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A abordagem introdutória à Filosofia e ao filosofar

Esta unidade caracteriza a Filosofia como uma atividade conceptual crítica, distinta do senso comum, da ciência e da religião, e esclarece a natureza dos problemas filosóficos. Apresenta as áreas em que a Filosofia se organiza e a estrutura do discurso filosófico — problema, tese, conceito e argumento —, que serão os instrumentos permanentes do trabalho ao longo dos dois anos. Os seus conceitos são transversais e fundamentam os itens de todos os grupos do Exame Final Nacional de Filosofia (714).

4 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 2 · Padrão 2

T·0111 / 13
Perfil de exame
Caracterizar a Filosofia como atividade conceptual críticaClarificar a natureza dos problemas filosóficosDistinguir o saber filosófico do senso comum, da ciência e da religiãoIdentificar as áreas da Filosofia e a estrutura do discurso filosófico
Operadores:caracterizadistingueexplicaidentificarelacionaclarifica

nível básico

Todos os cursos científico-humanísticos: reconhecer o que distingue a atitude filosófica, saber que um problema filosófico não se resolve por observação nem por cálculo, e identificar as principais áreas da Filosofia.

nível avançado

Aprofundamento para o ensaio filosófico e o Exame 714: mobilizar com rigor os conceitos de problema, tese, argumento e área filosófica para enquadrar e discutir qualquer questão ao longo dos dois anos.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A abordagem introdutória à Filosofia e ao filosofar
    • 01O que é filosofar: a atitude filosófica○
    • 02A natureza dos problemas filosóficos○
    • 03As áreas e disciplinas da Filosofia◐
    • 04O discurso filosófico e os autores em estudo◐
§ 01

O que é filosofar: a atitude filosófica#

●○○BaseLPAE-filosofia-abordagem-introdutoria

Pontos-chave

Filosofar não é acumular opiniões nem decorar o que os filósofos disseram: é uma atividade, um modo rigoroso de pensar sobre problemas fundamentais. A palavra «filosofia» (do grego philosophía, «amor ao saber») aponta para uma busca — não a posse tranquila de um saber já feito, mas o esforço contínuo de compreender por que razão as coisas são como são e o que devemos pensar e fazer. Enquanto atividade conceptual crítica, a Filosofia trabalha com conceitos (não com instrumentos ou experiências laboratoriais), analisando-os, definindo-os e avaliando as razões a favor e contra cada posição.
A atitude filosófica nasce da admiração e da dúvida. A admiração (o thaumázein de que falavam Platão e Aristóteles) é a capacidade de estranhar o que parece óbvio: perguntar o que é o tempo, se somos livres, se podemos conhecer a realidade tal como ela é. A dúvida é a recusa de aceitar uma crença apenas porque é habitual, popular ou autoritária. Juntas, admiração e dúvida transformam o que o senso comum dá por adquirido em problema — e é o problema, não a resposta pronta, que põe o pensamento a trabalhar.
Filosofar exige três operações que estruturam toda a disciplina: problematizar (formular com clareza uma questão e mostrar por que é um problema genuíno), conceptualizar (clarificar e relacionar os conceitos em jogo, para que a discussão não se perca em equívocos) e argumentar (sustentar uma tese com razões e avaliar criticamente as razões contrárias). Estas três competências não são etapas separadas mas dimensões de um mesmo trabalho, que culmina na produção de um ensaio filosófico — um texto que expõe um problema, mobiliza teses e as discute com argumentos (ver Fig. 1).

As três competências do trabalho filosófico

As competências filosóficasGrafo, Problematizar → Argumentar, Conceptualizar → Argumentar, Argumentar → Ensaio filosóficoProblematizarConceptualizarArgumentarEnsaiofilosóficoquestãoconceitostexto
Fig. 1Fig. 1 — Filosofar articula problematização, conceptualização e argumentação, culminando no ensaio filosófico.
O pensamento filosófico distingue-se por ser crítico, radical e de conjunto. Crítico, porque não aceita nada sem exame das suas razões; radical, porque procura ir à raiz (radix) dos problemas, questionando pressupostos que outros saberes tomam por evidentes; de conjunto, porque tenta articular numa visão coerente aquilo que as ciências particulares estudam em separado. Por isso a Filosofia não compete com a ciência nem a substitui: ocupa-se de perguntas que a observação e o cálculo, por si sós, não podem responder — o que é o bem, o que é o conhecimento, o que torna uma sociedade justa.
Exemplo resolvido

Reconhecer a atitude filosófica

«Sempre se fez assim, logo é o que se deve fazer.» Analisa criticamente este raciocínio à luz da atitude filosófica.

