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Resumos · Psicologia BPT · Secundário

Cognição e processo de pensamento humano

Estuda o pensamento: como formamos conceitos e categorias, raciocinamos e resolvemos problemas, e como a linguagem se relaciona com o pensar. Analisa as heurísticas e os enviesamentos cognitivos (Kahneman e Tversky) e os dois modos de pensar (sistema 1 e sistema 2), terminando na tomada de decisão, na metacognição e na criatividade. Matéria de avaliação interna — Psicologia B não tem Exame Final Nacional.

4 secções·~14 min de leitura·3 competências·Nível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0888 / 16
Perfil de exame
Caracterizar o pensamento e a sua relação com a linguagemDistinguir raciocínio, algoritmos e heurísticasReconhecer os principais enviesamentos cognitivos
Operadores:explicadistingueidentificaanalisarelaciona

nível básico

Compreender o que é pensar, a diferença entre algoritmos e heurísticas e a existência de enviesamentos.

nível avançado

Analisar enviesamentos concretos, distinguir os dois sistemas de pensamento e relacionar pensamento e linguagem.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Cognição e processo de pensamento humano
    • 01Pensamento, conceitos e linguagem○
    • 02Raciocínio e resolução de problemas◐
    • 03Heurísticas e enviesamentos cognitivos●
    • 04Decisão, metacognição e criatividade◐
§ 01

Pensamento, conceitos e linguagem#

●○○BaseLPAE-psicologia-b-pensamento

Pontos-chave

O pensamento é a atividade mental de manipular informação — representar, relacionar, transformar — para compreender, decidir e resolver problemas. Não trabalha sobre as coisas diretamente, mas sobre representações mentais delas. Entre os seus instrumentos, apresentados na Fig. 1, contam-se os conceitos e categorias, as imagens mentais e a linguagem. Pensar é, em grande medida, operar com estes materiais internos, o que permite ir muito além do que está presente aos sentidos: imaginar o ausente, planear o futuro, raciocinar sobre o abstrato.

Os instrumentos do pensamento

Instrumentos do pensamentoGrafo, Conceitos e categorias → Pensamento, Imagens mentais → Pensamento, Linguagem → PensamentoConceitos ecategoriasImagens mentaisLinguagemPensamento
Fig. 1Fig. 1 — O pensamento opera sobre representações internas: conceitos, imagens e linguagem.
Os conceitos são representações que agrupam objetos, acontecimentos ou ideias com características comuns, e as categorias são as classes que assim se formam. Categorizar é económico e indispensável: em vez de tratar cada coisa como única, reconhecemo-la como membro de uma classe («isto é um cão») e aplicamos-lhe o que sabemos da classe. Muitas categorias organizam-se em torno de exemplares típicos (protótipos): um pardal é um «pássaro» mais prototípico do que um pinguim. Sem conceitos, o pensamento seria impossível — mas a categorização também simplifica, o que, no domínio social, está na raiz dos estereótipos.
A linguagem tem uma relação estreita com o pensamento, embora não se confundam. É o principal instrumento para organizar, fixar e comunicar o pensamento, e permite manipular ideias abstratas com precisão. A hipótese de Sapir-Whorf sugeriu, na sua versão forte, que a língua que se fala determina o modo de pensar; hoje aceita-se sobretudo uma versão fraca — a língua influencia certos aspetos do pensamento e da atenção, mas não o determina rigidamente, e é possível pensar sem palavras (por imagens, por exemplo). Pensamento e linguagem influenciam-se mutuamente, sem que um se reduza ao outro.
Estudar o pensamento cabe à psicologia cognitiva, a corrente que, a partir de meados do século XX, voltou a colocar os processos mentais no centro, depois do predomínio behaviorista. Recorrendo por vezes à analogia com o computador (o pensamento como processamento de informação: entrada, processamento, saída), estuda como percebemos, memorizamos, raciocinamos e decidimos. As secções seguintes tratam duas competências centrais do pensamento — raciocinar e resolver problemas — e as suas armadilhas, os enviesamentos.
Exemplo resolvido

Protótipos e categorias

Pede-se rapidamente a várias pessoas que digam «um pássaro»: quase todas dizem pardal ou pombo, poucas dizem pinguim ou avestruz. Explica com os conceitos de categoria e protótipo.

