratualismo, rejeição do utilitarismo e críticas●

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Dos resumos à prática

A dimensão política: a teoria da justiça de Rawls

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Filosofia Política)

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