  1. 01Identificar o pressuposto

    Assume-se que o que é habitual (o costume) é, por isso mesmo, correto — passa-se do que «é» para o que «deve ser».

  2. 02Aplicar a dúvida filosófica

    A atitude filosófica não aceita uma crença só por ser tradicional: exige as razões que justificam o costume, que podem ou não existir.

  3. 03Distinguir facto e valor

    Do facto de algo se fazer há muito tempo não decorre logicamente que deva continuar a fazer-se; muitos costumes antigos foram, com razão, abandonados.

Resultado: O raciocínio confunde o habitual com o justificado. Filosofar consiste em examinar as razões: só se o costume tiver bons argumentos a seu favor deve ser mantido — a antiguidade, por si, não fundamenta nada.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a Filosofia como atividade conceptual crítica (e não como conjunto de opiniões).
  • Explicar o papel da admiração e da dúvida na origem da atitude filosófica.
  • Distinguir problematizar, conceptualizar e argumentar.

Erros frequentes

  • Confundir Filosofia com opinião pessoal («cada um tem a sua filosofia»), esquecendo a exigência de argumentação e rigor conceptual.
  • Reduzir a Filosofia a uma história de autores a decorar, em vez de a entender como uma atividade de pensar problemas.
  • Achar que a Filosofia dá respostas definitivas como a ciência, quando o seu valor está sobretudo na qualidade das perguntas e dos argumentos.

Revisão ativa

Explica, num parágrafo, por que razão a afirmação «a Filosofia é só uma questão de opinião» revela uma incompreensão do que é filosofar, recorrendo às noções de argumento e de análise conceptual.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A natureza dos problemas filosóficos#

●○○BaseLPAE-filosofia-abordagem-introdutoria

Pontos-chave

Nem toda a pergunta é um problema filosófico. Uma pergunta como «que horas são?» resolve-se por observação; «qual é a raiz quadrada de 144?» resolve-se por cálculo; «a água ferve a que temperatura ao nível do mar?» resolve-se por experiência. Os problemas filosóficos, pelo contrário, não se decidem por observação, cálculo ou experiência isolada: perguntar «o que é o tempo?», «existe livre-arbítrio?» ou «o que torna uma ação justa?» exige análise de conceitos e avaliação de argumentos, porque o que está em causa não é um facto por verificar mas o próprio sentido e fundamento das nossas ideias.
Os problemas filosóficos têm marcas características. São radicais (dizem respeito a pressupostos fundamentais que outros saberes assumem sem discutir); são universais (interessam a qualquer ser humano que pense, não a um grupo restrito de especialistas); tendem a ser persistentes (reaparecem em cada época, o que não significa que não haja progresso na sua análise); e são conceptuais (resolvem-se esclarecendo e articulando conceitos, não recolhendo mais dados). Reconhecer estas marcas ajuda a distinguir um problema genuinamente filosófico de uma questão empírica ou de uma mera confusão linguística.
Um problema filosófico costuma apresentar-se sob a forma de teses concorrentes, cada uma com os seus argumentos. Ao problema do livre-arbítrio respondem o determinismo e o libertismo; ao problema do conhecimento respondem o racionalismo e o empirismo; ao problema da definição de arte respondem o essencialismo e o não-essencialismo. Filosofar sobre um problema é, por isso, cartografar as respostas possíveis, reconstruir os melhores argumentos de cada uma e avaliar qual resiste melhor à crítica — e não simplesmente escolher a que mais nos agrada (ver Fig. 2).

