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A ação humana: determinismo e liberdade

Esta unidade de metafísica analisa a ação humana através da sua rede conceptual (agente, intenção, motivo, deliberação, decisão, consequências, responsabilidade) e formula o problema do livre-arbítrio: seremos livres ou estará todo o nosso agir determinado? Apresenta e discute criticamente as três respostas — o determinismo radical, o determinismo moderado (compatibilismo) e o libertismo — e a sua relação com a responsabilidade moral. É conteúdo do 10.º ano integrável no Exame Nacional 714.

4 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0444 / 13
Perfil de exame
Analisar a rede conceptual da ação humanaFormular o problema do livre-arbítrio e justificar a sua pertinência filosóficaEnunciar as teses do determinismo radical, do determinismo moderado e do libertismoDiscutir criticamente as três posições e relacionar liberdade com responsabilidade
Operadores:analisaformuladistingueenunciadiscuterelacionajustifica

nível básico

Todos os cursos: distinguir uma ação de um mero acontecimento, compreender o problema do livre-arbítrio e reconhecer as três respostas.

nível avançado

Aprofundamento para o Exame 714: discutir criticamente os argumentos de cada posição e articular a liberdade com as condições da responsabilidade moral.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. A ação humana: determinismo e liberdade
    • 01A rede conceptual da ação humana○
    • 02O problema do livre-arbítrio◐
    • 03Determinismo radical e determinismo moderado (compatibilismo)◐
    • 04O libertismo e a discussão crítica●
§ 01

A rede conceptual da ação humana#

●○○BaseLPAE-filosofia-accao-humana

Pontos-chave

Nem tudo o que um corpo humano faz é uma ação. Espirrar, cair ou ter um reflexo são acontecimentos que nos sucedem; assinar um documento ou atravessar a rua são ações que praticamos. A diferença é que uma ação, em sentido próprio, é um comportamento intencional de um agente — algo que se faz por uma razão e sob o controlo da vontade —, ao passo que um mero acontecimento é um facto que ocorre sem intenção. Distinguir ação de acontecimento é o primeiro passo, porque só das ações somos autores e por elas podemos ser responsabilizados.
A ação intencional articula-se numa rede de conceitos. Há um agente (quem age); um motivo ou razão (aquilo que move a agir — um desejo, um valor, uma crença); uma intenção (o propósito, aquilo que se quer alcançar); uma deliberação (a ponderação de fins e meios, das alternativas e das suas consequências); uma decisão ou escolha (a resolução por uma das alternativas); a execução (a ação propriamente dita, mobilizando meios para fins); e as consequências (os efeitos, procurados ou não). Compreender uma ação é reconstruir esta cadeia (ver Fig. 1).

A rede conceptual da ação

Rede conceptual da açãoGrafo, Agente → Motivo / razão, Motivo / razão → Deliberação, Deliberação → Decisão, Decisão → Ação, Ação → ResponsabilidadeAgenteMotivo /razãoDeliberaçãoDecisãoAçãoResponsabilidadeimputa
Fig. 1Fig. 1 — Da razão de agir à responsabilidade: a cadeia que estrutura a ação intencional.
A deliberação é o momento propriamente racional da ação: pesam-se os fins que se querem atingir, avaliam-se os meios disponíveis, antecipam-se as consequências e comparam-se as alternativas. Delibera-se apenas sobre o que está em nosso poder e é incerto — não se delibera sobre o que é impossível nem sobre o que é necessário. A decisão põe termo à deliberação, comprometendo o agente com um curso de ação. É por haver deliberação e decisão que atribuímos autoria: o agente podia ter ponderado e escolhido de outro modo.
Toda esta rede converge no conceito de responsabilidade. Consideramos alguém responsável por uma ação quando esta procede da sua vontade, com conhecimento e sem coação: elogiamos, censuramos, premiamos ou punimos na medida em que reconhecemos autoria e controlo. Por isso, atenuamos ou anulamos a responsabilidade quando há ignorância desculpável (não se podia saber) ou coação (foi forçado). A questão decisiva — que abre o problema do livre-arbítrio — é saber se, no fundo, alguma ação é verdadeiramente livre, ou se a própria deliberação e decisão já estão determinadas por causas anteriores.
Exemplo resolvido

Distinguir ação de acontecimento

Classifica em «ação» ou «mero acontecimento» e justifica: (a) o João tropeça e derruba um jarro; (b) o João, irritado, atira o jarro ao chão.

