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A lógica informal: argumentos não-dedutivos e falácias

Esta unidade estuda a argumentação do dia a dia, que raramente é dedutiva. Distingue dedução de não-dedução (validade vs força), analisa os principais argumentos não-dedutivos — indução/generalização, analogia e autoridade — e os critérios da sua avaliação, e apresenta as falácias informais nomeadas nas Aprendizagens Essenciais, que dependem do conteúdo e do contexto, não apenas da forma. Reconhecer e nomear falácias é competência avaliada no Exame Nacional 714.

4 secções·~14 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0333 / 13
Perfil de exame
Distinguir argumentos dedutivos de não-dedutivos (validade vs força)Clarificar e construir argumentos por indução, analogia e autoridadeAvaliar a força de argumentos não-dedutivosIdentificar e justificar as principais falácias informais
Operadores:distingueexplicaavaliaidentificajustificaconstróicritica

nível básico

Todos os cursos: distinguir um argumento forte de um fraco, reconhecer generalizações e analogias, e identificar as falácias mais comuns (ad hominem, falso dilema, generalização precipitada).

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 714: avaliar rigorosamente a força dos argumentos não-dedutivos e nomear com precisão as falácias informais, justificando por que o raciocínio falha.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A lógica informal: argumentos não-dedutivos e falácias
    • 01Dedução e não-dedução: validade e força○
    • 02Tipos de argumentos não-dedutivos◐
    • 03Falácias informais de relevância e de ambiguidade◐
    • 04Falácias informais de presunção e de indução falha●
§ 01

Dedução e não-dedução: validade e força#

●○○BaseLPAE-filosofia-logica-informal

Pontos-chave

Os argumentos dividem-se em dois grandes tipos consoante a relação que pretendem entre premissas e conclusão. Num argumento dedutivo, as premissas pretendem garantir a conclusão: se forem verdadeiras, a conclusão tem de ser verdadeira (é o caso das formas estudadas na lógica formal). Num argumento não-dedutivo (indutivo, em sentido amplo), as premissas pretendem apenas tornar a conclusão provável: mesmo que sejam verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. A maior parte da argumentação quotidiana, científica e jurídica é não-dedutiva.
A esta diferença corresponde uma diferença de avaliação. Os argumentos dedutivos avaliam-se pela validade: são válidos ou inválidos, não há meio-termo. Os argumentos não-dedutivos avaliam-se pela força: são mais fortes ou mais fracos, conforme as premissas tornem a conclusão mais ou menos provável. Não faz sentido dizer que uma generalização é «válida»; diz-se que é forte (bem apoiada) ou fraca. Um bom argumento não-dedutivo cuja conclusão se aceita por ter premissas verdadeiras e ser forte diz-se cogente — o análogo não-dedutivo da solidez (ver Fig. 1).

Dedução vs não-dedução

Dedução × não-deduçãoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Dedutivo · Não-dedutivo (indutivo); Relação premissas–conclusão · Garante (necessidade) · Torna provável (probabilidade); Critério de avaliação · Válido / inválido · Forte / fraco; Conclusão diz mais que as premissas? · Não · Sim (ampliativo); Nova informação pode anular? · Não (monotónico) · Sim (revisável); Bom argumento diz-se · Sólido (válido + premissas V) · Cogente (forte + premissas V), célula destacada: Forte / fracoASPETODEDUTIVONÃO-DEDUTIVO(INDUTIVO)RELAÇÃOPREMISSAS–CONCLUS…Garante (necessidade)Torna provável(probabilidade)CRITÉRIO DEAVALIAÇÃOVálido / inválidoForte / fracoCONCLUSÃO DIZ MAISQUE AS PREMISSAS?NãoSim (ampliativo)NOVA INFORMAÇÃOPODE ANULAR?Não (monotónico)Sim (revisável)BOM ARGUMENTO DIZ-SESólido (válido + premissasV)Cogente (forte + premissasV)
Fig. 1Fig. 1 — As duas famílias de argumentos diferem no tipo de apoio que oferecem e no modo como se avaliam.
Uma marca distintiva dos argumentos não-dedutivos é serem ampliativos e revisáveis (não-monotónicos). Ampliativos, porque a conclusão diz mais do que as premissas (de «todos os corvos observados são pretos» passa-se para «todos os corvos são pretos», incluindo os não observados). Revisáveis, porque nova informação pode enfraquecer ou anular a conclusão sem tocar nas premissas anteriores (basta encontrar um corvo branco). Nos argumentos dedutivos, pelo contrário, acrescentar premissas nunca invalida uma conclusão já obtida.
Compreender esta distinção evita dois erros simétricos: exigir de um argumento indutivo a certeza que só a dedução dá (e rejeitá-lo por não a ter), ou tratar uma conclusão provável como se fosse certa. A ciência empírica, por exemplo, não demonstra as suas leis dedutivamente a partir de dados: generaliza e testa, aceitando conclusões prováveis e revisáveis. Saber que tipo de apoio um argumento oferece — garantia ou probabilidade — é o primeiro passo para o avaliar com justiça.
Exemplo resolvido

Reconhecer a revisabilidade da indução

«Todos os cisnes que vi até hoje eram brancos, logo todos os cisnes são brancos.» Classifica o argumento e explica o que acontece se se descobrir um cisne negro.