  1. 01Reconhecer a categoria

    «Pássaro» é uma categoria que agrupa animais com características comuns (penas, bico, geralmente voam).

  2. 02Introduzir o protótipo

    Dentro da categoria, há exemplares mais típicos (protótipos): o pardal partilha muitas características centrais; o pinguim afasta-se (não voa).

  3. 03Explicar a resposta

    Ao pedir um exemplo, a mente ativa primeiro o protótipo, mais representativo da categoria.

Resultado: As respostas revelam a organização das categorias em torno de protótipos: o pardal é um «pássaro» mais típico do que o pinguim. Categorizar por protótipos é eficiente, mas mostra que nem todos os membros de uma categoria são tratados como igualmente representativos.

Foco no Exame Nacional

  • Caracterizar o pensamento como manipulação de representações e identificar os seus instrumentos (conceitos, imagens, linguagem).
  • Explicar a função das categorias e a relação (sem identidade) entre pensamento e linguagem.

Erros frequentes

  • Identificar pensamento e linguagem, como se não se pudesse pensar sem palavras.
  • Aceitar a versão forte de Sapir-Whorf (a língua «determina» o pensamento) como facto estabelecido.

Revisão ativa

Explica por que a categorização é indispensável ao pensamento e como pode, ao mesmo tempo, dar origem a simplificações como os estereótipos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Raciocínio e resolução de problemas#

●●○PadrãoLPAE-psicologia-b-pensamento

Pontos-chave

Raciocinar é encadear ideias para chegar a conclusões. Distinguem-se duas grandes formas. No raciocínio dedutivo parte-se de premissas gerais para uma conclusão particular que delas decorre com necessidade: se as premissas forem verdadeiras e o raciocínio válido, a conclusão é forçosamente verdadeira. No raciocínio indutivo parte-se de casos particulares para uma conclusão geral apenas provável: por muitos casos que se observem, a generalização pode falhar. A ciência e o dia a dia usam sobretudo indução (generalizar a partir da experiência), pelo que muitas conclusões humanas são prováveis, não certas.
Resolver um problema é encontrar um caminho de uma situação inicial para um objetivo quando o caminho não é imediato. Há duas grandes estratégias, comparadas na Fig. 2. Um algoritmo é um procedimento sistemático que, se seguido corretamente, garante a solução (experimentar todas as combinações de um cadeado); é seguro mas pode ser lento. Uma heurística é um atalho mental — uma «regra prática» que costuma funcionar e poupa esforço, mas não garante a solução e pode induzir em erro. Usamos heurísticas constantemente porque são rápidas e, na maioria dos casos, eficazes.

Algoritmo e heurística

Algoritmo × heurísticaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Algoritmo · Heurística; O que é · Procedimento sistemático e completo · Atalho / regra prática; Garante a solução? · Sim, se bem aplicado · Não (costuma funcionar); Rapidez · Pode ser lento · Rápido e económico; Risco · Baixo, mas custoso · Erros sistemáticos (enviesamentos), célula destacada: Não (costuma funcionar)ASPETOALGORITMOHEURÍSTICAO QUE ÉProcedimento sistemático ecompletoAtalho / regra práticaGARANTE A SOLUÇÃO?Sim, se bem aplicadoNão (costuma funcionar)RAPIDEZPode ser lentoRápido e económicoRISCOBaixo, mas custosoErros sistemáticos(enviesamentos)
Fig. 2Fig. 2 — Duas estratégias para resolver problemas: o método seguro e o atalho rápido.
A resolução de problemas encontra obstáculos típicos. A fixação funcional é a dificuldade em usar um objeto de forma diferente da habitual (não pensar em usar uma moeda como chave de fendas). O efeito de disposição mental (set) leva a insistir numa estratégia que já resultou antes, mesmo quando deixou de ser adequada. Estes obstáculos mostram que a experiência, que geralmente ajuda, pode também «prender» o pensamento a soluções conhecidas, dificultando as novas — o que valoriza a flexibilidade e a criatividade.
Um bom pensamento combina, portanto, rigor e flexibilidade: saber quando aplicar um método seguro e quando arriscar um atalho, e ser capaz de mudar de estratégia quando a habitual falha. Reconhecer as diferentes formas de raciocínio evita erros — por exemplo, exigir de uma generalização indutiva a certeza que só a dedução dá, ou tratar uma conclusão provável como se fosse demonstrada. Estas distinções preparam o estudo das heurísticas e dos enviesamentos, onde se vê como os atalhos do pensamento, tão úteis, produzem também erros sistemáticos.
Exemplo resolvido