  1. 01Analisar (a)

    Tropeçar e derrubar é involuntário: não há intenção de derrubar o jarro; é um acontecimento que sucede ao João.

  2. 02Analisar (b)

    Atirar o jarro por estar irritado é intencional: há motivo (a irritação), intenção (partir o jarro) e controlo da vontade.

  3. 03Retirar a consequência

    Só em (b) faz sentido responsabilizar o João pelo estrago, porque só aí há autoria.

Resultado: (a) é um mero acontecimento (involuntário, sem intenção); (b) é uma ação (intencional, controlada pela vontade). A distinção é decisiva para a atribuição de responsabilidade, que só cabe às ações.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir ação (intencional) de mero acontecimento.
  • Identificar os conceitos da rede da ação (agente, motivo, intenção, deliberação, decisão, consequências).
  • Relacionar deliberação, decisão e responsabilidade.

Erros frequentes

  • Chamar «ação» a qualquer movimento do corpo, incluindo reflexos e acontecimentos involuntários.
  • Confundir motivo (a razão que move) com intenção (o propósito visado) e com consequência (o efeito).
  • Atribuir responsabilidade ignorando as condições de conhecimento e de ausência de coação.

Revisão ativa

Analisa a ação «um estudante decide estudar à noite para melhorar a nota», identificando o agente, o motivo, a intenção, a deliberação, a decisão e uma consequência possível.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (A ação humana) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

O problema do livre-arbítrio#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-accao-humana

Pontos-chave

O problema do livre-arbítrio nasce do confronto entre duas convicções que temos por óbvias, mas que parecem incompatíveis. Por um lado, cremos que somos livres: que, perante uma escolha, podíamos ter agido de outro modo, e que é por isso que somos responsáveis. Por outro lado, cremos que tudo o que acontece tem causas, e que o mundo — incluindo o cérebro humano — obedece a leis. Se todos os nossos pensamentos, desejos e decisões são efeitos de causas anteriores que não escolhemos, em que sentido somos livres? Eis o problema (ver Fig. 2).

As três respostas ao problema do livre-arbítrio

Respostas ao livre-arbítrioDiagrama em árvore, 3 caminhos, Dados: determinismo verdadeiro → incompatível; determinismo verdadeiro → compatível; há liberdadeincompatívelcompatíveldeterminismo ve…há liberdadeDeterminismoHá livre-arbí…Determinismo …Determinismo …Libertismo (h…
Fig. 2Fig. 2 — O problema do livre-arbítrio e as três respostas clássicas.
É preciso distinguir dois níveis de liberdade. A liberdade de ação é a ausência de obstáculos externos: sou livre de sair se a porta não estiver trancada. A liberdade da vontade (o livre-arbítrio propriamente dito) é mais profunda: é a capacidade de a própria vontade se determinar, de eu ser a verdadeira origem das minhas escolhas. Posso ter liberdade de ação (nada me impede) e, ainda assim, não ter livre-arbítrio, se a minha vontade estiver ela mesma determinada por causas. O problema incide sobre esta segunda liberdade.
A intuição central do livre-arbítrio costuma exprimir-se no princípio das possibilidades alternativas: um agente age livremente apenas se podia, naquelas exatas circunstâncias, ter agido de outra maneira. É esta possibilidade real de fazer diferente que parece exigir-se para a responsabilidade — não faz sentido censurar quem não podia ter feito de outro modo. O adversário do livre-arbítrio contesta precisamente isto: se as causas fixaram a decisão, então, dadas exatamente as mesmas circunstâncias, o agente não podia ter escolhido diferente.
O problema tem consequências enormes, o que explica a sua pertinência filosófica. Se não há livre-arbítrio, ficam ameaçados o mérito e a culpa, o elogio e a censura, a justiça retributiva (punir por se merecer) e até o sentido da deliberação. Se há livre-arbítrio, é preciso explicar como uma decisão pode não ser mero acaso nem mero efeito de causas — como pode ser genuinamente do agente. As três respostas clássicas — determinismo radical, determinismo moderado e libertismo — distinguem-se justamente pela forma como articulam determinismo, liberdade e responsabilidade.
Exemplo resolvido

Formular o problema

Reconstrói o problema do livre-arbítrio na forma de um conflito entre duas teses que parecem ambas verdadeiras.

