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Trata como a Sociologia produz conhecimento com rigor: as estratégias de investigação (intensiva, extensiva e investigação-ação), as etapas da pesquisa (da pergunta de partida ao modelo de análise), as técnicas de recolha de dados (documental, análise de conteúdo, observação, entrevista, questionário) e as exigências de objetividade, ética e fontes fidedignas, com a distinção decisiva entre correlação e causa. Matéria de avaliação interna — Sociologia não tem Exame Final Nacional.
4 secções~15 min de leitura3 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Conhecer as etapas de uma pesquisa e as principais técnicas de recolha de dados, e distinguir o quantitativo do qualitativo.
nível avançado
Justificar a adequação da estratégia ao problema, construir um modelo de análise (variáveis e hipóteses) e fundamentar a objetividade e a distinção correlação/causa.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Estratégia extensiva e estratégia intensiva
Uma investigadora quer saber se o uso intensivo das redes sociais se associa a maior sentimento de solidão entre os adolescentes, e ainda como estes descrevem essa relação. Indica que estratégia(s) usar e porquê.
Há duas dimensões: uma de medição e associação («associa-se a maior solidão?») e outra de sentido («como descrevem essa relação?»).
Para a associação, escolhe-se a estratégia extensiva: um questionário a uma amostra ampla, medindo uso das redes e sentimento de solidão como variáveis.
Para o sentido, escolhe-se a estratégia intensiva: entrevistas a alguns adolescentes, explorando como vivem essa relação.
Resultado: A pergunta pede triangulação: uma abordagem extensiva (questionário) para medir a associação e uma abordagem intensiva (entrevistas) para compreender o sentido. Justificar a escolha pela pergunta — e não pela preferência — é o que distingue a boa metodologia.
Erros frequentes
Revisão ativa
Para a pergunta «como vivem os idosos que moram sozinhos a sua solidão?», indica e justifica qual das estratégias (intensiva, extensiva ou investigação-ação) é mais adequada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
As etapas da pesquisa sociológica
Numa investigação sobre a integração social dos idosos, mostra como se passa do conceito abstrato «integração social» a indicadores observáveis e a uma hipótese com as suas variáveis.
«Integração social» = grau de ligação de uma pessoa a redes e grupos sociais.
Dimensões: relações familiares, participação social, apoio. Indicadores: frequência de contactos com familiares, pertença a associações, número de amigos com quem convive.
Hipótese: «quanto maior a integração social, menor o sentimento de solidão». Variável independente: integração social (medida pelos indicadores); variável dependente: sentimento de solidão.
Resultado: Operacionalizar é traduzir um conceito abstrato em indicadores mensuráveis. Só depois de definida a integração por indicadores concretos é possível medi-la, relacioná-la (variável independente) com a solidão (variável dependente) e testar a hipótese.
Erros frequentes
Revisão ativa
Formula uma pergunta de partida e uma hipótese sobre a relação entre a origem social e as práticas culturais dos jovens, identificando a variável independente e a dependente.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Classificação das técnicas de recolha de dados
Inquérito por questionário e inquérito por entrevista
Uma equipa quer conhecer (a) a percentagem de jovens de um concelho que já sofreram cyberbullying e (b) como as vítimas vivem essa experiência. Indica e justifica as técnicas a usar em cada caso.
Usa-se o inquérito por questionário a uma amostra representativa dos jovens do concelho: permite calcular percentagens e comparar grupos.
Usa-se o inquérito por entrevista a algumas vítimas: perguntas abertas para captar o sentido e as consequências da experiência.
Sendo um tema sensível com menores, garante-se o consentimento, o anonimato e o apoio; usam-se dados oficiais fidedignos como enquadramento.
Resultado: A extensão mede-se com questionário (quantitativo); o sentido compreende-se com entrevista (qualitativo). A técnica escolhe-se pela pergunta e pela estratégia — e, num tema sensível, com especial cuidado ético e com fontes fidedignas.
Erros frequentes
Revisão ativa
Para estudar como os manuais escolares representam os papéis de homens e mulheres, indica e justifica a técnica de recolha mais adequada.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Distribuição de respostas de um inquérito (exemplo ilustrativo)
Correlação não é causa
Frequência relativa (exemplo ilustrativo)
n é o número de casos de uma categoria e N o total da amostra. A frequência relativa (em percentagem) permite comparar grupos de dimensão diferente — um instrumento básico do tratamento de dados. Se, numa amostra de 250 inquiridos, 90 participam em associações, a frequência relativa é 90/250 × 100 = 36 %.
Um estudo verifica que os alunos que têm mais livros em casa têm melhores notas e conclui: «ter livros em casa causa melhores notas». Avalia a conclusão.
O estudo mostra uma correlação: número de livros em casa e notas variam em conjunto. Não manipulou nada — não é uma experiência.
O capital cultural e a origem social da família podem causar ambas as coisas: famílias com mais capital cultural têm mais livros E apoiam mais o percurso escolar.
Da correlação não decorre a causa: os livros podem ser um indicador do capital cultural, não a sua causa direta. Concluir causalidade é ilegítimo sem controlar a origem social.
Resultado: A conclusão é indevida: confunde correlação com causa. Uma terceira variável (o capital cultural da família) explica plausivelmente tanto os livros como as notas. A leitura rigorosa dos dados exige sempre perguntar se há fatores por detrás da associação observada.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que, de «os países com mais telemóveis têm maior esperança de vida», não se pode concluir que os telemóveis aumentam a esperança de vida.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)