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Resumos · Economia CPT · Secundário

Estruturas demográficas e fluxos migratórios

A dinâmica de uma população resulta do jogo entre a natalidade e a mortalidade e traduz-se na sua estrutura por idades. Este tema explica o modelo da transição demográfica, ensina a ler pirâmides etárias e a calcular o índice de dependência, e avalia as consequências económicas da explosão demográfica, do envelhecimento populacional e dos fluxos migratórios — remessas, fuga de cérebros e efeitos nos países de origem e de acolhimento.

4 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2

T·0666 / 8
Perfil de exame
Explicar o modelo da transição demográfica e relacioná-lo com o desenvolvimentoLer e interpretar pirâmides etárias e relacioná-las com o nível de desenvolvimentoCaracterizar a explosão demográfica e o envelhecimento populacional e as suas consequências económicasAnalisar os fluxos migratórios e as suas consequências para os países de origem e de acolhimento
Operadores:explicarelacionainterpretacaracterizaavaliaanalisa

nível básico

Explicar as fases do modelo da transição demográfica e ler pirâmides etárias, distinguindo um país jovem de um país envelhecido.

nível avançado

Calcular e interpretar os índices de dependência e avaliar criticamente as consequências económicas do envelhecimento e dos fluxos migratórios (remessas e fuga de cérebros).

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Estruturas demográficas e fluxos migratórios
    • 01A transição demográfica○
    • 02Estruturas demográficas e pirâmides etárias◐
    • 03Explosão demográfica e envelhecimento populacional●
    • 04Os fluxos migratórios e as suas consequências●
§ 01

A transição demográfica#

●○○BaseLPAE-economia-c-demografia-migracoes

Pontos-chave

O crescimento demográfico natural de uma população resulta da diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade, habitualmente expressas em número de nascimentos ou de óbitos por mil habitantes (por mil, ‰). Historicamente, foi a melhoria do nível de vida — associada ao progresso tecnológico, às revoluções agrícola e industrial e aos avanços da medicina, do saneamento e da alimentação — que primeiro fez cair a mortalidade e desencadeou o rápido crescimento da população. Relacionar desenvolvimento e demografia é, por isso, o ponto de partida deste tema (ver fórmula e Fig. 1).

O modelo da transição demográfica

Transição demográficaGráfico de linhas: ‰ (por mil habitantes), Dados: Taxa de natalidade · Fase 1: 38; Taxa de natalidade · Fase 2: 38; Taxa de natalidade · Fase 3: 25; Taxa de natalidade · Fase 4: 12; Taxa de mortalidade · Fase 1: 36; Taxa de mortalidade · Fase 2: 22; Taxa de mortalidade · Fase 3: 14; Taxa de mortalidade · Fase 4: 1105101520253035Fase 1Fase 2Fase 3Fase 4‰ (por mil habitantes)Taxa de natalidadeTaxa de mortalidade
Fig. 1Fig. 1 — Na transição demográfica a mortalidade cai primeiro e a natalidade só desce mais tarde; o intervalo entre as curvas (o crescimento natural) é máximo na Fase 2. Valores ilustrativos, em ‰.
O modelo da transição demográfica descreve a passagem de um regime demográfico ANTIGO (natalidade alta e mortalidade alta, com crescimento natural baixo) para um regime demográfico MODERNO (natalidade baixa e mortalidade baixa, também com crescimento natural baixo). Entre os dois regimes existe uma fase intermédia em que a população cresce muito depressa. O modelo é uma generalização da experiência histórica dos países hoje desenvolvidos e serve de grelha para comparar países em diferentes estádios de desenvolvimento.
Distinguem-se habitualmente quatro fases (Fig. 1): Fase 1 (regime primitivo) — natalidade e mortalidade altas e próximas, crescimento quase nulo; Fase 2 (arranque, ou explosão) — a mortalidade cai fortemente, graças à medicina, ao saneamento e à alimentação, enquanto a natalidade se mantém alta, abrindo um grande diferencial e um crescimento natural máximo; Fase 3 (transição) — a natalidade começa a descer, com a urbanização, a escolarização, o planeamento familiar e o trabalho feminino, e o crescimento abranda; Fase 4 (regime moderno, ou estabilização) — natalidade e mortalidade baixas e de novo próximas, com crescimento natural baixo.
O que explica a explosão demográfica é o DESFASAMENTO temporal entre a queda da mortalidade e a queda da natalidade: a mortalidade desce primeiro, porque responde de imediato às melhorias sanitárias, ao passo que a natalidade só desce mais tarde, quando mudam os comportamentos sociais e culturais. Enquanto persiste esse intervalo (Fase 2), o crescimento natural é elevado. Alguns autores acrescentam uma quinta fase, em que a natalidade cai abaixo da mortalidade e o crescimento natural se torna NEGATIVO — o quadro de muitos países desenvolvidos hoje, que estudaremos como envelhecimento.
Taxa de crescimento natural=taxa de natalidade−taxa de mortalidade\text{Taxa de crescimento natural} = \text{taxa de natalidade} - \text{taxa de mortalidade}Taxa de crescimento natural=taxa de natalidade−taxa de mortalidade