Estrutura de um problema filosófico

Anatomia de um problemaDiagrama em árvore, 4 caminhos, Dados: Tese A → razões; Tese A → objeções; Tese B → razões; Tese B → objeçõesrazõesobjeçõesrazõesobjeçõesTese ATese BTese ATese BProblema filo…Argumentos a …ObjeçõesArgumentos a …Objeções
Fig. 2Fig. 2 — Um problema filosófico organiza-se em teses concorrentes, cada uma com argumentos que se avaliam criticamente.
O facto de os problemas filosóficos persistirem não significa que a Filosofia não progrida. Há progresso quando os problemas são formulados com mais clareza, quando se distinguem questões antes confundidas, quando se descobre que um argumento clássico contém uma falácia, ou quando se elimina uma resposta por se mostrar inconsistente. O valor da Filosofia mede-se menos pelo número de respostas definitivas do que pela qualidade das distinções que introduz e pelo rigor com que ensina a pensar — competências que se transferem para todas as áreas do saber e da vida cívica.
Exemplo resolvido

Distinguir problema filosófico de questão empírica

Um aluno pergunta: «O cérebro produz pensamentos?» e «A mente é o mesmo que o cérebro?». Mostra que uma questão é sobretudo empírica e a outra filosófica.

  1. 01Analisar a primeira

    «O cérebro produz pensamentos?» é largamente empírica: as neurociências investigam que processos cerebrais acompanham a atividade mental.

  2. 02Analisar a segunda

    «A mente é o mesmo que o cérebro?» é conceptual: pergunta pela identidade entre mente e cérebro, o que exige clarificar os conceitos de mente e de matéria e avaliar argumentos.

  3. 03Justificar a diferença

    Nenhuma observação decide, por si só, se estados mentais são idênticos a estados físicos — isso depende de uma análise dos conceitos e de argumentos filosóficos.

Resultado: A primeira questão é essencialmente empírica (resolúvel por investigação científica); a segunda é filosófica (o problema mente-corpo), pois pede uma análise conceptual e argumentativa que a observação, sozinha, não fecha.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir um problema filosófico de uma questão empírica, matemática ou de opinião.
  • Identificar as marcas dos problemas filosóficos (radicais, universais, conceptuais).
  • Reconhecer que um problema filosófico se organiza em teses concorrentes com argumentos.

Erros frequentes

  • Tratar um problema filosófico como se se resolvesse com mais informação ou uma consulta rápida.
  • Confundir «não haver acordo definitivo» com «tanto faz qualquer resposta»: há respostas melhor e pior fundamentadas.
  • Formular o problema de modo vago, impedindo a discussão (má problematização compromete tudo o resto).

Revisão ativa

Classifica as seguintes questões em «empírica», «matemática» ou «filosófica» e justifica: (a) quantos habitantes tem Portugal? (b) é possível conhecer a realidade tal como ela é? (c) qual é a soma dos ângulos de um triângulo? (d) é a pena de morte moralmente admissível?

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

As áreas e disciplinas da Filosofia#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-abordagem-introdutoria

Pontos-chave

A Filosofia organiza-se em áreas ou disciplinas, cada uma centrada num tipo de problema. A metafísica ocupa-se do que existe e da sua natureza última (o ser, a causalidade, a liberdade, a identidade pessoal, a existência de Deus). A epistemologia ou teoria do conhecimento estuda o que é conhecer, a possibilidade, a origem e os limites do conhecimento. A lógica investiga a validade dos raciocínios. Estas três áreas formam o núcleo teórico da disciplina e serão trabalhadas com profundidade ao longo dos dois anos (ver Fig. 3).

