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Resumos/Economia C/Impactos da globalização nos países em desenvolvimento
Resumos · Economia CPT · Secundário

Impactos da globalização nos países em desenvolvimento

A globalização integra os países em desenvolvimento na economia mundial de forma assimétrica. Este tema explica a polarização das trocas mundiais (o modelo centro–periferia), caracteriza a estrutura frágil do comércio externo destes países (exportação de produtos primários), relaciona a degradação dos termos de troca com a dívida externa e avalia criticamente as oportunidades (mercados, IDE, tecnologia) e os riscos (dependência, volatilidade, desigualdades) da sua inserção nas trocas internacionais.

4 secções·~16 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2

T·0333 / 8
Perfil de exame
Explicar a polarização das trocas mundiais e situar os países no modelo centro–periferiaRelacionar a estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento com a degradação dos termos de troca e a dívida externaAvaliar criticamente as oportunidades e os riscos da globalização para os países em desenvolvimentoRelacionar a divisão internacional do trabalho e a deslocalização das ETN com as assimetrias de desenvolvimento
Operadores:explicarelacionaavaliaproblematizadistingueanalisa

nível básico

Explicar a polarização das trocas (centro/periferia), caracterizar a estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento e identificar oportunidades e riscos da globalização.

nível avançado

Calcular e interpretar os termos de troca e a sua degradação, relacioná-los com a dívida externa e avaliar de forma equilibrada como a divisão internacional do trabalho e a deslocalização das ETN reproduzem as assimetrias de desenvolvimento.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Impactos da globalização nos países em desenvolvimento
    • 01A polarização das trocas mundiais○
    • 02A estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento◐
    • 03A degradação dos termos de troca e a dívida externa●
    • 04Oportunidades e riscos da globalização para os países em desenvolvimento●
§ 01

A polarização das trocas mundiais#

●○○BaseLPAE-economia-c-impactos-globalizacao

Pontos-chave

A polarização das trocas mundiais traduz a distribuição muito desigual do comércio internacional: a maior parte das trocas concentra-se num número reduzido de economias — sobretudo os países desenvolvidos e, cada vez mais, algumas grandes economias emergentes — enquanto a generalidade dos países em desenvolvimento participa de forma subordinada e marginal. O grosso do comércio mundial faz-se ENTRE países desenvolvidos (trocas Norte–Norte), e não entre estes e os países em desenvolvimento (ver Fig. 1 e Fig. 2).

O modelo centro–periferia

Centro, semiperiferia e periferiaGrafo, Periferia — países em desenvolvimento → Centro — países desenvolvidos, Centro — países desenvolvidos → Periferia — países em desenvolvimento, Semiperiferia — economias emergentes → Centro — países desenvolvidos, Centro — países desenvolvidos → Semiperiferia — economias emergentesCentro — paísesdesenvolvidosSemiperiferia —economiasemergentesPeriferia —países emdesenvolvimentoprodutosprimáriosmanufaturas,tecnologia, c…manufaturascapital etecnologia
Fig. 1Fig. 1 — O modelo centro–periferia: a periferia exporta produtos primários e importa manufaturas, tecnologia e capital do centro, numa relação assimétrica; a semiperiferia ocupa uma posição intermédia.

A concentração das trocas mundiais (valores ilustrativos)

