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Resumos/Filosofia/A racionalidade argumentativa e a Lógica formal
Resumos · FilosofiaPT · Secundário

A racionalidade argumentativa e a Lógica formal

Esta unidade fornece os instrumentos lógicos do trabalho filosófico. Distingue validade de verdade e define solidez; introduz a linguagem proposicional, as conectivas e as tabelas de verdade; apresenta as principais formas de inferência válida (Modus Ponens, Modus Tollens, silogismos hipotético e disjuntivo, Leis de De Morgan, dupla negação, contraposição) e as falácias formais (afirmação do consequente e negação do antecedente). Termina com noções de lógica aristotélica (o silogismo categórico e o quadrado da oposição). É um núcleo recorrente do Exame Nacional 714.

5 secções·~20 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1

T·0222 / 13
Perfil de exame
Distinguir validade de verdade e caracterizar a solidez de um argumentoAplicar tabelas de verdade na validação de formas argumentativasAplicar as regras de inferência válida para validar argumentosIdentificar e justificar as falácias formais
Operadores:distingueexplicaaplicaidentificajustificaavaliavalida

nível básico

Todos os cursos: distinguir um argumento válido de um argumento com premissas verdadeiras, reconhecer as conectivas e usar o Modus Ponens e o Modus Tollens.

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 714: construir tabelas de verdade, aplicar todas as regras de inferência, detetar e justificar falácias formais e avaliar a validade de silogismos categóricos.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A racionalidade argumentativa e a Lógica formal
    • 01Argumento, validade, verdade e solidez○
    • 02Proposições, conectivas e tabelas de verdade◐
    • 03Formas de inferência válida◐
    • 04Falácias formais◐
    • 05A lógica aristotélica: o silogismo categórico e o quadrado da oposição●
§ 01

Argumento, validade, verdade e solidez#

●○○BaseLPAE-filosofia-racionalidade-argumentativa

Pontos-chave

Um argumento é um conjunto de proposições em que uma (a conclusão) é apresentada como sendo apoiada pelas restantes (as premissas). Uma proposição é aquilo que uma frase declarativa afirma, e só as proposições podem ser verdadeiras ou falsas — não o são perguntas, ordens ou exclamações. Argumentar é, pois, dar razões (premissas) a favor de uma tese (conclusão). Reconstruir um argumento é identificar qual é a conclusão e quais as premissas, muitas vezes sinalizadas por indicadores: «logo», «portanto», «por conseguinte» antecedem conclusões; «porque», «visto que», «dado que» antecedem premissas.
A distinção mais importante desta unidade é entre validade e verdade. A verdade é uma propriedade das proposições (uma premissa ou conclusão é verdadeira se corresponde ao que é o caso). A validade é uma propriedade da forma do argumento: um argumento dedutivo é válido quando é impossível as premissas serem todas verdadeiras e a conclusão falsa — a conclusão decorre necessariamente das premissas. Repare-se que a validade nada diz sobre se as premissas são de facto verdadeiras: diz apenas que, SE forem, a conclusão terá de o ser (ver Fig. 1).

Validade e verdade: as quatro combinações

Validade × verdadeTabela com 4 colunas e 4 linhas, Dados: Caso · Premissas verdadeiras? · Forma válida? · Conclusão garantida?; 1 · Sim · Sim · Sim — argumento sólido; 2 · Não · Sim · Não garantida; 3 · Sim · Não · Não garantida; 4 · Não · Não · Não garantida, célula destacada: Sim — argumento sólidoCASOPREMISSAS VERDADEIRAS?FORMA VÁLIDA?CONCLUSÃO GARANTIDA?1SimSimSim — argumento sólido2NãoSimNão garantida3SimNãoNão garantida4NãoNãoNão garantida
Fig. 1Fig. 1 — Só a conjugação de forma válida com premissas verdadeiras (argumento sólido) garante a verdade da conclusão.
Daqui resulta que validade e verdade são independentes. É possível um argumento válido ter premissas falsas (e até conclusão falsa); e é possível um argumento inválido ter todas as proposições verdadeiras. Exemplo de válido com premissa falsa: «Todos os répteis são mamíferos; a serpente é um réptil; logo, a serpente é um mamífero» — a forma é impecável, mas a primeira premissa é falsa. Avaliar a validade é, por isso, uma operação puramente formal: verifica-se se a conclusão poderia ser falsa mantendo as premissas verdadeiras, independentemente de estas o serem.
Um argumento é sólido (ou correto) quando reúne as duas virtudes ao mesmo tempo: é dedutivamente válido E tem todas as premissas verdadeiras. Só um argumento sólido garante uma conclusão verdadeira. Esta é a meta da boa argumentação: não basta que o raciocínio seja bem formado (válido) nem que se digam coisas verdadeiras (premissas verdadeiras) — é preciso reunir ambas. Por isso, criticar um argumento faz-se de dois modos: mostrar que a forma é inválida, ou mostrar que uma das premissas é falsa. A lógica formal ocupa-se do primeiro; o exame do conteúdo, do segundo.
Exemplo resolvido