As áreas da Filosofia

Áreas da Filosofiaroda segmentada, 8 segmentos, Dados: Filosofia, Metafísica, Epistemologia, Lógica, Ética, Fil. Política, Estética, Fil. da Ciência, Fil. da ReligiãoMetafísicao que existeEpistemologiao conhecerLógicaa validadeÉticao bem e o deverFil. Políticaa justiçaEstéticaa arteFil. da Ciênciaa ciênciaFil. da Religiãorazão e féFilosofia
Fig. 3Fig. 3 — As principais áreas da Filosofia, cada uma centrada num tipo de problema; no centro, a atividade filosófica que as unifica.
Um segundo grupo de áreas dedica-se aos valores e à ação — é a chamada axiologia (teoria dos valores) e o domínio prático da Filosofia. A ética estuda o bem, o dever e o critério da moralidade das ações; a filosofia política pergunta o que legitima o poder e o que torna uma sociedade justa; a estética ou filosofia da arte investiga a natureza do belo e da obra de arte. Ao contrário das ciências, que descrevem como as coisas são, estas áreas interrogam como devem ser as ações e as instituições, e por que razão.
A Filosofia estende-se ainda a filosofias «de segunda ordem», que refletem criticamente sobre outras práticas: a filosofia da ciência (o que distingue a ciência de outras formas de conhecimento), a filosofia da religião (a análise racional das crenças religiosas), a filosofia da mente, da linguagem, do direito. Não substituem essas práticas — não fazem ciência nem teologia —, mas examinam os seus pressupostos, conceitos e métodos. É neste sentido que se diz que a Filosofia é reflexiva: pensa sobre o próprio pensar e sobre os fundamentos dos outros saberes.
Estas áreas não são compartimentos estanques: comunicam entre si. O problema do livre-arbítrio (metafísica) tem consequências para a responsabilidade moral (ética); a teoria do conhecimento condiciona a filosofia da ciência; a estética levanta questões metafísicas sobre o modo de existência das obras de arte. Conhecer o mapa das áreas serve, sobretudo, para situar cada problema: quando se pergunta «o que é a justiça?», sabe-se que se está em filosofia política; quando se pergunta «como sabemos que uma teoria científica é boa?», está-se em filosofia da ciência. Esta orientação é o primeiro passo de qualquer análise filosófica rigorosa.
Exemplo resolvido

Situar um problema na área correta

Classifica o problema «Podemos confiar nos sentidos como fonte de conhecimento?» na área filosófica adequada e explica que outra área ele pode tocar.

  1. 01Identificar o problema central

    A questão incide sobre a origem e a fiabilidade do conhecimento — é um problema de teoria do conhecimento (epistemologia).

  2. 02Reconhecer a controvérsia associada

    Opõe empiristas (o conhecimento começa nos sentidos) e racionalistas (a razão é fonte segura), tema central do 11.º ano.

  3. 03Ligar a outra área

    Toca a filosofia da ciência, pois o estatuto da observação e da experiência é decisivo para saber o que valida uma teoria científica.

Resultado: Pertence à epistemologia (fiabilidade dos sentidos como fonte de conhecimento) e conecta-se com a filosofia da ciência (o papel da observação na validação das teorias).

Foco no Exame Nacional

  • Associar um problema à área da Filosofia que o estuda (metafísica, epistemologia, ética, estética, etc.).
  • Distinguir as áreas teóricas (metafísica, epistemologia, lógica) das áreas práticas/valorativas (ética, política, estética).
  • Explicar em que sentido a Filosofia é reflexiva (filosofias de segunda ordem).

Erros frequentes

  • Confundir ética com estética, ou epistemologia com metafísica, por não fixar o problema central de cada área.
  • Pensar que a filosofia da ciência «faz ciência» ou que a filosofia da religião é teologia.
  • Tratar as áreas como isoladas, ignorando que os problemas se cruzam (ex.: liberdade em metafísica e em ética).

Revisão ativa

Indica a que área da Filosofia pertence cada problema e justifica: (a) «o mundo exterior existe independentemente da mente?»; (b) «a mentira é sempre condenável?»; (c) «uma reprodução tem o mesmo valor artístico que o original?»; (d) «o que distingue uma teoria científica de uma pseudociência?».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O discurso filosófico e os autores em estudo#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-abordagem-introdutoria

