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Esta unidade compara duas grandes respostas ao problema do critério da moralidade das ações. A ética deontológica de Kant fundamenta a moralidade no dever e na boa vontade, sintetizados no imperativo categórico e nas suas fórmulas (universalização e humanidade como fim). A ética utilitarista de Mill fundamenta-a nas consequências, pelo princípio da utilidade (a maior felicidade), distinguindo prazeres superiores e inferiores. Analisam-se os conceitos, os argumentos e as críticas de ambas — um dos temas mais recorrentes do Exame Nacional 714.
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Todos os cursos: distinguir uma ética do dever (Kant) de uma ética das consequências (Mill) e conhecer os seus conceitos-chave.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: aplicar o imperativo categórico e o princípio da utilidade a casos, e comparar criticamente as duas éticas, mobilizando as objeções a cada uma.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Deontologia vs consequencialismo
Um médico poderia salvar cinco doentes usando os órgãos de um paciente saudável que morreria. Como avaliam a ação uma ética deontológica e uma consequencialista «ingénua»?
Contando só resultados, salvar cinco à custa de um produz mais bem — a ação pareceria correta.
Matar um inocente e usá-lo como mero meio para o bem de outros é proibido em si, independentemente do saldo — a ação é errada.
A repugnância que quase todos sentem perante o sacrifício do paciente mostra a força da intuição deontológica (a dignidade da pessoa não se troca por um saldo).
Resultado: O caso separa nitidamente os critérios: o consequencialismo simples tenderia a aprovar (mais vidas salvas), a deontologia proíbe (não se usa uma pessoa como mero meio). É um exemplo clássico das objeções ao consequencialismo e da força da deontologia.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante o dilema «devo quebrar uma promessa para evitar um pequeno prejuízo a um amigo?», indica como responderia uma ética deontológica e uma consequencialista, explicitando o critério de cada uma.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Fundamentação da moral) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A argumentação de Kant
Avalia moralmente, segundo Kant, a máxima «quando estiver aflito, farei uma promessa que não tenciono cumprir».
«Sempre que me for conveniente, prometerei sem intenção de cumprir.»
Imagina-se a máxima como lei universal: todos prometeriam falsamente quando conviesse.
Se todos fizessem promessas falsas, ninguém acreditaria em promessas — a própria instituição da promessa desapareceria, e a máxima destruir-se-ia a si mesma. Não pode ser querida como lei universal.
Resultado: A máxima é imoral para Kant: não passa no teste da universalização, pois querer que todos prometam falsamente é querer algo autocontraditório (aniquila a promessa). Além disso, viola a 2.ª fórmula, pois usa o outro como mero meio para o próprio interesse.
Erros frequentes
Revisão ativa
Aplica o teste da universalização à máxima «farei promessas falsas sempre que me convier» e explica por que, para Kant, ela não pode tornar-se lei universal.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Fundamentação da moral) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O princípio da utilidade
Uma cidade poderia acalmar uma multidão revoltada culpando e punindo um inocente, evitando um motim que faria muitas vítimas. Avalia segundo o utilitarismo e aponta a objeção.
Punir um inocente causa grande mal a um; evitar o motim poupa muitas vidas. No saldo de felicidade, a punição poderia produzir mais bem geral.
Um utilitarismo de atos poderia, assim, considerar a punição do inocente como correta — o que é o cerne da objeção.
Isto viola a justiça e os direitos do inocente: mostra que maximizar a felicidade geral pode sacrificar indivíduos, o que a nossa intuição moral rejeita.
Resultado: O caso expõe a principal crítica ao utilitarismo: ao contar apenas o saldo de felicidade, pode justificar a injustiça contra um inocente em nome do bem da maioria. Mill atenua o problema com regras úteis e a qualidade dos prazeres, mas o conflito entre utilidade geral e direitos individuais permanece.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica como o utilitarismo de Mill avaliaria a decisão de um governo entre gastar um orçamento num monumento de prestígio ou em cuidados de saúde para muitos, e que papel tem a distinção de qualidade dos prazeres.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Fundamentação da moral) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Kant vs Mill
Um resistente capturado sabe onde se escondem inocentes. Deve mentir ao inimigo para os salvar? Compara a resposta de Kant e a de Mill.
Mentir viola um dever perfeito; na leitura rigorista, não se deve mentir mesmo para salvar inocentes — a máxima de mentir não se universaliza. (Daí a crítica do rigorismo.)
Deve mentir: a mentira produz muito mais felicidade (salva inocentes) do que a verdade (que causaria mortes); as consequências decidem.
O caso favorece a intuição consequencialista (mentir parece aqui obrigatório), mas Kant lembra o perigo de fazer da mentira algo negociável; uma posição fundamentada pode combinar limites deontológicos com sensibilidade às consequências.
Resultado: Kant (rigorista) proíbe a mentira; Mill obriga-a, por produzir maior felicidade. O dilema mostra a força e o custo de cada ética e serve de modelo para um ensaio comparativo, em que se reconstroem os argumentos, se ponderam as objeções e se assume uma posição justificada.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escreve a introdução e o plano de um ensaio que responda «Deve uma ação ser avaliada pela intenção ou pelas consequências?», mobilizando Kant e Mill e anunciando uma posição fundamentada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Fundamentação da moral) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)