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Resumos · SociologiaPT · Secundário

Instituições e processos sociais

Estuda como a sociedade se organiza e se mantém: a relação entre valores, normas e comportamentos, as instituições sociais e as suas funções (manifestas e latentes), a ordem e o controlo social, o desvio (Durkheim, Merton, Becker) e os processos sociais (cooperação, competição, conflito), articulados com as dinâmicas de consenso e conflito e com a reprodução e a mudança. Matéria de avaliação interna — Sociologia não tem Exame Final Nacional.

4 secções·~15 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0555 / 10
Perfil de exame
Relacionar valores, normas e comportamentos e caracterizar as instituições e as suas funções (manifestas e latentes)Articular os conceitos de ordem social, controlo social e desvio socialRelacionar o papel das instituições e da ação social com as dinâmicas de consenso e conflito e com a reprodução e a mudança
Operadores:relacionaarticulaexplicitacaracterizadistingueproblematiza

nível básico

Relacionar valores, normas e comportamentos e conhecer o controlo social e o desvio.

nível avançado

Articular ordem, controlo e desvio (Durkheim, Merton, Becker) e relacionar as instituições com as dinâmicas de consenso, conflito, reprodução e mudança.

Profundidade

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Instituições e processos sociais
    • 01Valores, normas e instituições sociais○
    • 02Ordem social e controlo social◐
    • 03O desvio social: anomia, tipologia de Merton e rotulagem●
    • 04Processos sociais e as dinâmicas de consenso e conflito◐
§ 01

Valores, normas e instituições sociais#

●○○BaseLPAE-sociologia-instituicoes-e-processos

Pontos-chave

A vida social é ordenada porque assenta numa articulação entre valores, normas e comportamentos, representada na Fig. 1. Os valores são as conceções do desejável — aquilo que uma sociedade considera bom, justo ou importante (a honestidade, a solidariedade, o mérito). As normas são as regras de conduta que traduzem esses valores em condutas esperadas: dizem, em concreto, o que se deve e o que não se deve fazer. E os comportamentos são as ações efetivas dos indivíduos, orientadas (embora nem sempre) por essas normas. Os valores dão o sentido; as normas dão a regra; os comportamentos são a sua realização prática.

Valores, normas, comportamentos e instituições

Valores, normas, instituiçõesGrafo, Valores (o desejável) → Normas (regras de conduta), Normas (regras de conduta) → Comportamentos (ações), Comportamentos (ações) → Instituições (padrões estáveis)Valores (odesejável)Normas (regrasde conduta)Comportamentos(ações)Instituições(padrõesestáveis)
Fig. 1Fig. 1 — Dos valores às instituições: como a sociedade se ordena.
As normas variam em força e em formalidade. Há costumes (usos correntes, como cumprimentar), normas morais (mais exigentes, ligadas à consciência), e leis (normas formais, escritas, com sanções oficiais). A violação de cada tipo tem consequências diferentes: quebrar um costume gera estranheza; violar uma norma moral gera reprovação; infringir uma lei acarreta sanção jurídica. Compreender esta gradação é essencial, porque nem toda a norma é uma lei e nem todo o desvio é um crime — a maior parte da regulação social faz-se por normas informais, interiorizadas na socialização.
Quando valores, normas, papéis e práticas se organizam de forma estável e duradoura em torno de uma necessidade social fundamental, temos uma instituição social. A família, a escola, a religião, o Estado, a economia são instituições: padrões de conduta estabelecidos e reconhecidos que regulam áreas centrais da vida coletiva e transcendem os indivíduos concretos (mudam as pessoas, a instituição permanece). As instituições dão estabilidade e previsibilidade à vida social — asseguram que as funções essenciais (socializar, produzir, governar, dar sentido) sejam desempenhadas de modo regular.
O sociólogo Robert Merton mostrou que as instituições têm funções manifestas e funções latentes, distinguidas na Fig. 2. As funções manifestas são as consequências previstas e reconhecidas de uma instituição ou prática (a escola existe para instruir). As funções latentes são consequências não previstas e frequentemente não reconhecidas, mas reais (a escola também «guarda» as crianças enquanto os pais trabalham, cria redes de amizade e, como se verá, reproduz desigualdades). Merton acrescentou ainda a noção de disfunção: consequências negativas para o funcionamento do todo. Distinguir estes níveis permite uma análise mais fina — o que uma instituição diz que faz nem sempre coincide com tudo o que realmente faz.

