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Resumos/Economia C/A globalização: globalização económica, financeira e cultural
Resumos · Economia CPT · Secundário

A globalização: globalização económica, financeira e cultural

A globalização é o processo de crescente integração e interdependência das economias, das finanças e das culturas à escala mundial, que se aprofunda a partir do último quartel do século XX. Este tema distingue mundialização de globalização e caracteriza as três dimensões desta última — a económica (empresas transnacionais e decomposição internacional da produção), a financeira (fluxos de capital e Investimento Direto Estrangeiro) e a cultural (difusão e aculturação) —, identificando os fatores e os atores que a impulsionam.

5 secções·~17 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·0222 / 8
Perfil de exame
Distinguir mundialização de globalização e caracterizar as suas três dimensõesExplicar a globalização económica: o papel das ETN e a decomposição internacional dos processos produtivosCaracterizar a globalização financeira e distinguir os fluxos de capital, destacando o IDE e a sua evoluçãoCaracterizar a globalização cultural e relacionar a aculturação com a globalização económica
Operadores:distingueexplicacaracterizarelacionaanalisaidentifica

nível básico

Distinguir mundialização de globalização e reconhecer as três dimensões — económica, financeira e cultural —, associando cada uma às suas manifestações e aos seus atores.

nível avançado

Explicar a decomposição internacional dos processos produtivos e o papel das ETN, distinguir e analisar os fluxos de capital e a evolução do IDE, e relacionar criticamente a aculturação com a globalização económica.

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A globalização: globalização económica, financeira e cultural
    • 01Mundialização e globalização○
    • 02A globalização económica: ETN e decomposição internacional da produção◐
    • 03A globalização financeira: fluxos de capital e IDE●
    • 04A globalização cultural: difusão e aculturação◐
    • 05Fatores e atores da globalização●
§ 01

Mundialização e globalização#

●○○BaseLPAE-economia-c-globalizacao

Mundialização e globalização em confronto

Mundialização vs globalizaçãoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Mundialização · Globalização; Ideia central · Extensão das trocas à escala mundial · Integração e interdependência das economias; Época · Mais antiga (dos Descobrimentos ao comércio colonial) · Mais recente (intensifica-se a partir dos anos 1980); Âmbito · Sobretudo trocas de bens e serviços · Produção, finanças e cultura em simultâneo; Ligação entre economias · Trocas entre economias que permanecem distintas · Economias que funcionam como partes de um todo, em tempo realASPETOMUNDIALIZAÇÃOGLOBALIZAÇÃOIdeia centralExtensão das trocas à escalamundialIntegração einterdependência daseconomiasÉpocaMais antiga (dosDescobrimentos ao comérciocolonial)Mais recente (intensifica-sea partir dos anos 1980)ÂmbitoSobretudo trocas de bens eserviçosProdução, finanças e culturaem simultâneoLigação entre economiasTrocas entre economias quepermanecem distintasEconomias que funcionam comopartes de um todo, em temporeal
Fig. 1Fig. 1 — A mundialização estende as trocas à escala do mundo; a globalização acrescenta-lhe a integração e a interdependência das economias em tempo real.

Pontos-chave

A mundialização é a extensão das relações económicas — sobretudo das trocas de bens e serviços — à escala do mundo inteiro: a atividade económica deixa de estar confinada às fronteiras nacionais ou regionais e passa a fazer-se à dimensão planetária. É um fenómeno antigo, com raízes nos Descobrimentos e no comércio colonial, e traduz-se, no essencial, no alargamento geográfico das trocas.
A globalização é um processo mais profundo, mais recente e qualitativamente diferente: a crescente integração e interdependência das economias, ao ponto de funcionarem cada vez mais como um único mercado à escala mundial e em tempo real. Vai além do comércio — abrange a produção, as finanças e a cultura. A distinção essencial a reter é esta: a mundialização estende as trocas; a globalização integra as economias, tornando-as partes interdependentes de um todo.
Os dois conceitos relacionam-se: a mundialização é uma etapa anterior e uma condição da globalização, que a intensifica e aprofunda a partir dos anos 1980, impulsionada pelo progresso técnico, pelos transportes, pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e pela liberalização das trocas e dos capitais. Alguns autores usam os termos como sinónimos, mas convém guardar a diferença: só há globalização quando às trocas se junta a integração da produção, das finanças e da cultura em tempo real.
A globalização apresenta três dimensões interligadas que se reforçam mutuamente (ver Fig. 2): a dimensão económica (a produção e as trocas de bens e serviços, protagonizadas pelas empresas transnacionais), a dimensão financeira (os fluxos de capital e os mercados financeiros mundiais, com destaque para o IDE) e a dimensão cultural (a difusão mundial de valores, informação, padrões de consumo e estilos de vida). Estas três dimensões estruturam o estudo de todo o tema.