  1. 01Primeira tese

    Tese da liberdade: as pessoas agem livremente e podiam ter agido de outro modo, sendo por isso responsáveis.

  2. 02Segunda tese

    Tese da causalidade: todos os acontecimentos, incluindo as decisões humanas, têm causas anteriores segundo leis.

  3. 03Mostrar a tensão

    Se a decisão está causalmente fixada, então, nas mesmas circunstâncias, não se podia ter decidido de outro modo — o que parece negar a liberdade da primeira tese.

Resultado: O problema é a aparente incompatibilidade entre a liberdade (com possibilidades alternativas e responsabilidade) e a causalidade universal (que fixa cada decisão). As três posições distinguem-se pelo modo como resolvem — ou dissolvem — esta tensão.

Foco no Exame Nacional

  • Formular o problema do livre-arbítrio como conflito entre liberdade e causalidade universal.
  • Distinguir liberdade de ação de liberdade da vontade (livre-arbítrio).
  • Enunciar o princípio das possibilidades alternativas e a sua ligação à responsabilidade.

Erros frequentes

  • Reduzir o livre-arbítrio à liberdade de ação (ausência de obstáculos externos).
  • Confundir liberdade com acaso: agir por acaso não é agir livremente nem responsavelmente.
  • Formular o problema como empírico, quando é conceptual (o que se entende por «poder agir de outro modo»).

Revisão ativa

Explica, com um exemplo, a diferença entre ter liberdade de ação e ter liberdade da vontade, mostrando um caso em que há a primeira mas se pode duvidar da segunda.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (A ação humana) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Determinismo radical e determinismo moderado (compatibilismo)#

●●○PadrãoLPAE-filosofia-accao-humana

Pontos-chave

As posições deterministas partem da tese do determinismo: tudo o que acontece, incluindo cada decisão humana, é o efeito necessário de causas anteriores segundo leis. Dado o estado do mundo num instante e as leis naturais, só um futuro é possível. Aplicado à ação, isto significa que os desejos, as crenças e as escolhas de uma pessoa resultam da sua herança, da sua história e das circunstâncias — nenhuma decisão surge do nada. O que separa o determinismo radical do moderado é a conclusão que daqui tiram quanto à liberdade (ver Fig. 3).

As três posições sobre o livre-arbítrio

Determinismo × liberdade × responsabilidadeTabela com 4 colunas e 3 linhas, Dados: Posição · O determinismo é verdadeiro? · Há livre-arbítrio? · Há responsabilidade?; Determinismo radical · Sim · Não (é ilusão) · Não, em sentido retributivo; Determinismo moderado (compatibilismo) · Sim · Sim (agir sem coação) · Sim; Libertismo · Não (há indeterminação) · Sim (o agente é origem) · Sim, célula destacada: Sim (agir sem coação)POSIÇÃOO DETERMINISMO ÉVERDADEIRO?HÁ LIVRE-ARBÍTRIO?HÁ RESPONSABILIDADE?DETERMINISMORADICALSimNão (é ilusão)Não, em sentido retributivoDETERMINISMOMODERADO(COMPATIBILISMO)SimSim (agir sem coação)SimLIBERTISMONão (há indeterminação)Sim (o agente é origem)Sim
Fig. 3Fig. 3 — Como cada posição articula determinismo, liberdade e responsabilidade.
O determinismo radical (ou «duro») é incompatibilista: sustenta que, sendo o determinismo verdadeiro, o livre-arbítrio é uma ilusão. Se cada escolha estava causalmente fixada, ninguém podia, nas mesmas circunstâncias, ter escolhido de outro modo; logo, o princípio das possibilidades alternativas nunca se cumpre e não há liberdade genuína. A consequência é radical: a responsabilidade moral, o mérito e a culpa perdem fundamento, e conceitos como elogio, censura ou castigo retributivo teriam de ser repensados (por exemplo, a punição justificar-se-ia apenas pela prevenção, não pelo merecimento).
O determinismo moderado ou compatibilismo aceita o determinismo, mas nega que ele elimine a liberdade — redefine o que é ser livre. Para o compatibilista (na linha de Hume), ser livre não é estar isento de causas (o que seria acaso), mas agir de acordo com a própria vontade, sem coação externa nem constrangimento interno patológico. Uma ação é livre quando é causada pelos desejos e deliberações do próprio agente, e não-livre quando é forçada (uma arma apontada) ou compulsiva (um vício incontrolável). A liberdade opõe-se, assim, à coação, não à causalidade.
O compatibilismo tem a vantagem de conciliar duas convicções que não queremos abandonar: a de que o mundo é causal e a de que somos responsáveis. Distingue casos em que responsabilizamos (o agente agiu como quis) de casos em que desculpamos (foi coagido, estava doente), o que corresponde às nossas práticas jurídicas e morais. A crítica que se lhe faz é a de que talvez não capte a liberdade que realmente nos importa: se os meus próprios desejos foram, em última análise, moldados por causas que não escolhi, terei mesmo sido o autor último da minha escolha, ou apenas o último elo de uma cadeia?
Exemplo resolvido

