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Resumos · FilosofiaPT · Secundário

A dimensão estética: análise e compreensão da experiência estética

Esta unidade de filosofia da arte investiga o problema da definição de arte: será a arte definível? Apresenta as teorias essencialistas, que procuram uma essência comum a toda a arte (a arte como representação, como expressão e como forma), e as teorias não-essencialistas, que negam essa essência (a teoria institucional e a teoria histórica). Discute ainda a ideia de arte como conceito aberto e a natureza da experiência e do juízo estéticos. Pode integrar o Exame Nacional 714.

4 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2

T·121212 / 13
Perfil de exame
Formular o problema da definição de arte e avaliar se a arte é definívelClarificar as teses e argumentos das teorias essencialistas da arteClarificar as teses e argumentos das teorias não-essencialistasAnalisar criticamente as propostas de definição de arte
Operadores:formulaexplicadistingueclassificaanalisaavaliacritica

nível básico

Todos os cursos: compreender o problema da definição de arte e distinguir as teorias essencialistas das não-essencialistas.

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 714: analisar criticamente cada teoria da arte e discutir a tese da arte como conceito aberto.

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A dimensão estética: análise e compreensão da experiência estética
    • 01O problema da definição de arte○
    • 02Teorias essencialistas: representação, expressão e forma◐
    • 03Teorias não-essencialistas: institucional e histórica●
    • 04A arte como conceito aberto e a experiência estética●
§ 01

O problema da definição de arte#

●○○BaseLPAE-filosofia-dimensao-estetica

Pontos-chave

A estética ou filosofia da arte ocupa-se do belo, da experiência estética e, sobretudo, da natureza da arte. O seu problema central nesta unidade é o da definição de arte: o que é uma obra de arte? O que têm em comum uma pintura renascentista, uma sinfonia, um poema, uma catedral, uma dança e uma instalação contemporânea, que nos leva a chamar-lhes «arte»? Definir arte é procurar as condições necessárias e suficientes que algo tem de reunir para ser uma obra de arte (ver Fig. 1).

É a arte definível?

Definição de arteDiagrama em árvore, 5 caminhos, Dados: sim (há essência) → Representação; sim (há essência) → Expressão; sim (há essência) → Forma; não (sem essência comum) → Teoria institucional; não (sem essência comum) → Teoria históricasim (há essênci…não (sem essênc…EssencialismoNão-essencial…A arte é defi…RepresentaçãoExpressãoFormaTeoria instit…Teoria histór…
Fig. 1Fig. 1 — As duas atitudes perante a definição de arte: essencialismo e não-essencialismo.
O problema tornou-se agudo com a arte moderna e contemporânea. Enquanto a arte foi sobretudo representação bela (um retrato, uma paisagem), a definição parecia fácil. Mas quando um urinol industrial assinado («Fonte», de Duchamp), uma tela monocromática, uma pilha de tijolos ou uma performance são apresentados e aceites como arte, as definições tradicionais entram em crise: nada de belo, nada de habilidade técnica, nada de representação — e ainda assim, arte. A arte contemporânea funciona como um teste que desafia todas as definições propostas.
Perante o problema, opõem-se duas grandes atitudes. O essencialismo sustenta que a arte é definível: haveria uma essência — uma propriedade ou conjunto de propriedades comum a todas as obras de arte e só a elas — que a definição deve captar (representar, exprimir, ter forma significante). O não-essencialismo (ou anti-essencialismo) sustenta que a arte não tem uma essência comum: as obras de arte não partilham uma propriedade única, e qualquer definição essencialista é refutada por contraexemplos. A discussão entre estas atitudes organiza toda a unidade.
Definir arte não é um exercício ocioso. Dele dependem questões práticas — o que deve um museu expor, o que merece financiamento, o que se ensina — e questões teóricas sobre o valor e o sentido da experiência estética. Além disso, o problema é um belo exemplo de análise conceptual: propõe-se uma definição, testa-se com casos (sobretudo casos difíceis), refuta-se ou revê-se. Aprender a discutir a definição de arte é aprender o método filosófico aplicado a um conceito que parece familiar mas se revela surpreendentemente esquivo.
Exemplo resolvido

Identificar o desafio de um caso-limite

Uma tela inteiramente branca é exposta num museu como obra de arte. Formula o problema que este caso coloca à definição de arte.

