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Esta unidade de filosofia da religião analisa racionalmente o problema da existência de Deus. Esclarece o conceito teísta de Deus e a relação entre razão e fé; apresenta e discute os argumentos a favor da existência de Deus — cosmológico e teleológico (Tomás de Aquino) e ontológico (Anselmo) —, o argumento do mal contra a existência de Deus e a teodiceia de Leibniz, e o fideísmo de Pascal (a aposta). Pode integrar o Exame Nacional 714.
5 secções~20 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 3
nível básico
Todos os cursos: compreender o conceito teísta de Deus e os principais argumentos a favor e contra a sua existência.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: reconstruir e avaliar criticamente cada argumento, e discutir o problema do mal e o fideísmo de Pascal.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Razão, fé e o problema de Deus
Por que razão é filosoficamente importante distinguir «acreditar numa força superior» de «acreditar no Deus teísta» ao discutir a existência de Deus?
«Uma força superior» é uma expressão vaga, compatível com panteísmos, energias, o universo, etc. — não fixa atributos.
O Deus teísta tem atributos precisos (pessoal, criador, omnipotente, omnisciente, omnibenevolente), sobre os quais se pode argumentar rigorosamente.
Os argumentos (cosmológico, ontológico, do mal) só funcionam sobre um conceito determinado: o problema do mal, por exemplo, ataca precisamente a conjunção omnipotência + omnisciência + bondade.
Resultado: Sem clarificar o conceito, a discussão seria confusa: os argumentos a favor e contra dirigem-se ao Deus teísta com atributos precisos. Fixar o conceito é condição de rigor — um exemplo da importância da conceptualização em filosofia.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explicita os atributos do conceito teísta de Deus e mostra por que é importante fixá-los antes de discutir se Deus existe.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão religiosa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os argumentos a posteriori de Tomás de Aquino
O argumento teleológico compara o universo a um relógio, que revela um relojoeiro. Reconstrói a objeção de Hume a esta analogia.
Como um relógio ordenado revela um relojoeiro inteligente, a ordem do universo revelaria um projetista inteligente (Deus).
Hume observa que o universo não é claramente semelhante a um artefacto humano; a analogia é fraca, e de uma semelhança fraca só se tira uma conclusão fraca.
Mesmo admitindo um «projetista», a analogia não garante que seja único (os artefactos costumam ser feitos por muitos), perfeito, incorpóreo, nem o Deus teísta; e a ordem pode surgir por processos naturais.
Resultado: A objeção de Hume mostra que a analogia do desígnio é frágil: não estabelece a existência de um projetista único e perfeito, nem o Deus teísta, e ignora que a ordem pode ter origem natural (como a evolução viria a mostrar para os seres vivos). O argumento, embora sugestivo, não é conclusivo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Reconstrói o argumento cosmológico na forma de premissas e conclusão e apresenta uma objeção que ponha em causa a passagem da «primeira causa» ao Deus teísta.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão religiosa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O argumento ontológico de Anselmo
Mostra como a objeção da «ilha perfeita» de Gaunilo procura expor uma falha no argumento ontológico.
Define-se «a ilha de que nenhuma mais perfeita se pode pensar». Existir na realidade é mais perfeito do que existir só na mente.
Se essa ilha existisse apenas na mente, poderíamos pensar uma maior (a que existisse); logo, a ilha perfeita teria de existir na realidade.
Mas é absurdo «provar» assim a existência de uma ilha real. Como a forma do argumento produz conclusões absurdas, a forma é inválida — e, se o é para a ilha, também o é para Deus.
Resultado: Gaunilo mostra, por analogia (reductio ad absurdum), que a forma do argumento ontológico provaria a existência de qualquer «coisa perfeita» que se defina, o que é absurdo. Isto indica que há um erro na passagem do conceito à existência — erro que Kant diagnosticará precisando que a existência não é um predicado.
Erros frequentes
Revisão ativa
Reconstrói o argumento ontológico de Anselmo em premissas e conclusão e explica como a objeção de Kant («a existência não é um predicado») o ataca.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão religiosa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O problema do mal
Constrói o problema do mal como um conjunto de proposições que não podem ser todas verdadeiras.
(1) Deus é omnipotente (pode impedir todo o mal). (2) Deus é omnisciente (conhece todo o mal). (3) Deus é omnibenevolente (quer impedir todo o mal).
(4) Existe mal no mundo.
De (1), (2) e (3) parece seguir-se que não existiria mal (um ser que pode, sabe e quer impedir o mal impediria-o). Mas (4) afirma que existe mal — as quatro proposições não podem ser todas verdadeiras.
Resultado: O problema lógico do mal mostra que os três atributos do Deus teísta e a existência do mal formam um conjunto aparentemente inconsistente. A teodiceia (Leibniz) e a defesa do livre-arbítrio tentam remover a inconsistência, argumentando que o mal existente é compatível com um Deus bom (o mínimo necessário ao maior bem, ou o preço da liberdade) — respostas fortes mas contestadas.
Erros frequentes
Revisão ativa
Reconstrói o problema do mal na forma de um argumento com três premissas sobre os atributos de Deus e discute em que medida a teodiceia de Leibniz lhe responde.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão religiosa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A aposta de Pascal
Um crítico diz: «A aposta de Pascal não me diz em que Deus apostar — e apostar no Deus errado pode ser tão mau como não apostar.» Analisa a objeção.
Pascal conclui que se deve apostar em Deus porque o ganho possível (felicidade eterna) é infinito e supera qualquer perda finita.
Mas há muitas conceções de Deus, algumas incompatíveis; apostar numa pode significar «não apostar» noutra, e algumas prometem/ameaçam recompensas e castigos opostos.
Se há vários deuses possíveis com exigências incompatíveis, a aposta deixa de indicar uma escolha única e racional: o cálculo do ganho infinito reparte-se e complica-se.
Resultado: A objeção dos «muitos deuses» enfraquece a aposta: esta pressupõe uma alternativa simples (este Deus ou nenhum), mas há muitas conceções rivais de divindade, pelo que o argumento não indica claramente em qual apostar. Mostra os limites de reduzir a fé a um cálculo de decisão — embora o interesse da aposta, como via fideísta e prudencial, permaneça.
Erros frequentes
Revisão ativa
Reconstrói a aposta de Pascal recorrendo à matriz de ganhos e perdas e discute a objeção segundo a qual «não se pode escolher acreditar por conveniência».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 11.º ano (Dimensão religiosa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)