EuraStudy
José Saramago, único Prémio Nobel da Literatura de língua portuguesa, é o grande romancista português contemporâneo. Memorial do Convento (1982) entrelaça, no Portugal barroco de D. João V, três planos: o amor de Baltasar e Blimunda, o voo da passarola do Padre Bartolomeu de Gusmão e a construção do Convento de Mafra. Romance histórico e crítico, de estilo inconfundível, é corpus obrigatório do 12.º ano e matéria do Grupo I do Exame Nacional 639.
4 secções~13 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 1 · Aprofundamento 2
nível básico
Formação geral: reconhecer os três planos da narrativa, as personagens e a crítica ao poder.
nível avançado
Aprofundamento: analisar o realismo mágico e o estilo saramaguiano (pontuação, narrador) com rigor.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Saramago e o romance
Como reescreve Saramago a história de Portugal em Memorial do Convento?
A ação decorre no reinado de D. João V, época de ostentação do poder, do ouro e da Igreja.
Saramago não centra o romance no rei, mas em Baltasar, Blimunda e nos trabalhadores anónimos de Mafra.
A história é reescrita a partir de baixo, dando voz aos que a história oficial esquece.
Resultado: Saramago reescreve a história a partir de baixo: em vez da história oficial de D. João V, dá protagonismo ao povo — Baltasar, Blimunda e os trabalhadores de Mafra —, restituindo dignidade e voz aos esquecidos da história.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o contexto histórico de Memorial do Convento e a forma como Saramago reescreve a história a partir do povo, referindo o realismo mágico.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os três planos do romance
Que oposição simbólica estrutura os planos do voo e do convento?
A passarola representa o sonho, a liberdade, a ciência e a imaginação do povo (o padre, Baltasar, Blimunda).
Mafra representa o poder absoluto do rei e da Igreja, erguido sobre o sacrifício do povo.
Sonho libertador contra poder opressor: o voo eleva, o convento esmaga; ambos feitos pelo trabalho do povo.
Resultado: O voo (a passarola) simboliza o sonho, a liberdade e a ciência; o convento (Mafra) simboliza o poder absoluto e a opressão. A oposição entre o sonho libertador e o poder que esmaga o povo estrutura o sentido do romance.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica como se entrelaçam os três planos de Memorial do Convento e a oposição simbólica entre o voo e o convento.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
O estilo saramaguiano
Que efeito produz a pontuação característica de Saramago, em que as falas das personagens se integram no texto sem travessões nem aspas?
As falas surgem no meio do texto do narrador, separadas apenas por vírgulas e maiúsculas, sem marcas gráficas de diálogo.
Cria-se um fluxo contínuo, próximo da oralidade e do pensamento, que envolve o leitor num ritmo de contador de histórias.
A voz do narrador e a das personagens fundem-se, restituindo a voz coletiva e popular — coerente com a reescrita da história a partir do povo.
Resultado: A pontuação integra o diálogo no fluxo narrativo, criando uma oralidade envolvente e fundindo a voz do narrador com a das personagens — um estilo que restitui a voz ao povo, em coerência com a visão crítica e humanista da obra.
Erros frequentes
Revisão ativa
Analisa um excerto de Memorial do Convento, identificando dois traços do estilo saramaguiano (pontuação, narrador interventivo, ironia ou lirismo) e a sua função.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)