Escolher a estratégia certa

Perdeu-se a chave e é preciso abrir um cadeado de três dígitos (000 a 999). Compara resolver o problema por algoritmo e por heurística.

  1. 01Estratégia algorítmica

    Experimentar sistematicamente todas as combinações de 000 a 999 garante abrir o cadeado, mas pode exigir até 1000 tentativas.

  2. 02Estratégia heurística

    Começar por datas significativas ou números repetidos é um atalho: se a combinação for uma dessas, resolve-se depressa; se não, falha.

  3. 03Decidir

    A heurística é mais rápida quando acerta, mas não garante; o algoritmo é seguro, mas lento.

Resultado: O algoritmo (testar todas as combinações) garante a solução mas é lento; a heurística (tentar números prováveis) é rápida mas falível. A escolha depende do tempo disponível e da tolerância ao risco — e ilustra por que usamos tanto heurísticas no dia a dia.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir raciocínio dedutivo (conclusão necessária) de indutivo (conclusão provável).
  • Distinguir algoritmo de heurística e identificar obstáculos à resolução de problemas (fixação, set).

Erros frequentes

  • Confundir dedução e indução, exigindo certeza a uma generalização indutiva.
  • Tratar as heurísticas como métodos seguros: são atalhos úteis, mas falíveis.

Revisão ativa

Distingue um algoritmo de uma heurística para descobrir um código de quatro dígitos e indica uma vantagem e uma desvantagem de cada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Heurísticas e enviesamentos cognitivos#

●●●AprofundamentoLPAE-psicologia-b-pensamento

Pontos-chave

Os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky mostraram que o pensamento humano recorre sistematicamente a heurísticas que, embora úteis, produzem erros previsíveis — os enviesamentos cognitivos. Não são erros ao acaso nem sinais de estupidez: são desvios regulares, partilhados por quase todos, resultantes dos atalhos com que a mente poupa esforço. Estudá-los é fundamental para um pensamento crítico, e a Fig. 3 reúne três dos mais importantes.

Três enviesamentos cognitivos

Enviesamentos cognitivosTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Enviesamento · Como funciona · Exemplo; Disponibilidade · Julgar pela facilidade de lembrar exemplos · Temer mais o avião do que o automóvel; Representatividade · Julgar pela semelhança com o protótipo · Adivinhar a profissão pela «cara» que tem; Ancoragem · Depender de um valor inicial de referência · Regatear a partir de um preço inicial inflacionadoENVIESAMENTOCOMO FUNCIONAEXEMPLODISPONIBILIDADEJulgar pela facilidade delembrar exemplosTemer mais o avião do que oautomóvelREPRESENTATIVIDADEJulgar pela semelhança com oprotótipoAdivinhar a profissão pela«cara» que temANCORAGEMDepender de um valor inicialde referênciaRegatear a partir de umpreço inicial inflacionado
Fig. 3Fig. 3 — Atalhos do pensamento que produzem erros sistemáticos (Kahneman e Tversky).
A heurística da disponibilidade leva a julgar a probabilidade de um acontecimento pela facilidade com que exemplos vêm à memória: como as notícias tornam certos perigos (acidentes de avião, ataques) muito «disponíveis», tendemos a sobrestimá-los face a riscos mais frequentes mas menos mediáticos. A heurística da representatividade leva a julgar se algo pertence a uma categoria pela semelhança com o protótipo, ignorando as probabilidades de base: descreve-se alguém como tímido e organizado e julga-se «bibliotecário», esquecendo que há muito mais pessoas noutras profissões. A ancoragem faz depender um juízo de um valor inicial de referência (a «âncora»), mesmo arbitrário, do qual não nos afastamos o suficiente.
Estes enviesamentos ligam-se à ideia dos dois sistemas de pensamento, popularizada por Kahneman e resumida na Fig. 4. O sistema 1 é rápido, automático, intuitivo e emocional — opera sem esforço e é a fonte da maioria dos juízos imediatos (e dos enviesamentos). O sistema 2 é lento, deliberado, esforçado e lógico — o que usamos para cálculos e raciocínios cuidados. O sistema 1 governa muito do dia a dia; o sistema 2, mais «preguiçoso», nem sempre corrige os atalhos do sistema 1, e é aí que os erros passam.