Classificar um argumento quanto à validade e à solidez

Avalia o argumento: «Se um número é divisível por 4, é divisível por 2. O número 10 é divisível por 4. Logo, 10 é divisível por 2.»

  1. 01Identificar a forma

    Premissa 1: p → q; Premissa 2: p (aplicada a 10); Conclusão: q. É a forma Modus Ponens.

  2. 02Avaliar a validade

    A forma Modus Ponens é válida: se as premissas fossem verdadeiras, a conclusão teria de o ser.

  3. 03Avaliar a verdade das premissas

    A premissa 2 é falsa: 10 não é divisível por 4. Logo, o argumento não é sólido.

Resultado: O argumento é válido (forma Modus Ponens correta) mas não é sólido, porque a segunda premissa é falsa. A conclusão «10 é divisível por 2», embora verdadeira, não fica garantida por este argumento.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir validade (propriedade da forma) de verdade (propriedade das proposições).
  • Definir argumento sólido = válido + premissas verdadeiras.
  • Reconhecer que um argumento válido pode ter premissas falsas e um argumento inválido pode ter proposições verdadeiras.

Erros frequentes

  • Dizer que um argumento é «verdadeiro» ou «falso»: argumentos são válidos/inválidos e sólidos/não sólidos; verdadeiras/falsas são as proposições.
  • Concluir que um argumento é válido só porque a conclusão é verdadeira (a validade depende da forma, não do valor de verdade da conclusão).
  • Confundir validade com solidez, esquecendo a exigência de premissas verdadeiras.

Revisão ativa

Constrói um argumento que seja válido mas não sólido e outro que seja inválido mas com todas as proposições verdadeiras; explica, em cada caso, por que a classificação se justifica.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Proposições, conectivas e tabelas de verdade#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-racionalidade-argumentativa

Pontos-chave

A lógica proposicional analisa a forma dos argumentos ao nível das proposições simples e das conectivas que as ligam. Uma proposição simples é representada por uma variável (p, q, r); a partir dela formam-se proposições complexas com cinco conectivas fundamentais: a negação (¬p, «não p»), a conjunção (p ∧ q, «p e q»), a disjunção (p ∨ q, «p ou q»), a condicional (p → q, «se p, então q») e a bicondicional (p ↔ q, «p se e só se q»). Formalizar um argumento é traduzir as suas frases nesta linguagem, para tornar a forma visível e avaliável (ver Fig. 2).