  1. 01Classificar

    É não-dedutivo: parte de casos observados (premissa) para uma conclusão universal que os ultrapassa (todos os cisnes).

  2. 02Avaliar a força

    A força depende do número e da variedade das observações; nenhuma amostra finita garante a universal — a conclusão é apenas provável.

  3. 03Aplicar nova informação

    A descoberta de um cisne negro (como ocorreu na Austrália) falsifica a conclusão sem alterar a premissa: o argumento era revisável.

Resultado: É um argumento indutivo (generalização), avaliável pela força, não pela validade. A conclusão universal é ampliativa e revisável: um único contraexemplo (o cisne negro) anula-a, mostrando por que a indução não dá certeza.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir argumento dedutivo (pretende garantir) de não-dedutivo (pretende tornar provável).
  • Avaliar dedutivos pela validade e não-dedutivos pela força.
  • Reconhecer que os argumentos não-dedutivos são ampliativos e revisáveis.

Erros frequentes

  • Chamar «inválido» a um argumento indutivo forte (a validade não se aplica à indução).
  • Exigir certeza absoluta a um argumento não-dedutivo e rejeitá-lo por não a dar.
  • Tratar a conclusão de uma generalização como certa em vez de provável e revisável.

Revisão ativa

Classifica cada argumento em dedutivo ou não-dedutivo e justifica: (a) «Todos os metais dilatam com o calor; o ferro é um metal; logo, dilata»; (b) «Nos últimos cinco anos choveu no dia da festa; logo, este ano também vai chover».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Tipos de argumentos não-dedutivos#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-logica-informal

Pontos-chave

O argumento por indução (ou generalização) parte de casos observados para uma conclusão que os abrange a todos: de «estas amostras de água ferveram a 100 °C» conclui-se «a água ferve a 100 °C». A sua força depende de três fatores: a quantidade de casos (poucos casos = generalização precipitada), a variedade dos casos (amostra representativa da diversidade) e a ausência de contraexemplos. Uma boa sondagem, por exemplo, inquire muitas pessoas e assegura que a amostra reflete a população; uma má sondagem generaliza a partir de poucos ou enviesados casos (ver Fig. 2).

Argumentos não-dedutivos e critérios de força

Argumentos não-dedutivosTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Tipo · Estrutura · É forte quando...; Indução / generalização · De casos observados para todos os casos · Muitos casos, variados, sem contraexemplos; Analogia · Semelhantes em vários aspetos, semelhantes noutro · Semelhanças numerosas e relevantes; sem diferenças relevantes; Autoridade · A fonte competente afirma, logo é provável · Perito na área, consenso, fonte fiável e desinteressadaTIPOESTRUTURAÉ FORTE QUANDO...INDUÇÃO /GENERALIZAÇÃODe casos observados paratodos os casosMuitos casos, variados, semcontraexemplosANALOGIASemelhantes em váriosaspetos, semelhantes noutroSemelhanças numerosas erelevantes; sem diferençasrelevantesAUTORIDADEA fonte competente afirma,logo é provávelPerito na área, consenso,fonte fiável edesinteressada
Fig. 2Fig. 2 — Cada tipo de argumento não-dedutivo tem critérios próprios de avaliação da força.
O argumento por analogia conclui que, sendo dois casos semelhantes em vários aspetos, serão semelhantes também num outro: «este medicamento funcionou em ratos, cujo organismo se assemelha ao humano, logo funcionará em humanos». A sua força depende do número e da relevância das semelhanças (semelhanças que se relacionem com a propriedade em causa contam mais do que semelhanças superficiais) e da ausência de diferenças relevantes. A analogia é fértil na descoberta e na argumentação jurídica e moral, mas frágil: uma diferença relevante esquecida arruína a conclusão.
O argumento por autoridade apoia uma conclusão no testemunho de um perito ou de uma fonte credível: «segundo os especialistas em clima, a temperatura média está a subir». Longe de ser sempre falacioso, é indispensável — ninguém pode verificar tudo por si. A sua força depende de a autoridade ser genuinamente competente no domínio em causa, de haver consenso entre os peritos, e de a fonte ser fiável e desinteressada. Torna-se falacioso quando se invoca uma autoridade fora da sua área (um ator a opinar sobre física) ou uma falsa autoridade.
Estes três tipos partilham a mesma lógica avaliativa: perguntam-se as condições que tornam a conclusão provável e verifica-se se estão reunidas. Ao contrário da lógica formal, em que a validade se decide pela estrutura, aqui a avaliação é sensível ao conteúdo — à representatividade da amostra, à relevância das semelhanças, à competência da fonte. Por isso a lógica informal exige juízo e conhecimento do assunto, e não apenas o domínio de regras. Um argumento não-dedutivo forte não prova, mas justifica racionalmente a aceitação da conclusão.
Exemplo resolvido