Os dois sistemas de pensamento

Sistema 1 × sistema 2Tabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Sistema 1 · Sistema 2; Velocidade · Rápido, imediato · Lento, ponderado; Esforço · Automático, sem esforço · Deliberado, esforçado; Natureza · Intuitivo, emocional · Lógico, analítico; Papel nos erros · Fonte dos enviesamentos · Pode corrigir (se ativado), célula destacada: Fonte dos enviesamentosASPETOSISTEMA 1SISTEMA 2VELOCIDADERápido, imediatoLento, ponderadoESFORÇOAutomático, sem esforçoDeliberado, esforçadoNATUREZAIntuitivo, emocionalLógico, analíticoPAPEL NOS ERROSFonte dos enviesamentosPode corrigir (se ativado)
Fig. 4Fig. 4 — Dois modos de pensar: o intuitivo rápido e o deliberado lento (Kahneman).
Reconhecer os enviesamentos não os elimina — eles são profundos e automáticos —, mas permite defender-se deles em situações importantes: desconfiar das primeiras impressões, procurar as probabilidades reais em vez de julgar por semelhança, questionar as âncoras, buscar informação que contrarie a própria expectativa (contra o viés de confirmação). Convém, contudo, guardar equilíbrio: as heurísticas existem porque são globalmente adaptativas; funcionam bem na maioria das situações e permitem decidir depressa. O objetivo não é desconfiar de todo o pensamento intuitivo, mas saber quando ativar o sistema 2.
Exemplo resolvido

Representatividade e probabilidades de base

«O João é tímido, meticuloso e gosta de ler. É mais provável que seja bibliotecário ou vendedor?» Muita gente responde bibliotecário. Analisa a resposta.

  1. 01Identificar a heurística

    A descrição corresponde ao protótipo de «bibliotecário», e por representatividade julga-se que ele o é.

  2. 02Trazer as probabilidades de base

    Há muito mais vendedores do que bibliotecários na população; mesmo que os bibliotecários tendam a ter aquele perfil, os vendedores com esse perfil são, em número absoluto, mais.

  3. 03Concluir

    Ignorar as probabilidades de base leva ao erro: estatisticamente, é mais provável que seja vendedor.

Resultado: A resposta «bibliotecário» resulta da heurística da representatividade, que se guia pela semelhança com o protótipo e ignora as probabilidades de base. Considerando quantas pessoas há em cada profissão, é mais provável que o João seja vendedor.

Foco no Exame Nacional

  • Definir enviesamento cognitivo e explicar as heurísticas da disponibilidade, representatividade e ancoragem.
  • Distinguir o sistema 1 (rápido, intuitivo) do sistema 2 (lento, deliberado).

Erros frequentes

  • Ver os enviesamentos como erros individuais ou sinais de falta de inteligência, e não como desvios sistemáticos partilhados.
  • Concluir que toda a intuição é má: as heurísticas são globalmente úteis; o problema é o erro sistemático em certos casos.

Revisão ativa

Identifica o enviesamento em: «Depois de ver várias notícias de assaltos, uma pessoa acha que a criminalidade disparou, embora as estatísticas mostrem o contrário.»