Tabelas de verdade das conectivas

Tabelas de verdadeTabela com 7 colunas e 4 linhas, Dados: p · q · ¬p · p ∧ q · p ∨ q · p → q · p ↔ q; V · V · F · V · V · V · V; V · F · F · F · V · F · F; F · V · V · F · V · V · F; F · F · V · F · F · V · V, célula destacada: FPQ¬PP ∧ QP ∨ QP → QP ↔ QVVFVVVVVFFFVFFFVVFVVFFFVFFVV
Fig. 2Fig. 2 — As tabelas de verdade das cinco conectivas fundamentais (V = verdadeiro, F = falso). Note-se a condicional, falsa só na segunda linha.
Cada conectiva é definida por uma tabela de verdade, que fixa o valor de verdade da proposição complexa em função dos valores das simples. A negação inverte o valor (¬p é verdadeira quando p é falsa). A conjunção p ∧ q só é verdadeira quando ambas são verdadeiras. A disjunção inclusiva p ∨ q é verdadeira quando pelo menos uma é verdadeira (admite que ambas o sejam) — distingue-se da disjunção exclusiva («ou... ou..., mas não ambas»), verdadeira apenas quando exatamente uma o é. A bicondicional é verdadeira quando ambas têm o mesmo valor.
A condicional p → q é a conectiva mais importante e a que mais gera erros. Chama-se p o antecedente e q o consequente. A regra é: p → q só é falsa no caso em que o antecedente é verdadeiro e o consequente falso; em todos os outros casos é verdadeira. Isto surpreende no caso do antecedente falso: «se a Lua for de queijo, então 2+2=4» é considerada verdadeira, porque a condicional apenas afirma que não acontece ter antecedente verdadeiro e consequente falso. Compreender esta definição é decisivo para dominar o Modus Ponens, o Modus Tollens e as falácias formais.
As tabelas de verdade permitem, além de definir as conectivas, testar a validade de uma forma argumentativa. O procedimento é sistemático: constroem-se todas as combinações de valores das variáveis (2 elevado ao número de variáveis: 4 linhas para p e q), calcula-se o valor das premissas e da conclusão em cada linha, e procura-se uma linha em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Se existir tal linha (um contraexemplo), a forma é inválida; se não existir nenhuma, é válida. É um método mecânico e infalível para a lógica proposicional.
¬p\neg p¬p

Negação

«não p»: inverte o valor de verdade de p.

p∧qp \land qp∧q

Conjunção

«p e q»: verdadeira apenas quando p e q são ambas verdadeiras.

p∨qp \lor qp∨q

Disjunção (inclusiva)

«p ou q»: verdadeira quando pelo menos uma é verdadeira.

p→qp \rightarrow qp→q

Condicional

«se p, então q»: falsa só quando o antecedente p é verdadeiro e o consequente q é falso.

p↔qp \leftrightarrow qp↔q

Bicondicional

«p se e só se q»: verdadeira quando p e q têm o mesmo valor de verdade.

Exemplo resolvido

Testar uma forma com tabela de verdade

Usa uma tabela de verdade para determinar se a forma «p ∨ q; ¬p; logo, q» (silogismo disjuntivo) é válida.

  1. 01Listar as combinações

    Para p e q há 4 linhas: (V,V), (V,F), (F,V), (F,F).

  2. 02Calcular premissas e conclusão

    Premissas: p ∨ q e ¬p. Ambas são verdadeiras só na linha (F,V): p ∨ q = V e ¬p = V. Nessa linha a conclusão q = V.

  3. 03Procurar contraexemplo

    Não há nenhuma linha em que as duas premissas sejam verdadeiras e q seja falsa.

Resultado: A forma é válida: na única linha em que ambas as premissas são verdadeiras (p falsa, q verdadeira), a conclusão q é verdadeira. Não existe contraexemplo, logo o silogismo disjuntivo é válido.

Foco no Exame Nacional

  • Formalizar frases com as cinco conectivas (¬, ∧, ∨, →, ↔).
  • Construir e ler a tabela de verdade de cada conectiva, sobretudo a da condicional.
  • Usar tabelas de verdade para testar a validade de uma forma (procurar a linha de premissas verdadeiras e conclusão falsa).

Erros frequentes

  • Considerar a condicional p → q falsa quando o antecedente é falso (é verdadeira nesses casos).
  • Confundir a disjunção inclusiva (admite ambas) com a exclusiva (exige exatamente uma).
  • Ler a bicondicional como uma simples condicional, esquecendo que exige igualdade de valores nos dois sentidos.

Revisão ativa

Formaliza «Se estudo e descanso, então tenho bom desempenho» e constrói a tabela de verdade da proposição resultante, indicando em que linhas ela é falsa.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Formas de inferência válida#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-racionalidade-argumentativa

Pontos-chave

Embora existam infinitas formas válidas, algumas são tão comuns que recebem nome próprio e devem ser reconhecidas de imediato. O Modus Ponens (modo de afirmar) parte de uma condicional e da afirmação do seu antecedente para concluir o consequente: de «p → q» e «p» conclui-se «q». O Modus Tollens (modo de negar) parte da mesma condicional e da negação do consequente para concluir a negação do antecedente: de «p → q» e «¬q» conclui-se «¬p». Ambas são válidas por definição da condicional e constituem os dois padrões básicos do raciocínio dedutivo (ver Fig. 3).