Funções manifestas e latentes (Merton)

Funções manifestas e latentesTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Instituição / prática · Função manifesta · Função latente; Escola · Instruir e certificar saberes · Guardar as crianças e reproduzir desigualdades; Exame de condução · Verificar a aptidão para conduzir · Regular o acesso à estrada; Festa ou ritual · Celebrar uma data ou crença · Reforçar a coesão e a identidade do grupo, célula destacada: Guardar as crianças e reproduzir desigualdadesINSTITUIÇÃO / PRÁTICAFUNÇÃO MANIFESTAFUNÇÃO LATENTEESCOLAInstruir e certificarsaberesGuardar as crianças ereproduzir desigualdadesEXAME DE CONDUÇÃOVerificar a aptidão paraconduzirRegular o acesso à estradaFESTA OU RITUALCelebrar uma data ou crençaReforçar a coesão e aidentidade do grupo
Fig. 2Fig. 2 — Merton: o que uma instituição diz que faz e o que também faz.
Exemplo resolvido

Analisar uma instituição com Merton

Aplica a distinção entre funções manifestas, latentes e disfunções à instituição «desporto escolar».

  1. 01Funções manifestas

    Previstas e assumidas: promover a atividade física, ensinar modalidades, desenvolver a saúde e o espírito de equipa.

  2. 02Funções latentes

    Não previstas, mas reais: criar amizades e redes, reforçar a identidade da escola, ocupar tempo livre, detetar talentos.

  3. 03Disfunções possíveis

    Consequências negativas: excesso de competitividade, exclusão dos menos aptos, lesões — efeitos que prejudicam alguns dos objetivos.

Resultado: O desporto escolar tem funções manifestas (saúde, formação), latentes (sociabilidade, identidade) e possíveis disfunções (exclusão, competitividade excessiva). A análise de Merton mostra que uma instituição faz sempre mais — e por vezes o contrário — do que aquilo que declara.

Foco no Exame Nacional

  • Relacionar valores, normas e comportamentos e caracterizar a instituição social.
  • Distinguir funções manifestas de latentes (Merton), com exemplos.

Erros frequentes

  • Confundir valor (o desejável), norma (a regra) e comportamento (a ação efetiva).
  • Reduzir uma instituição às suas funções manifestas, ignorando as funções latentes e as disfunções.

Revisão ativa

Escolhe uma instituição (a escola, a família ou o desporto) e identifica duas funções manifestas e duas funções latentes.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Ordem social e controlo social#

●●○PadrãoLPAE-sociologia-instituicoes-e-processos

Pontos-chave

Como é possível a ordem social — o facto de, na maior parte do tempo, as pessoas se comportarem de forma previsível e cooperante, sem caos permanente? A resposta sociológica é dupla. Primeiro, pela socialização: ao interiorizarmos os valores e as normas, passamos a cumpri-los espontaneamente, por convicção, sem necessidade de vigilância externa — a ordem é, em grande parte, interior. Segundo, pelo controlo social: o conjunto de mecanismos pelos quais a sociedade encoraja a conformidade às normas e desencoraja o desvio. Socialização e controlo social são, assim, os dois pilares que sustentam a ordem, um por dentro e outro por fora.
O controlo social exerce-se de duas formas, comparadas na Fig. 3. O controlo social informal é exercido pelos grupos próximos — a família, os amigos, os colegas, a comunidade — através de meios difusos: a aprovação e a reprovação, o elogio e a censura, o olhar, o gozo, a exclusão. É o mais constante e, muitas vezes, o mais eficaz, porque nos importa a opinião daqueles com quem convivemos. O controlo social formal é exercido por instituições especializadas — as leis, a polícia, os tribunais, os regulamentos — através de regras escritas e de sanções oficiais. É acionado sobretudo quando o controlo informal falha e o desvio é grave.