Taxa de crescimento natural (‰)

As taxas exprimem-se por mil habitantes (‰). Se a natalidade for 38‰ e a mortalidade 22‰, o crescimento natural é 16‰, ou seja, cerca de +1,6 % ao ano.

Exemplo resolvido

Calcular o crescimento natural em cada fase

Numa fase de arranque, a taxa de natalidade é 38‰ e a de mortalidade 22‰; numa fase moderna, a natalidade é 12‰ e a mortalidade 11‰. Calcula o crescimento natural em cada caso e comenta.

  1. 01Fase de arranque

    38‰ − 22‰ = 16‰ (cerca de +1,6 % ao ano). O crescimento é elevado — é a explosão demográfica.

  2. 02Fase moderna

    12‰ − 11‰ = 1‰ (cerca de +0,1 % ao ano). O crescimento é quase nulo.

  3. 03Conclusão

    É o diferencial entre a natalidade e a mortalidade que determina o ritmo de crescimento; é máximo quando a mortalidade já caiu mas a natalidade ainda se mantém alta.

Resultado: Arranque: +16‰; moderno: +1‰. O crescimento é máximo quando a mortalidade cai e a natalidade se mantém alta.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar as quatro fases do modelo da transição demográfica e caracterizar o regime demográfico antigo e o moderno.
  • Relacionar a queda da mortalidade com o progresso técnico e a melhoria do nível de vida, e a queda posterior da natalidade com mudanças sociais e culturais.

Erros frequentes

  • Confundir a taxa de crescimento natural com o número de habitantes: o crescimento natural é a DIFERENÇA entre a natalidade e a mortalidade (um ritmo), não a dimensão total da população.
  • Pensar que, na explosão demográfica, é a natalidade que aumenta: o que dispara o crescimento é a QUEDA da mortalidade enquanto a natalidade se mantém alta.

Revisão ativa

Explica por que razão o crescimento natural é máximo na segunda fase da transição demográfica, recorrendo à evolução das taxas de natalidade e de mortalidade.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A transição demográfica) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Estruturas demográficas e pirâmides etárias#

●●○PadrãoLPAE-economia-c-demografia-migracoes

Pontos-chave

A estrutura (ou composição) demográfica de uma população é a sua repartição segundo variáveis como a idade e o sexo. A idade permite distinguir três grandes grupos funcionais: os JOVENS (habitualmente 0-14 anos), a POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (15-64 anos) e os IDOSOS (65 e mais anos). Esta composição não é um pormenor estatístico: condiciona a dimensão da força de trabalho, as necessidades de escolas, de saúde e de pensões, e o próprio potencial de crescimento económico.
A pirâmide etária (ou pirâmide de idades) é a representação gráfica dessa estrutura (Fig. 2 e Fig. 3). Constrói-se com barras horizontais: cada barra é um grupo etário, os grupos empilham-se dos mais novos (em baixo) para os mais velhos (em cima), e os homens ficam de um lado e as mulheres do outro. O comprimento de cada barra indica o peso desse grupo, em número ou em percentagem da população. Ler uma pirâmide é ler, de relance, a história e o futuro demográfico de um país.