  1. 01Testar a representação

    A tela branca não representa nada de reconhecível — falha a definição da arte como representação.

  2. 02Testar a beleza e a técnica

    Não exibe habilidade técnica notável nem beleza sensível óbvia — falha as definições que a elas apelam.

  3. 03Formular o problema

    Contudo, é exposta e tratada como arte. Ou a definição de arte tem de ir além da representação/beleza/técnica, ou a arte não tem essência comum.

Resultado: O caso da tela branca mostra que as propriedades tradicionais (representação, beleza, técnica) não são necessárias para algo ser arte, forçando ou uma definição mais abstrata (forma, expressão, contexto institucional) ou o abandono do essencialismo.

Foco no Exame Nacional

  • Formular o problema da definição de arte (condições necessárias e suficientes).
  • Explicar por que a arte moderna e contemporânea põe em crise as definições tradicionais.
  • Distinguir a atitude essencialista da não-essencialista.

Erros frequentes

  • Confundir «definir arte» com «dizer de que gosto» (a definição não é uma preferência).
  • Supor que a arte se define pelo belo, ignorando a arte que não procura a beleza.
  • Achar que basta um exemplo típico para definir arte, sem enfrentar os casos difíceis (arte contemporânea).

Revisão ativa

Explica por que a «Fonte» de Duchamp (um urinol assinado e exposto) constitui um problema para as definições tradicionais de arte, indicando o que nela falta face a essas definições.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Teorias essencialistas: representação, expressão e forma#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-dimensao-estetica

Pontos-chave

A teoria da arte como representação (mimese) é a mais antiga: a arte imita ou representa a realidade, e uma obra é tanto melhor quanto mais fiel e viva for essa representação. Remonta a Platão e Aristóteles e domina a tradição ocidental até à modernidade — a pintura figurativa, a escultura, o teatro, o romance representam pessoas, ações e mundos. A sua força é captar boa parte da arte clássica; a sua fraqueza é excluir a arte não representativa (a música instrumental, a arquitetura, a arte abstrata), que não imita nada de reconhecível e nem por isso deixa de ser arte (ver Fig. 2).

As teorias essencialistas da arte

Teorias essencialistasTabela com 4 colunas e 3 linhas, Dados: Teoria · Essência da arte · Explica bem · Objeção (contraexemplo); Representação (mimese) · Imitar/representar a realidade · Pintura figurativa, teatro · Música, arquitetura, arte abstrata; Expressão · Exprimir e comunicar emoções · Música, lírica · Arte impessoal; nem toda a expressão é arte; Forma (formalismo) · Forma significante · Arte abstrata, música · Vaguidade; ignora sentido e contexto, célula destacada: Forma significanteTEORIAESSÊNCIA DA ARTEEXPLICA BEMOBJEÇÃO(CONTRAEXEMPLO)REPRESENTAÇÃO(MIMESE)Imitar/representar arealidadePintura figurativa, teatroMúsica, arquitetura, arteabstrataEXPRESSÃOExprimir e comunicar emoçõesMúsica, líricaArte impessoal; nem toda aexpressão é arteFORMA (FORMALISMO)Forma significanteArte abstrata, músicaVaguidade; ignora sentido econtexto
Fig. 2Fig. 2 — Cada teoria essencialista propõe uma essência da arte e enfrenta uma objeção por contraexemplo.
A teoria da arte como expressão desloca a essência do objeto representado para a interioridade: a arte é a expressão de emoções, sentimentos ou estados de espírito do artista, que a obra transmite ao espetador. Uma sinfonia melancólica, um poema de amor, uma pintura angustiada seriam arte por exprimirem e comunicarem emoções. Esta teoria explica bem a música e a lírica, que a teoria da representação não abrangia, e capta a dimensão emocional da arte. A sua fraqueza: nem toda a expressão de emoções é arte (um grito, um desabafo não o são), e há arte fria, cerebral ou impessoal, que pouco «exprime».
A teoria da arte como forma (formalismo) situa a essência não no que a obra representa ou exprime, mas na sua forma — a organização de elementos sensíveis (linhas, cores, sons, palavras, volumes) numa estrutura significativa. O que faz de algo arte é ter «forma significante» (na expressão de Clive Bell), uma composição que suscita uma emoção estética própria, independente do assunto. O formalismo explica muito bem a arte abstrata e a música, e chama a atenção para o modo (a composição), não só para o conteúdo. A sua fraqueza: é vago (o que é exatamente «forma significante»?) e parece deixar de fora o sentido e o contexto das obras.
As três teorias essencialistas partilham a mesma estrutura — cada uma propõe uma propriedade (representar, exprimir, ter forma) como essência da arte — e o mesmo destino: cada uma capta uma dimensão real e importante da arte, mas nenhuma abrange toda a arte sem exceção. Há arte que não representa, arte que não exprime emoções e arte cuja forma não é o essencial. Precisamente esta série de refutações por contraexemplo, sobretudo à luz da arte contemporânea, motivará a suspeita não-essencialista: talvez a arte não tenha uma essência única, e o erro esteja em procurá-la.
Exemplo resolvido

