EuraStudy
Esta unidade de filosofia da arte investiga o problema da definição de arte: será a arte definível? Apresenta as teorias essencialistas, que procuram uma essência comum a toda a arte (a arte como representação, como expressão e como forma), e as teorias não-essencialistas, que negam essa essência (a teoria institucional e a teoria histórica). Discute ainda a ideia de arte como conceito aberto e a natureza da experiência e do juízo estéticos. Pode integrar o Exame Nacional 714.
4 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Todos os cursos: compreender o problema da definição de arte e distinguir as teorias essencialistas das não-essencialistas.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: analisar criticamente cada teoria da arte e discutir a tese da arte como conceito aberto.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
É a arte definível?
Uma tela inteiramente branca é exposta num museu como obra de arte. Formula o problema que este caso coloca à definição de arte.
A tela branca não representa nada de reconhecível — falha a definição da arte como representação.
Não exibe habilidade técnica notável nem beleza sensível óbvia — falha as definições que a elas apelam.
Contudo, é exposta e tratada como arte. Ou a definição de arte tem de ir além da representação/beleza/técnica, ou a arte não tem essência comum.
Resultado: O caso da tela branca mostra que as propriedades tradicionais (representação, beleza, técnica) não são necessárias para algo ser arte, forçando ou uma definição mais abstrata (forma, expressão, contexto institucional) ou o abandono do essencialismo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que a «Fonte» de Duchamp (um urinol assinado e exposto) constitui um problema para as definições tradicionais de arte, indicando o que nela falta face a essas definições.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As teorias essencialistas da arte
Alguém propõe: «Arte é a representação da realidade.» Avalia esta definição como condição necessária e suficiente.
Uma fotografia de identificação ou um mapa representam a realidade e não são, tipicamente, arte — logo, representar não é suficiente.
A música instrumental e a arquitetura são arte e não representam nada de reconhecível — logo, representar não é necessário.
A definição falha em ambos os sentidos: há representações que não são arte e arte que não representa.
Resultado: A definição «arte = representação» não fornece condição necessária nem suficiente: é refutada por contraexemplos (mapas que representam sem ser arte; música que é arte sem representar). Esta forma de refutação por contraexemplo é o motor da crítica anti-essencialista.
Erros frequentes
Revisão ativa
Escolhe uma obra que conheças e mostra o que cada teoria essencialista (representação, expressão, forma) destacaria nela, e o que cada uma deixaria por explicar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As teorias não-essencialistas
Dois urinóis fisicamente idênticos: um numa exposição («Fonte», de Duchamp), outro numa loja de materiais. Explica, com a teoria institucional, por que um é arte e o outro não.
Os dois objetos são indistinguíveis quanto às propriedades sensíveis (forma, material, cor).
O da exposição foi apresentado por um artista e aceite pelo mundo da arte como candidato à apreciação; o da loja não recebeu esse estatuto.
A diferença que faz de um arte e do outro não-arte é relacional e institucional, não física: é o estatuto conferido pela instituição.
Resultado: Segundo a teoria institucional, a «Fonte» é arte porque o mundo da arte lhe conferiu o estatuto de candidato à apreciação, ao passo que o urinol da loja não o recebeu. Objetos fisicamente idênticos diferem apenas pelo contexto institucional — o que também expõe a teoria à objeção da circularidade.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, à luz da teoria institucional, por que a «Fonte» de Duchamp é arte e um urinol idêntico numa loja não é, identificando o que faz a diferença.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Semelhanças de família
«Esta obra é bela» — será este juízo apenas uma questão de gosto pessoal? Analisa com a distinção kantiana.
«Gosto de gelado de morango» relata apenas o meu agrado; ninguém espera que os outros concordem — é subjetivo sem mais.
Ao dizer «esta obra é bela», não relato só o meu agrado: espero que os outros vejam também a beleza, como se falasse de uma qualidade partilhável.
O juízo de gosto é singular e assenta num sentimento (subjetivo), mas com pretensão de universalidade — sem, contudo, se poder demonstrar por conceitos ou regras.
Resultado: Segundo Kant, «esta obra é bela» não é um mero relato de agrado pessoal como «gosto de gelado»: tem pretensão de validade universal, embora não demonstrável. Por isso faz sentido discutir sobre arte (dar razões, educar o gosto), sem que exista, todavia, uma prova conclusiva — o que mantém em aberto a questão da objetividade estética.
Erros frequentes
Revisão ativa
Discute a afirmação «sobre gostos não se discute» aplicada à arte, mobilizando a análise kantiana do juízo de gosto e a tese da arte como conceito aberto.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão estética) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)