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Esta unidade caracteriza a Filosofia como uma atividade conceptual crítica, distinta do senso comum, da ciência e da religião, e esclarece a natureza dos problemas filosóficos. Apresenta as áreas em que a Filosofia se organiza e a estrutura do discurso filosófico — problema, tese, conceito e argumento —, que serão os instrumentos permanentes do trabalho ao longo dos dois anos. Os seus conceitos são transversais e fundamentam os itens de todos os grupos do Exame Final Nacional de Filosofia (714).
4 secções~15 min de leitura4 competênciasNível Base 2 · Padrão 2
nível básico
Todos os cursos científico-humanísticos: reconhecer o que distingue a atitude filosófica, saber que um problema filosófico não se resolve por observação nem por cálculo, e identificar as principais áreas da Filosofia.
nível avançado
Aprofundamento para o ensaio filosófico e o Exame 714: mobilizar com rigor os conceitos de problema, tese, argumento e área filosófica para enquadrar e discutir qualquer questão ao longo dos dois anos.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
As três competências do trabalho filosófico
«Sempre se fez assim, logo é o que se deve fazer.» Analisa criticamente este raciocínio à luz da atitude filosófica.
Assume-se que o que é habitual (o costume) é, por isso mesmo, correto — passa-se do que «é» para o que «deve ser».
A atitude filosófica não aceita uma crença só por ser tradicional: exige as razões que justificam o costume, que podem ou não existir.
Do facto de algo se fazer há muito tempo não decorre logicamente que deva continuar a fazer-se; muitos costumes antigos foram, com razão, abandonados.
Resultado: O raciocínio confunde o habitual com o justificado. Filosofar consiste em examinar as razões: só se o costume tiver bons argumentos a seu favor deve ser mantido — a antiguidade, por si, não fundamenta nada.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, num parágrafo, por que razão a afirmação «a Filosofia é só uma questão de opinião» revela uma incompreensão do que é filosofar, recorrendo às noções de argumento e de análise conceptual.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Estrutura de um problema filosófico
Um aluno pergunta: «O cérebro produz pensamentos?» e «A mente é o mesmo que o cérebro?». Mostra que uma questão é sobretudo empírica e a outra filosófica.
«O cérebro produz pensamentos?» é largamente empírica: as neurociências investigam que processos cerebrais acompanham a atividade mental.
«A mente é o mesmo que o cérebro?» é conceptual: pergunta pela identidade entre mente e cérebro, o que exige clarificar os conceitos de mente e de matéria e avaliar argumentos.
Nenhuma observação decide, por si só, se estados mentais são idênticos a estados físicos — isso depende de uma análise dos conceitos e de argumentos filosóficos.
Resultado: A primeira questão é essencialmente empírica (resolúvel por investigação científica); a segunda é filosófica (o problema mente-corpo), pois pede uma análise conceptual e argumentativa que a observação, sozinha, não fecha.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica as seguintes questões em «empírica», «matemática» ou «filosófica» e justifica: (a) quantos habitantes tem Portugal? (b) é possível conhecer a realidade tal como ela é? (c) qual é a soma dos ângulos de um triângulo? (d) é a pena de morte moralmente admissível?
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
As áreas da Filosofia
Classifica o problema «Podemos confiar nos sentidos como fonte de conhecimento?» na área filosófica adequada e explica que outra área ele pode tocar.
A questão incide sobre a origem e a fiabilidade do conhecimento — é um problema de teoria do conhecimento (epistemologia).
Opõe empiristas (o conhecimento começa nos sentidos) e racionalistas (a razão é fonte segura), tema central do 11.º ano.
Toca a filosofia da ciência, pois o estatuto da observação e da experiência é decisivo para saber o que valida uma teoria científica.
Resultado: Pertence à epistemologia (fiabilidade dos sentidos como fonte de conhecimento) e conecta-se com a filosofia da ciência (o papel da observação na validação das teorias).
Erros frequentes
Revisão ativa
Indica a que área da Filosofia pertence cada problema e justifica: (a) «o mundo exterior existe independentemente da mente?»; (b) «a mentira é sempre condenável?»; (c) «uma reprodução tem o mesmo valor artístico que o original?»; (d) «o que distingue uma teoria científica de uma pseudociência?».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Cronologia dos autores em estudo
No enunciado «A eutanásia deve ser legalizada porque cada pessoa é dona da sua vida», identifica o tema, o problema, a tese e o argumento.
O assunto é a eutanásia (o seu estatuto moral e legal).
A questão é: «deve a eutanásia ser legalizada?» — um problema de ética e de filosofia política.
A tese é «a eutanásia deve ser legalizada»; o argumento é «porque cada pessoa é dona da sua vida» (princípio de autonomia).
Resultado: Tema: a eutanásia; problema: deve ser legalizada?; tese: sim; argumento: a autonomia de cada pessoa sobre a própria vida. Um ensaio filosófico teria ainda de clarificar «ser dono da própria vida» e discutir objeções.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante um pequeno texto de opinião, identifica o problema a que responde, a tese defendida, um conceito que precisaria de ser clarificado e um argumento apresentado; depois formula uma objeção possível.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)