Refutar uma definição essencialista por contraexemplo

Alguém propõe: «Arte é a representação da realidade.» Avalia esta definição como condição necessária e suficiente.

  1. 01Testar a suficiência

    Uma fotografia de identificação ou um mapa representam a realidade e não são, tipicamente, arte — logo, representar não é suficiente.

  2. 02Testar a necessidade

    A música instrumental e a arquitetura são arte e não representam nada de reconhecível — logo, representar não é necessário.

  3. 03Concluir

    A definição falha em ambos os sentidos: há representações que não são arte e arte que não representa.

Resultado: A definição «arte = representação» não fornece condição necessária nem suficiente: é refutada por contraexemplos (mapas que representam sem ser arte; música que é arte sem representar). Esta forma de refutação por contraexemplo é o motor da crítica anti-essencialista.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a arte como representação, como expressão e como forma, com um exemplo de cada.
  • Apresentar a força e a principal objeção de cada teoria essencialista.
  • Reconhecer que cada teoria capta uma dimensão da arte mas é refutada por contraexemplos.

Erros frequentes

  • Confundir a teoria da expressão (emoções do artista) com a da representação (imitação da realidade).
  • Julgar que a arte abstrata refuta o formalismo (é, pelo contrário, o seu melhor apoio).
  • Apresentar as teorias como meras opiniões, sem os contraexemplos que as refutam.

Revisão ativa

Escolhe uma obra que conheças e mostra o que cada teoria essencialista (representação, expressão, forma) destacaria nela, e o que cada uma deixaria por explicar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Teorias não-essencialistas: institucional e histórica#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-dimensao-estetica

Pontos-chave

Perante o fracasso das definições que apelam a propriedades internas (representar, exprimir, ter forma), as teorias não-essencialistas propõem definir a arte não pelo que a obra é em si, mas pelas relações em que está inserida. Aceitam que não há uma propriedade sensível comum a toda a arte, mas negam que daí decorra a impossibilidade de qualquer definição: a arte definir-se-ia por uma propriedade relacional — o modo como um objeto se relaciona com um contexto social ou histórico (ver Fig. 3).