As três dimensões da globalização

Dimensões da globalizaçãoGrafo, Globalização → Dimensão económica, Globalização → Dimensão financeira, Globalização → Dimensão culturalGlobalizaçãoDimensãoeconómicaDimensãofinanceiraDimensãocultural
Fig. 2Fig. 2 — A globalização tem três dimensões — económica, financeira e cultural — interligadas e que se reforçam mutuamente.
Exemplo resolvido

Mundialização ou globalização?

Classifica cada situação como característica sobretudo da mundialização ou da globalização e justifica: (a) no século XVI, a Europa importa especiarias do Oriente; (b) hoje, um automóvel é concebido num país, com componentes de vários outros, montado num terceiro e vendido em todo o mundo, com financiamento internacional.

  1. 01(a) Especiarias no séc. XVI

    É mundialização: as trocas estendem-se à escala mundial, mas trata-se de comércio entre economias que permanecem distintas e autónomas.

  2. 02(b) Automóvel global

    É globalização: a própria produção está decomposta e integrada entre vários países e articula-se com fluxos financeiros mundiais — as economias funcionam como partes de um todo.

  3. 03Critério de distinção

    A mundialização estende as trocas; a globalização integra a produção, as finanças e a cultura em interdependência e em tempo real.

Resultado: (a) mundialização (extensão das trocas); (b) globalização (integração e interdependência da produção e das finanças).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir com rigor mundialização (extensão das trocas à escala mundial) de globalização (integração e interdependência das economias em tempo real).
  • Identificar e caracterizar as três dimensões da globalização — económica, financeira e cultural — e reconhecer que se reforçam mutuamente.

Erros frequentes

  • Usar mundialização e globalização como perfeitos sinónimos, ignorando que a globalização acrescenta integração e interdependência à simples extensão das trocas.
  • Reduzir a globalização à dimensão económica, esquecendo as dimensões financeira e cultural.

Revisão ativa

Distingue mundialização de globalização e explica por que se afirma que a globalização é mais do que a simples extensão do comércio a todo o mundo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização — mundialização e globalização) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A globalização económica: ETN e decomposição internacional da produção#

●●○PadrãoLPAE-economia-c-globalizacao

Empresa multinacional e empresa transnacional

Multinacional vs transnacionalTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Empresa multinacional · Empresa transnacional (ETN); Organização · Filiais em vários países, relativamente autónomas · Rede mundial integrada de produção; Centro de decisão · Forte identidade e casa-mãe nacional · Estratégia global, sem se identificar com um só país; Lógica de produção · Replica a produção em cada país · Reparte as fases pelos locais mais vantajosos (DIPP); Objetivo dominante · Servir mercados nacionais a partir de filiais · Produzir onde é mais vantajoso e vender à escala globalASPETOEMPRESA MULTINACIONALEMPRESA TRANSNACIONAL(ETN)OrganizaçãoFiliais em vários países,relativamente autónomasRede mundial integrada deproduçãoCentro de decisãoForte identidade e casa-mãenacionalEstratégia global, sem seidentificar com um só paísLógica de produçãoReplica a produção em cadapaísReparte as fases peloslocais mais vantajosos(DIPP)Objetivo dominanteServir mercados nacionais apartir de filiaisProduzir onde é maisvantajoso e vender à escalaglobal
Fig. 4Fig. 4 — A multinacional replica a produção em filiais nacionais; a transnacional organiza uma rede mundial integrada, repartindo as fases pelos locais mais vantajosos.