Aplicar o critério compatibilista

Um cleptomaníaco furta compelido por um impulso irresistível; um ladrão furta após planear o assalto. Como distingue o compatibilismo os dois casos?

  1. 01Aplicar a definição de liberdade

    Para o compatibilista, é livre quem age segundo a própria vontade, sem coação nem compulsão patológica.

  2. 02Analisar o cleptomaníaco

    Age por um impulso irresistível (constrangimento interno patológico): a ação não procede de uma deliberação livre — não é, nesse sentido, livre.

  3. 03Analisar o ladrão

    Planeia e decide sem coação: age de acordo com a sua vontade deliberada — a ação é livre e imputável.

Resultado: O compatibilismo responsabiliza o ladrão (agiu livremente, sem coação) mas atenua ou exclui a responsabilidade do cleptomaníaco (agiu por compulsão). A liberdade opõe-se à coação/compulsão, não à existência de causas — ambos os casos têm causas.

Foco no Exame Nacional

  • Enunciar a tese do determinismo e distinguir determinismo radical de determinismo moderado.
  • Explicar por que o determinismo radical nega a liberdade e a responsabilidade.
  • Explicar a redefinição compatibilista de liberdade (agir sem coação = livre).

Erros frequentes

  • Confundir determinismo com fatalismo (a ideia de que o desfecho ocorreria acontecesse o que acontecesse, mesmo sem as causas).
  • Atribuir ao compatibilismo a negação do determinismo (ele aceita o determinismo e redefine a liberdade).
  • Pensar que o determinista radical nega que deliberemos — nega que a deliberação seja livre, não que ocorra.

Revisão ativa

Explica como um determinista radical e um compatibilista avaliariam de modo diferente a frase «o criminoso é responsável porque agiu como quis, embora a sua história o tenha levado a querê-lo».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (A ação humana) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O libertismo e a discussão crítica#

●●●AprofundamentoLPAE-filosofia-accao-humana

O dilema do libertismo

Dilema do libertismoGrafo, Decisão livre → Causada (determinada)?, Decisão livre → Não causada (acaso)?, Causada (determinada)? → Não é livre (determinismo), Não causada (acaso)? → Não é imputável (aleatória), Decisão livre → Causação pelo agenteDecisão livreCausada(determinada…Não causada(acaso)?Não é livre(determinism…Não éimputável (a…Causação peloagentesaídalibertista
Fig. 4Fig. 4 — O dilema do livre-arbítrio libertista e a resposta pela causação do agente.