Controlo social informal e formal

Controlo informal vs formalTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Aspeto · Controlo social informal · Controlo social formal; Quem exerce · Família, amigos, pares, comunidade · Instituições especializadas (leis, polícia, tribunais); Como · Aprovação e reprovação, olhares, elogio, censura · Regras escritas e sanções oficiais; Exemplo · A censura dos colegas a quem «fura» a fila · A multa por estacionar em local proibidoASPETOCONTROLO SOCIALINFORMALCONTROLO SOCIAL FORMALQUEM EXERCEFamília, amigos, pares,comunidadeInstituições especializadas(leis, polícia, tribunais)COMOAprovação e reprovação,olhares, elogio, censuraRegras escritas e sançõesoficiaisEXEMPLOA censura dos colegas a quem«fura» a filaA multa por estacionar emlocal proibido
Fig. 3Fig. 3 — Duas formas de controlo social: o informal (difuso) e o formal (institucional).
As sanções, positivas ou negativas, são os instrumentos do controlo. As sanções positivas recompensam a conformidade (um elogio, um prémio, uma promoção); as negativas punem o desvio (uma reprimenda, uma multa, uma pena). Nas sociedades modernas, grandes e complexas, o controlo formal ganha peso, porque o anonimato enfraquece o controlo informal que operava nas pequenas comunidades onde «toda a gente se conhecia». Mas o controlo informal continua a ser decisivo: a maior parte das nossas condutas é regulada não pelo medo da lei, mas pela importância que damos ao juízo dos outros.
A socialização e o controlo social ligam-se ainda aos processos de inclusão e de exclusão social. Ao integrar os indivíduos, transmitindo-lhes valores e papéis e ligando-os a grupos e instituições, a socialização inclui — dá lugar e pertença. Mas pode também excluir: quem não é bem socializado ou é rotulado como desviante pode ver-se afastado, marginalizado, privado de participação. O controlo social, ao definir o «normal» e o «desviante», traça fronteiras que incluem uns e excluem outros. Compreender a ordem social exige, por isso, ver as suas duas faces: a que integra e a que, por vezes, marginaliza — o que conduz diretamente ao estudo do desvio.
Exemplo resolvido

As duas faces do controlo

Um automobilista tende a respeitar o limite de velocidade. Analisa que mecanismos de controlo social — informais e formais — o levam a fazê-lo.

  1. 01Controlo interiorizado

    Pela socialização, o condutor interiorizou o valor da segurança: respeita o limite por convicção, sem precisar de vigilância.

  2. 02Controlo informal

    A reprovação dos passageiros, a preocupação da família, o juízo dos outros condutores encorajam a conformidade de forma difusa.

  3. 03Controlo formal

    As regras do código da estrada, os radares, as multas e a possibilidade de perder a carta são o controlo formal, acionado quando os anteriores falham.

Resultado: O respeito pelo limite resulta da soma de socialização (norma interiorizada), controlo informal (juízo dos próximos) e controlo formal (sanções legais). A ordem social apoia-se sobretudo na interiorização e no controlo informal, sendo o formal o último recurso.

Foco no Exame Nacional

  • Articular ordem social, socialização e controlo social (formal e informal).
  • Explicitar o papel da socialização e do controlo nos processos de inclusão e exclusão social.

Erros frequentes

  • Reduzir o controlo social ao controlo formal (polícia, leis), esquecendo o controlo informal, mais constante.
  • Pensar que a ordem social se mantém só pela força, ignorando a interiorização das normas pela socialização.