Pontos-chave

A globalização económica é a integração mundial da produção e das trocas de bens e serviços. O comércio internacional cresce mais depressa do que a produção mundial, os mercados tornam-se globais (uma empresa pode vender em qualquer parte do mundo) e surgem produtos globais (o mesmo produto vendido em toda a parte). Os seus atores centrais são as empresas multinacionais e, sobretudo, as empresas transnacionais (ETN).
É essencial distinguir deslocação de deslocalização. Na deslocação, a empresa instala uma nova unidade produtiva noutro país, alargando a sua atividade sem encerrar a produção que já tinha. Na deslocalização, a empresa transfere para outro país uma atividade já existente — encerra-a num sítio e reabre-a noutro —, tipicamente à procura de custos mais baixos (mão de obra, impostos, regulação). Ambas exprimem a busca de vantagens competitivas além-fronteiras, mas só a deslocalização implica transferir para fora uma produção que já existia.
A decomposição internacional dos processos produtivos (DIPP) consiste em fragmentar o processo produtivo em fases e localizar cada uma no país onde é mais vantajosa: o produto passa a ser geograficamente repartido. Dá origem às cadeias globais de valor — conceção e investigação num país, componentes noutros, montagem num terceiro e distribuição mundial (ver Fig. 3). Muitos produtos deixam de ser «feitos num país» para serem «feitos no mundo».

Uma cadeia global de valor (DIPP)

Cadeia global de valorGrafo, Conceção e I&D (país A) → Componentes (países B e C), Componentes (países B e C) → Montagem (país D), Montagem (país D) → Distribuição e venda (mercado mundial)Conceção e I&D(país A)Componentes(países B e C)Montagem (paísD)Distribuição evenda (mercadomundial)especificaçõespeçasproduto final
Fig. 3Fig. 3 — Na decomposição internacional dos processos produtivos, cada fase localiza-se onde é mais vantajosa: o produto é geograficamente repartido por vários países.
A empresa multinacional possui unidades em vários países, mas conserva uma forte identidade e um centro de decisão nacional: a casa-mãe domina filiais que, no estrangeiro, tendem a replicar a produção de forma relativamente autónoma. A empresa transnacional (ETN) vai mais longe: organiza a produção à escala mundial como uma rede integrada, com uma estratégia global e sem se identificar com um único território — produz onde é mais vantajoso e vende onde há mercado. É esta transnacionalização da produção que está na base da DIPP e que faz das ETN o principal ator da globalização económica, criando mercados globais e produtos globais.
Exemplo resolvido

Deslocação ou deslocalização?

Classifica cada decisão de uma empresa portuguesa: (a) abre uma nova fábrica em Angola para servir o mercado africano, mantendo a produção em Portugal; (b) encerra a sua fábrica têxtil em Portugal e transfere essa produção para um país com salários mais baixos.

  1. 01(a) Nova fábrica em Angola

    É uma deslocação: a empresa instala uma nova unidade no estrangeiro, alargando a atividade sem encerrar a produção existente.

  2. 02(b) Fábrica têxtil transferida

    É uma deslocalização: uma atividade já existente é encerrada num país e transferida para outro, à procura de custos mais baixos.

  3. 03Motivação comum

    Ambas procuram vantagens competitivas (mercados, custos), mas só a deslocalização transfere para fora uma produção que já existia.

Resultado: (a) deslocação (nova unidade); (b) deslocalização (transferência de atividade existente por menores custos).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir deslocação de deslocalização e explicar a decomposição internacional dos processos produtivos (produção geograficamente repartida).
  • Caracterizar o papel das empresas transnacionais (ETN) na globalização económica: mercados globais, produtos globais e transnacionalização da produção.

Erros frequentes

  • Confundir deslocação (instalar uma nova unidade no estrangeiro) com deslocalização (transferir para outro país uma atividade já existente, à procura de menores custos).
  • Tratar «multinacional» e «transnacional» como exatamente o mesmo: a ETN organiza a produção como uma rede mundial integrada, com estratégia global, e não apenas como filiais nacionais dispersas.

Revisão ativa

Explica o que é a decomposição internacional dos processos produtivos e dá um exemplo de um produto cuja produção esteja geograficamente repartida por vários países.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização económica — ETN e decomposição internacional da produção) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A globalização financeira: fluxos de capital e IDE#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-c-globalizacao

Pontos-chave

A globalização financeira é a crescente integração dos mercados financeiros nacionais num único mercado mundial, no qual o capital circula livremente e de forma quase instantânea, 24 horas por dia. É a dimensão mais integrada da globalização, precisamente porque o capital é o mais móvel dos fatores: uma decisão tomada num mercado repercute-se imediatamente nos restantes.
É preciso distinguir os diferentes fluxos de capital (ver Fig. 5). Entre os investimentos, separa-se o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) — que visa criar ou adquirir uma atividade produtiva no estrangeiro com intenção de controlo e gestão duradouros — do investimento de carteira, que é a compra de títulos (ações, obrigações) apenas para obter rendibilidade, sem intenção de controlo, sendo por isso mais volátil. A par dos investimentos existem as operações de crédito e os empréstimos internacionais, que geram dívida a reembolsar com juros. A grande linha divisória é entre investimento (propriedade) e crédito/empréstimos (dívida).

