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Este domínio trata a diversidade cultural e o modo de viver com ela: a distinção entre multiculturalidade e interculturalidade, a escada que liga o estereótipo ao preconceito e à discriminação, as migrações e a diversidade em Portugal, e o diálogo intercultural, com destaque para a língua portuguesa no mundo e a CPLP. Sem Exame Nacional, o trabalho é transversal e a avaliação interna valoriza o respeito pela diferença, o combate à discriminação e a valorização do diálogo entre culturas.
4 secções~14 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 3
nível básico
Comum a todos os cursos: reconhecer a diversidade cultural como riqueza e respeitar a diferença, combatendo estereótipos e discriminação.
nível avançado
Aprofundamento: distinguir multi de interculturalidade, analisar a escada estereótipo-preconceito-discriminação e valorizar o papel da língua portuguesa e da CPLP.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Multiculturalidade e interculturalidade
Numa turma há alunos de várias origens culturais, mas cada grupo convive apenas entre si e quase não interage com os outros. Classifica a situação e propõe como a tornar intercultural.
Há diversidade cultural e coexistência (os grupos partilham o mesmo espaço), mas sem interação: é uma situação multicultural, não ainda intercultural.
Falta o essencial da interculturalidade: o encontro, a interação e o diálogo entre os grupos, num plano de igualdade.
Criar oportunidades de trabalho e partilha conjuntos — projetos de grupo mistos, apresentação de tradições, atividades cooperativas — que levem os alunos a conhecer-se e a construir algo em comum.
Resultado: A situação é multicultural (coexistência sem interação). Torna-se intercultural criando ocasiões concretas de diálogo e cooperação entre os grupos, transformando a diversidade numa aprendizagem partilhada.
Erros frequentes
Revisão ativa
Dá um exemplo, na tua escola ou comunidade, de uma situação apenas multicultural e explica o que seria preciso para a tornar intercultural.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) — Pluralismo e Diversidade Cultural (Direção-Geral da Educação (DGE))
Do estereótipo à discriminação
«As pessoas de determinada origem são pouco trabalhadoras» (afirmação); um empregador sente desconfiança perante candidatos dessa origem; e acaba por não os contratar só por isso. Identifica o estereótipo, o preconceito e a discriminação.
A afirmação «são pouco trabalhadoras» é um estereótipo: uma crença generalizada e redutora atribuída a todo um grupo, no plano das ideias.
A desconfiança sentida pelo empregador perante esses candidatos, com base no estereótipo e não no conhecimento de cada pessoa, é o preconceito — no plano da atitude.
Não os contratar apenas por causa da origem é a discriminação — a passagem ao comportamento, tratando alguém de forma injusta por pertencer a um grupo. É proibida por lei.
Resultado: O estereótipo é a crença («são pouco trabalhadoras»), o preconceito é a atitude (desconfiança) e a discriminação é o ato (não contratar por causa da origem). Distinguir os degraus permite combater a rejeição em cada um deles.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num caso à tua escolha, identifica o estereótipo, o preconceito e a discriminação, distinguindo o que é ideia, o que é atitude e o que é comportamento.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) — Pluralismo e Diversidade Cultural (Direção-Geral da Educação (DGE))
Emigração e imigração
Uma jovem portuguesa muda-se para França para trabalhar. Explica por que é, ao mesmo tempo, emigrante e imigrante, e indica o que favoreceria a sua integração.
Para Portugal, o país que ela deixa, é uma emigrante: saiu do seu país de origem para viver noutro.
Para França, o país que a acolhe, é uma imigrante: entrou e instalou-se num país que não é o seu de origem. É o mesmo movimento, visto dos dois lados.
Favorecem a integração o domínio da língua, o acesso a trabalho digno e a serviços (saúde, habitação), o respeito e a igualdade de oportunidades, e o acolhimento da sociedade francesa — a par do seu próprio esforço.
Resultado: A jovem é emigrante para Portugal e imigrante para França: o mesmo movimento, dois pontos de vista. A sua integração depende de fatores como a língua, o trabalho e o acolhimento — uma via de dois sentidos.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que uma pessoa que sai de Portugal para trabalhar noutro país é, ao mesmo tempo, emigrante e imigrante, e indica duas condições que favorecem a sua integração no país de acolhimento.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) — Pluralismo e Diversidade Cultural (Direção-Geral da Educação (DGE))
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
Explica como o diálogo intercultural ajuda a combater estereótipos e ilustra, com a língua portuguesa, como uma mesma língua pode unir povos e culturas diferentes.
O estereótipo é uma generalização sobre um grupo; o diálogo intercultural põe-nos em contacto com pessoas reais desse grupo, cuja diversidade e individualidade desmentem a generalização — conhecer desfaz o preconceito.
A língua portuguesa é falada por povos de vários continentes (a CPLP reúne nove países). A mesma língua permite-lhes comunicar, partilhar literatura, música e ideias, criando laços apesar das distâncias e das diferenças.
Cada povo vive a língua à sua maneira (sotaques, palavras, expressões). Reconhecer essa variedade como riqueza, e não como erro, é aplicar a atitude intercultural à própria língua.
Resultado: O diálogo intercultural combate estereótipos porque o contacto real com o outro desfaz as generalizações. A língua portuguesa ilustra como uma língua partilhada une povos diversos (CPLP), sendo a sua variedade uma riqueza a valorizar.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica de que forma o diálogo intercultural ajuda a combater estereótipos e dá um exemplo de como a língua portuguesa liga povos e culturas diferentes.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) — Pluralismo e Diversidade Cultural (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)