As teorias não-essencialistas

Teorias não-essencialistasTabela com 4 colunas e 2 linhas, Dados: Teoria · Critério de arte · Associada a · Objeção principal; Institucional · Estatuto conferido pelo mundo da arte · Dickie, Danto · Circularidade; arbitrariedade; Histórica · Relação com a arte anteriormente apreciada · Levinson · A primeira obra; conservadorismo, célula destacada: Estatuto conferido pelo mundo da arteTEORIACRITÉRIO DE ARTEASSOCIADA AOBJEÇÃO PRINCIPALINSTITUCIONALEstatuto conferido pelomundo da arteDickie, DantoCircularidade;arbitrariedadeHISTÓRICARelação com a arteanteriormente apreciadaLevinsonA primeira obra;conservadorismo
Fig. 3Fig. 3 — As teorias não-essencialistas definem a arte por propriedades relacionais (contexto, história).
A teoria institucional (George Dickie, inspirada em Arthur Danto e no conceito de «mundo da arte») sustenta que uma obra de arte é um artefacto ao qual uma pessoa ou instituição, agindo em nome do mundo da arte (o conjunto de artistas, críticos, curadores, galerias, museus), conferiu o estatuto de candidato à apreciação. O que faz de algo arte não é uma qualidade visível, mas o facto de ser apresentado e reconhecido como arte pela instituição competente. Assim se explica que o urinol de Duchamp seja arte (foi assim proposto e aceite no mundo da arte) e um urinol igual numa casa de banho não o seja: a diferença é institucional, não física.
A teoria histórica (Jerrold Levinson e outros) define a arte pela sua relação com a história da arte: algo é arte se se pretende que seja apreciado do mesmo modo (com as mesmas atitudes e olhares) com que obras anteriores foram corretamente apreciadas como arte. A arte de hoje liga-se, por uma cadeia histórica, à arte do passado. Esta teoria capta o facto de o conceito de arte evoluir (novas formas tornam-se arte por referência às anteriores) sem precisar de uma essência fixa nem, como a institucional, de uma «instituição» algo vaga.
As teorias não-essencialistas têm méritos claros: acomodam a arte contemporânea mais rebelde, explicam por que objetos fisicamente idênticos podem ser arte ou não, e captam a dimensão social e histórica da arte. Mas recebem críticas. À institucional objeta-se a circularidade (define arte pelo «mundo da arte», que já pressupõe a noção de arte) e a aparente arbitrariedade (bastaria a instituição «batizar» algo?). À histórica objeta-se o problema da primeira obra de arte (a que não pode referir-se a nenhuma anterior) e o risco de conservadorismo. O debate mantém-se aberto — e é essa abertura que a última secção examina.
Exemplo resolvido

Aplicar a teoria institucional a objetos idênticos

Dois urinóis fisicamente idênticos: um numa exposição («Fonte», de Duchamp), outro numa loja de materiais. Explica, com a teoria institucional, por que um é arte e o outro não.

  1. 01Constatar a identidade física

    Os dois objetos são indistinguíveis quanto às propriedades sensíveis (forma, material, cor).

  2. 02Aplicar o critério institucional

    O da exposição foi apresentado por um artista e aceite pelo mundo da arte como candidato à apreciação; o da loja não recebeu esse estatuto.

  3. 03Concluir

    A diferença que faz de um arte e do outro não-arte é relacional e institucional, não física: é o estatuto conferido pela instituição.

Resultado: Segundo a teoria institucional, a «Fonte» é arte porque o mundo da arte lhe conferiu o estatuto de candidato à apreciação, ao passo que o urinol da loja não o recebeu. Objetos fisicamente idênticos diferem apenas pelo contexto institucional — o que também expõe a teoria à objeção da circularidade.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a teoria institucional (o estatuto de arte é conferido pelo mundo da arte).
  • Explicar a teoria histórica (a arte define-se pela relação com a arte anterior).
  • Apresentar as objeções às teorias não-essencialistas (circularidade; primeira obra; arbitrariedade).

Erros frequentes

  • Confundir a teoria institucional (estatuto conferido pelo mundo da arte) com uma definição pela beleza ou pela técnica.
  • Julgar que a teoria histórica define a arte por semelhança visual (define-a pela cadeia de apreciação histórica).
  • Não distinguir propriedade interna (representar, exprimir) de propriedade relacional (contexto, história).

Revisão ativa

Explica, à luz da teoria institucional, por que a «Fonte» de Duchamp é arte e um urinol idêntico numa loja não é, identificando o que faz a diferença.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A arte como conceito aberto e a experiência estética#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-dimensao-estetica

Pontos-chave

Uma posição não-essencialista radical, defendida por Morris Weitz (inspirado em Wittgenstein), sustenta que a arte é um conceito aberto e, por isso, indefinível por condições necessárias e suficientes. As obras de arte não partilham uma essência comum, mas apenas «semelhanças de família»: como os membros de uma família se parecem uns com os outros sem que haja um traço comum a todos, também as artes se assemelham por redes de semelhanças que se sobrepõem e cruzam, sem uma propriedade única. E como a arte é criativa e sempre aberta a novas formas, qualquer definição fechada seria desmentida pela próxima obra inovadora (ver Fig. 4).