Avaliar um argumento por autoridade

«Um famoso futebolista afirmou, num anúncio, que este suplemento cura constipações; logo, deve curar.» Avalia a força do argumento.

  1. 01Identificar o tipo

    É um argumento por autoridade: apoia a conclusão no testemunho de alguém famoso.

  2. 02Testar a competência

    O futebolista não é perito em medicina; a sua fama desportiva não o torna autoridade sobre a eficácia de fármacos.

  3. 03Testar o interesse

    Trata-se de um anúncio pago: a fonte tem interesse comercial, o que compromete a sua fiabilidade.

Resultado: O argumento é fraco e falacioso (apelo a autoridade ilegítima): a fonte não é competente na área nem desinteressada. Um argumento por autoridade só seria forte se invocasse peritos em medicina, com consenso e sem conflito de interesses.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os argumentos por indução, por analogia e por autoridade.
  • Enunciar os critérios de força de cada tipo (quantidade/variedade; relevância das semelhanças; competência da fonte).
  • Avaliar a força de um argumento não-dedutivo concreto.

Erros frequentes

  • Considerar todo o argumento de autoridade uma falácia (só o é quando a autoridade é ilegítima ou está fora da sua área).
  • Avaliar uma analogia pelo número de semelhanças, ignorando a sua relevância para a conclusão.
  • Generalizar a partir de poucos casos ou de uma amostra enviesada.

Revisão ativa

Constrói um argumento por analogia para defender que os grandes símios devem ter proteção jurídica, indicando as semelhanças relevantes e uma diferença que um crítico poderia invocar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Falácias informais de relevância e de ambiguidade#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-logica-informal

Pontos-chave

Uma falácia informal é um erro de raciocínio que não está na forma lógica, mas no conteúdo, no contexto ou na linguagem — o argumento persuade sem justificar. Distinguem-se das formais porque não se detetam por uma tabela de verdade: exigem analisar se as premissas são realmente pertinentes, se a linguagem é clara e se não se pressupõe indevidamente o que se quer provar. Um primeiro grupo é o das falácias de relevância, em que as premissas, embora possam ser verdadeiras, são irrelevantes para a conclusão (ver Fig. 3).