Pirâmide etária de um país jovem

Pirâmide de país jovempirâmide etária, Dados: Homens · 0-14: 19; Homens · 15-24: 13; Homens · 25-64: 15; Homens · 65+: 3; Mulheres · 0-14: 18; Mulheres · 15-24: 12; Mulheres · 25-64: 15; Mulheres · 65+: 50-1415-2425-6465+5510101515HomensMulheres
Fig. 2Fig. 2 — País demograficamente jovem: base larga (muitos jovens) e topo estreito (poucos idosos). Pirâmide expansiva, típica de um país em desenvolvimento. Valores ilustrativos, em % da população.

Pirâmide etária de um país envelhecido

Pirâmide de país envelhecidopirâmide etária, Dados: Homens · 0-14: 7; Homens · 15-24: 6; Homens · 25-64: 27; Homens · 65+: 9; Mulheres · 0-14: 7; Mulheres · 15-24: 6; Mulheres · 25-64: 27; Mulheres · 65+: 110-1415-2425-6465+551010151520202525HomensMulheres
Fig. 3Fig. 3 — País envelhecido: base estreita (poucos jovens) e topo largo (muitos idosos). Pirâmide regressiva, típica de um país desenvolvido. Valores ilustrativos, em % da população.
A FORMA da pirâmide revela o regime demográfico. Uma pirâmide EXPANSIVA, ou jovem, tem base larga e topo estreito (Fig. 2): muitos nascimentos e poucos idosos, típica de países em desenvolvimento, ainda nas primeiras fases da transição. Uma pirâmide REGRESSIVA, ou envelhecida, tem base estreita e topo largo (Fig. 3): poucos nascimentos e muitos idosos, típica de países desenvolvidos, em fase avançada da transição. A forma liga, assim, a estrutura demográfica ao nível de desenvolvimento.
Da estrutura por idades extrai-se o índice de dependência total, que mede quantos dependentes (jovens mais idosos) existem por cada 100 pessoas em idade ativa (ver fórmula). Um índice elevado significa que poucos ativos sustentam muitos dependentes — mas a origem dessa dependência importa: num país jovem predomina a dependência de jovens; num país envelhecido, a de idosos. A distinção entre as duas será aprofundada na secção seguinte.
Iˊndice de dependeˆncia total=jovens (0-14)+idosos (65+)populac¸a˜o ativa (15-64)×100\text{Índice de dependência total} = \dfrac{\text{jovens (0-14)} + \text{idosos (65+)}}{\text{população ativa (15-64)}} \times 100Iˊndice de dependeˆncia total=populac¸​a˜o ativa (15-64)jovens (0-14)+idosos (65+)​×100

Índice de dependência total

Número de dependentes (jovens e idosos) por cada 100 pessoas em idade ativa. Quanto mais alto, maior o peso que recai sobre quem trabalha.

Exemplo resolvido

Calcular o índice de dependência total

Na pirâmide do país jovem (Fig. 2), os jovens (0-14) são 37 % da população, os idosos (65+) 8 % e a população ativa (15-64) 55 %. Calcula o índice de dependência total e interpreta.

  1. 01Somar os dependentes

    Jovens + idosos = 37 % + 8 % = 45 % da população.

  2. 02Aplicar a fórmula

    (45 / 55) × 100 ≈ 82 dependentes por cada 100 ativos.

  3. 03Interpretação

    Há cerca de 82 dependentes por cada 100 ativos, a maioria jovens — o país terá de investir sobretudo em escolas e na criação de emprego.

Resultado: Índice de dependência total ≈ 82: por cada 100 ativos há cerca de 82 dependentes, predominantemente jovens.

Foco no Exame Nacional

  • Ler e interpretar uma pirâmide etária, identificando os três grupos etários e distinguindo uma pirâmide expansiva de uma regressiva.
  • Relacionar a forma da pirâmide com o nível de desenvolvimento do país e calcular o índice de dependência total.

Erros frequentes

  • Trocar os eixos da pirâmide: os grupos etários dispõem-se na vertical (dos jovens em baixo aos idosos em cima) e é o COMPRIMENTO das barras, não a sua altura, que mede o peso de cada grupo.
  • Calcular o índice de dependência dividindo pela população total: o denominador é apenas a população em idade ATIVA (15-64 anos).

