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A globalização integra os países em desenvolvimento na economia mundial de forma assimétrica. Este tema explica a polarização das trocas mundiais (o modelo centro–periferia), caracteriza a estrutura frágil do comércio externo destes países (exportação de produtos primários), relaciona a degradação dos termos de troca com a dívida externa e avalia criticamente as oportunidades (mercados, IDE, tecnologia) e os riscos (dependência, volatilidade, desigualdades) da sua inserção nas trocas internacionais.
4 secções~16 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Explicar a polarização das trocas (centro/periferia), caracterizar a estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento e identificar oportunidades e riscos da globalização.
nível avançado
Calcular e interpretar os termos de troca e a sua degradação, relacioná-los com a dívida externa e avaliar de forma equilibrada como a divisão internacional do trabalho e a deslocalização das ETN reproduzem as assimetrias de desenvolvimento.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
O modelo centro–periferia
A concentração das trocas mundiais (valores ilustrativos)
O país A exporta máquinas, software e serviços financeiros e acolhe a sede de várias ETN; o país B exporta sobretudo café e minérios e importa manufaturas. Classifica cada um no modelo centro–periferia e caracteriza a relação entre eles.
Centro: exporta manufaturas de alto valor, serviços e tecnologia, sedia ETN e controla capital.
Periferia: exporta produtos primários (café, minérios) e depende da importação de manufaturas e tecnologia.
Assimétrica e de dependência — B fornece matérias-primas e importa manufaturas do centro; o valor acrescentado e as regras concentram-se em A.
Resultado: A = centro; B = periferia; a relação é assimétrica, com o valor acrescentado a concentrar-se no centro.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o modelo centro–periferia e usa-o para caracterizar a posição de um país exportador de matérias-primas nas trocas mundiais.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Polarização das trocas e modelo centro–periferia) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Estrutura das exportações: países em desenvolvimento vs países desenvolvidos
Peso dos produtos primários nas exportações (valores ilustrativos)
Um país tem 85 % das exportações concentradas no cacau. Num ano, o preço mundial do cacau desce 20 % e o preço das manufaturas que importa sobe 5 %. Analisa o impacto nas receitas de exportação e no saldo externo.
Como dependem quase só do cacau e o preço desceu 20 %, as receitas caem fortemente, mesmo que a quantidade exportada se mantenha.
As manufaturas importadas encarecem 5 %: o país gasta mais para importar a mesma quantidade.
Receitas mais baixas e importações mais caras agravam o saldo da balança comercial (mais provável um défice) e obrigam a financiamento externo.
Resultado: A concentração num único produto transmite integralmente a queda do preço às receitas; combinada com importações mais caras, agrava o défice externo.
Erros frequentes
Revisão ativa
Um país exporta quase só um produto agrícola e importa manufaturas e energia. Explica por que motivo esta estrutura o torna vulnerável e o distingue de um país desenvolvido.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A degradação dos termos de troca (índice ilustrativo)
O círculo vicioso da dívida
Termos de troca
Os termos de troca medem o poder de compra das exportações — quantas importações se obtêm por cada unidade exportada. Um valor superior a 100 (face ao ano-base) indica melhoria; inferior a 100, degradação.
Num dado ano, face ao ano-base (100), o índice de preços das exportações de um país em desenvolvimento é 105 e o índice de preços das importações é 140. Calcula os termos de troca e interpreta o resultado.
TT = (105 / 140) × 100 = 75.
75 < 100, logo houve degradação dos termos de troca face ao ano-base.
Os preços das importações subiram muito mais (+40 %) do que os das exportações (+5 %). Com a mesma quantidade exportada, o país só compra hoje cerca de 75 % das importações que comprava no ano-base — precisa de exportar mais para importar o mesmo.
Resultado: TT = 75 (< 100): degradação — o poder de compra das exportações caiu para cerca de 75 % do inicial.
Erros frequentes
Revisão ativa
O índice de preços das exportações de um país é 96 e o das importações 120 (base 100). Calcula os termos de troca e explica o que significam para a sua capacidade de importar.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Termos de troca e dívida externa) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED/UNCTAD) — comércio, termos de troca e dívida dos países em desenvolvimento (Nações Unidas (UNCTAD))
Oportunidades e riscos da globalização
Divisão internacional do trabalho, deslocalização e assimetrias
Uma multinacional instala uma unidade de montagem num país em desenvolvimento, empregando milhares de trabalhadores com salários baixos; importa os componentes e exporta o produto acabado, mantendo a investigação e o design no país de origem. Avalia as oportunidades e os riscos e conclui.
Cria emprego e rendimento, gera exportações e entrada de IDE e divisas, pode transferir alguma tecnologia e formar mão de obra e insere o país numa cadeia global de valor.
Emprego pouco qualificado e mal pago, no segmento de baixo valor da cadeia (montagem); dependência das decisões da ETN, que pode voltar a deslocalizar-se; pouco valor acrescentado fica no país (I&D e marca permanecem no centro); risco de precariedade e de «corrida para o fundo».
O balanço depende de o país conseguir, com políticas próprias (educação, diversificação, exigência de conteúdo local, subida na cadeia), transformar esta inserção em desenvolvimento, em vez de ficar preso no fundo da cadeia.
Resultado: Há oportunidades reais (emprego, exportações, IDE) e riscos reais (baixo valor acrescentado, dependência, precariedade); o resultado líquido depende das políticas internas e da capacidade de subir na cadeia de valor.
Erros frequentes
Revisão ativa
Uma ETN instala uma fábrica de vestuário num país em desenvolvimento. Identifica duas oportunidades e dois riscos para esse país e conclui de forma ponderada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Oportunidades e riscos da globalização) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Banco Mundial — globalização, comércio e desenvolvimento (Banco Mundial)
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)
Nações Unidas (UNCTAD)