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O domínio da Leitura desenvolve a compreensão e a interpretação de textos não literários de géneros variados — relato de viagem, apreciação crítica, artigo de opinião, texto expositivo e argumentativo, artigo de divulgação científica. Ensina a reconstruir a organização argumentativa (tese, argumentos, conclusão), a distinguir facto de opinião e a fazer inferências. É avaliada no Grupo I da prova (parte de leitura) e é transversal a toda a resolução do Exame Nacional 639.
4 secções~13 min de leitura4 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Formação geral: compreender o sentido global, identificar tese e argumentos e distinguir facto de opinião em textos de leitura.
nível avançado
Aprofundamento: avaliar a coerência e a validade da argumentação, reconhecer falácias e relacionar criticamente o texto com o seu contexto e intenção.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
Géneros de leitura e finalidades
Um texto termina assim: «Por tudo isto, é urgente que as escolas repensem os horários. Não podemos continuar a ignorar o sono dos adolescentes.» Que género é este e como o justificas?
O texto não se limita a informar: defende que as escolas mudem os horários — pretende convencer.
A tese é «é urgente que as escolas repensem os horários», reforçada pela conclusão.
«é urgente», «não podemos continuar a ignorar» são modalizações que revelam o ponto de vista.
Resultado: É um texto argumentativo / artigo de opinião: tem tese explícita, intenção persuasiva e marcas de modalização; não é expositivo, pois toma posição em vez de apenas informar.
Erros frequentes
Revisão ativa
Perante dois textos breves sobre o mesmo tema — um expositivo e um de opinião —, identifica o género de cada um e justifica com duas marcas linguísticas por texto.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
A arquitetura do texto argumentativo
«A bicicleta devia ser incentivada nas cidades. Reduz a poluição — em Copenhaga, onde 60% se deslocam de bicicleta, o ar é mais limpo. Dir-se-á que chove muito; mas o vestuário adequado resolve o problema.» Identifica tese, argumento, exemplo e contra-argumento.
«A bicicleta devia ser incentivada nas cidades» — é a posição defendida.
Argumento: reduz a poluição; exemplo (que o ilustra): Copenhaga, com 60% de utilizadores e ar mais limpo.
Contra-argumento evocado: «chove muito»; refutação: «o vestuário adequado resolve o problema».
Resultado: Tese: incentivar a bicicleta; argumento: redução da poluição, ilustrado pelo exemplo de Copenhaga; contra-argumento (a chuva) antecipado e refutado — uma estrutura argumentativa completa.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num artigo de opinião, identifica a tese, dois argumentos e um contra-argumento refutado, e assinala os conectores que marcam essas relações.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Tipos de argumento e falácias
«O deputado que propõe esta lei ambiental já foi multado por excesso de velocidade, portanto a sua proposta não tem valor.» Avalia este raciocínio.
Conclui-se que a proposta não vale a partir de um facto sobre a pessoa do proponente, não sobre o conteúdo da proposta.
A multa por velocidade nada tem a ver com a qualidade da proposta ambiental — o argumento não é pertinente.
É um ataque à pessoa (ad hominem): desqualifica-se o autor para desqualificar a ideia, o que não a refuta.
Resultado: O raciocínio é falacioso (ad hominem): a validade de uma proposta não depende dos defeitos do seu autor. A tese teria de ser avaliada pelo seu próprio mérito.
Erros frequentes
Revisão ativa
Analisa três argumentos de um texto de opinião: classifica cada um por tipo, avalia a sua força e identifica se algum constitui uma falácia.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Os níveis de sentido de um texto
Num artigo, lê-se: «As nossas cidades, tão bem preparadas para os peões, obrigam-nos apenas a saltar entre carros estacionados nos passeios.» Explicita o sentido.
Elogia-se as cidades como «bem preparadas para os peões», mas o resto da frase descreve o oposto (saltar entre carros nos passeios).
O contraste entre o elogio e a realidade descrita revela que a expressão «tão bem preparadas» é irónica: significa o contrário.
O autor critica, na verdade, cidades mal preparadas para os peões, onde os passeios estão ocupados por carros.
Resultado: A frase é irónica: sob a aparência de elogio, critica a falta de condições para os peões. O sentido verdadeiro constrói-se por contraste com a expressão literal e com a situação descrita.
Erros frequentes
Revisão ativa
Num excerto com um enunciado irónico e um pressuposto, explicita o sentido verdadeiro da ironia e o conteúdo pressuposto, justificando com elementos do texto.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Português — Ensino Secundário (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)