Revisão ativa

Observa as pirâmides das Fig. 2 e Fig. 3 e indica, justificando pela forma, qual corresponde a um país em desenvolvimento e qual a um país desenvolvido.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Estruturas demográficas e pirâmides etárias) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Explosão demográfica e envelhecimento populacional#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-c-demografia-migracoes

País jovem e país envelhecido em confronto

País jovem vs país envelhecidoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · País jovem (em desenvolvimento) · País envelhecido (desenvolvido); Natalidade e mortalidade · Natalidade alta; mortalidade em queda · Natalidade baixa; mortalidade baixa; Forma da pirâmide etária · Base larga, topo estreito (expansiva) · Base estreita, topo largo (regressiva); Grupo etário dominante · Muitos jovens (0-14) · Muitos idosos (65+); Índice de dependência · Sobretudo de jovens (elevado) · Sobretudo de idosos (elevado e a crescer); Principal desafio económico · Criar emprego e escolarizar os jovens · Financiar pensões e saúde; escassez de ativosASPETOPAÍS JOVEM (EMDESENVOLVIMENTO)PAÍS ENVELHECIDO(DESENVOLVIDO)Natalidade e mortalidadeNatalidade alta; mortalidadeem quedaNatalidade baixa;mortalidade baixaForma da pirâmide etáriaBase larga, topo estreito(expansiva)Base estreita, topo largo(regressiva)Grupo etário dominanteMuitos jovens (0-14)Muitos idosos (65+)Índice de dependênciaSobretudo de jovens(elevado)Sobretudo de idosos (elevadoe a crescer)Principal desafio económicoCriar emprego e escolarizaros jovensFinanciar pensões e saúde;escassez de ativosDois perfis demográficos
Fig. 5Fig. 5 — Dois perfis demográficos e os desafios económicos que cada um coloca.

Pontos-chave

A explosão demográfica é o crescimento muito rápido da população que caracteriza a segunda fase da transição demográfica. Afeta sobretudo os países em desenvolvimento, onde a mortalidade caiu depressa mas a natalidade se mantém alta. As suas consequências económicas são ambivalentes: por um lado, pressão sobre os recursos, os serviços (escolas, saúde) e o mercado de trabalho, com risco de desemprego e pobreza; por outro, uma população jovem e numerosa pode constituir um «dividendo demográfico» se houver investimento em educação e criação de emprego que a torne produtiva.
O envelhecimento populacional é o aumento do peso dos idosos (65 e mais anos) no total da população. Resulta de dois movimentos convergentes — a quebra da natalidade, que estreita a base da pirâmide («envelhecimento na base»), e o aumento da esperança média de vida, que alarga o topo («envelhecimento no topo»). É o quadro dos países desenvolvidos e, de forma acentuada, de Portugal, cuja pirâmide se tornou regressiva.
Para separar as duas situações usam-se o índice de dependência de JOVENS e o índice de dependência de IDOSOS (ver fórmulas e Fig. 4). Num país jovem, o índice de dependência de jovens é elevado e o de idosos baixo; num país envelhecido, sucede o inverso. Comparar os dois índices diz-nos QUE TIPO de dependência domina e, portanto, que políticas o país precisa de adotar: mais escolas e emprego, ou mais pensões e cuidados de saúde.

Dependência de jovens e de idosos: país jovem vs país envelhecido

Índices de dependênciaGráfico de colunas: Dependentes por 100 ativos, Dados: Dependência de jovens · País jovem: 67; Dependência de jovens · País envelhecido: 21; Dependência de idosos · País jovem: 15; Dependência de idosos · País envelhecido: 300102030405060País jovemPaís envelh…67152130Dependentes por 100 ativosDependência de jove…Dependência de idos…
Fig. 4Fig. 4 — No país jovem predomina a dependência de jovens (67 contra 15); no país envelhecido, a de idosos (30 contra 21). Valores ilustrativos, em dependentes por 100 ativos.
As consequências económicas do envelhecimento são exigentes: menos população ativa para sustentar mais reformados coloca em causa a sustentabilidade dos sistemas de pensões por repartição e da segurança social; aumentam as despesas com saúde e cuidados de longa duração; a força de trabalho encolhe e envelhece, o que pode travar a produtividade e o crescimento. Entre as respostas contam-se o aumento da idade da reforma, o incentivo à natalidade, os ganhos de produtividade e o recurso à imigração — o que liga diretamente o envelhecimento aos fluxos migratórios.
Iˊndice de dependeˆncia de jovens=jovens (0-14)populac¸a˜o ativa (15-64)×100\text{Índice de dependência de jovens} = \dfrac{\text{jovens (0-14)}}{\text{população ativa (15-64)}} \times 100Iˊndice de dependeˆncia de jovens=populac¸​a˜o ativa (15-64)jovens (0-14)​×100