Concentração das trocas mundiaisGráfico de colunas: % das exportações mundiais (ilustrativo), Dados: Peso ilustrativo nas exportações mundiais (%) · Países desenvolvidos: 50; Peso ilustrativo nas exportações mundiais (%) · Economias emergentes: 42; Peso ilustrativo nas exportações mundiais (%) · Países menos avançados (PMA): 801020304050Países dese…Economias e…Países meno…50428% das exportações mundiais (i…
Fig. 2Fig. 2 — Repartição ilustrativa (não são estatísticas oficiais) das exportações mundiais, para evidenciar a concentração das trocas e a posição marginal dos países menos avançados (PMA).
Para explicar esta assimetria recorre-se ao modelo centro–periferia, associado ao pensamento estruturalista da CEPAL (Raúl Prebisch) e às teorias da dependência. A economia mundial organiza-se num CENTRO — os países desenvolvidos, industrializados, que produzem e exportam manufaturas, serviços, tecnologia e capital e controlam as finanças e as empresas transnacionais (ETN) — e numa PERIFERIA — os países em desenvolvimento, especializados na exportação de produtos primários e importadores de manufaturas e tecnologia. Entre ambos situa-se uma SEMIPERIFERIA (economias emergentes), em posição intermédia.
A polarização significa que os ganhos do comércio internacional se repartem de forma desigual: o centro capta a maior parte do valor acrescentado e define as regras do jogo (através das ETN, dos mercados financeiros e das organizações internacionais), ao passo que a periferia se insere de modo dependente e especializado. Esta hierarquia articula-se com a divisão internacional do trabalho (DIT), que atribui a cada grupo de países um papel distinto na produção mundial.
O modelo não deve, porém, ser lido como um destino rígido. A hierarquia é dinâmica: algumas economias da periferia industrializaram-se e subiram na hierarquia (é o caso de várias economias emergentes asiáticas), e as trocas Sul–Sul têm ganho peso. Ainda assim, a assimetria persiste e boa parte da periferia continua dependente — daí a importância de avaliar criticamente, e não de forma unilateral, a posição dos países em desenvolvimento nas trocas mundiais.
Exemplo resolvido

Situar países no modelo centro–periferia

O país A exporta máquinas, software e serviços financeiros e acolhe a sede de várias ETN; o país B exporta sobretudo café e minérios e importa manufaturas. Classifica cada um no modelo centro–periferia e caracteriza a relação entre eles.

  1. 01País A

    Centro: exporta manufaturas de alto valor, serviços e tecnologia, sedia ETN e controla capital.

  2. 02País B

    Periferia: exporta produtos primários (café, minérios) e depende da importação de manufaturas e tecnologia.

  3. 03Relação

    Assimétrica e de dependência — B fornece matérias-primas e importa manufaturas do centro; o valor acrescentado e as regras concentram-se em A.

Resultado: A = centro; B = periferia; a relação é assimétrica, com o valor acrescentado a concentrar-se no centro.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar em que consiste a polarização das trocas mundiais e situar os países desenvolvidos e em desenvolvimento no modelo centro–periferia.
  • Interpretar dados (gráficos ou tabelas) sobre a concentração do comércio mundial e retirar conclusões sobre a posição de cada grupo de países.

Erros frequentes

  • Confundir a polarização com uma divisão geográfica Norte/Sul rígida, esquecendo a semiperiferia e a mobilidade de algumas economias emergentes.
  • Julgar que a maior parte do comércio mundial se faz entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, quando o grosso das trocas ocorre ENTRE países desenvolvidos (e, crescentemente, com e entre economias emergentes).

Revisão ativa

Explica o modelo centro–periferia e usa-o para caracterizar a posição de um país exportador de matérias-primas nas trocas mundiais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Polarização das trocas e modelo centro–periferia) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento#

●●○PadrãoLPAE-economia-c-impactos-globalizacao

Pontos-chave

A estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento reflete a sua posição periférica: exportam sobretudo produtos primários — matérias-primas agrícolas, minerais e energéticas — com pouca transformação e baixo valor acrescentado, e importam manufaturas, bens de equipamento, tecnologia e serviços dos países desenvolvidos. É a herança da divisão internacional do trabalho e da inserção centro–periferia (ver Fig. 3).