Os fluxos de capital

Fluxos de capitalTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Fluxo de capital · Em que consiste · Intenção / natureza; Investimento Direto Estrangeiro (IDE) · Criar ou adquirir uma empresa ou atividade produtiva no estrangeiro · Controlo duradouro; ligado à produção (ETN); Investimento de carteira · Comprar títulos (ações, obrigações) no estrangeiro · Rendibilidade, sem controlo; mais volátil; Crédito e empréstimos · Concessão internacional de crédito e de empréstimos · Dívida a reembolsar com jurosFLUXO DE CAPITALEM QUE CONSISTEINTENÇÃO / NATUREZAInvestimento DiretoEstrangeiro (IDE)Criar ou adquirir umaempresa ou atividadeprodutiva no estrangeiroControlo duradouro; ligado àprodução (ETN)Investimento de carteiraComprar títulos (ações,obrigações) no estrangeiroRendibilidade, sem controlo;mais volátilCrédito e empréstimosConcessão internacional decrédito e de empréstimosDívida a reembolsar comjuros
Fig. 5Fig. 5 — Distinção dos fluxos de capital: o IDE procura controlo produtivo duradouro; o investimento de carteira, rendibilidade sem controlo; o crédito e os empréstimos geram dívida.
O IDE merece destaque por ser o fluxo financeiro mais ligado à economia real e às ETN: é através do IDE que as empresas transnacionais constroem as suas redes mundiais de produção (a deslocação e a deslocalização são financiadas por IDE). Ao contrário do investimento de carteira, procura controlo duradouro e não mera rendibilidade de curto prazo; por isso tende a ser mais estável e mais associado ao desenvolvimento produtivo, ao emprego e à transferência de tecnologia.
A evolução do IDE a nível mundial mostra um crescimento enorme nas últimas décadas, muito superior ao da produção mundial, refletindo a transnacionalização da produção; mas é um fluxo volátil, sensível aos ciclos e às crises, caindo acentuadamente nos períodos de recessão (ver Fig. 6). Historicamente concentrado nos países desenvolvidos, o IDE dirige-se cada vez mais também para economias emergentes e em desenvolvimento.

Evolução do IDE mundial (índice ilustrativo)

Evolução do IDE mundialGráfico de linhas: IDE mundial (índice, base 100 = 1990) por Ano01002003004005006001990199520002005201020152020IDE mundial (índice, base 100…Ano
Fig. 6Fig. 6 — Evolução do IDE mundial (índice ilustrativo, base 100 em 1990). Representa a tendência geral: forte crescimento nas últimas décadas, muito superior ao do produto mundial, mas com acentuada volatilidade (quedas nas crises). Valores ilustrativos.
Na base da globalização financeira está a chamada «regra dos três D»: a desregulamentação (levantamento de restrições à circulação de capitais e à atividade financeira), a desintermediação (acesso direto aos mercados de capitais, sem passar obrigatoriamente pela banca) e a descompartimentação (abertura e interligação dos mercados nacionais num único mercado global). A tudo isto se somam as TIC, que permitem transações em tempo real e à escala planetária.
Exemplo resolvido

IDE ou investimento de carteira?

Classifica cada operação: (a) uma empresa alemã compra a totalidade de uma fábrica em Portugal para nela produzir; (b) um fundo estrangeiro compra ações de várias empresas portuguesas para as revender quando valorizarem.

  1. 01(a) Compra da fábrica

    É IDE: há aquisição de uma atividade produtiva com intenção de controlo e gestão duradouros.

  2. 02(b) Compra de ações para revender

    É investimento de carteira: procura rendibilidade financeira, sem intenção de controlar a gestão, e é mais volátil.

  3. 03Consequência

    O IDE tende a ser mais estável e ligado à economia real (produção, emprego); o investimento de carteira pode entrar e sair rapidamente, gerando instabilidade.