Índice de dependência de jovens

Jovens por cada 100 pessoas em idade ativa; é elevado nos países demograficamente jovens.

Iˊndice de dependeˆncia de idosos=idosos (65+)populac¸a˜o ativa (15-64)×100\text{Índice de dependência de idosos} = \dfrac{\text{idosos (65+)}}{\text{população ativa (15-64)}} \times 100Iˊndice de dependeˆncia de idosos=populac¸​a˜o ativa (15-64)idosos (65+)​×100

Índice de dependência de idosos

Idosos por cada 100 pessoas em idade ativa; é elevado e crescente nos países envelhecidos.

Exemplo resolvido

Comparar a dependência de idosos

No país jovem, os idosos (65+) são 8 % e os ativos 55 %; no país envelhecido, os idosos são 20 % e os ativos 66 %. Calcula o índice de dependência de idosos em cada um e comenta.

  1. 01País jovem

    (8 / 55) × 100 ≈ 15. Cerca de 15 idosos por cada 100 ativos.

  2. 02País envelhecido

    (20 / 66) × 100 ≈ 30. Cerca de 30 idosos por cada 100 ativos — o dobro.

  3. 03Conclusão

    O país envelhecido tem de sustentar o dobro dos idosos por cada ativo, o que pressiona as pensões e a saúde; o país jovem enfrenta antes a dependência de jovens.

Resultado: ≈15 (país jovem) contra ≈30 (país envelhecido): o país envelhecido sustenta o dobro dos idosos por 100 ativos.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir a explosão demográfica do envelhecimento populacional, associando cada fenómeno ao respetivo tipo de país e fase da transição.
  • Avaliar as consequências económicas do envelhecimento (pensões, saúde, força de trabalho) e calcular e comparar os índices de dependência de jovens e de idosos.

Erros frequentes

  • Confundir o envelhecimento no topo (aumento da esperança de vida) com o envelhecimento na base (quebra da natalidade): o envelhecimento das sociedades desenvolvidas resulta dos DOIS em simultâneo.
  • Supor que uma população jovem é sempre uma vantagem: só se traduz em «dividendo demográfico» se houver emprego e educação; caso contrário, gera desemprego e pressão social.

Revisão ativa

Explica por que o envelhecimento populacional ameaça a sustentabilidade dos sistemas de pensões e indica duas medidas para lhe responder.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Explosão demográfica e envelhecimento populacional) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Os fluxos migratórios e as suas consequências#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-c-demografia-migracoes

Pontos-chave

Os movimentos migratórios são as deslocações de pessoas que implicam mudança de residência. Distinguem-se as migrações INTERNAS (dentro do mesmo país, por exemplo do interior para o litoral, o êxodo rural) das migrações EXTERNAS, ou internacionais (entre países), que envolvem emigração (saída) e imigração (entrada). A diferença entre entradas e saídas é o saldo migratório, que, somado ao crescimento natural, dá o crescimento efetivo da população. Entre os migrantes internacionais distinguem-se ainda os migrantes económicos, que procuram melhores condições de vida, dos refugiados, que fogem de guerras, perseguições ou catástrofes e gozam de proteção internacional.
As causas das migrações costumam organizar-se em fatores de REPULSÃO na origem (desemprego, baixos salários, pobreza, falta de perspetivas, conflitos, perseguições, catástrofes ambientais) e fatores de ATRAÇÃO no destino (emprego, salários mais altos, segurança, melhores serviços, reagrupamento familiar). O diferencial de desenvolvimento entre países é, assim, o grande motor dos fluxos migratórios internacionais (Fig. 6).