Pontos-chave

O discurso filosófico tem uma gramática própria feita de quatro elementos que importa distinguir. O problema é a questão a que se procura responder; a tese é a resposta que se defende; o conceito é a unidade de significado com que se pensa (e que muitas vezes é preciso definir para evitar equívocos); o argumento é o conjunto de razões (premissas) que sustentam a tese (conclusão). Um texto filosófico bem construído torna estes elementos identificáveis: sabe-se qual é o problema, que tese se defende, com que conceitos e com que argumentos.
Ler filosofia é reconstruir esta arquitetura num texto de outrem, e escrever filosofia é construí-la de forma clara. Por isso o trabalho da disciplina culmina no ensaio filosófico: um texto em que se enuncia um problema, se clarificam os conceitos-chave, se apresentam as teses em confronto, se desenvolvem argumentos e objeções, e se toma uma posição fundamentada. Não se trata de expressar sentimentos nem de resumir autores, mas de pensar por si com rigor, apoiando cada afirmação em razões e antecipando as críticas.
Embora a Filosofia não seja «um programa de autores» — o que se estuda são problemas —, alguns pensadores tornaram-se referências incontornáveis porque deram às grandes questões respostas particularmente influentes e bem argumentadas. Ao longo do 10.º e do 11.º anos, encontram-se, entre outros, Kant e Mill (o critério da moralidade), Rawls (a justiça), Descartes e Hume (o conhecimento), Popper e Kuhn (a ciência), Tomás de Aquino, Anselmo, Pascal e Leibniz (a existência de Deus). Estudam-se as suas teses e argumentos como respostas a problemas, sujeitando-as sempre a análise crítica (ver Fig. 4).

Cronologia dos autores em estudo

Autores em estudo (10.º e 11.º)Linha do tempo de -400 a 2010, -350: Aristóteles, 1078: Anselmo, 1270: Tomás de Aquino, 1637: Descartes, 1670: Pascal, 1710: Leibniz, 1748: Hume, 1785: Kant, 1863: Mill, 1962: Kuhn, 1971: Rawls−4002010ano−350Aristóteles1078Anselmo1270Tomás de Aquino1637Descartes1670Pascal1710Leibniz1748Hume1785Kant1863Mill1962Kuhn1971Rawls
Fig. 4Fig. 4 — Os autores estudados no 10.º e 11.º anos, situados no tempo; a ordem de estudo é, porém, temática.
Situar cronologicamente estes autores ajuda a compreender o diálogo entre eles: a lógica remonta a Aristóteles (séc. IV a.C.); o debate racionalismo/empirismo dá-se na modernidade (Descartes no séc. XVII, Hume no séc. XVIII); a ética de Kant e o utilitarismo de Mill inscrevem-se na viragem para a era contemporânea; a filosofia da ciência de Popper e Kuhn e a teoria da justiça de Rawls pertencem ao século XX. Contudo, a ordem de estudo é temática, não histórica: aprende-se por problemas, mobilizando cada autor onde a sua contribuição é mais forte.
Exemplo resolvido

Separar tema, problema e tese

No enunciado «A eutanásia deve ser legalizada porque cada pessoa é dona da sua vida», identifica o tema, o problema, a tese e o argumento.

  1. 01Tema

    O assunto é a eutanásia (o seu estatuto moral e legal).

  2. 02Problema

    A questão é: «deve a eutanásia ser legalizada?» — um problema de ética e de filosofia política.

  3. 03Tese e argumento

    A tese é «a eutanásia deve ser legalizada»; o argumento é «porque cada pessoa é dona da sua vida» (princípio de autonomia).

Resultado: Tema: a eutanásia; problema: deve ser legalizada?; tese: sim; argumento: a autonomia de cada pessoa sobre a própria vida. Um ensaio filosófico teria ainda de clarificar «ser dono da própria vida» e discutir objeções.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar num texto o problema, a(s) tese(s), os conceitos e os argumentos.
  • Compreender a estrutura e a exigência do ensaio filosófico (posição fundamentada, não opinião).
  • Reconhecer os principais autores como respostas argumentadas a problemas (não como matéria a decorar).

Erros frequentes

  • Confundir tema com tese (o tema é o assunto; a tese é a posição defendida sobre ele).
  • Escrever um «ensaio» que resume autores ou desabafa opiniões, sem problema, argumentos e objeções.
  • Estudar os autores isoladamente, sem os ligar ao problema a que respondem.

Revisão ativa

Perante um pequeno texto de opinião, identifica o problema a que responde, a tese defendida, um conceito que precisaria de ser clarificado e um argumento apresentado; depois formula uma objeção possível.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

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    • 01O que é filosofar: a atitude filosófica○
    • 02A natureza dos problemas filosóficos○
    • 03As áreas e disciplinas da Filosofia◐
    • 04O discurso filosófico e os autores em estudo◐

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Dos resumos à prática

A abordagem introdutória à Filosofia e ao filosofar

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano

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