Estrutura das exportações: países em desenvolvimento vs países desenvolvidos

Exportações da periferia e do centroTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Aspeto · Países em desenvolvimento · Países desenvolvidos; Exportações típicas · Produtos primários (matérias-primas agrícolas, minerais e energéticas) · Manufaturas e serviços; Valor acrescentado · Baixo (pouca transformação) · Elevado (tecnologia, marca, serviços); Diversificação · Concentrada em poucos produtos (por vezes um só) · Diversificada; Elasticidade-rendimento da procura · Baixa (a procura cresce menos que o rendimento mundial) · Elevada; Volatilidade dos preços · Elevada (preços das matérias-primas instáveis) · Menor (preços mais estáveis); Termos de troca (tendência) · Tendência para a degradação · Tendência mais favorávelASPETOPAÍSES EMDESENVOLVIMENTOPAÍSES DESENVOLVIDOSExportações típicasProdutos primários(matérias-primas agrícolas,minerais e energéticas)Manufaturas e serviçosValor acrescentadoBaixo (pouca transformação)Elevado (tecnologia, marca,serviços)DiversificaçãoConcentrada em poucosprodutos (por vezes um só)DiversificadaElasticidade-rendimento daprocuraBaixa (a procura crescemenos que o rendimentomundial)ElevadaVolatilidade dos preçosElevada (preços dasmatérias-primas instáveis)Menor (preços mais estáveis)Termos de troca (tendência)Tendência para a degradaçãoTendência mais favorávelDuas estruturas de comércio externo
Fig. 3Fig. 3 — A estrutura do comércio externo opõe uma periferia exportadora de produtos primários pouco diversificados a um centro exportador de manufaturas e serviços de alto valor acrescentado.
Um traço central é a falta de diversificação: muitas destas economias dependem de um número muito reduzido de produtos de exportação — por vezes de um só (economias mono-exportadoras / mono-produtoras) —, o que as torna extremamente vulneráveis às variações do preço e da procura desses produtos (ver Fig. 4).

Peso dos produtos primários nas exportações (valores ilustrativos)

Peso dos produtos primáriosGráfico de colunas: % das exportações (ilustrativo), Dados: Produtos primários (% das exportações, ilustrativo) · País em desenvolvimento (exportador primário): 80; Produtos primários (% das exportações, ilustrativo) · País desenvolvido: 1501020304050607080País em des…País desenv…8015% das exportações (ilustrativ…
Fig. 4Fig. 4 — Peso ilustrativo dos produtos primários nas exportações: elevado num país em desenvolvimento exportador de matérias-primas, baixo num país desenvolvido (valores ilustrativos).
Os produtos primários apresentam características que penalizam quem os exporta: (a) baixa elasticidade-rendimento da procura — à medida que o rendimento mundial aumenta, a procura de matérias-primas cresce menos do que a de manufaturas e serviços, pelo que o seu peso relativo tende a diminuir; (b) elevada volatilidade dos preços — os preços das matérias-primas oscilam fortemente com o ciclo económico, as condições climatéricas e a especulação; (c) concorrência de produtos sintéticos e substitutos e o progresso técnico, que reduz a quantidade de matéria-prima incorporada na produção.
Daqui resulta o «peso» específico do comércio externo destes países: são frequentemente muito abertos ao exterior (elevado peso do comércio externo no PIB), mas de forma frágil — as receitas de exportação dependem de poucos produtos e de preços voláteis, enquanto as importações de bens essenciais (manufaturas, energia, alimentos) são relativamente rígidas. Esta assimetria entre receitas de exportação instáveis e necessidades de importação rígidas está na origem de défices externos recorrentes, que ligam este tema ao dos termos de troca e da dívida externa.
Exemplo resolvido

A vulnerabilidade de uma economia mono-exportadora

Um país tem 85 % das exportações concentradas no cacau. Num ano, o preço mundial do cacau desce 20 % e o preço das manufaturas que importa sobe 5 %. Analisa o impacto nas receitas de exportação e no saldo externo.

  1. 01Receitas de exportação

    Como dependem quase só do cacau e o preço desceu 20 %, as receitas caem fortemente, mesmo que a quantidade exportada se mantenha.

  2. 02Importações

    As manufaturas importadas encarecem 5 %: o país gasta mais para importar a mesma quantidade.

  3. 03Saldo externo

    Receitas mais baixas e importações mais caras agravam o saldo da balança comercial (mais provável um défice) e obrigam a financiamento externo.