As principais formas de inferência válida

Formas de inferência válidaTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Forma · Esquema · Exemplo; Modus Ponens · p → q, p ⊢ q · Se chove, a rua molha; chove; logo, molha.; Modus Tollens · p → q, ¬q ⊢ ¬p · Se chove, a rua molha; não molhou; logo, não choveu.; Silogismo hipotético · p → q, q → r ⊢ p → r · Se estudo, aprendo; se aprendo, passo; logo, se estudo, passo.; Silogismo disjuntivo · p ∨ q, ¬p ⊢ q · Ou é dia ou é noite; não é dia; logo, é noite.; Contraposição · p → q ⊢ ¬q → ¬p · Se chove molha; equivale a: se não molhou, não choveu.FORMAESQUEMAEXEMPLOMODUS PONENSp → q, p ⊢ qSe chove, a rua molha;chove; logo, molha.MODUS TOLLENSp → q, ¬q ⊢ ¬pSe chove, a rua molha; nãomolhou; logo, não choveu.SILOGISMOHIPOTÉTICOp → q, q → r ⊢ p → rSe estudo, aprendo; seaprendo, passo; logo, seestudo, passo.SILOGISMODISJUNTIVOp ∨ q, ¬p ⊢ qOu é dia ou é noite; não édia; logo, é noite.CONTRAPOSIÇÃOp → q ⊢ ¬q → ¬pSe chove molha; equivale a:se não molhou, não choveu.
Fig. 3Fig. 3 — Esquema e exemplo das formas de inferência válida a reconhecer.
Duas formas ligam cadeias de proposições. O silogismo hipotético encadeia condicionais: de «p → q» e «q → r» conclui-se «p → r» (se estudo aprendo, se aprendo passo, logo se estudo passo). O silogismo disjuntivo elimina uma alternativa: de «p ∨ q» e «¬p» conclui-se «q» (ou é de dia ou é de noite; não é de dia; logo é de noite). Estas formas mostram como a validade não depende do conteúdo das proposições, mas apenas da sua estrutura lógica.
Outras regras são equivalências lógicas — permitem transformar uma proposição noutra com o mesmo valor de verdade. As Leis de De Morgan relacionam negação, conjunção e disjunção: a negação de uma conjunção equivale à disjunção das negações, ¬(p ∧ q) ↔ (¬p ∨ ¬q); e a negação de uma disjunção equivale à conjunção das negações, ¬(p ∨ q) ↔ (¬p ∧ ¬q). São indispensáveis para negar corretamente proposições complexas: negar «é rico e feliz» dá «não é rico ou não é feliz», não «não é rico e não é feliz».
A dupla negação afirma que negar duas vezes equivale a afirmar: ¬¬p ↔ p. A contraposição (ou transposição) afirma que uma condicional equivale à condicional com os termos trocados e negados: (p → q) ↔ (¬q → ¬p) — «se chove, a rua molha» equivale a «se a rua não molhou, não choveu». A contraposição é a base lógica do Modus Tollens e uma ferramenta poderosa de prova. Dominar estas regras permite reescrever argumentos, reconhecer equivalências e evitar as falácias que as imitam.
p→qp∴ q\begin{array}{l} p \rightarrow q \\ p \\ \hline \therefore\ q \end{array}p→qp∴ q​​

Modus Ponens

Afirmando o antecedente de uma condicional, conclui-se o consequente.

p→q¬q∴ ¬p\begin{array}{l} p \rightarrow q \\ \neg q \\ \hline \therefore\ \neg p \end{array}p→q¬q∴ ¬p​​

Modus Tollens

Negando o consequente, conclui-se a negação do antecedente.

(p→q)∧(q→r)  ⊢  (p→r)(p \rightarrow q) \land (q \rightarrow r) \; \vdash \; (p \rightarrow r)(p→q)∧(q→r)⊢(p→r)

Silogismo hipotético

Encadeamento de condicionais.

(p∨q)∧¬p  ⊢  q(p \lor q) \land \neg p \; \vdash \; q(p∨q)∧¬p⊢q

Silogismo disjuntivo

Eliminada uma alternativa, resta a outra.