Resultado: (a) IDE (controlo produtivo duradouro); (b) investimento de carteira (rendibilidade sem controlo, mais volátil).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir os fluxos de capital (IDE, investimento de carteira, crédito e empréstimos) e caracterizar o IDE como investimento com intenção de controlo duradouro.
  • Explicitar os fatores da globalização financeira (desregulamentação, desintermediação, descompartimentação e TIC) e analisar a evolução do IDE mundial.

Erros frequentes

  • Confundir IDE (investimento com controlo duradouro de uma atividade produtiva) com investimento de carteira (compra de títulos sem intenção de controlo, mais volátil).
  • Tratar todos os fluxos de capital como iguais, sem distinguir investimento (propriedade) de crédito e empréstimos (dívida).

Revisão ativa

Distingue Investimento Direto Estrangeiro de investimento de carteira e explica por que o IDE está tão associado às empresas transnacionais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização financeira — fluxos de capital e IDE) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A globalização cultural: difusão e aculturação#

●●○PadrãoLPAE-economia-c-globalizacao

Tendências da globalização cultural

Tendências culturaisTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Tendência · Em que consiste · Exemplo; Homogeneização · Uniformização de gostos e hábitos à escala mundial · Marcas, séries e redes sociais globais; Aculturação · Adoção de traços de outra cultura (a economicamente dominante) · Hábitos alimentares e de vestuário «ocidentais»; Hibridação · Mistura de elementos culturais globais e locais · Cozinha de fusão; adaptação de produtos globais; Glocalização · Adaptar o global aos gostos locais («pensar global, agir local») · Marcas globais com produtos ajustados a cada paísTENDÊNCIAEM QUE CONSISTEEXEMPLOHomogeneizaçãoUniformização de gostos ehábitos à escala mundialMarcas, séries e redessociais globaisAculturaçãoAdoção de traços de outracultura (a economicamentedominante)Hábitos alimentares e devestuário «ocidentais»HibridaçãoMistura de elementosculturais globais e locaisCozinha de fusão; adaptaçãode produtos globaisGlocalizaçãoAdaptar o global aos gostoslocais («pensar global, agirlocal»)Marcas globais com produtosajustados a cada país
Fig. 8Fig. 8 — A globalização cultural combina forças de uniformização (homogeneização, aculturação) com forças de diversidade (hibridação, glocalização).

Pontos-chave

A globalização cultural é a crescente difusão, à escala mundial, de valores, ideias, informação, padrões de consumo e estilos de vida, com uma tendência para uma certa uniformização das culturas. É viabilizada pelos meios de comunicação de massas, pelas TIC e pela internet, e pela ação das ETN, que fazem circular marcas e produtos globais. A cultura deixa de estar confinada a fronteiras.
A difusão cultural é a propagação de traços culturais — produtos, ideias, hábitos, símbolos — de uma sociedade para outras. Os meios de comunicação globais e os produtos globais funcionam como veículos de cultura: filmes, música, séries, redes sociais e marcas globais transportam consigo hábitos, imagens e modos de vida (por exemplo, hábitos alimentares, moda, ou o inglês como língua franca).
A aculturação é o processo de transformação cultural que resulta do contacto continuado entre culturas, em que uma cultura adota traços de outra — muitas vezes a economicamente dominante. Pode ir da simples incorporação de alguns hábitos até à perda de características próprias (descaracterização). Importa distinguir difusão cultural (a propagação dos traços) de aculturação (a transformação que essa propagação provoca na cultura recetora).
A aculturação relaciona-se diretamente com a globalização económica (ver Fig. 7). As ETN vendem produtos globais e, com eles, exportam padrões de consumo e estilos de vida; a publicidade e os meios de comunicação globais uniformizam gostos e ajudam a criar um «consumidor global». Assim, o consumo de produtos globais gera aculturação: as populações adotam hábitos associados a esses produtos. É neste sentido que a globalização económica é um motor da globalização cultural, num processo por vezes descrito como «ocidentalização» ou «americanização» dos modos de vida.