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Decisão, metacognição e criatividade#

●●○PadrãoLPAE-psicologia-b-pensamento

Pontos-chave

Tomar decisões é escolher entre alternativas em função de objetivos e da informação disponível. O modelo «racional» ideal — pesar todas as opções e consequências e escolher a melhor — raramente se cumpre: temos informação e tempo limitados. Herbert Simon falou de racionalidade limitada e de satisfação (satisficing): em vez da opção ótima, escolhemos frequentemente a primeira que é «suficientemente boa». Além disso, as emoções, os enviesamentos e o modo como as opções são apresentadas (o «enquadramento») influenciam fortemente as decisões, que estão longe de ser puramente lógicas.
A metacognição é o «pensar sobre o próprio pensamento»: o conhecimento e o controlo que temos dos nossos processos mentais — saber o que sabemos e o que não sabemos, avaliar se compreendemos, planear e monitorizar como estudamos ou resolvemos um problema. É uma competência decisiva para aprender: um estudante metacognitivo deteta que não percebeu, muda de estratégia e regula o seu esforço. Desenvolver a metacognição — perguntar-se «percebi mesmo?», «que método está a resultar?» — melhora a aprendizagem e a resolução de problemas.
A criatividade é a capacidade de produzir ideias ou soluções ao mesmo tempo novas e valiosas (adequadas ao fim). Liga-se ao pensamento divergente — gerar muitas ideias e caminhos alternativos a partir de um ponto —, por oposição ao pensamento convergente, que procura a única resposta correta. Criar exige as duas coisas: divergir para gerar possibilidades e convergir para as avaliar e selecionar. A criatividade não é um dom raro e mágico: pode ser cultivada, e beneficia de conhecimento na área, de motivação intrínseca e de ambientes que tolerem o erro e o risco.
Uma descrição clássica do processo criativo, devida a Wallas, distingue quatro fases apresentadas na Fig. 5: a preparação (informar-se e trabalhar intensamente o problema), a incubação (afastar-se conscientemente enquanto a mente continua a trabalhar), a iluminação (o súbito surgir da ideia, o «insight») e a verificação (avaliar e desenvolver a ideia). Este esquema mostra que a criatividade combina esforço deliberado e processos menos conscientes, e que a «inspiração» costuma chegar a mentes preparadas. Pensar bem é, no fim, saber articular rigor, flexibilidade, autorregulação e abertura ao novo.

As fases do processo criativo

Processo criativoGrafo, Preparação (trabalhar o problema) → Incubação (afastamento), Incubação (afastamento) → Iluminação (insight), Iluminação (insight) → Verificação (avaliar e desenvolver)Preparação(trabalhar oproblema)Incubação(afastamento)Iluminação(insight)Verificação(avaliar edesenvolver)
Fig. 5Fig. 5 — O processo criativo (Wallas): entre o trabalho deliberado e o insight.
Exemplo resolvido

Metacognição no estudo

Um estudante relê a matéria várias vezes e sente que «já sabe», mas no teste falha. Um colega, ao estudar, faz perguntas a si próprio e tenta explicar a matéria sem olhar. Analisa a diferença em termos de metacognição.

  1. 01Identificar a ilusão de saber

    A releitura cria familiaridade, que o primeiro estudante confunde com compreensão — falha metacognitiva (avalia mal o que sabe).

  2. 02Analisar a autotestagem

    O colega testa-se e tenta explicar: assim deteta o que não domina e regula o estudo — boa monitorização metacognitiva.

  3. 03Concluir

    A metacognição eficaz distingue familiaridade de domínio e ajusta a estratégia, o que melhora o desempenho real.

Resultado: O primeiro estudante tem uma falha metacognitiva: confunde familiaridade com compreensão. O colega, ao testar-se e explicar, monitoriza o que sabe e corrige a tempo. A metacognição — saber o que se sabe e regular o estudo — faz a diferença no resultado.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a racionalidade limitada na tomada de decisão e a importância da metacognição.
  • Distinguir pensamento convergente de divergente e descrever as fases da criatividade.

Erros frequentes

  • Supor que as decisões humanas são processos puramente racionais e completos.
  • Ver a criatividade como um dom inato e súbito, esquecendo o papel da preparação e do trabalho.

Revisão ativa

Distingue pensamento convergente de divergente com um exemplo de cada, e explica por que a criatividade precisa de ambos.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Pensamento, conceitos e linguagem○
    • 02Raciocínio e resolução de problemas◐
    • 03Heurísticas e enviesamentos cognitivos●
    • 04Decisão, metacognição e criatividade◐

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Cognição e processo de pensamento humano

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Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Psicologia B — 12.º ano (À Descoberta do Ser)

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