Das causas às consequências das migrações

Causas e consequências das migraçõesGrafo, Causas económicas (desemprego, baixos salários) → Migrações (internas e externas), Causas políticas e ambientais (conflitos, catástrofes) → Migrações (internas e externas), Migrações (internas e externas) → Origem: remessas (+), Migrações (internas e externas) → Origem: fuga de cérebros (−), Migrações (internas e externas) → Acolhimento: reforço da força de trabalho (+), Migrações (internas e externas) → Acolhimento: pressão sobre os serviços (−)Causaseconómicas(desemprego, ba…Causas políticase ambientais(conflitos, cat…Migrações(internas eexternas)Origem: remessas(+)Origem: fuga decérebros (−)Acolhimento:reforço da forçade trabalho (+)Acolhimento:pressão sobre osserviços (−)
Fig. 6Fig. 6 — As causas geram os fluxos migratórios, que produzem consequências distintas, e de sinal duplo, nos países de origem e de acolhimento.
Para o país de ORIGEM, as consequências são ambivalentes. Positivas: o alívio do desemprego e da pressão demográfica e, sobretudo, as remessas dos emigrantes — transferências de dinheiro para as famílias que, em muitos países, representam uma fração importante do rendimento nacional e um contributo relevante para a balança de pagamentos. Negativas: a perda de população em idade ativa e, em especial, a fuga de cérebros (brain drain) — a saída dos mais qualificados (médicos, engenheiros, investigadores), em cuja formação o país investiu e cujo talento passa a beneficiar o país de acolhimento.
Para o país de ACOLHIMENTO, o balanço é igualmente duplo. Positivas: o reforço da força de trabalho, muitas vezes em setores com falta de mão de obra, o rejuvenescimento da população e a atenuação do envelhecimento, as contribuições para a segurança social e o enriquecimento cultural. Negativas, ou desafios: a pressão sobre os serviços públicos e a habitação no curto prazo, as dificuldades de integração e eventuais tensões sociais. Bem geridos, os fluxos migratórios podem, ainda assim, funcionar como resposta parcial ao envelhecimento dos países desenvolvidos, ligando este tema ao anterior.
Exemplo resolvido

Do crescimento natural ao crescimento efetivo

Um país envelhecido tem uma taxa de crescimento natural de −1‰ (a natalidade já é inferior à mortalidade) e regista um saldo migratório de +4‰. Qual é o crescimento efetivo da população? Comenta.

  1. 01Crescimento natural

    −1‰: por si só, a população diminuiria.

  2. 02Saldo migratório

    +4‰: entram mais pessoas do que as que saem (imigração líquida).

  3. 03Crescimento efetivo

    Crescimento natural + saldo migratório = −1‰ + 4‰ = +3‰. A população cresce graças à imigração.

  4. 04Interpretação

    Num país envelhecido, a imigração pode compensar um crescimento natural negativo e atenuar o envelhecimento da estrutura etária.

Resultado: Crescimento efetivo = −1‰ + 4‰ = +3‰: a imigração compensa o crescimento natural negativo.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar as migrações (internas e externas, económicas e refugiados) e distinguir os fatores de repulsão dos fatores de atração.
  • Avaliar as consequências das migrações para os países de origem (remessas, fuga de cérebros) e de acolhimento (força de trabalho, atenuação do envelhecimento, pressão social).

Erros frequentes

  • Confundir emigração (saída de pessoas de um país) com imigração (entrada de pessoas num país): o mesmo indivíduo é emigrante na origem e imigrante no destino.
  • Tratar todos os migrantes internacionais como refugiados: o refugiado foge de perseguição ou de conflito e goza de estatuto de proteção, distinto do migrante económico.

Revisão ativa

Distingue as consequências das migrações para o país de origem das consequências para o país de acolhimento, dando um exemplo positivo e um negativo para cada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (Movimentos da população e fluxos migratórios) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01A transição demográfica○
    • 02Estruturas demográficas e pirâmides etárias◐
    • 03Explosão demográfica e envelhecimento populacional●
    • 04Os fluxos migratórios e as suas consequências●

0/4 Lidos

Dos resumos à prática

Estruturas demográficas e fluxos migratórios

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Competências
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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Economia C — 12.º ano (A transição demográfica)

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