Semelhanças de família

Semelhanças de famíliaGrafo, Pintura → Música, Música → Poesia, Poesia → Dança, Dança → Instalação, Instalação → PinturaPinturaMúsicaPoesiaDançaInstalaçãoformaritmoexpressãocorpo/espaçovisual
Fig. 4Fig. 4 — Para Weitz, as artes ligam-se por semelhanças de família, sem uma essência comum a todas.
A tese do conceito aberto tem grande força descritiva — explica por que todas as definições falham e por que a arte se renova sem cessar. Mas enfrenta objeções. Primeiro, se a arte fosse totalmente indefinível, como distinguiríamos arte de não-arte, ou saberíamos sequer do que falamos? Segundo, as próprias teorias institucional e histórica mostram que talvez seja possível definir a arte por propriedades relacionais (não sensíveis), escapando à objeção de Weitz, que só atinge as definições por propriedades internas. O debate essencialismo/não-essencialismo permanece, pois, em aberto — e é essa a lição filosófica: um conceito familiar revela-se resistente à análise.
Para além da definição da obra, a estética estuda a experiência estética — o modo particular como nos relacionamos com as obras (e também com a natureza). Caracteriza-se por uma atenção desinteressada (não movida pela utilidade ou pela posse), centrada na própria coisa e no prazer de a contemplar; envolve a perceção sensível, a emoção e a compreensão. O juízo estético («isto é belo», «esta obra é excelente») exprime essa experiência. A grande questão, desde Kant, é se tal juízo é meramente subjetivo (uma questão de gosto pessoal) ou se pretende uma validade que ultrapassa o indivíduo.
Kant analisou o juízo de gosto como singular mas com pretensão de universalidade: quando digo «isto é belo», não relato apenas o meu agrado (como em «gosto de gelado»), mas espero que os outros concordem, como se o belo fosse uma qualidade partilhável — sem, contudo, o poder provar por conceitos ou regras. O juízo estético seria, assim, subjetivo na origem (assenta num sentimento de prazer) mas com pretensão de validade universal. Discutir se há critérios objetivos de valor artístico, ou se «gosto não se discute», é o horizonte último desta unidade — e liga-a de novo ao problema geral dos juízos de valor estudado na ética.
Exemplo resolvido

Discutir a objetividade do juízo estético

«Esta obra é bela» — será este juízo apenas uma questão de gosto pessoal? Analisa com a distinção kantiana.

  1. 01Comparar com um gosto sensível

    «Gosto de gelado de morango» relata apenas o meu agrado; ninguém espera que os outros concordem — é subjetivo sem mais.

  2. 02Analisar o juízo estético

    Ao dizer «esta obra é bela», não relato só o meu agrado: espero que os outros vejam também a beleza, como se falasse de uma qualidade partilhável.

  3. 03Formular a tese kantiana

    O juízo de gosto é singular e assenta num sentimento (subjetivo), mas com pretensão de universalidade — sem, contudo, se poder demonstrar por conceitos ou regras.

Resultado: Segundo Kant, «esta obra é bela» não é um mero relato de agrado pessoal como «gosto de gelado»: tem pretensão de validade universal, embora não demonstrável. Por isso faz sentido discutir sobre arte (dar razões, educar o gosto), sem que exista, todavia, uma prova conclusiva — o que mantém em aberto a questão da objetividade estética.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a tese da arte como conceito aberto (semelhanças de família; indefinibilidade).
  • Apresentar objeções ao anti-essencialismo radical e reconhecer o debate como aberto.
  • Caracterizar a experiência e o juízo estéticos (atenção desinteressada; a pretensão de universalidade do juízo de gosto).

Erros frequentes

  • Concluir do conceito aberto que «tudo é arte» ou que a discussão sobre arte é impossível.
  • Ignorar que a objeção de Weitz só atinge definições por propriedades internas, não as relacionais.
  • Confundir o juízo estético kantiano (pretensão de universalidade) com um mero relato de agrado pessoal.

Revisão ativa

Discute a afirmação «sobre gostos não se discute» aplicada à arte, mobilizando a análise kantiana do juízo de gosto e a tese da arte como conceito aberto.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O problema da definição de arte○
    • 02Teorias essencialistas: representação, expressão e forma◐
    • 03Teorias não-essencialistas: institucional e histórica●
    • 04A arte como conceito aberto e a experiência estética●

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética)

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