Resultado: A concentração num único produto transmite integralmente a queda do preço às receitas; combinada com importações mais caras, agrava o défice externo.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar a estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento (exportação de produtos primários, importação de manufaturas) e contrastá-la com a dos países desenvolvidos.
  • Relacionar a concentração das exportações num número reduzido de produtos com a vulnerabilidade externa destes países, a partir da leitura de tabelas ou gráficos.

Erros frequentes

  • Supor que exportar muito (grande abertura ao exterior) significa uma inserção forte e vantajosa, ignorando a fragilidade de exportar poucos produtos primários a preços voláteis.
  • Confundir volume/quantidade exportada com valor/receita: uma boa colheita pode aumentar a quantidade exportada e, ao fazer descer o preço, reduzir a receita total.

Revisão ativa

Um país exporta quase só um produto agrícola e importa manufaturas e energia. Explica por que motivo esta estrutura o torna vulnerável e o distingue de um país desenvolvido.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A degradação dos termos de troca e a dívida externa#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-c-impactos-globalizacao

Pontos-chave

Os termos de troca (ou relação de troca) medem a relação entre o índice de preços das exportações e o índice de preços das importações de um país (ver fórmula). Exprimem o poder de compra das exportações — quantas importações se conseguem obter por cada unidade exportada. Face a um ano-base (índice 100), um valor superior a 100 indica uma melhoria e um valor inferior a 100 indica uma degradação dos termos de troca.
A degradação (ou deterioração) dos termos de troca é a tendência, apontada pela tese de Prebisch–Singer, para que os preços dos produtos primários — exportados pelos países em desenvolvimento — evoluam desfavoravelmente face aos preços das manufaturas — que importam — ao longo do tempo. Entre as razões contam-se a baixa elasticidade-rendimento dos produtos primários, o maior poder de mercado e diferenciação das manufaturas e o progresso técnico. A consequência é que o país precisa de exportar cada vez MAIS produto primário para importar a MESMA quantidade de manufaturas (ver Fig. 5). Trata-se de uma tendência de longo prazo, e não de uma lei inexorável: em fases de forte procura, os preços das matérias-primas podem subir e melhorar temporariamente os termos de troca.

A degradação dos termos de troca (índice ilustrativo)

Degradação dos termos de trocaGráfico de linhas: termos de troca (índice, base 100) por período (ilustrativo)020406080100123456termos de troca (índice, base…período (ilustrativo)
Fig. 5Fig. 5 — Índice de termos de troca em degradação: face ao ano-base (100), o poder de compra das exportações diminui ao longo do tempo (valores ilustrativos).
A degradação dos termos de troca e a volatilidade das receitas de exportação geram défices externos recorrentes. Para financiar as importações, o investimento no desenvolvimento e esses défices, os países em desenvolvimento recorrem ao endividamento externo — empréstimos da banca, de governos e de instituições internacionais (FMI, Banco Mundial) e emissão de títulos —, acumulando dívida externa.
O serviço da dívida (juros mais amortizações) passa então a absorver uma parte importante das receitas de exportação e do orçamento público, desviando recursos do investimento em saúde, educação e infraestruturas. Se os termos de troca se agravam ou se as taxas de juro e de câmbio evoluem desfavoravelmente, a dívida pode tornar-se insustentável — surgem crises da dívida, renegociações e reescalonamentos, programas de ajustamento e, por vezes, iniciativas de alívio da dívida. Instala-se, assim, um círculo vicioso da dívida (ver Fig. 6). Importa, contudo, distinguir: o problema não é endividar-se, mas endividar-se para financiar défices sem criar capacidade de reembolso — a dívida que financia investimento produtivo pode ser sustentável.