Falácias informais de relevância e de ambiguidade

Falácias de relevância e ambiguidadeTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Falácia · Como funciona · Exemplo; Ad hominem · Ataca quem defende, não a tese · «Não o ouças, ele nem estudou.»; Ad populum · Popularidade em vez de verdade · «Toda a gente acredita, logo é verdade.»; Apelo à emoção · Emoção em vez de razões · «Se tens coração, concordas.»; Apelo à ignorância · Falta de prova do contrário como prova · «Ninguém o desmentiu, logo é verdade.»; Espantalho · Deturpa a tese do adversário · «Quem corta na defesa quer o país indefeso.»; Equivocação · Muda o sentido de uma palavra · «O fim é perfeição; a morte é o fim...»FALÁCIACOMO FUNCIONAEXEMPLOAD HOMINEMAtaca quem defende, não atese«Não o ouças, ele nemestudou.»AD POPULUMPopularidade em vez deverdade«Toda a gente acredita, logoé verdade.»APELO À EMOÇÃOEmoção em vez de razões«Se tens coração,concordas.»APELO À IGNORÂNCIAFalta de prova do contráriocomo prova«Ninguém o desmentiu, logo éverdade.»ESPANTALHODeturpa a tese do adversário«Quem corta na defesa quer opaís indefeso.»EQUIVOCAÇÃOMuda o sentido de umapalavra«O fim é perfeição; a morteé o fim...»
Fig. 3Fig. 3 — Quadro das principais falácias de relevância e de ambiguidade.
Entre as falácias de relevância contam-se: o ataque à pessoa (ad hominem), que desqualifica quem defende uma tese em vez de refutar a tese («não ligues ao que ele diz sobre economia, ele é divorciado»); o apelo à maioria ou ao povo (ad populum), que confunde a popularidade de uma crença com a sua verdade («toda a gente acredita nisto, logo é verdade»); e o apelo à emoção, que substitui razões por medo, pena ou entusiasmo («se tens coração, aprovas esta lei»). Em todos, o que é dito não toca o mérito da questão.
A este grupo pertencem ainda: o apelo à ignorância, que toma a ausência de prova do contrário como prova («ninguém provou que os fantasmas não existem, logo existem»); o apelo à autoridade ilegítima, já visto, que invoca quem não é perito na matéria; e o espantalho ou boneco de palha, que deturpa a posição do adversário numa versão caricatural e fácil de derrubar, para depois a «refutar» («os que defendem reduzir a despesa militar querem deixar o país indefeso»). Em cada caso, refuta-se algo que não é a verdadeira tese em discussão.
As falácias de ambiguidade exploram a imprecisão da linguagem. A equivocação usa uma palavra com dois sentidos diferentes ao longo do argumento, como se fosse o mesmo («o fim das coisas é a sua perfeição; a morte é o fim da vida; logo, a morte é a perfeição da vida» — «fim» significa primeiro «finalidade» e depois «término»). A anfibologia explora uma construção sintática ambígua. Detetar estas falácias exige fixar o sentido dos termos: muitas discussões dissolvem-se assim que se clarifica o que cada palavra significa — o que reforça a importância da conceptualização.
Exemplo resolvido

Detetar um espantalho

A defende que se deve limitar a velocidade nas cidades a 30 km/h. B responde: «O A quer proibir os carros e obrigar-nos a andar todos a pé.» Analisa a resposta de B.

  1. 01Comparar tese real e tese atacada

    A tese de A é limitar a velocidade a 30 km/h; B atribui-lhe a tese de «proibir os carros», que A não defendeu.

  2. 02Nomear a falácia

    B constrói uma versão caricatural e extrema da posição de A, mais fácil de atacar: é a falácia do espantalho (boneco de palha).

  3. 03Mostrar o efeito

    Ao «refutar» a tese exagerada, B dá a impressão de ter respondido a A, quando não tocou na proposta real.

Resultado: B comete a falácia do espantalho: deturpa a posição de A (limitar a velocidade) numa posição extrema (proibir carros) e refuta essa, não a verdadeira. A discussão honesta exigiria responder à tese efetivamente defendida.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e nomear o ad hominem, o ad populum, o apelo à emoção, o apelo à ignorância e o espantalho.
  • Reconhecer a falácia da equivocação (mudança de sentido de uma palavra).
  • Justificar por que as premissas são irrelevantes ou ambíguas.

Erros frequentes

  • Chamar «ad hominem» a toda a crítica a uma pessoa — só o é quando a crítica substitui a refutação da tese.
  • Confundir o espantalho (deturpar a tese do outro) com uma refutação legítima da tese real.
  • Não perceber a equivocação por não notar que uma palavra mudou de sentido no decurso do argumento.

Revisão ativa

Identifica e nomeia a falácia em «Milhões de pessoas compram este produto todos os dias, por isso é de certeza o melhor do mercado» e explica por que a premissa não sustenta a conclusão.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Falácias informais de presunção e de indução falha#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-logica-informal

Pontos-chave

As falácias de presunção assumem indevidamente aquilo que deveria ser provado. A petição de princípio (círculo vicioso) inclui a conclusão, disfarçada, entre as premissas: «Deus existe porque a Bíblia o diz, e a Bíblia é fiável porque é palavra de Deus» — pressupõe-se a existência de Deus para a provar. O argumento não é inválido na forma (a conclusão até «decorre»), mas é viciado, porque nada justifica de novo: quem já não aceita a conclusão não encontra aqui razão para a aceitar (ver Fig. 4).

