EuraStudy
A globalização é o processo de crescente integração e interdependência das economias, das finanças e das culturas à escala mundial, que se aprofunda a partir do último quartel do século XX. Este tema distingue mundialização de globalização e caracteriza as três dimensões desta última — a económica (empresas transnacionais e decomposição internacional da produção), a financeira (fluxos de capital e Investimento Direto Estrangeiro) e a cultural (difusão e aculturação) —, identificando os fatores e os atores que a impulsionam.
5 secções~17 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2
nível básico
Distinguir mundialização de globalização e reconhecer as três dimensões — económica, financeira e cultural —, associando cada uma às suas manifestações e aos seus atores.
nível avançado
Explicar a decomposição internacional dos processos produtivos e o papel das ETN, distinguir e analisar os fluxos de capital e a evolução do IDE, e relacionar criticamente a aculturação com a globalização económica.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Mundialização e globalização em confronto
As três dimensões da globalização
Classifica cada situação como característica sobretudo da mundialização ou da globalização e justifica: (a) no século XVI, a Europa importa especiarias do Oriente; (b) hoje, um automóvel é concebido num país, com componentes de vários outros, montado num terceiro e vendido em todo o mundo, com financiamento internacional.
É mundialização: as trocas estendem-se à escala mundial, mas trata-se de comércio entre economias que permanecem distintas e autónomas.
É globalização: a própria produção está decomposta e integrada entre vários países e articula-se com fluxos financeiros mundiais — as economias funcionam como partes de um todo.
A mundialização estende as trocas; a globalização integra a produção, as finanças e a cultura em interdependência e em tempo real.
Resultado: (a) mundialização (extensão das trocas); (b) globalização (integração e interdependência da produção e das finanças).
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue mundialização de globalização e explica por que se afirma que a globalização é mais do que a simples extensão do comércio a todo o mundo.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização — mundialização e globalização) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Empresa multinacional e empresa transnacional
Uma cadeia global de valor (DIPP)
Classifica cada decisão de uma empresa portuguesa: (a) abre uma nova fábrica em Angola para servir o mercado africano, mantendo a produção em Portugal; (b) encerra a sua fábrica têxtil em Portugal e transfere essa produção para um país com salários mais baixos.
É uma deslocação: a empresa instala uma nova unidade no estrangeiro, alargando a atividade sem encerrar a produção existente.
É uma deslocalização: uma atividade já existente é encerrada num país e transferida para outro, à procura de custos mais baixos.
Ambas procuram vantagens competitivas (mercados, custos), mas só a deslocalização transfere para fora uma produção que já existia.
Resultado: (a) deslocação (nova unidade); (b) deslocalização (transferência de atividade existente por menores custos).
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o que é a decomposição internacional dos processos produtivos e dá um exemplo de um produto cuja produção esteja geograficamente repartida por vários países.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização económica — ETN e decomposição internacional da produção) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os fluxos de capital
Evolução do IDE mundial (índice ilustrativo)
Classifica cada operação: (a) uma empresa alemã compra a totalidade de uma fábrica em Portugal para nela produzir; (b) um fundo estrangeiro compra ações de várias empresas portuguesas para as revender quando valorizarem.
É IDE: há aquisição de uma atividade produtiva com intenção de controlo e gestão duradouros.
É investimento de carteira: procura rendibilidade financeira, sem intenção de controlar a gestão, e é mais volátil.
O IDE tende a ser mais estável e ligado à economia real (produção, emprego); o investimento de carteira pode entrar e sair rapidamente, gerando instabilidade.
Resultado: (a) IDE (controlo produtivo duradouro); (b) investimento de carteira (rendibilidade sem controlo, mais volátil).
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue Investimento Direto Estrangeiro de investimento de carteira e explica por que o IDE está tão associado às empresas transnacionais.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização financeira — fluxos de capital e IDE) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Tendências da globalização cultural
Da globalização económica à aculturação
Uma cadeia global de restauração rápida instala-se num país. Explica, passo a passo, como o consumo dos seus produtos se pode traduzir em aculturação e liga o processo à globalização económica.
A ETN oferece o mesmo produto padronizado em todo o mundo — um produto global, sustentado por IDE e por uma cadeia global de valor.
Com o produto chegam hábitos, imagens e estilos de vida, amplificados pela publicidade global.
A população adota esses hábitos alimentares e de consumo, associando-os a um certo modo de vida.
A cultura local transforma-se ao incorporar esses traços — pode enriquecer-se (hibridação) ou perder características próprias (descaracterização).
Resultado: O produto global difunde hábitos que alteram os padrões de consumo locais: a globalização económica gera aculturação.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica de que forma o consumo de produtos de marcas globais pode conduzir à aculturação e relaciona esse processo com a globalização económica.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização cultural — difusão cultural e aculturação) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os fatores da globalização
Os atores da globalização e as suas funções
Uma ETN concebe um telemóvel num país, fabrica componentes noutros, monta-o num terceiro e vende-o em todo o mundo, coordenando tudo em tempo real. Identifica os fatores da globalização que tornam este modelo possível.
A contentorização e o transporte rápido e barato permitem mover componentes e produtos entre continentes a baixo custo.
A internet e as telecomunicações permitem conceber, coordenar e controlar a produção dispersa em tempo real.
A redução das barreiras alfandegárias e à circulação de capitais (com a OMC e a abertura das economias) permite que peças e produtos atravessem fronteiras.
A ETN é o ator que integra tudo isto numa única cadeia global de valor.
Resultado: Transportes e TIC (progresso técnico) tornam a distância barata; a liberalização remove as fronteiras; a ETN organiza a produção global.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica os principais fatores da globalização e explica por que a tecnologia, por si só, não a explica sem a liberalização das trocas e dos capitais.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Fatores e atores da globalização) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)