Revisão ativa

Descreve uma situação em que sentiste controlo social informal e outra de controlo social formal, identificando as sanções em jogo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O desvio social: anomia, tipologia de Merton e rotulagem#

●●●AprofundamentoLPAE-sociologia-instituicoes-e-processos

Pontos-chave

Desvio social é toda a conduta que se afasta das normas de um grupo e suscita uma reação de controlo. O primeiro cuidado sociológico é reconhecer que o desvio é relativo: não há atos desviantes «em si» — o que é desvio depende das normas de cada sociedade e época (o que num contexto é crime, noutro é aceite). O desvio define-se pela relação entre um ato e uma norma, não por uma qualidade intrínseca do ato. Por isso a Sociologia não pergunta apenas «porque é que alguns desviam?», mas também «como é que uma sociedade define e trata o desvio?».
Émile Durkheim deu um contributo surpreendente: o desvio (ou o crime) é um facto social normal, presente em todas as sociedades, e cumpre até funções — ao reagir contra ele, a sociedade reafirma as suas normas e reforça a coesão; e alguma transgressão é condição de mudança e inovação. Durkheim ligou o desvio à anomia: um estado de enfraquecimento ou ausência de normas claras, típico de períodos de crise ou de transformação rápida, em que os indivíduos ficam sem referências e a regulação social se quebra. A anomia mostra que o excesso de desvio não é falha individual, mas sintoma de um problema na própria regulação social.
Robert Merton reformulou a anomia para as sociedades modernas: o desvio surge quando há um desajuste entre os objetivos culturais valorizados (por exemplo, o sucesso material) e os meios legítimos de os alcançar, distribuídos de forma desigual. Da tensão entre fins e meios resulta a sua célebre tipologia de adaptação, na Fig. 4: conformidade (aceita fins e meios), inovação (aceita os fins, usa meios ilegítimos — a via para muito crime), ritualismo (abandona os fins, cumpre os meios), evasão ou retraimento (rejeita ambos) e rebelião (substitui fins e meios por outros). Só a conformidade não é desvio.

A tipologia da adaptação de Merton

Tipologia de MertonTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Modo de adaptação · Objetivos culturais · Meios legítimos; Conformidade · Aceita · Aceita; Inovação · Aceita · Rejeita; Ritualismo · Rejeita · Aceita; Evasão (retraimento) · Rejeita · Rejeita; Rebelião · Substitui por outros · Substitui por outros, célula destacada: RejeitaMODO DE ADAPTAÇÃOOBJETIVOS CULTURAISMEIOS LEGÍTIMOSCONFORMIDADEAceitaAceitaINOVAÇÃOAceitaRejeitaRITUALISMORejeitaAceitaEVASÃO(RETRAIMENTO)RejeitaRejeitaREBELIÃOSubstitui por outrosSubstitui por outros
Fig. 4Fig. 4 — Merton: os modos de adaptação à tensão entre fins e meios (só a conformidade não é desvio).
Uma terceira perspetiva desloca o olhar do desviante para a reação social: a teoria da rotulagem (labelling), de Howard Becker. Para Becker, o desvio não é uma qualidade do ato, mas o resultado de este ser rotulado como desviante por outros: «o desviante é aquele a quem o rótulo foi aplicado com sucesso». O rótulo tem efeitos — quem é etiquetado como «delinquente» pode ver reduzidas as suas oportunidades, ser tratado em função do rótulo e acabar por assumir uma «carreira desviante», confirmando-o. As três perspetivas completam-se: Durkheim mostra a função e a anomia, Merton a estrutura de fins e meios, Becker a construção social do desvio pela reação. Juntas, evitam o erro do senso comum de reduzir o desvio a uma «maldade» individual.
Exemplo resolvido

Três olhares sobre o desvio

Um jovem de um bairro com poucas oportunidades envolve-se em tráfico para «ter sucesso». Analisa o caso com Durkheim (anomia), Merton (tipologia) e Becker (rotulagem).