O círculo vicioso da dívida

Círculo vicioso da dívidaGrafo, Degradação dos termos de troca → Quebra das receitas de exportação, Quebra das receitas de exportação → Recurso ao endividamento externo, Recurso ao endividamento externo → Aumento da dívida externa, Aumento da dívida externa → Peso do serviço da dívida, Peso do serviço da dívida → Menos investimento em desenvolvimento, Menos investimento em desenvolvimento → Degradação dos termos de trocaDegradação dostermos de trocaQuebra dasreceitas deexportaçãoRecurso aoendividamentoexternoAumento dadívida externaPeso do serviçoda dívidaMenosinvestimento emdesenvolvimentofinanciar osdéficesjuros +amortizaçõesperpetua aespecialização
Fig. 6Fig. 6 — O círculo vicioso da dívida: a degradação dos termos de troca e os défices externos alimentam o endividamento, cujo serviço reduz o investimento e perpetua a dependência.
TT=ıˊndice de prec¸os das exportac¸o˜esıˊndice de prec¸os das importac¸o˜es×100TT = \dfrac{\text{índice de preços das exportações}}{\text{índice de preços das importações}} \times 100TT=ıˊndice de prec¸​os das importac¸​o˜esıˊndice de prec¸​os das exportac¸​o˜es​×100

Termos de troca

Os termos de troca medem o poder de compra das exportações — quantas importações se obtêm por cada unidade exportada. Um valor superior a 100 (face ao ano-base) indica melhoria; inferior a 100, degradação.

Exemplo resolvido

Calcular e interpretar os termos de troca

Num dado ano, face ao ano-base (100), o índice de preços das exportações de um país em desenvolvimento é 105 e o índice de preços das importações é 140. Calcula os termos de troca e interpreta o resultado.

  1. 01Aplicar a fórmula

    TT = (105 / 140) × 100 = 75.

  2. 02Comparar com 100

    75 < 100, logo houve degradação dos termos de troca face ao ano-base.

  3. 03Interpretar

    Os preços das importações subiram muito mais (+40 %) do que os das exportações (+5 %). Com a mesma quantidade exportada, o país só compra hoje cerca de 75 % das importações que comprava no ano-base — precisa de exportar mais para importar o mesmo.

Resultado: TT = 75 (< 100): degradação — o poder de compra das exportações caiu para cerca de 75 % do inicial.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular e interpretar um índice de termos de troca (preços das exportações sobre preços das importações) e reconhecer uma situação de degradação.
  • Relacionar a degradação dos termos de troca com o recurso ao endividamento externo e explicar o peso do serviço da dívida no desenvolvimento.

Erros frequentes

  • Inverter a fórmula (dividir os preços das importações pelos das exportações) ou confundir termos de troca (preços) com a balança comercial (valores e quantidades).
  • Concluir que qualquer dívida externa é negativa: o problema não é endividar-se, mas endividar-se para financiar défices sem criar capacidade de reembolso — a dívida que financia investimento produtivo pode ser sustentável.

Revisão ativa

O índice de preços das exportações de um país é 96 e o das importações 120 (base 100). Calcula os termos de troca e explica o que significam para a sua capacidade de importar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Termos de troca e dívida externa) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED/UNCTAD) — comércio, termos de troca e dívida dos países em desenvolvimento (Nações Unidas (UNCTAD))

§ 04

Oportunidades e riscos da globalização para os países em desenvolvimento#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-c-impactos-globalizacao

Pontos-chave

A globalização não é, para os países em desenvolvimento, nem um caminho garantido para o desenvolvimento nem uma simples armadilha: os seus efeitos são ambivalentes e dependem do modo como cada país se insere nas trocas e das suas políticas internas (instituições, educação, diversificação da produção). Avaliar criticamente exige, por isso, ponderar oportunidades e riscos, sem visões unilaterais (ver Fig. 7).