¬(p∧q)↔(¬p∨¬q)\neg(p \land q) \leftrightarrow (\neg p \lor \neg q)¬(p∧q)↔(¬p∨¬q)

Lei de De Morgan (1)

A negação de uma conjunção é a disjunção das negações.

¬(p∨q)↔(¬p∧¬q)\neg(p \lor q) \leftrightarrow (\neg p \land \neg q)¬(p∨q)↔(¬p∧¬q)

Lei de De Morgan (2)

A negação de uma disjunção é a conjunção das negações.

(p→q)↔(¬q→¬p)(p \rightarrow q) \leftrightarrow (\neg q \rightarrow \neg p)(p→q)↔(¬q→¬p)

Contraposição

Uma condicional equivale à sua contrapositiva.

Exemplo resolvido

Aplicar o Modus Tollens

«Se o suspeito é culpado, então estava no local do crime. Ora, o suspeito não estava no local do crime.» Que se conclui validamente e por que regra?

  1. 01Formalizar

    p = «é culpado», q = «estava no local». Premissas: p → q e ¬q.

  2. 02Identificar a forma

    Temos a condicional e a negação do consequente (¬q): é a estrutura do Modus Tollens.

  3. 03Concluir

    De p → q e ¬q conclui-se ¬p: «o suspeito não é culpado». A conclusão é válida (independentemente de as premissas serem, de facto, verdadeiras).

Resultado: Conclui-se validamente «o suspeito não é culpado» (¬p), por Modus Tollens. Cuidado: concluir «o suspeito é culpado» a partir de «estava no local» seria a falácia da afirmação do consequente.

Foco no Exame Nacional

  • Reconhecer e aplicar o Modus Ponens e o Modus Tollens.
  • Aplicar o silogismo hipotético e o silogismo disjuntivo.
  • Aplicar as Leis de De Morgan, a dupla negação e a contraposição para transformar e validar argumentos.

Erros frequentes

  • Aplicar mal De Morgan, negando «p e q» como «não p e não q» (o correto é «não p ou não q»).
  • Confundir a contraposição (¬q → ¬p, válida) com a recíproca (q → p) ou a inversa (¬p → ¬q), ambas inválidas.
  • Aplicar o Modus Tollens negando o antecedente em vez do consequente.

Revisão ativa

Reescreve «Se a testemunha diz a verdade, o réu estava em casa» pela contraposição e, a partir do facto «o réu não estava em casa», conclui validamente algo sobre a testemunha, indicando a regra usada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Falácias formais#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-racionalidade-argumentativa

Pontos-chave

Uma falácia formal é um argumento inválido cuja forma se parece com a de uma inferência válida, o que o torna psicologicamente persuasivo mas logicamente incorreto. Ao contrário das falácias informais (que dependem do conteúdo), as falácias formais detetam-se pela pura análise da estrutura, tipicamente com uma tabela de verdade que exibe uma linha de premissas verdadeiras e conclusão falsa. As duas falácias formais que a lógica proposicional destaca associam-se, ambas, à condicional — e imitam, respetivamente, o Modus Ponens e o Modus Tollens.
A falácia da afirmação do consequente parte de «p → q» e da afirmação do consequente «q» para concluir, ilegitimamente, o antecedente «p». Exemplo: «Se choveu, a rua está molhada. A rua está molhada. Logo, choveu.» O erro é claro: a rua pode estar molhada por outra causa (um cano rebentado, a lavagem da via). A condicional garante que p leva a q, mas não que q só possa resultar de p. Formalmente, na linha em que p é falsa e q verdadeira, as premissas (p → q e q) são ambas verdadeiras e a conclusão (p) é falsa — eis o contraexemplo que prova a invalidade (ver Fig. 4).

