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Abre o tema «À Descoberta do Ser» com os processos que constroem o nosso mundo interior a partir da informação: a sensação e a perceção (da estimulação à experiência), a atenção (o que selecionamos) e a memória (como guardamos, organizamos, evocamos e esquecemos). Mostra-se que percecionar e recordar são atos ativos de construção. Matéria de avaliação interna — Psicologia B não tem Exame Final Nacional.
5 secções~17 min de leitura3 competênciasNível Base 1 · Padrão 3 · Aprofundamento 1
nível básico
Distinguir sensação de perceção, conhecer os tipos de memória e compreender que percecionar e recordar não são cópias passivas.
nível avançado
Explicar a perceção com as leis da Gestalt, o modelo multi-armazém e a memória de trabalho, e fundamentar o esquecimento e a reconstrução da memória.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Da sensação à perceção
Duas pessoas ouvem a mesma sequência de sons numa língua estrangeira: uma reconhece palavras, a outra não. Explica com os conceitos de sensação e perceção.
As ondas sonoras que chegam aos ouvidos são as mesmas para ambas: a sensação auditiva é idêntica.
Quem conhece a língua organiza esses sons em palavras e significados (processamento descendente); quem não a conhece ouve sons sem os reconhecer.
A diferença não está nos sentidos, mas na perceção — na interpretação orientada pelo conhecimento prévio.
Resultado: Ambas têm a mesma sensação auditiva, mas perceções diferentes: só quem domina a língua organiza os sons em palavras com significado. A perceção acrescenta à sensação organização e sentido, dependentes do conhecimento.
Erros frequentes
Revisão ativa
Distingue sensação de perceção no ato de ouvir uma canção numa língua que se conhece e numa língua desconhecida.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Leis de organização da Gestalt
Numa figura, um triângulo branco «aparece» claramente embora não esteja desenhado (só há três círculos com cortes). Explica o fenómeno com a perceção como construção.
Fisicamente, há apenas três formas com cortes; não há contornos de triângulo desenhados.
Pela lei do fecho, o cérebro completa a figura, «fechando» os contornos ausentes e criando um triângulo ilusório.
A perceção acrescenta ao estímulo o que ele não tem, porque o cérebro procura a interpretação mais organizada — prova de que perceber é construir.
Resultado: O triângulo é construído pelo cérebro (lei do fecho), apesar de não existir no estímulo. A ilusão demonstra que a perceção não copia o mundo: organiza e completa os dados segundo regras próprias.
Erros frequentes
Revisão ativa
Identifica que leis da Gestalt explicam por que vemos «uma constelação» num conjunto de estrelas e um triângulo em três cantos incompletos.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A atenção como filtro seletivo
Um estudante diz que consegue estudar e responder a mensagens ao mesmo tempo sem perder rendimento. Avalia a afirmação com os conceitos de atenção.
Estudar e responder a mensagens são duas tarefas exigentes: exigem atenção dividida.
A atenção dividida é limitada; em tarefas exigentes há, na prática, alternância rápida com custos de tempo e de erro, não verdadeiro paralelismo.
Ao alternar, o material de estudo é atendido de forma fragmentada, o que prejudica a sua passagem à memória e a compreensão.
Resultado: A afirmação subestima os limites da atenção dividida: em tarefas exigentes, o «fazer as duas coisas» é alternância com custos, e a atenção fragmentada prejudica a memorização. Estudar com interrupções constantes reduz, de facto, o rendimento.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, com o efeito «cocktail party», o que é a atenção seletiva e por que o material não atendido não é totalmente ignorado.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))
O modelo multi-armazém da memória
Dois alunos preparam a mesma matéria: um repete as frases em voz alta muitas vezes; o outro relaciona os conceitos e faz um esquema. Prevê e explica os resultados na memória.
Repetir mecanicamente é processamento superficial: mantém a informação na memória de curto prazo, mas codifica-a mal para o longo prazo.
Relacionar e esquematizar é processamento profundo: dá significado e organização, o que melhora a codificação e cria pistas de evocação.
O segundo aluno reterá melhor e por mais tempo, e recuperará a matéria com mais facilidade.
Resultado: Pela teoria dos níveis de processamento, o aluno que relaciona e organiza codifica com mais profundidade e retém melhor do que o que apenas repete. Estudar com significado é mais eficaz do que decorar por repetição.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, com o modelo multi-armazém, o percurso de um número de telefone desde que se ouve até se fixar (ou se esquecer), e como o agrupamento ajuda.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A curva do esquecimento de Ebbinghaus
Um aluno estuda, na mesma noite e à pressa, História e Geografia com muitos nomes e datas parecidos, e no teste troca-os. Explica o que aconteceu.
Estudar em seguida dois conteúdos semelhantes gera interferência: as memórias competem e misturam-se.
A matéria de Geografia interfere com a de História e vice-versa (interferência retroativa e proativa), sobretudo por serem parecidas e mal consolidadas.
Distribuir o estudo no tempo, separar conteúdos semelhantes e rever de forma espaçada reduz a interferência e aproveita a consolidação.
Resultado: As trocas devem-se à interferência entre memórias semelhantes estudadas juntas e mal consolidadas. Espaçar o estudo, separar conteúdos parecidos e rever ao longo dos dias — em vez de amontoar na véspera — melhora a retenção.
Erros frequentes
Revisão ativa
A partir da curva do esquecimento, justifica por que é mais eficaz rever a matéria em sessões espaçadas do que estudar tudo na véspera.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)