  1. 01Durkheim (anomia)

    Num contexto de crise e de enfraquecimento das normas e das oportunidades, a regulação social falha — há anomia, que favorece o desvio; este não é mera falha individual.

  2. 02Merton (inovação)

    O jovem aceita o objetivo cultural (o sucesso material) mas não tem acesso aos meios legítimos (emprego, escola); recorre a meios ilegítimos — é o modo «inovação».

  3. 03Becker (rotulagem)

    Uma vez rotulado como «delinquente», vê-se tratado em função do rótulo, com menos oportunidades, o que pode consolidar uma carreira desviante.

Resultado: O caso combina anomia (falha de regulação e de oportunidades), a adaptação por inovação (fins aceites, meios ilegítimos) e a rotulagem (o rótulo que reforça o desvio). Os três olhares mostram o desvio como fenómeno social, não como simples «maldade» individual.

Foco no Exame Nacional

  • Articular ordem, controlo e desvio social e explicar a relatividade do desvio.
  • Distinguir os contributos de Durkheim (anomia, função), Merton (tipologia) e Becker (rotulagem).

Erros frequentes

  • Ver o desvio como uma qualidade intrínseca de certos atos, ignorando que depende das normas e da reação social.
  • Confundir os modos de adaptação de Merton (por exemplo, inovação com rebelião) ou reduzir o desvio a «maldade» individual.

Revisão ativa

Explica, com a tipologia de Merton, por que a pressão para o sucesso material pode gerar comportamentos desviantes (inovação) em quem não dispõe de meios legítimos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Processos sociais e as dinâmicas de consenso e conflito#

●●○PadrãoLPAE-sociologia-instituicoes-e-processos

Pontos-chave

A interação entre indivíduos e grupos desenrola-se através de processos sociais — as formas recorrentes como as pessoas se relacionam. Classificam-se, na Fig. 5, em processos associativos (que aproximam e integram) e dissociativos (que opõem e afastam). Entre os associativos contam-se a cooperação (agir em conjunto para um fim comum), a acomodação (ajustar-se para reduzir um conflito, sem o resolver de todo) e a assimilação (a fusão progressiva de grupos, que passam a partilhar uma cultura comum). Entre os dissociativos, a competição (disputa por bens escassos segundo regras) e o conflito (oposição aberta em que cada parte procura vencer ou eliminar a outra).

Os processos sociais

Processos sociaisDiagrama em árvore, 5 caminhos, Dados: Associativos (aproximam) → Cooperação; Associativos (aproximam) → Acomodação; Associativos (aproximam) → Assimilação; Dissociativos (opõem) → Competição; Dissociativos (opõem) → ConflitoAssociativos …Dissociativos…Processos soc…CooperaçãoAcomodaçãoAssimilaçãoCompetiçãoConflito
Fig. 5Fig. 5 — Processos sociais associativos (aproximam) e dissociativos (opõem).
Estes processos coexistem e alternam na vida social: numa mesma relação há cooperação e competição, consenso e conflito. Não se deve valorizar em bloco uns e desvalorizar outros: a cooperação é essencial à vida coletiva, mas a competição pode estimular, e o conflito, longe de ser sempre destrutivo, é muitas vezes o motor da mudança e da conquista de direitos (as lutas sociais alargaram a cidadania). O olhar sociológico analisa como e quando cada processo ocorre, e com que efeitos, em vez de os julgar moralmente.
Ao nível teórico, o modo como se concebe o papel das instituições e da ação social depende de duas grandes perspetivas, comparadas na Fig. 6. A perspetiva do consenso (o funcionalismo, na linha de Durkheim e Talcott Parsons) vê a sociedade como um todo integrado por valores partilhados, em que as instituições cumprem funções que asseguram a coesão e o equilíbrio; a mudança é gradual e tende a restabelecer esse equilíbrio. A perspetiva do conflito (na linha de Marx) vê a sociedade como um campo de grupos com interesses opostos, em que as instituições servem sobretudo os dominantes; a mudança resulta do conflito e pode ser profunda.