Oportunidades e riscos da globalização

Balanço da globalizaçãoTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Dimensão · Oportunidade · Risco; Mercados · Acesso a mercados externos maiores e a economias de escala · Dependência da procura externa e concorrência para os produtores locais; Capital (IDE) · Entrada de investimento direto estrangeiro e de financiamento · Volatilidade dos capitais e saídas súbitas (crises cambiais); Tecnologia · Transferência de tecnologia e de conhecimento (know-how) · Dependência tecnológica do exterior; Emprego e ETN · Criação de emprego e de exportações pelas ETN · Empregos precários e mal pagos; «corrida para o fundo»; Crescimento e coesão · Crescimento e redução da pobreza (em economias que se industrializaram) · Aprofundamento das desigualdades entre países e dentro de cada país; Ambiente e soberania · Modernização e integração na economia mundial · Pressão sobre os recursos e perda de autonomia económicaDIMENSÃOOPORTUNIDADERISCOMercadosAcesso a mercados externosmaiores e a economias deescalaDependência da procuraexterna e concorrência paraos produtores locaisCapital (IDE)Entrada de investimentodireto estrangeiro e definanciamentoVolatilidade dos capitais esaídas súbitas (crisescambiais)TecnologiaTransferência de tecnologiae de conhecimento (know-how)Dependência tecnológica doexteriorEmprego e ETNCriação de emprego e deexportações pelas ETNEmpregos precários e malpagos; «corrida para ofundo»Crescimento e coesãoCrescimento e redução dapobreza (em economias que seindustrializaram)Aprofundamento dasdesigualdades entre países edentro de cada paísAmbiente e soberaniaModernização e integração naeconomia mundialPressão sobre os recursos eperda de autonomia económicaOportunidades vs riscos
Fig. 7Fig. 7 — Um balanço equilibrado: a cada oportunidade da globalização corresponde um risco, cujo peso depende da inserção e das políticas de cada país.
Do lado das oportunidades: o acesso a mercados externos maiores permite economias de escala e procura para as suas produções; a entrada de investimento direto estrangeiro (IDE) traz capital que escasseia internamente, infraestruturas e emprego; a transferência de tecnologia e de conhecimento técnico e organizacional (know-how) e a formação de capital humano podem elevar a produtividade; e a integração em cadeias globais de valor pode abrir caminho à industrialização e à subida na cadeia — como sucedeu em várias economias emergentes que reduziram significativamente a pobreza.
Do lado dos riscos: a dependência externa (de mercados, de capitais, de tecnologia e das decisões das ETN); a volatilidade — a exposição a choques nos preços das matérias-primas e a fluxos de capital voláteis, cujas entradas e saídas súbitas podem provocar crises cambiais e financeiras; o aprofundamento das desigualdades, entre países e dentro de cada país (setores e regiões ligados à globalização face aos excluídos); e ainda custos sociais e ambientais — precariedade laboral, «corrida para o fundo» na regulação e pressão sobre os recursos —, além de alguma perda de soberania económica.
A divisão internacional do trabalho e a deslocalização das ETN ajudam a explicar as assimetrias de desenvolvimento. A decomposição internacional dos processos produtivos (as cadeias globais de valor) tende a atribuir a muitos países em desenvolvimento os segmentos intensivos em mão de obra e de baixo valor acrescentado (extração, montagem), enquanto a investigação, o design, a marca e a finança — o alto valor acrescentado — permanecem no centro e nas ETN. A deslocalização cria emprego e exportações, mas pode reproduzir e aprofundar as assimetrias e prender alguns países no fundo da cadeia, sujeitos às decisões das ETN, que podem voltar a deslocalizar-se (ver Fig. 8).