Falácias de presunção e de indução falha

Falácias de presunção e causaisTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Falácia · Como funciona · Exemplo; Petição de princípio · Pressupõe a conclusão nas premissas · «É verdade porque o livro (que assumo verdadeiro) o diz.»; Falso dilema · Reduz a duas opções quando há mais · «Ou estás connosco ou contra nós.»; Falsa relação causal · Sucessão/correlação tomada por causa · «Passou depois do chá, logo o chá curou.»; Generalização precipitada · Regra geral a partir de poucos casos · «Vi dois casos, logo é sempre assim.»; Falsa analogia · Semelhanças irrelevantes ou diferenças ignoradas · «O Estado é como uma família...»; Derrapagem · Prevê uma cadeia inevitável de males · «Se se permite isto, tudo será permitido.»FALÁCIACOMO FUNCIONAEXEMPLOPETIÇÃO DEPRINCÍPIOPressupõe a conclusão naspremissas«É verdade porque o livro(que assumo verdadeiro) odiz.»FALSO DILEMAReduz a duas opções quandohá mais«Ou estás connosco ou contranós.»FALSA RELAÇÃOCAUSALSucessão/correlação tomadapor causa«Passou depois do chá, logoo chá curou.»GENERALIZAÇÃOPRECIPITADARegra geral a partir depoucos casos«Vi dois casos, logo ésempre assim.»FALSA ANALOGIASemelhanças irrelevantes oudiferenças ignoradas«O Estado é como umafamília...»DERRAPAGEMPrevê uma cadeia inevitávelde males«Se se permite isto, tudoserá permitido.»
Fig. 4Fig. 4 — Quadro das falácias de presunção, causais e de indução falha.
O falso dilema apresenta como únicas duas alternativas quando há mais, forçando uma escolha: «ou estás connosco ou estás contra nós»; «ou cortamos na saúde ou o país fali». Ignora as opções intermédias ou terceiras vias. Detetar o falso dilema consiste em perguntar se as alternativas oferecidas esgotam realmente as possibilidades — quase sempre não esgotam. É uma falácia frequente no discurso político e publicitário, precisamente porque simplifica e pressiona a decisão.
Um grupo importante diz respeito às causas. A falsa relação causal (post hoc, ergo propter hoc — «depois disto, logo por causa disto») conclui que A causou B só porque B veio depois de A: «tomei este chá e a constipação passou, logo o chá curou-a» (a constipação passaria de qualquer modo). Confunde sucessão temporal ou mera correlação com causalidade. Estabelecer uma causa exige mais: mecanismo plausível, controlo de outras causas, repetição — não basta a ordem no tempo.
Por fim, as falácias que atingem os próprios argumentos não-dedutivos: a generalização precipitada conclui uma regra geral a partir de poucos casos ou casos atípicos («conheci dois políticos corruptos, logo todos os políticos são corruptos»); a amostra não representativa generaliza a partir de um conjunto enviesado; a falsa analogia apoia-se em semelhanças irrelevantes ou ignora diferenças decisivas; e a derrapagem (declive escorregadio) afirma, sem justificação, que um primeiro passo desencadeará inevitavelmente uma cadeia de consequências catastróficas («se legalizarmos isto, a seguir será tudo permitido»). Todas falham por darem por adquirido um apoio que não têm.
Exemplo resolvido

Distinguir correlação de causa

«Nos meses em que se vendem mais gelados há mais afogamentos; logo, comer gelados provoca afogamentos.» Analisa o raciocínio.

  1. 01Identificar a estrutura

    De uma correlação (mais gelados e mais afogamentos ocorrem juntos) conclui-se uma relação causal (gelados causam afogamentos).

  2. 02Procurar uma causa comum

    Há uma terceira variável — o calor do verão — que aumenta ambos: vendem-se mais gelados E as pessoas vão mais à água.

  3. 03Nomear a falácia

    É uma falsa relação causal: confunde-se correlação com causa, ignorando a causa comum (o verão).

Resultado: O argumento comete a falácia da falsa relação causal: a associação entre gelados e afogamentos explica-se por uma causa comum (o calor), não por um nexo causal direto. Correlação não implica causalidade.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e nomear a petição de princípio, o falso dilema e a falsa relação causal.
  • Identificar a generalização precipitada, a amostra não representativa, a falsa analogia e a derrapagem.
  • Justificar por que o raciocínio falha (o que se pressupõe, o que se ignora, o que se confunde).

Erros frequentes

  • Confundir correlação/sucessão temporal com causalidade (post hoc).
  • Aceitar um falso dilema por não procurar as alternativas omitidas.
  • Tomar por argumentação uma petição de princípio por a conclusão «decorrer» das premissas que já a contêm.

Revisão ativa

Identifica a falácia em cada caso: (a) «Sempre que lavo o carro, chove; logo, lavar o carro provoca chuva»; (b) «Ou aceitas todas as regras da escola ou és contra a educação»; e explica o erro de cada uma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Dedução e não-dedução: validade e força○
    • 02Tipos de argumentos não-dedutivos◐
    • 03Falácias informais de relevância e de ambiguidade◐
    • 04Falácias informais de presunção e de indução falha●

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Dos resumos à prática

A lógica informal: argumentos não-dedutivos e falácias

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal)

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