Consenso e conflito: duas perspetivas

Consenso vs conflitoTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Perspetiva do consenso · Perspetiva do conflito; Autores · Durkheim, Parsons (funcionalismo) · Marx (teorias do conflito); A sociedade é · Um todo integrado por valores partilhados · Um campo de grupos com interesses opostos; As instituições · Cumprem funções e asseguram a coesão · Servem sobretudo os grupos dominantes; A mudança · Gradual, restabelece o equilíbrio · Resulta do conflito e pode ser profundaASPETOPERSPETIVA DO CONSENSOPERSPETIVA DO CONFLITOAUTORESDurkheim, Parsons(funcionalismo)Marx (teorias do conflito)A SOCIEDADE ÉUm todo integrado porvalores partilhadosUm campo de grupos cominteresses opostosAS INSTITUIÇÕESCumprem funções e assegurama coesãoServem sobretudo os gruposdominantesA MUDANÇAGradual, restabelece oequilíbrioResulta do conflito e podeser profunda
Fig. 6Fig. 6 — Duas grandes perspetivas sobre as instituições e a mudança social.
As instituições e a ação social articulam-se, assim, com as dinâmicas de reprodução e de mudança. Pela perspetiva do consenso, as instituições tendem a reproduzir a ordem e a integrar; pela do conflito, reproduzem sobretudo as relações de dominação — mas o conflito e a ação coletiva podem transformá-las. As duas perspetivas não têm de ser vistas como exclusivas: cada uma ilumina aspetos reais (a coesão e a função; o poder e o conflito), e a Sociologia contemporânea combina-as para compreender por que as sociedades, ao mesmo tempo, se mantêm e se transformam. É esta dupla dinâmica — reprodução e mudança — que o tópico seguinte aprofunda.
Exemplo resolvido

Ler uma greve sociologicamente

Numa empresa, os trabalhadores fazem greve por melhores salários; depois negoceiam e chegam a um acordo. Analisa o caso com os processos sociais e as perspetivas do consenso e do conflito.

  1. 01Processos dissociativos

    A greve é uma forma de conflito (oposição aberta de interesses) precedida de competição por recursos (salários).

  2. 02Processos associativos

    A negociação e o acordo são acomodação (ajuste que reduz o conflito) e cooperação para retomar a atividade.

  3. 03As duas perspetivas

    A perspetiva do conflito vê a greve como expressão da oposição de interesses entre capital e trabalho; a do consenso, como um mecanismo que, resolvido, restabelece o equilíbrio da empresa.

Resultado: A greve combina processos dissociativos (conflito, competição) e associativos (acomodação, cooperação) e pode ser lida pelas duas perspetivas: como conflito de interesses e como via para um novo equilíbrio. O conflito revela-se, aqui, motor de mudança e de conquista de direitos.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar os processos sociais (cooperação, competição, conflito, acomodação, assimilação).
  • Relacionar o papel das instituições e da ação social com as dinâmicas de consenso e conflito e com a reprodução e a mudança.

Erros frequentes

  • Julgar que o conflito é sempre negativo e a cooperação sempre positiva, ignorando o papel do conflito na mudança social.
  • Tratar a perspetiva do consenso e a do conflito como se uma fosse «verdadeira» e a outra «falsa», em vez de complementares.

Revisão ativa

Escolhe um fenómeno social (por exemplo, uma greve ou uma campanha por um direito) e identifica nele processos sociais associativos e dissociativos e as perspetivas do consenso e do conflito.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Valores, normas e instituições sociais○
    • 02Ordem social e controlo social◐
    • 03O desvio social: anomia, tipologia de Merton e rotulagem●
    • 04Processos sociais e as dinâmicas de consenso e conflito◐

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Dos resumos à prática

Instituições e processos sociais

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Sociologia — 12.º ano

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