Pontos-chave

O libertismo é incompatibilista, mas ao contrário do determinismo radical afirma que temos livre-arbítrio — donde conclui que o determinismo é falso, ao menos no domínio da ação humana. Para o libertista, há em nós uma capacidade de iniciar cursos de ação que não são simples efeitos de causas anteriores: perante uma escolha, e nas exatas mesmas circunstâncias, podíamos ter decidido de outro modo. É esta possibilidade real de fazer diferente que fundamenta a responsabilidade e o sentido da deliberação.
O libertismo apoia-se em fortes intuições. A experiência da deliberação apresenta-nos as alternativas como genuinamente abertas: quando ponderamos, não sentimos que o resultado já está fixado. A prática moral — o remorso, a censura, o dever — pressupõe que podíamos ter agido melhor. E a própria racionalidade parece exigir que possamos avaliar razões e agir por elas, e não sermos empurrados por causas cegas. Para o libertista, negar o livre-arbítrio custa demasiado: torna incompreensíveis a moralidade e a agência racional.
A grande dificuldade do libertismo é explicar como uma decisão pode não ser determinada e, ainda assim, não ser mero acaso. Se a escolha não resulta das causas (crenças, desejos, carácter do agente), não será aleatória? E uma decisão aleatória não é mais livre nem mais imputável do que uma determinada — talvez menos. A este problema (o «dilema do livre-arbítrio») respondem alguns libertistas com a ideia de causação pelo agente: o agente, como substância, seria uma causa originária das suas escolhas, sem ser, ele próprio, determinado — noção poderosa mas difícil de esclarecer.
A discussão entre as três posições permanece em aberto, e é essa a lição a reter: cada uma paga um preço. O determinismo radical salva a causalidade universal mas sacrifica a responsabilidade; o libertismo salva a liberdade robusta mas deve explicar a agência sem cair no acaso; o compatibilismo concilia causalidade e responsabilidade mas talvez à custa de uma liberdade «mais fraca» do que a que desejamos. Avaliar criticamente estas posições — pesar os seus argumentos e custos, sem caricaturar nenhuma — é exatamente o tipo de exercício que o ensaio filosófico e o Exame 714 pedem (ver Fig. 3, na secção anterior).
Exemplo resolvido

Avaliar a objeção do acaso

Um crítico diz ao libertista: «Se a tua decisão não foi causada pelo teu carácter e razões, então foi um acaso — e um acaso não é uma escolha livre.» Reconstrói a objeção e uma resposta possível.

  1. 01Reconstruir a objeção

    Ou a decisão é causada (e então determinada, contra o libertismo) ou não é causada (e então aleatória, logo não livre nem imputável). O livre-arbítrio libertista parece impossível.

  2. 02Ver o que ameaça

    A objeção ameaça mostrar que indeterminação e liberdade não se juntam: o indeterminado seria arbitrário, não livre.

  3. 03Formular uma resposta

    O libertista pode responder com a causação pelo agente: a decisão não é nem determinada por causas anteriores nem aleatória, porque é o próprio agente (como origem) que a produz, por razões, sem ser causalmente forçado.

Resultado: A objeção do acaso é séria: pressiona o libertismo a explicar uma liberdade que não seja aleatoriedade. A resposta da causação pelo agente enfrenta-a, mas continua difícil de esclarecer — razão por que o debate permanece em aberto.

Foco no Exame Nacional

  • Enunciar a tese libertista (há livre-arbítrio; o determinismo é falso) e os seus argumentos.
  • Explicar a objeção do acaso ao libertismo (o dilema entre determinação e aleatoriedade).
  • Discutir criticamente as três posições, avaliando os custos de cada uma.

Erros frequentes

  • Confundir libertismo (metafísica da liberdade) com liberalismo (doutrina política).
  • Apresentar o livre-arbítrio libertista como acaso, ignorando a resposta da causação pelo agente.
  • Concluir que uma posição «vence» sem pesar os argumentos e as objeções de todas.

Revisão ativa

Constrói um pequeno ensaio (introdução, argumentos e posição) sobre «Somos moralmente responsáveis pelas nossas ações?», mobilizando as três posições e tomando posição fundamentada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (A ação humana) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A rede conceptual da ação humana○
    • 02O problema do livre-arbítrio◐
    • 03Determinismo radical e determinismo moderado (compatibilismo)◐
    • 04O libertismo e a discussão crítica●

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A ação humana: determinismo e liberdade

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Filosofia — 10.º ano (A ação humana)

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