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Esta unidade estuda a argumentação do dia a dia, que raramente é dedutiva. Distingue dedução de não-dedução (validade vs força), analisa os principais argumentos não-dedutivos — indução/generalização, analogia e autoridade — e os critérios da sua avaliação, e apresenta as falácias informais nomeadas nas Aprendizagens Essenciais, que dependem do conteúdo e do contexto, não apenas da forma. Reconhecer e nomear falácias é competência avaliada no Exame Nacional 714.
4 secções~14 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Todos os cursos: distinguir um argumento forte de um fraco, reconhecer generalizações e analogias, e identificar as falácias mais comuns (ad hominem, falso dilema, generalização precipitada).
nível avançado
Aprofundamento para o Exame 714: avaliar rigorosamente a força dos argumentos não-dedutivos e nomear com precisão as falácias informais, justificando por que o raciocínio falha.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Dedução vs não-dedução
«Todos os cisnes que vi até hoje eram brancos, logo todos os cisnes são brancos.» Classifica o argumento e explica o que acontece se se descobrir um cisne negro.
É não-dedutivo: parte de casos observados (premissa) para uma conclusão universal que os ultrapassa (todos os cisnes).
A força depende do número e da variedade das observações; nenhuma amostra finita garante a universal — a conclusão é apenas provável.
A descoberta de um cisne negro (como ocorreu na Austrália) falsifica a conclusão sem alterar a premissa: o argumento era revisável.
Resultado: É um argumento indutivo (generalização), avaliável pela força, não pela validade. A conclusão universal é ampliativa e revisável: um único contraexemplo (o cisne negro) anula-a, mostrando por que a indução não dá certeza.
Erros frequentes
Revisão ativa
Classifica cada argumento em dedutivo ou não-dedutivo e justifica: (a) «Todos os metais dilatam com o calor; o ferro é um metal; logo, dilata»; (b) «Nos últimos cinco anos choveu no dia da festa; logo, este ano também vai chover».
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Argumentos não-dedutivos e critérios de força
«Um famoso futebolista afirmou, num anúncio, que este suplemento cura constipações; logo, deve curar.» Avalia a força do argumento.
É um argumento por autoridade: apoia a conclusão no testemunho de alguém famoso.
O futebolista não é perito em medicina; a sua fama desportiva não o torna autoridade sobre a eficácia de fármacos.
Trata-se de um anúncio pago: a fonte tem interesse comercial, o que compromete a sua fiabilidade.
Resultado: O argumento é fraco e falacioso (apelo a autoridade ilegítima): a fonte não é competente na área nem desinteressada. Um argumento por autoridade só seria forte se invocasse peritos em medicina, com consenso e sem conflito de interesses.
Erros frequentes
Revisão ativa
Constrói um argumento por analogia para defender que os grandes símios devem ter proteção jurídica, indicando as semelhanças relevantes e uma diferença que um crítico poderia invocar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Falácias informais de relevância e de ambiguidade
A defende que se deve limitar a velocidade nas cidades a 30 km/h. B responde: «O A quer proibir os carros e obrigar-nos a andar todos a pé.» Analisa a resposta de B.
A tese de A é limitar a velocidade a 30 km/h; B atribui-lhe a tese de «proibir os carros», que A não defendeu.
B constrói uma versão caricatural e extrema da posição de A, mais fácil de atacar: é a falácia do espantalho (boneco de palha).
Ao «refutar» a tese exagerada, B dá a impressão de ter respondido a A, quando não tocou na proposta real.
Resultado: B comete a falácia do espantalho: deturpa a posição de A (limitar a velocidade) numa posição extrema (proibir carros) e refuta essa, não a verdadeira. A discussão honesta exigiria responder à tese efetivamente defendida.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica e nomeia a falácia em «Milhões de pessoas compram este produto todos os dias, por isso é de certeza o melhor do mercado» e explica por que a premissa não sustenta a conclusão.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Falácias de presunção e de indução falha
«Nos meses em que se vendem mais gelados há mais afogamentos; logo, comer gelados provoca afogamentos.» Analisa o raciocínio.
De uma correlação (mais gelados e mais afogamentos ocorrem juntos) conclui-se uma relação causal (gelados causam afogamentos).
Há uma terceira variável — o calor do verão — que aumenta ambos: vendem-se mais gelados E as pessoas vão mais à água.
É uma falsa relação causal: confunde-se correlação com causa, ignorando a causa comum (o verão).
Resultado: O argumento comete a falácia da falsa relação causal: a associação entre gelados e afogamentos explica-se por uma causa comum (o calor), não por um nexo causal direto. Correlação não implica causalidade.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica a falácia em cada caso: (a) «Sempre que lavo o carro, chove; logo, lavar o carro provoca chuva»; (b) «Ou aceitas todas as regras da escola ou és contra a educação»; e explica o erro de cada uma.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (Lógica informal) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)