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Esta unidade fornece os instrumentos lógicos do trabalho filosófico. Distingue validade de verdade e define solidez; introduz a linguagem proposicional, as conectivas e as tabelas de verdade; apresenta as principais formas de inferência válida (Modus Ponens, Modus Tollens, silogismos hipotético e disjuntivo, Leis de De Morgan, dupla negação, contraposição) e as falácias formais (afirmação do consequente e negação do antecedente). Termina com noções de lógica aristotélica (o silogismo categórico e o quadrado da oposição). É um núcleo recorrente do Exame Nacional 714.
5 secções~20 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Todos os cursos: distinguir um argumento válido de um argumento com premissas verdadeiras, reconhecer as conectivas e usar o Modus Ponens e o Modus Tollens.
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: construir tabelas de verdade, aplicar todas as regras de inferência, detetar e justificar falácias formais e avaliar a validade de silogismos categóricos.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Validade e verdade: as quatro combinações
Avalia o argumento: «Se um número é divisível por 4, é divisível por 2. O número 10 é divisível por 4. Logo, 10 é divisível por 2.»
Premissa 1: p → q; Premissa 2: p (aplicada a 10); Conclusão: q. É a forma Modus Ponens.
A forma Modus Ponens é válida: se as premissas fossem verdadeiras, a conclusão teria de o ser.
A premissa 2 é falsa: 10 não é divisível por 4. Logo, o argumento não é sólido.
Resultado: O argumento é válido (forma Modus Ponens correta) mas não é sólido, porque a segunda premissa é falsa. A conclusão «10 é divisível por 2», embora verdadeira, não fica garantida por este argumento.
Erros frequentes
Revisão ativa
Constrói um argumento que seja válido mas não sólido e outro que seja inválido mas com todas as proposições verdadeiras; explica, em cada caso, por que a classificação se justifica.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Tabelas de verdade das conectivas
Negação
«não p»: inverte o valor de verdade de p.
Conjunção
«p e q»: verdadeira apenas quando p e q são ambas verdadeiras.
Disjunção (inclusiva)
«p ou q»: verdadeira quando pelo menos uma é verdadeira.
Condicional
«se p, então q»: falsa só quando o antecedente p é verdadeiro e o consequente q é falso.
Bicondicional
«p se e só se q»: verdadeira quando p e q têm o mesmo valor de verdade.
Usa uma tabela de verdade para determinar se a forma «p ∨ q; ¬p; logo, q» (silogismo disjuntivo) é válida.
Para p e q há 4 linhas: (V,V), (V,F), (F,V), (F,F).
Premissas: p ∨ q e ¬p. Ambas são verdadeiras só na linha (F,V): p ∨ q = V e ¬p = V. Nessa linha a conclusão q = V.
Não há nenhuma linha em que as duas premissas sejam verdadeiras e q seja falsa.
Resultado: A forma é válida: na única linha em que ambas as premissas são verdadeiras (p falsa, q verdadeira), a conclusão q é verdadeira. Não existe contraexemplo, logo o silogismo disjuntivo é válido.
Erros frequentes
Revisão ativa
Formaliza «Se estudo e descanso, então tenho bom desempenho» e constrói a tabela de verdade da proposição resultante, indicando em que linhas ela é falsa.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
As principais formas de inferência válida
Modus Ponens
Afirmando o antecedente de uma condicional, conclui-se o consequente.
Modus Tollens
Negando o consequente, conclui-se a negação do antecedente.
Silogismo hipotético
Encadeamento de condicionais.
Silogismo disjuntivo
Eliminada uma alternativa, resta a outra.
Lei de De Morgan (1)
A negação de uma conjunção é a disjunção das negações.
Lei de De Morgan (2)
A negação de uma disjunção é a conjunção das negações.
Contraposição
Uma condicional equivale à sua contrapositiva.
«Se o suspeito é culpado, então estava no local do crime. Ora, o suspeito não estava no local do crime.» Que se conclui validamente e por que regra?
p = «é culpado», q = «estava no local». Premissas: p → q e ¬q.
Temos a condicional e a negação do consequente (¬q): é a estrutura do Modus Tollens.
De p → q e ¬q conclui-se ¬p: «o suspeito não é culpado». A conclusão é válida (independentemente de as premissas serem, de facto, verdadeiras).
Resultado: Conclui-se validamente «o suspeito não é culpado» (¬p), por Modus Tollens. Cuidado: concluir «o suspeito é culpado» a partir de «estava no local» seria a falácia da afirmação do consequente.
Erros frequentes
Revisão ativa
Reescreve «Se a testemunha diz a verdade, o réu estava em casa» pela contraposição e, a partir do facto «o réu não estava em casa», conclui validamente algo sobre a testemunha, indicando a regra usada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Contraexemplo da afirmação do consequente
Afirmação do consequente (inválida)
Do consequente verdadeiro não decorre o antecedente — q pode ter outra causa.
Negação do antecedente (inválida)
Da negação do antecedente não decorre a negação do consequente — q pode ser verdadeiro por outra via.
«Se um número termina em 0, é divisível por 5. O número 25 é divisível por 5. Logo, 25 termina em 0.» Avalia o argumento.
p = «termina em 0», q = «divisível por 5». Premissas: p → q e q. Conclusão: p.
Afirma-se o consequente (q) para concluir o antecedente (p): é a falácia da afirmação do consequente.
O 25 é divisível por 5 mas não termina em 0 — mostra que q pode ser verdadeiro sem p. As premissas são verdadeiras e a conclusão falsa.
Resultado: O argumento é inválido: comete a falácia da afirmação do consequente. O próprio número 25 é o contraexemplo (divisível por 5 sem terminar em 0), provando que a conclusão não decorre das premissas.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica a falácia formal em «Se um animal é um cão, então é um mamífero. Este animal é um mamífero. Logo, é um cão» e apresenta um contraexemplo que a exponha.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Diagrama de Venn de um silogismo válido
«Todos os mamíferos são vertebrados. Todas as baleias são mamíferos. Logo, todas as baleias são vertebrados.» Identifica os termos e avalia a validade.
Termo maior: «vertebrados» (predicado da conclusão); termo menor: «baleias» (sujeito da conclusão); termo médio: «mamíferos» (nas duas premissas).
As três são do tipo A (universais afirmativas): «Todo M é P», «Todo S é M», «Todo S é P».
Se «baleias» está contido em «mamíferos» e «mamíferos» em «vertebrados», então «baleias» está contido em «vertebrados» — a conclusão já está representada pelas premissas.
Resultado: O silogismo é válido (modo Barbara: A-A-A na primeira figura). A transitividade da inclusão entre os termos garante a conclusão; sendo as premissas verdadeiras, o argumento é também sólido.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica «Nenhum político é infalível» quanto ao tipo (A/E/I/O) e indica, pelo quadrado da oposição, o valor de verdade da sua contraditória se a proposição dada for verdadeira.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Racionalidade argumentativa) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)