Contraexemplo da afirmação do consequente

Contraexemplo (afirmação do consequente)Tabela com 5 colunas e 4 linhas, Dados: p · q · p → q · premissa q · conclusão p; V · V · V · V · V; V · F · F · F · V; F · V · V · V · F; F · F · V · F · F, célula destacada: FPQP → QPREMISSA QCONCLUSÃO PVVVVVVFFFVFVVVFFFVFF
Fig. 4Fig. 4 — A afirmação do consequente é inválida: na linha (p=F, q=V), as premissas são verdadeiras mas a conclusão p é falsa.
A falácia da negação do antecedente parte de «p → q» e da negação do antecedente «¬p» para concluir, ilegitimamente, a negação do consequente «¬q». Exemplo: «Se estudas, passas. Não estudaste. Logo, não passas.» Também aqui o erro é evidente: podes passar por outra via (um exame fácil, sorte). A condicional não afirma que p seja a única condição de q. O contraexemplo formal ocorre na linha em que p é falsa e q verdadeira: as premissas (p → q e ¬p) são verdadeiras e a conclusão (¬q) é falsa.
A chave para não cair nestas falácias é lembrar o que a condicional afirma e o que não afirma: «p → q» diz que p é suficiente para q, não que p seja necessária para q. Do consequente verdadeiro nada se conclui sobre o antecedente (pode haver outras causas); do antecedente falso nada se conclui sobre o consequente (pode ser verdadeiro por outra via). As únicas inferências válidas com a condicional são afirmar o antecedente (Modus Ponens) e negar o consequente (Modus Tollens); afirmar o consequente e negar o antecedente são falácias.
p→qq∴ p\begin{array}{l} p \rightarrow q \\ q \\ \hline \therefore\ p \end{array}p→qq∴ p​​

Afirmação do consequente (inválida)

Do consequente verdadeiro não decorre o antecedente — q pode ter outra causa.

p→q¬p∴ ¬q\begin{array}{l} p \rightarrow q \\ \neg p \\ \hline \therefore\ \neg q \end{array}p→q¬p∴ ¬q​​

Negação do antecedente (inválida)

Da negação do antecedente não decorre a negação do consequente — q pode ser verdadeiro por outra via.

Exemplo resolvido

Detetar e justificar uma falácia formal

«Se um número termina em 0, é divisível por 5. O número 25 é divisível por 5. Logo, 25 termina em 0.» Avalia o argumento.

  1. 01Formalizar

    p = «termina em 0», q = «divisível por 5». Premissas: p → q e q. Conclusão: p.

  2. 02Reconhecer a forma

    Afirma-se o consequente (q) para concluir o antecedente (p): é a falácia da afirmação do consequente.

  3. 03Dar um contraexemplo

    O 25 é divisível por 5 mas não termina em 0 — mostra que q pode ser verdadeiro sem p. As premissas são verdadeiras e a conclusão falsa.

Resultado: O argumento é inválido: comete a falácia da afirmação do consequente. O próprio número 25 é o contraexemplo (divisível por 5 sem terminar em 0), provando que a conclusão não decorre das premissas.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e nomear a falácia da afirmação do consequente e a da negação do antecedente.
  • Justificar a invalidade construindo ou reconhecendo o contraexemplo (linha da tabela de verdade).
  • Distinguir as formas válidas (Modus Ponens/Tollens) das falácias que se lhes assemelham.

Erros frequentes

  • Confundir a afirmação do consequente (falácia) com o Modus Ponens (válido).
  • Confundir a negação do antecedente (falácia) com o Modus Tollens (válido).
  • Aceitar a conclusão porque «parece verdadeira», sem notar que a forma não a garante.

Revisão ativa

Identifica a falácia formal em «Se um animal é um cão, então é um mamífero. Este animal é um mamífero. Logo, é um cão» e apresenta um contraexemplo que a exponha.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

A lógica aristotélica: o silogismo categórico e o quadrado da oposição#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-racionalidade-argumentativa