Da globalização económica à aculturação

Da economia à aculturaçãoGrafo, Globalização económica (ETN e produtos globais) → Difusão cultural (hábitos, marcas, estilos), Meios de comunicação e publicidade global → Difusão cultural (hábitos, marcas, estilos), Difusão cultural (hábitos, marcas, estilos) → Novos padrões de consumo e estilos de vida, Novos padrões de consumo e estilos de vida → Aculturação (transformação das culturas locais)Globalizaçãoeconómica (ETN eprodutos globai…Meios decomunicação epublicidade glo…Difusão cultural(hábitos,marcas, estilos)Novos padrões deconsumo eestilos de vidaAculturação(transformaçãodas culturas lo…produtosglobaispublicidade
Fig. 7Fig. 7 — A globalização económica alimenta a cultural: os produtos globais e a publicidade difundem hábitos que alteram os padrões de consumo locais, conduzindo à aculturação.
Nem tudo, porém, é uniformização. Há hibridação cultural (misturas de elementos globais e locais), resistências e revalorização das identidades locais — fenómeno que se designa por «glocalização» («pensar global, agir local»), em que os produtos globais são adaptados aos gostos de cada território. A crítica mais forte à globalização cultural aponta o risco de perda de diversidade cultural.
Exemplo resolvido

Do produto global à aculturação

Uma cadeia global de restauração rápida instala-se num país. Explica, passo a passo, como o consumo dos seus produtos se pode traduzir em aculturação e liga o processo à globalização económica.

  1. 01Produto global

    A ETN oferece o mesmo produto padronizado em todo o mundo — um produto global, sustentado por IDE e por uma cadeia global de valor.

  2. 02Difusão cultural

    Com o produto chegam hábitos, imagens e estilos de vida, amplificados pela publicidade global.

  3. 03Novos padrões de consumo

    A população adota esses hábitos alimentares e de consumo, associando-os a um certo modo de vida.

  4. 04Aculturação

    A cultura local transforma-se ao incorporar esses traços — pode enriquecer-se (hibridação) ou perder características próprias (descaracterização).

Resultado: O produto global difunde hábitos que alteram os padrões de consumo locais: a globalização económica gera aculturação.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir difusão cultural de aculturação e caracterizar a globalização cultural (padrões de consumo e estilos de vida).
  • Relacionar a aculturação com a globalização económica, explicando como os produtos e a publicidade globais difundem padrões de consumo.

Erros frequentes

  • Confundir difusão cultural (a propagação de traços culturais) com aculturação (a transformação que essa difusão provoca na cultura recetora).
  • Ver a globalização cultural apenas como uniformização, ignorando fenómenos de hibridação, resistência e revalorização das culturas locais (glocalização).

Revisão ativa

Explica de que forma o consumo de produtos de marcas globais pode conduzir à aculturação e relaciona esse processo com a globalização económica.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização cultural — difusão cultural e aculturação) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Fatores e atores da globalização#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-c-globalizacao

Pontos-chave

Na base da globalização está o progresso técnico, que se traduz em dois grandes fatores tecnológicos (ver Fig. 9). A revolução dos transportes — com a contentorização, navios e aviões maiores e mais rápidos — fez cair o custo e o tempo de deslocação de mercadorias, aproximando os mercados («morte da distância»). As TIC — informática, telecomunicações e internet — permitem comunicar, coordenar a produção dispersa e mover capitais em tempo real e à escala planetária.

Os fatores da globalização

Fatores da globalizaçãoGrafo, Progresso técnico → Transportes (contentorização, custos baixos), Progresso técnico → TIC (internet, tempo real), Transportes (contentorização, custos baixos) → Globalização, TIC (internet, tempo real) → Globalização, Liberalização e desregulamentação → GlobalizaçãoProgressotécnicoTransportes(contentorização,custos baixos)TIC (internet,tempo real)Liberalização edesregulamentaçãoGlobalização
Fig. 9Fig. 9 — Os fatores da globalização: o progresso técnico (transportes e TIC) baixa o custo da distância e a liberalização abre as fronteiras; juntos, tornam a globalização possível.
A par dos fatores tecnológicos, atua um fator político decisivo: a liberalização e a desregulamentação. A abertura das economias, a redução das barreiras ao comércio (pautas aduaneiras) e à circulação de capitais, promovidas por acordos e instituições internacionais, removeram os obstáculos que a tecnologia, por si só, não elimina. É a combinação de tecnologia e liberalização que torna a globalização possível: a tecnologia baixa o custo da distância, a liberalização abre as fronteiras.
Os atores da globalização protagonizam e enquadram o processo. As empresas transnacionais (ETN) são os principais atores económicos: organizam a produção mundial (DIPP) e concentram grande parte do comércio e do IDE mundiais. Os Estados abrem (ou fecham) as suas economias e negoceiam acordos. E um conjunto de organizações económicas internacionais estabelece as «regras do jogo» (ver Fig. 10).