Divisão internacional do trabalho, deslocalização e assimetrias

Cadeias globais e assimetriasGrafo, Divisão internacional do trabalho → Cadeias globais de valor, Deslocalização das ETN → Cadeias globais de valor, Cadeias globais de valor → Países em desenvolvimento: segmentos de baixo valor (extração, montagem), Cadeias globais de valor → Países desenvolvidos e ETN: segmentos de alto valor (I&D, marca, finança), Países em desenvolvimento: segmentos de baixo valor (extração, montagem) → Assimetrias de desenvolvimento, Países desenvolvidos e ETN: segmentos de alto valor (I&D, marca, finança) → Assimetrias de desenvolvimentoDivisãointernacional dotrabalhoDeslocalizaçãodas ETNCadeias globaisde valorPaíses emdesenvolvimento:segmentos de ba…Paísesdesenvolvidos eETN: segmentos …Assimetrias dedesenvolvimentomão de obrabarataalto valoracrescentado
Fig. 8Fig. 8 — A divisão internacional do trabalho e a deslocalização das ETN repartem o valor nas cadeias globais: baixo valor para a periferia, alto valor para o centro, aprofundando as assimetrias.
O balanço não está, contudo, predeterminado. Os países que conseguem transformar a inserção na globalização em desenvolvimento fazem-no com políticas próprias: diversificar a produção e subir nas cadeias de valor, investir em educação e capital humano, reforçar a integração regional, promover o comércio justo e negociar melhores condições, e apoiar-se na regulação e na cooperação internacional. A globalização é, assim, uma oportunidade condicionada — o resultado depende sobretudo das escolhas e das capacidades de cada país.
Exemplo resolvido

Avaliar de forma equilibrada a instalação de uma ETN

Uma multinacional instala uma unidade de montagem num país em desenvolvimento, empregando milhares de trabalhadores com salários baixos; importa os componentes e exporta o produto acabado, mantendo a investigação e o design no país de origem. Avalia as oportunidades e os riscos e conclui.

  1. 01Oportunidades

    Cria emprego e rendimento, gera exportações e entrada de IDE e divisas, pode transferir alguma tecnologia e formar mão de obra e insere o país numa cadeia global de valor.

  2. 02Riscos

    Emprego pouco qualificado e mal pago, no segmento de baixo valor da cadeia (montagem); dependência das decisões da ETN, que pode voltar a deslocalizar-se; pouco valor acrescentado fica no país (I&D e marca permanecem no centro); risco de precariedade e de «corrida para o fundo».

  3. 03Ponderação

    O balanço depende de o país conseguir, com políticas próprias (educação, diversificação, exigência de conteúdo local, subida na cadeia), transformar esta inserção em desenvolvimento, em vez de ficar preso no fundo da cadeia.

Resultado: Há oportunidades reais (emprego, exportações, IDE) e riscos reais (baixo valor acrescentado, dependência, precariedade); o resultado líquido depende das políticas internas e da capacidade de subir na cadeia de valor.

Foco no Exame Nacional

  • Avaliar criticamente, de forma equilibrada, as oportunidades e os riscos da globalização para um país em desenvolvimento, evitando visões unilaterais.
  • Relacionar a divisão internacional do trabalho e a deslocalização das ETN com as assimetrias de desenvolvimento, argumentando com exemplos.

Erros frequentes

  • Adotar uma posição unilateral — «a globalização só traz vantagens» ou «só traz problemas» —, em vez de ponderar oportunidades e riscos e reconhecer que o resultado depende da inserção e das políticas de cada país.
  • Confundir deslocação com deslocalização, ou supor que a chegada de ETN é sempre sinónimo de desenvolvimento, ignorando a repartição desigual do valor nas cadeias globais.

Revisão ativa

Uma ETN instala uma fábrica de vestuário num país em desenvolvimento. Identifica duas oportunidades e dois riscos para esse país e conclui de forma ponderada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Oportunidades e riscos da globalização) (Direção-Geral da Educação (DGE)) · Banco Mundial — globalização, comércio e desenvolvimento (Banco Mundial)

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A polarização das trocas mundiais○
    • 02A estrutura do comércio externo dos países em desenvolvimento◐
    • 03A degradação dos termos de troca e a dívida externa●
    • 04Oportunidades e riscos da globalização para os países em desenvolvimento●

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Dos resumos à prática

Impactos da globalização nos países em desenvolvimento

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Polarização das trocas e modelo centro–periferia)

Nações Unidas (UNCTAD)

  • Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED/UNCTAD) — comércio, termos de troca e dívida dos países em desenvolvimento

Banco Mundial

  • Banco Mundial — globalização, comércio e desenvolvimento

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