Pontos-chave

Antes da lógica proposicional, Aristóteles (séc. IV a.C.) criou a lógica dos termos, ainda hoje estudada. Nela, as proposições categóricas relacionam dois termos — um sujeito (S) e um predicado (P) — segundo a quantidade (universal/particular) e a qualidade (afirmativa/negativa), gerando quatro tipos: A — universal afirmativa «Todo o S é P»; E — universal negativa «Nenhum S é P»; I — particular afirmativa «Algum S é P»; O — particular negativa «Algum S não é P». Estas quatro formas são a base da silogística.
As relações lógicas entre A, E, I e O organizam-se no quadrado da oposição. A e E são contrárias (não podem ser ambas verdadeiras, mas podem ser ambas falsas). I e O são subcontrárias (não podem ser ambas falsas, mas podem ser ambas verdadeiras). A e O, tal como E e I, são contraditórias (têm sempre valores opostos: se uma é verdadeira, a outra é falsa). Entre A e I, e entre E e O, há subalternação (da verdade da universal segue-se a da particular). O quadrado permite inferir imediatamente o valor de umas proposições a partir de outras.
Um silogismo categórico é um argumento com duas premissas e uma conclusão, envolvendo três termos: o termo maior (predicado da conclusão), o termo menor (sujeito da conclusão) e o termo médio, que aparece nas duas premissas e as liga, desaparecendo na conclusão. O exemplo clássico: «Todos os homens são mortais (premissa maior); Sócrates é homem (premissa menor); logo, Sócrates é mortal.» O termo médio «homem» faz a ponte entre «mortal» e «Sócrates».
A validade de um silogismo pode ser testada com diagramas de Venn, representando cada termo por um círculo: sombreia-se o que as premissas dizem estar vazio e marca-se o que dizem existir; o silogismo é válido se, ao representar as premissas, a conclusão já ficar necessariamente representada (ver Fig. 5). Este método torna visível por que «Todo o A é B» e «Todo o B é C» garantem «Todo o A é C», mas «Algum A é B» e «Algum B é C» não garantem «Algum A é C». A lógica aristotélica e a proposicional são, assim, dois modos complementares de analisar a validade.

Diagrama de Venn de um silogismo válido

Silogismo categóricoDiagrama de Venn com 3 conjuntos, Mortais, Homens, SócratesMortaisHomensSócrateshomens mortaisSócrates
Fig. 5Fig. 5 — Representação por círculos: como «Homens» está contido em «Mortais» e «Sócrates» é homem, «Sócrates» fica necessariamente em «Mortais».
Exemplo resolvido

Avaliar um silogismo categórico

«Todos os mamíferos são vertebrados. Todas as baleias são mamíferos. Logo, todas as baleias são vertebrados.» Identifica os termos e avalia a validade.

  1. 01Identificar os termos

    Termo maior: «vertebrados» (predicado da conclusão); termo menor: «baleias» (sujeito da conclusão); termo médio: «mamíferos» (nas duas premissas).

  2. 02Classificar as proposições

    As três são do tipo A (universais afirmativas): «Todo M é P», «Todo S é M», «Todo S é P».

  3. 03Testar a validade

    Se «baleias» está contido em «mamíferos» e «mamíferos» em «vertebrados», então «baleias» está contido em «vertebrados» — a conclusão já está representada pelas premissas.

Resultado: O silogismo é válido (modo Barbara: A-A-A na primeira figura). A transitividade da inclusão entre os termos garante a conclusão; sendo as premissas verdadeiras, o argumento é também sólido.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar o tipo (A, E, I, O) de uma proposição categórica pela quantidade e qualidade.
  • Usar o quadrado da oposição para inferir valores de verdade (contraditórias, contrárias, subcontrárias, subalternas).
  • Reconhecer os três termos de um silogismo e avaliar a sua validade (inclusive com diagramas de Venn).

Erros frequentes

  • Tratar «Algum S é P» como implicando «Algum S não é P» (I e O podem ser ambas verdadeiras, mas não é uma implicação).
  • Confundir contrárias (podem ser ambas falsas) com contraditórias (nunca têm o mesmo valor).
  • Concluir de duas premissas particulares (dois «alguns»), o que nunca produz um silogismo válido.

Revisão ativa

Classifica «Nenhum político é infalível» quanto ao tipo (A/E/I/O) e indica, pelo quadrado da oposição, o valor de verdade da sua contraditória se a proposição dada for verdadeira.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Argumento, validade, verdade e solidez○
    • 02Proposições, conectivas e tabelas de verdade◐
    • 03Formas de inferência válida◐
    • 04Falácias formais◐
    • 05A lógica aristotélica: o silogismo categórico e o quadrado da oposição●

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

A racionalidade argumentativa e a Lógica formal

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~20
min
4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa)

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A abordagem introdutória à Filosofia e ao filosofar

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A lógica informal: argumentos não-dedutivos e falácias

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