Os atores da globalização e as suas funções

Atores da globalizaçãoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Ator · Natureza · Função na globalização; Empresas transnacionais (ETN) · Empresas com produção à escala mundial · Organizam a produção global (DIPP); concentram comércio e IDE; OMC (ex-GATT) · Organização económica internacional · Regula e liberaliza o comércio mundial; FMI · Organização económica internacional · Vela pela estabilidade monetária e financeira internacional; Banco Mundial · Organização económica internacional · Financia o desenvolvimento e o combate à pobrezaATORNATUREZAFUNÇÃO NA GLOBALIZAÇÃOEmpresas transnacionais(ETN)Empresas com produção àescala mundialOrganizam a produção global(DIPP); concentram comércioe IDEOMC (ex-GATT)Organização económicainternacionalRegula e liberaliza ocomércio mundialFMIOrganização económicainternacionalVela pela estabilidademonetária e financeirainternacionalBanco MundialOrganização económicainternacionalFinancia o desenvolvimento eo combate à pobreza
Fig. 10Fig. 10 — As ETN protagonizam a globalização económica, enquanto a OMC, o FMI e o Banco Mundial estabelecem e enquadram as regras da economia mundial.
Entre essas organizações destacam-se a OMC (Organização Mundial do Comércio, sucessora do GATT), que regula e liberaliza o comércio mundial; o FMI (Fundo Monetário Internacional), que vela pela estabilidade monetária e financeira internacional e apoia países em dificuldade; e o Banco Mundial, que financia o desenvolvimento e o combate à pobreza. A este enquadramento juntam-se ainda fóruns como o G20 e os blocos regionais (estudados no tópico da regionalização). O equilíbrio de poder é, porém, desigual — os países desenvolvidos e as ETN pesam mais —, o que alimenta o debate sobre a necessidade de regular a economia mundial.
Exemplo resolvido

Que fatores tornaram possível a produção global?

Uma ETN concebe um telemóvel num país, fabrica componentes noutros, monta-o num terceiro e vende-o em todo o mundo, coordenando tudo em tempo real. Identifica os fatores da globalização que tornam este modelo possível.

  1. 01Transportes

    A contentorização e o transporte rápido e barato permitem mover componentes e produtos entre continentes a baixo custo.

  2. 02TIC

    A internet e as telecomunicações permitem conceber, coordenar e controlar a produção dispersa em tempo real.

  3. 03Liberalização

    A redução das barreiras alfandegárias e à circulação de capitais (com a OMC e a abertura das economias) permite que peças e produtos atravessem fronteiras.

  4. 04Ator

    A ETN é o ator que integra tudo isto numa única cadeia global de valor.

Resultado: Transportes e TIC (progresso técnico) tornam a distância barata; a liberalização remove as fronteiras; a ETN organiza a produção global.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar os fatores da globalização (progresso técnico, transportes, TIC e liberalização) e explicar como convergem para a tornar possível.
  • Caracterizar os principais atores da globalização (ETN, OMC, FMI e Banco Mundial) e as suas funções.

Erros frequentes

  • Apontar apenas a tecnologia como causa da globalização, esquecendo a liberalização e a desregulamentação (dimensão política) — ou o inverso.
  • Confundir as funções das instituições: a OMC regula o comércio, o FMI zela pela estabilidade monetária e financeira e o Banco Mundial financia o desenvolvimento.

Revisão ativa

Identifica os principais fatores da globalização e explica por que a tecnologia, por si só, não a explica sem a liberalização das trocas e dos capitais.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Fatores e atores da globalização) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Mundialização e globalização○
    • 02A globalização económica: ETN e decomposição internacional da produção◐
    • 03A globalização financeira: fluxos de capital e IDE●
    • 04A globalização cultural: difusão e aculturação◐
    • 05Fatores e atores da globalização●

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

A globalização: globalização económica, financeira e cultural

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

~17
min
4
Competências
Praticar

Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A globalização — mundialização e globalização)

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EuraStudy·Resumos T·02·MMXXVI

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